Policiais do 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar realizaram apreensão de fauna e petrechos de pesca proibidos em Bento Gonçalves

Na manhã de sábado (19), em operação embarcada na Usina 14 de Julho, a guarnição do 3° Grupo de Policiamento Ambiental de Bento Gonçalves flagrou duas pessoas realizando pesca embarcada com motor de popa, utilizando petrechos proibidos, tais como redes e tarrafas assim incorrendo em crime de natureza ambiental. Diante dos fatos os petrechos de pesca, o barco e o motor foram apreendidos, e os peixes devolvidos ao seu habitat natural.

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Projeto Pontos de Afeto beneficia Abraçaí através de confecção e venda de almofadas

Centenas de almofadas, confeccionadas sob uma curadoria cuidadosa, foram resultantes do projeto social Pontos de Afeto, desenvolvido pela empresária Beatriz Dreher Giovannini, em parceria com a artesã Marilene Galvagni Guerra. As almofadas estão sendo comercializadas em estabelecimentos comerciais de Bento Gonçalves. A renda será revertida para a Associação Bentogonçalvense de Convivência e Apoio à Infância e Juventude (Abraçaí), que atende 250 estudantes, de 5 a 17 anos, no contraturno escolar, com refeições e atividades artísticas, entre outros benefícios.

 

O projeto social Pontos de Afeto deu um novo significado às peças de crochês produzidas por mães, avós e tias num passado recente, onde essa arte era exposta com grande orgulho na maioria dos lares da Serra Gaúcha. O envolvimento com a comunidade de Bento Gonçalves e o espírito do voluntariado sempre estiveram presentes na trajetória de Beatriz, ou Bita, como é carinhosamente conhecida. No ano passado, enquanto arrumava algumas gavetas, Bita se deparou com inúmeras peças de crochês feitas por sua mãe e sogra, há anos guardadas com afeto. Assim, surgiu a ideia de confeccionar as dez primeiras almofadas, experimentalmente produzidas, mas rapidamente vendidas.

 

Neste ano, o projeto recebeu muitas adesões e doações, numa corrente de solidariedade. “Foram tantas doações, que já temos material para mais três anos de Pontos de Afeto”, alegra-se Bita. Ela ressalta que escolheu repassar a verba arrecadada para a Abraçaí por entender que nela está o futuro de Bento Gonçalves. “Quando você abraça uma criança, você constrói infinitas possiblidades”, afirma.

 

A possibilidade de ajudar o próximo sempre foi genuína para Marilene que, quando procurada, aceitou prontamente o desafio de confeccionar as peças. “Começamos ainda em fevereiro. Recebia o tecido já com os crochês aplicados e então fazia a costura e o enchimento das almofadas. Foi um trabalho muito gratificante para mim”, ressalta a artesã.

 

Para quem quiser contribuir com a causa, levando para casa almofadas únicas e que resignificaram as peças de crochês, a comercialização será feita nos seguintes estabelecimento: Porta Azul, Lina Giacomello, Jane Beauty, Efeitoeneri, Acatê Modas e Porto dos Sonhos.

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Os desafios do teatro em tempos de pandemia

Por Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

@sr_demarco 

“Teatro é como sexo. É uma coisa que a gente diz: quero isso para mim”. A frase é da atriz Cristiane Torloni e resume o vício e o tesão de quem faz teatro, do ator que brilha no palco, independente do cachê que recebe. Em tempos de pandemia, no entanto, os palcos fecharam as cortinas e os artistas tiveram que encontrar alternativas para manterem a chama da arte acesa. No dia 19 de setembro é celebrado o Dia Nacional do Teatro e para recordar a data e de quem faz arte na região, o Integração da Serra conversou com atores que têm demonstrado irreverência e criatividade para driblar as dificuldades de um ano de palcos vazios. Conversamos com o professor, bailarino e ator Moacir Corrêa, com a atriz e diretora cênica Juliana Gedoz Tieppo e com o ator e professor multifacetado garibaldense, Guilherme Carniell.

Guiga

Guiga: o ator das múltiplas cores e faces

Se teatro é tesão e um vício, certamente Guiga está entre os atores que mais experimenta e aproveita cada centímetro do palco

 

Guilherme Carniel, o Guiga, já interpretou inúmeros personagens, dos mais diversos estilos e características. A alegria e energia deixada nos palcos é apenas um detalhe no trabalho do ator. Atualmente é um dos artistas da Companhia Teatral Acto, que conta com nove atores e atrizes.

 

Conte um pouco sobre tua história de vida e a ligação com a arte.

