Miseri Coloni dá Voz ao Silêncio é o título do novo espetáculo agendado para estrear no dia 11 de outubro, no UCS Teatro, com ingressos totalmente gratuitos. No momento, o reconhecido Grupo de Teatro Miseri Coloni, que possui mais de 40 anos de palco, está na fase de ensaios e ajustes finais, tendo presente o marco dos 150 anos de imigração italiana, que corre em 2025. O projeto tem financiamento do ProCultura da SEDAC – Secretaria de Estado da Cultura – RS, com verba conquistada via Edital nº 16/2021 a Arte do Espetáculo, do FAC – Fundo de Apoio à Cultura.
O dramaturgo Jorge Rein escreveu o texto da obra, focada no contexto dos anos 1920 e 1930, onde ocorreram as comemorações do Cinquentenário da Imigração Italiana, em meio a situações de conflitos e disputas políticas entre Ximangos e Maragatos no Rio Grande do Sul e a chegada ao poder do fascismo na Itália tendo o desfecho com a Segunda Guerra Mundial. E dentro disso os imigrantes italianos fazendo sua história, com marcas importantes que permanecem vivas até hoje.
Na sequência da obra escrita por Jorge Rein, o protagonismo dos trabalhos passou para o diretor do espetáculo, Fábio Cuelli. Entre leitura do texto original, concepção do espetáculo e organização do elenco para o processo criativo, decorreram alguns meses. Segundo o diretor, “nesta montagem teatral reunimos relatos pessoais dos integrantes do Miseri Coloni e a partir deles reconstruímos fatos históricos, como a partida da Itália rumo ao Brasil, a construção de uma nova vida e os atritos políticos nacionais e internacionais que afetaram os imigrantes italianos e seus descendentes em solo gaúcho durante os últimos quase 150 anos.
E quais foram os silêncios impostos e suas consequências para a nossa cultura e história? Cuelli responde que a partir do texto de Jorge Rein, iniciou o desenvolvimento da dramaturgia cênica construindo uma ponte entre a memória pessoal de cada integrante e sua relação com os acontecimentos abordados no texto. Tais memórias compartilhadas trouxeram novas perspectivas para o que parecia perpetuar a cicatriz do sofrimento, fomos além, e trouxemos à tona uma atitude de resistência contra os retrocessos políticos e sociais. Um fruto importante dessa resistência é o Talian, que na última década tornou-se uma língua reconhecida pelo IPHAN como referência cultural brasileira.
O espetáculo utiliza-se da poética do teatro documentário, com depoimentos reais, faz o uso de máscaras, sombras, canto, dança e projeção de vídeos e fotos, captados e editados por André Costantin e Daniel Herrera, que aprofundam o diálogo cênico entre a imagem projetada e o texto. O desenho de luz de Luiz Acosta concretiza a atmosfera sensorial de cada cena. Os figurinos de Magali Quadros possuem uma precisão histórica, realista e torna possível a experiência de transitar pelo tempo.
A direção musical é realizada por Cibele Tedesco, dedicada em pesquisar as trilhas e fontes originais das composições, também conduz as vozes e sons de todo o espetáculo, com a excelência de alguém que possui a sensibilidade e a experiência artística necessárias para interromper o silêncio do qual nos referimos no título.
A equipe conta com João Tonus em sua imensa dedicação à memória e pesquisa sobre a imigração italiana, que fundamenta e torna viável colocarmos não uma nova verdade sobre a história, mas um questionamento digno para projetarmos o futuro.
Cleri Pelizza está como produtora e atriz, força motriz de todas as atividades da Associação Cultural Miseri Coloni e que torna viável a execução deste trabalho que movimenta mais de 40 profissionais entre atores, atrizes, técnicos e prestadores de serviços. Além de atores e atrizes integrantes do Miseri em outros espetáculos, como Marco Antônio e Nádia de Carli, esta montagem conta com novos integrantes atores, atrizes, cantores e cantoras.




EUNICE PIGOZZO é Bibliotecária de formação, tendo atuado profissionalmente por mais de 30 anos em Bibliotecas Públicas e privadas de Bento Gonçalves e região. Coordenou, realizou e participou de diversos projetos de promoção da leitura, com destaque para a Feira do Livro de Bento Gonçalves, Pontos de Leitura de Bento Gonçalves, Agentes de Leitura, Protagonistas da Palavra e Clube de Assinaturas da Dom Quixote, premiado em 2021 pela Fundação Marco Polo e SEDAC/RS. Em 2021, recebeu o Prêmio Trajetórias Culturais, concedido pelo Instituto Trocando Ideia e SEDAC/RS. Desde 2016, atua como curadora literária da Dom Quixote Livraria.
Conforme o músico e produtor cultural do Bento Jazz & Wine Festival, Carlos Badia, “a escolha dos artistas do Bento Jazz passa tanto pela relevância artística e técnica dos músicos, quanto a novidade de sua obra ou novos artistas, trazendo visibilidade a carreiras importantes, mas que às vezes o grande público desconhece. O Bento Jazz & Wine Festival cada vez mais quer se internacionalizar e trazer também artistas de expressão nacional para seu line up, prestigiando também a cena do Rio Grande do Sul”.