Guiga: Sou Guilherme Carniell, nascido e criado em Garibaldi. Eu sempre gostei de criar cenas, desde pequeno. Conforme fui crescendo, foram surgindo experimentações cênicas no bairro, na catequese, na escola e eu sempre estava metido e liderando projetos culturais. Hoje eu percebo como a arte sempre foi muito presente em minha vida. Já fiz vários personagens bíblicos, posso dizer que minha carreira de ator começou na catequese com as encenações de Páscoa e Natal. Na adolescência eu comecei um curso de teatro, mas precisei parar por questões de agenda. Então, na vida adulta, já cursando a graduação de Publicidade e Propaganda, a Cia Teatral Acto abriu vagas para seletiva de atores e atrizes. Sem perder tempo me inscrevi e passei. Isso foi em 2015, quando o teatro fazia parte de uma noite da minha semana, eu via essa arte mais como hobby ou um passatempo, um momento para relaxar. Porém esse hobby foi virando paixão e, quando eu vi, estava me matriculando no curso profissionalizante de atores e atrizes da Escola de Teatro Tem Gente Teatrando, de Caxias do Sul. Foram dois anos de estudos e práticas teatrais que abriram a minha mente e me fizeram focar nessa carreira cada vez mais. Hoje, sou ator e publicitário. Também atuo como professor de teatro no Espaço Coletivo das Artes, dando aula para crianças, adolescentes, adultos e uma turma virtual, com alunos até de São Paulo. Além disso, participo do elenco da Cia Teatral Acto, Grupo de Teatro Hora Vaga, Coletivo de Artistas Feixe de Vime e Grupo Cênico Orelhas de Abano. E hoje, eu tenho 100% de certeza que o teatro foi o principal responsável pelo Guilherme que eu me tornei.

 

Fale sobre a história da Companhia Teatral Acto.

Guiga: A Cia Teatral Acto surgiu em setembro de 2013 na cidade, por uma demanda da própria comunidade, interessada no estudo e prática da arte cênica. Seu plano de trabalho contempla o desenvolvimento das técnicas artísticas, o estímulo e o exercício de criatividade e da percepção, o desenvolvimento do trabalho em grupo, do improviso. Desde sua fundação, tem a direção da atriz Manuela Guerra e, atualmente, conta com os subsídios do Fundo Municipal de Cultura, da Prefeitura de Garibaldi. Montagens da Cia Teatral Acto: A Maldição do Vale Negro (2014), As Cartas Não Mentem Jamais (2016), iClown (2018), As Aventuras de Dara e Pinguinho (2019) e Um pobre, um louco, um milionário (2019). Além das peças, o grupo já montou esquetes teatrais, saraus literários, intervenções artísticas e animações de festas e eventos.

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Guiga, sei que és apaixonado pela arte que desenvolve no teatro. Quando e como foi que começaste a te interessar pelos palcos e a pensar em ser ator?

Guiga: Eu sempre gostei de me apresentar, na escola e tudo mais. Mas acredito que foi no início de 2017 que comecei a me ver como ator profissional. Logo depois disso surgiu o curso profissionalizante pela Tem Gente Teatrando, que me mostrou todas as possibilidades de trabalhar com teatro, não apenas em cena.

 

Quais foram os personagens que interpretaste que mais te marcaram na carreira?

Guiga: Essa pergunta é difícil, eu poderia listar aqui todos personagens que já fiz, cada um tem uma história e foi importante para mim num momento específico da minha vida. O Nino, por exemplo, lá de 2016, foi o primeiro personagem de uma produção grande, ele era o protagonista do espetáculo musical As Cartas não mentem jamais. Durante a preparação dessa peça, eu vivi tanta coisa e o Nino acabou amadurecendo muito nesse período. Da fase do curso profissional, tenho dois personagens guardados no meu coração: o Bobo da Corte, da peça Rei Lear, do Shakespeare é um deles. Até então eu sempre tinha feito comédia, estava empolgado por fazer tragédia e observar como seria meu desempenho num drama. No final, eu recebi o papel do Bobo (risos), e foi ótimo. Esse papel deu dimensões do meu corpo como eu nunca tinha reparado anteriormente. O segundo personagem do curso, foi o que eu criei para o meu trabalho de conclusão, o benzedeiro. Foi um projeto 100% autoral, cenário, texto e personagem, e o principal motivo desse monólogo foi homenagear meu avô Jusa, que é benzedeiro. Toda a trajetória de criação desse personagem foi extremamente íntima e pessoal. No dia da estreia, em uma cena em que eu benzo a plateia, me direcionei ao meu avô e o benzi. É um momento que ficará marcado para sempre em minha memória. E o último, que mais amo, é o Le Guilhotim, um personagem criado para a peça Um pobre, um louco, um milionário, da Cia Teatral Acto. Tenho um carinho imenso porque foi um trabalho construído do zero praticamente, com a direção da Manuela Guerra e da Simone de Bordi. O Le Guilhotim mostra um lado meu que tento esconder no dia a dia, mas que em cena fica perfeito.

 

Além de atuar, sei que és extremamente envolvido com movimentos culturais de Garibaldi. Na tua opinião, o que poderia ser feito pela cultura para fortalecer ainda mais a cena artística da cidade?

Guiga: Além de ator e professor de teatro, desde o ano passado atuo como presidente do Conselho de Políticas Públicas Culturais (ConCult) de Garibaldi. É um trabalho às vezes cansativo, mas que dá frutos gratificantes, como foram as Lives da Cultura, um projeto que teve como parceria a Secretaria de Turismo e Cultura e a Associação Allegro. Tenho certeza que a cena artística local seria mais fortalecida com a união cada vez maior da classe. As lives mostraram o peso e o impacto da cultura garibaldense e muitos artistas entraram em contato com o ConCult. Além do mais, agora estamos em período eleitoral, é de extrema importância cobrarmos dos candidatos alternativas para a pasta da cultura e propor ideias também. Exigir a Casa de Cultura, leis e editais para promover a economia criativa. A arte salva, mas é preciso lutar para salvá-la.

 

Quais são os principais desafios de atuar?

Guiga: O principal desafio é a exposição, parece um pouco óbvio, não a exposição de subir num palco, na frente da uma plateia. A exposição que eu falo é de se permitir ser observado e julgado. Muitos processos de construção de personagens são extremamente pessoais: resgate da infância, relembrar algum trauma, desgaste físico e emocional. Não é simplesmente decorar um texto e pronto. Além disso, por ser ao vivo, precisamos estar atentos a tudo, qualquer coisa pode acontecer durante uma apresentação, seja de palco ou de rua, ou até numa live. Uma vez, por exemplo, um colega de palco deslocou o ombro em cena e precisamos continuar sem ele. Além disso, aprender a lidar com a crítica e saber ouvir os outros. Afinal, ator tem o ego inflado (risos), então é preciso ter muito cuidado para não cair na linha egocêntrica.

 

Tu achas que atores e artistas de uma forma geral ainda sofrem bastante preconceito? Como tu observas a realidade do teatro na Serra Gaúcha?

Guiga: Acredito que muita gente não vê o artista como um profissional. Um exemplo disso são cachês com valores baixos ou pedir para fazer algo de graça. Além disso, a classe artística depende muito de editais para sobreviver. É raro encontrar algum artista com um salário fixo mensal. Outro fator que contribui para esse preconceito é a valorização do artista internacional, mas o artista que atua na tua cidade é esquecido. Porém, mesmo assim, a classe artística regional luta e resiste. Um exemplo disso foi a criação de um grupo com representantes culturais das cidades da Serra Gaúcha para debatermos ideias sobre o setor e levá-las à Secretaria de Cultura do Estado. Enfim, é muito importante o apoio da população para enaltecer os artistas da região.

 

Qual foi o principal impacto da pandemia no teu trabalho de ator e como foi driblar as dificuldades de 2020?

Guiga: A pandemia foi e está sendo um momento bem difícil. Aos poucos estamos nos adaptando a interagir e se apresentar para uma câmera, mas faz falta esse contato com o público, olho no olho. Sempre falamos que metade é o ator e metade é a plateia. E agora a nossa metade é o olho de uma lente. O principal impacto que eu vejo são as salas de ensaio vazias, que estão retomando aos poucos as atividades em bandeira laranja. Desde março tornamos as aulas presenciais em virtuais, metade dos alunos não conseguiram acompanhar por questões financeiras ou por não conseguirem se adaptar. E se adaptar, sem dúvida, é o mais difícil nesse momento. O teatro tem muito contato humano, e transmitir isso por uma vídeo-chamada está sendo um desafio. Mas precisamos resolver nossos problemas e pensar em possibilidades. Por isso, está sendo interessante fazer parte desse movimento de “reinvenção” do teatro. Hoje me sinto muito mais preparado e maduro como professor de teatro por ter mantido minhas turmas em ambiente virtual e já ter apresentado espetáculos por meio de lives. É um desafio, mas se aprende muito com ele. Tem artistas falando que estamos vivendo um novo período renascentista e, em partes, concordo com essa teoria. O processo de adaptação é desgastante e repleto de incertezas, mas quando vemos os resultados e percebemos que conseguimos impactar a vida de alguém, durante uma pandemia, por meio de vídeo, isso nos motiva a continuar pesquisando formas de fazer arte.

 

Como tem sido realizar as lives da cultura?

Guiga: Foi um projeto imenso, pensado, planejado e executado em tempo recorde. Acredito que o principal legado dele foi mostrar como Garibaldi está repleta de artistas e que temos material cultural de qualidade. Além disso, participar de um projeto que proporciona ao artista uma possibilidade de se apresentar com estrutura de qualidade e dar visibilidade foi incrível. Conheci muita gente e muita gente conheceu o ConCult, principalmente. Por mais que 2020 tenha sido um ano conturbado para a classe artística, sinto que 2021 vai ser agitado, porque tem muito projeto sendo feito, ideias sendo criadas e muita vontade de voltar aos palcos, para a rua, para as aglomerações e, podem ter certeza, que a classe artística garibaldense já está se aquecendo para esses novos projetos.

 

Moa

Moacir Corrêa: mais de 40 anos dedicados à arte

Um dos atores com trajetória ímpar e diferenciada tem décadas de atuação e prêmios conquistados por diversos trabalhos. De personalidade forte e um perfeccionismo digno dos grandes artistas, Moacir Corrêa, o Moa, como é carinhosamente conhecido, coleciona peças, trabalho, história.

Conheça um pouco mais sobre esse grande artista.

 

Conte brevemente sobre sua história no teatro?

Moa: Me apaixonei pelo teatro quando fui pela primeira vez, aos 9 anos assistir a uma peça (O Rapto das Cebolinhas) no antigo Cine Marco Polo. Fiquei fascinado pela magia naquele palco. Saí da apresentação e coloquei na minha cabeça que um dia eu iria fazer Teatro. Em meados de 1970 eu iniciei na Escola Polivalente, hoje Escola Landell e lá subi pela primeira vez no palco para dançar e fazer Teatro e nunca mais parei. Participei do 1º Festival de Teatro de Bento Gonçalves e segui até a 7ª e última edição. Participei do primeiro Curso de Teatro em Bento com um professor do Rio de Janeiro e continuei participando de outros cursos e oficinas por aqui e em outros lugares. O meu primeiro prêmio como Ator ganhei em 1984 com a peça O Pequeno Príncipe atuando com sete personagens. A partir daí vieram muito mais prêmios como Ator, Ator Coadjuvantes, Diretor, Figurinista e Melhores Espetáculos. No final da década de 1980 resolvi apostar no Teatro Profissional, até então eu fazia teatro e tinha outras profissões como a Militar e depois Carteiro. Foi uma época bastante dinâmica porque também estudava dança na Escola Renascença de Dança e Cantava num Coro (eu era Tenor). Enfim, do final de 1970 até o final da década de 1990 eu realizei muita coisa no campo do Teatro, Dança e Canto. Foi muito produtivo. No ano 2000, eu e minha mestra em dança moderna Cecy Franck criamos o Centro Integrado de Artes Cênicas o qual ficou estabelecido no centro da cidade por 9 anos. Muitas crianças sem poder aquisitivo e adultos também, tiveram o privilégio de fazer aulas de dança, canto, teatro e capoeira gratuitamente com ótimos professores que acreditaram no projeto. Me graduei e me pós graduei em Dança. Fiz alguns aperfeiçoamentos e dei aulas se dança fora do país e apresentei Teatro também no exterior. Hoje sou o artista cênico mais antigo da cidade em atuação. Coloquei muita gente no palco seja no Teatro ou na Dança e algumas estão por ai ainda hoje no mundo das artes.

 

Que idade tinha quando começou a se interessar por teatro e quais foram as principais influências?

Moa: Não tive nenhum artista na família, portanto nenhum referencial, e como eu comentei, aos 9 anos assisti a minha primeira peça e me apaixonei. Subi no palco pela primeira vez em 1975 quando tinha 11 anos de idade. A peça O Rapto das Cebolinhas de Maria Clara Machado, que foi a primeira peça que assisti e a principal influência para me apaixonar pelo teatro. (Meu primeiro momento mágico)

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Tu tens mais de 40 anos de carreira e dezenas de peças realizadas. Quais são os trabalhos que mais te marcaram até hoje e qual o legado que deixaram para tua vida?

Moa: Nesta minha trajetória foram inúmeras montagens teatrais e conhecendo muita gente que me ajudaram a realizar os trabalhos. Lembro que naquela época eu catava literalmente, pessoas na rua para fazer teatro. Preparava elas e escolhia o texto que iria representar. Muitas destas pessoas ganharam prêmios de ator nesta época e continuam até hoje no teatro. Uma inclusive mora e trabalha com Teatro nos Estados Unidos. Em 1981, eu estava no exército e participei do Grupo Causas & Efeitos, foi maravilhosa a experiência neste grupo. Lembro quando fomos apresentar a peça O Templo das 7 Confissões em Santa Catarina na casa do autor da peça, Rio Apa. Eu fazia um mendigo que incorporava uma entidade maligna e morria no final, porém, na apresentação, o autor que estava assistindo na plateia criou um personagem na hora e ele entrou no palco, me ressuscitou e nos digladiamos e improvisamos o final. Ele quem matou o personagem. Foi uma experiência fantástica que me marcou pois improvisei com o próprio autor. Outro momento emocionante foi quando eu apresentava uma peça infantil na Escola Cenecista e quando acabou a peça, já estávamos saindo da escola quando um garoto autista me abordou e entregou um desenho que ele fez de mim e disse que eu era o herói dele “O Homem máquina”. Me emocionei!

 

Tu já realizaste inúmeros espetáculos natalinos. Poderias dizer que esse é um dos estilos de peça que mais gosta de fazer?

Moa: Montei muitos espetáculos natalinos em Bento Gonçalves, Santa Tereza, Pinto Bandeira, Monte Belo do Sul, Arvorezinha, Ilópolis, Nova Roma…enfim, entrei no espirito natalino…heheheh! Mas eu adoro mesmo são peças infantis, acho que as crianças ajudam a viajar na estória e elas são muito sincera quando gostam ou não. Quando eu entrei de cabeça na profissão, eu escrevi peças infantis e algumas com parceria de minha amiga Ivone Balsan, para apresentarmos nas escolas. Fazíamos o verdadeiro “caça níquel”. Escrevíamos e montávamos os cenários e figurinos dos nossos trabalhos nas férias e em março agendávamos nas escolas, com 4 apresentações no dia. Corríamos de escola em escola. Fazíamos um circuito anual.  Era cansativo, porque eu ainda era aluno na Escola de Danças e participava do Grupo da escola.  Mas foi prazeroso e divertido!  Foi o que me ajudava a pagar as contas e comprar os meus alimentos naquele período.

 

Me recordo das aulas que ministrava no centro de Bento na primeira década dos anos 2000. Quais são as lembranças e qual a comparação que poderias fazer com 2020?

Moa: Pois é, e você também chegou a fazer uma oficina de teatro comigo lá, não é? Eu adoro recordar os belos trabalhos que montamos no Centro Integrado. Foram aulas de Ballet, Dança Moderna e Contemporânea, Jazz, Capoeira Teatro e Expressão Corporal, Música, canto, Oficinas abertas ao público, Saraus, espetáculos de Dança e Teatro e apresentações de bolso que fazíamos ali mesmo no espaço com preços acessíveis ou gratuitos. Nós levamos os grupos para Festivais de Dança e Teatro. Fomos bastante premiados.  Foi possibilitado muita aula gratuitas para muita gente ali com o apoio da Fundação Casa das Artes e Prefeitura. E nenhum de nós éramos funcionários público. Acho que consegui realizar os objetivos do projeto junto com diversos colegas artistas que confiaram e acreditaram em mim. Sem eles não teríamos feito a história acontecer. Ninguém realiza um projeto deste porte sozinho. Sou muito grato aos companheiros que participaram.

 

Tu tens realizado lives e aulas no formato online?

Moa: Sim. Eu dei aulas para meus alunos de Dança e Alongamento. Este ano também sou convidado pelo Bento em Dança para dar aula online com Live. Mas não sou fã deste formato.

 

Como poderias classificar o Moacir professor e artista nesse 2020 marcado pela pandemia?

Moa: A pandemia atrapalhou a vida de todo mundo e principalmente para nós que somos artistas que precisamos de uma audiência. Ainda bem que antes desta loucura toda, eu pude relaxar um pouco e dar um pulo até a Argentina para visitar meu amigo Miguel Angel Klug, que é o primeiro bailarino do Teatro Argentino de La Plata. Foi uma experiência incrível. Aproveitei e dei aula de dança para alguns bailarinos da Companhia. Pessoas de um talento fenomenal. Em seguida de minha volta entramos em quarentena e tudo parou. Consegui dar algumas aulas on-line. E justo neste ano em que eu recebi diversos convites para realização de trabalhos, a pandemia empatou! Fui um dos profissionais convidado para o 27º Seminário de Arte e Educação na Universidade Estadual. Também havia iniciado um trabalho de preparação técnica para dançarinos, tive que interromper. E até uma gravação de um vídeo clip seria rodado em minha casa, teremos que remarcar. Enfim, ainda bem que grande parte destes projetos foram remarcados e já acertamos novas datas.

 

O que a arte representa na sua vida e quais são as suas projeções para 2021?

Moa: Não sei o que seria de mim se não fosse as Artes. Há um turbilhão de ideias que se aflora dentro de mim e que precisa de vasão. Se não fosse a Arte eu teria pirado de vez, entrado em colapso emocional, ou sei lá… sucumbido! Eu preciso estar fazendo alguma coisa: Escrevendo, coreografando, projetando alguma obra seja ela nas artes cênicas ou artesanais, ou simplesmente curvado sobre meu jardim plantando e arrumando os canteiros. Espero realizar todos estes projetos de 2020 e mais alguns que surgirem em 2021. Estou envelhecendo, mas ainda com uma mente bem esperta e voraz para a realização de novos projetos de vida e profissional.

 

Juliana

“A principal regra da arte é que não tem receita”

Diretora cênica Juliana Gedoz Tieppo fala os desafios da arte

 

No último ano tu apresentaste a peça Não Há Ninguém, recortando as diversas facetas da violência ao longo do espetáculo. De que forma surgiu a ideia de criar essa peça e quais foram os principais desafios para abordar um tema tão delicado?

Juliana: O grupo resolveu tratar dessa temática por estar atento a realidade que nos cerca. Começamos o trabalho no início de 2018, e desde então acredito que essa temática é cada vez mais importante. Percebemos a violência como um tema muito potente e instigante para a criação, por perpassar o cotidiano de todos nós. Exploramos a multiplicidade de violências, não somente aquelas ligadas a agressividade, mas também a inércia e o silêncio, as violências instauradas na estrutura da nossa sociedade, as violências disfarçadas de afeto ou brincadeira, enfim, são muitas possibilidades, é um tema muito amplo e instigante. Sobre as dificuldades em relação ao tema, não houve. Cada colaborador esteve atento à relação entre a temática e seus contextos sociais, mas em nenhum momento estávamos executando um processo de catarse das violências da vida dos envolvidos, visto não serem utilizados aspectos psicológicos ou autobiográficos no processo. Na verdade, eu acredito que o principal (bom) desafio foi escolher dentro do grande leque de criações que foram feitas, quais usaríamos para formatar um espetáculo.

 

Já pensaste em produzir e encenar num mesmo trabalho?

Juliana: Eu não seria produtora e encenadora de um mesmo projeto, porque são línguas diferentes. Eu costumo dizer que o produtor é quase um tradutor. Existe o universo artístico e existe um outro universo de fundo de natureza econômica, busca de recursos, organização, logística, orçamento. São dois mundos muito distintos e um precisa do outro. Se torna um pouco difícil ocupar as duas produções num mesmo projeto. Cada um tem que estar focada em coisas diferentes. A principal regra da arte é que não tem receita, cada um tenta de uma maneira diferente. Em projetos que atuo como direção eu prefiro não atuar como produção e vice-versa.

 

De que forma tu poderias avaliar o auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc, considerada de extrema importância para classe artística?

Juliana: Esse auxílio emergencial é muito importante porque em primeiro lugar temos que reconhecer os trabalhadores da cultura como trabalhadores. E o próprio setor é um setor que gera renda, desenvolvimento, emprego, além de valor agregado. Além das coisas subjetivas que sabemos que a arte traz, é um setor econômico importante. É preciso falar para o restante da sociedade do quanto o setor da cultura é importante para a economia e que gera muito dinheiro, trabalho e desenvolvimento. Ter uma lei que apoia isso, em primeiro lugar reconhece a importância dos trabalhadores e da cadeia produtiva. É importante entender que é uma lei pontual, é uma leia emergencial, vale para esse ano. Ela tem um fim emergencial. Foi uma que foi construída de uma maneira muito bonita porque teve o engajamento de todos artistas de nosso país. Precisamos pensar em políticas públicas e leis da cultura em outros momentos também, não só nesse momento emergencial.

 

Como observas a articulação da Secretaria de Cultura de Bento na obtenção de parte desses recursos para artistas da cidade?

Juliana: Acho que vai muito bem, visto que Bento entrou no primeiro lote dos recursos, e só conseguiu entrar no primeiro lote porque teve o plano aprovado, e Bento foi um dos primeiros a mandar. Ainda quando a lei estava em tramitação no congresso já se falava sobre isso. Nós temos uma secretaria que não trabalha sozinha, trabalha com conselho, sociedade civil e que dialoga bastante. Ela faz bastante pela cultura e vejo uma boa vontade por parte dos trabalhadores públicos e por isso tem esse reconhecimento. Temos que estar sempre pensando e repensando. Sempre tem coisas para melhorar. Eu avalio de maneira muito positiva e acredito que é um universo que está tentando fazer mais, inclusive.

 

Qual foi o impacto da pandemia no teu trabalho e planos como artista?

Juliana: Sabemos que a pandemia afetou todas as artes, principalmente as artes cênicas. Existe uma grande dificuldade nesse ponto. Particularmente vi vários espetáculos online. Em março teve muita disponibilização de gravação de teatro na internet, e ao longo do tempo isso foi se transformando até o momento de termos espetáculos pensados para ambientes online, sala de plataformas de streaming. Tivemos espetáculos que não poderiam ser realizados no âmbito físico, de maneira tradicional. São novas possibilidades e um novo campo que se abre e teste para uma nova linguagem. Eu acho que precisamos entender a particularidade de cada artista. A arte é um lugar de multiplicidade muito grande e qualquer padronização é fadada. Mas tem grupos que estão usando esse período para se aprofundar em pesquisas teóricas, tem artistas que estão usando o período para estudar e se voltar para outros pensamentos. É um período difícil e os projetos de 2020 não é criar projeto, mas sobreviver.

Gabrielli e Speranza visitam a redação do Integração da Serra

Recebemos na redação nesta sexta-feira (18), Alcindo Gabrieli (MDB) e Evandro Speranza (PL) candidatos aos cargos de Prefeito e Vice-Prefeito de Bento Gonçalves. A coligação conta com o apoio do Patriotas. Por ocasião da visita expuseram algumas de suas propostas de plano de governo.

Homenagem póstuma a Fernando Vieira

Por Kátia Bortolini 

katia@integracaodaserra.com.br 

Apagaram-se as luzes da ribalta. A música silenciou. O dia cinza ficou ainda mais cinza, com a partida inesperada, por volta das 16h30min da última quarta (16), do jornalista, radialista e empresário Fernando Vieira, 72 anos, vítima de um infarto fulminante. A morte ocorreu em Bento Gonçalves, cidade que teve a honra de sediar as duas últimas edições da Festa Nacional da Música. O evento, criado por ele em 2005, foi um marco no encontro de músicos e gravadoras. As primeiras edições da Festa Nacional da Musica foram promovidas em Porto Alegre, cidade natal do jornalista e, posteriormente, no município de Canela.

 

Tanto a edição de 2018 como a de 2019, ocorridas em Bento Goncalves, vão deixar saudades. Por alguns dias, a laboriosa população de Bento Goncalves respirou música. E como foi bom!

 

A junção de inúmeros artistas no Dall´Onder Grande Hotel e as apresentações de vários gêneros musicais, ocorridas na Fundação Casa das Artes e na praça Ismar Scussel, agradaram a “gregos e troianos”. As noites dos eventos foram de gala, com entrega de distinções e quebra de preconceitos, numa mistura de várias tribos, conectadas pela música que, no palco, reinava imperiosa.

 

O nosso colega e amigo jornalista estava em Bento Gonçalves preparando a próxima edição da Festa Nacional da Música, prevista para ocorrer em dezembro deste ano. Partiu rápido, de forma imprevista, em nossa cidade, sedenta de manifestações culturais. Apesar do pouco tempo de convivência com a comunidade, deixa saudades em muitos corações. Entre eles o do prefeito Guilherme Pasin, que o define da seguinte forma: “uma pessoa única, de personalidade forte, um profissional incrível e que, através da música, levava alegria para todos os cantos. Fernando acreditava em nossa cidade, e a transformou na capital da música. Com tristeza me despeço de um amigo que a vida me presenteou”.

 

A equipe do Integração da Serra, que teve a honra de prestar serviços para o evento e de receber Vieira na redação, consternada, resta desejar que nosso “mecenas” da música descanse em paz junto ao pai celestial.

 

Perfil de um comunicador apaixonado pela música

 

De personalidade forte e a paixão externada pela comunicação, Vieira dedicou mais de 40 anos à música e à TV no Estado. Sua carreira teve início em 1971, na TV Difusora (atual TV Bandeirantes). O apresentador trabalhou 17 anos na TV Guaíba, sendo contratado em 1982. No canal 2, ele produziu e apresentou programas como “Guaíba ao Vivo”. Em 1981, Vieira lançou a Festa Nacional do Disco que, durante 15 anos, foi um marco no encontro de músicos e gravadoras.

 

Em 2005, o jornalista foi para a TV Pampa, onde produziu e apresentou o programa Zoom. Neste mesmo ano, ele retomou a Festa Nacional da Música, que teve edições em Canela, Porto Alegre e, mais recentemente, em Bento Gonçalves. Em julho de 2016, o apresentador foi agraciado pela Câmara Municipal de Porto Alegre com o título de Cidadão Emérito.

 

Em entrevista ao portal Coletiva.net em 2011, Vieira destacou o seu gosto pela música: “Não importa se a música é de alguém que esteja começando ou já encerrou a carreira. Admiro grandes intérpretes como Emílio Santiago, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves”, disse na ocasião. Ele deixa a esposa Antonela e dois filhos, Manoela e Fernando.

Foto: Festa Nacional da Música/Divulgação

Bento Gonçalves vivencia evento com oficinas online e drive-in

Por: Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br

Edição: Kátia Bortolini

katia@integracaodaserra.com.br

Momento presencial ocorre com o Cinema no Parque, na ABCTG

com o tema “Gaúchos sem Fronteiras”, os Festejos Farroupilha 2020 estão sendo vivenciados no formato online, devido às medidas sanitárias relativas a contenção da pandemia do Coronavírus. O tema do evento objetiva a ampliação do conhecimento da sociedade gaúcha sobre as raízes históricas do Rio Grande do Sul e a manutenção das tradições entre aqueles que migraram para outros estados e países, mas cultivam, no seu dia a dia, os hábitos da cultura gaúcha.

 

Em Bento Gonçalves, a programação, repleta de atrações, começou no último dia 13, com homenagem à tradicionalista Ivete Dalla Valle e show de Lisandro Amaral, seguindo até o dia 20, com lives de oficinas transmitidas da ABCTG, na Linha Sertorina, sobre Chimarrão, Culinária Campeira, Churrasco, Encilha, Charque, Danças Gaúchas de Salão e Declamação. A atividade presencial será a do Cinema no Parque. O drive-in ocorre no dia 18 de setembro, às 20 horas, na sede da ABCTG. No telão, o filme Tropeiro Velho, estrelado por Teixeirinha e Mari Terezinha. O ingresso é um quilo de alimento não perecível.

 

O Integração da Serra, motivado pela importância dos Festejos Farroupilha na manutenção e ampliação da cultura gaúcha, conversou com tradicionalistas que vivenciam os Festejos em grande estilo. Confira os depoimentos do professor e tradicionalista Álvaro Machado de Mesquita, do empresário Leandro Magnaguagno, proprietário da loja Recanto Nativo, especializada em produtos voltados à cultura gaúcha, da homenageada Ivete Dalla Vale e do patrão do CTG Laço Velho, Sérgio De Toni.

Álvaro Mesquita

 

“O início foi pela poesia”

Um dos ícones da cultura gaúcha em Bento Gonçalves, Álvaro Machado de Mesquita cultiva a tradição desde os 14 anos

 

O professor Álvaro Machado de Mesquita, 81 anos, natural de Lagoa Vermelha, um dos ícones da cultura gaúcha em Bento Gonçalves, se apaixonou pelas tradições aos 14 anos, em atividade estudantil, declamando uma poesia de Jaime Caetano Braun em homenagem a Paixão Cortes, um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

 

“Era o ano de 1955, eu estava na rua lendo o Diário de Notícias e lá tinha uma poesia de Jaime Caetano Braun. Estava com a bicicleta parada na frente da escola, olhando o jornal, quando uma professora chegou e disse que eu tinha sido escolhido para declamar uma poesia para o Paixão Cortes, que visitaria a escola. Eu tinha apenas 14 anos. Aceitei e comecei e me preparar para a apresentação. Bem pilchado, subi ao palco para declamar a poesia. O sucesso da apresentação me motivou ao cultivo das tradições gaúchas”.

 

“Quando mudei com a família, de Osório para Bento Gonçalves, para lecionar no Colégio Aparecida, um tio que já residia no município e foi um dos fundadores do CTG Laço Velho, em 27 de agosto de 1957, me incentivou muito a participar do movimento tradicionalista local. Quando ingressei no Laço Velho, fui recebido como patrão da Estância de Osório”, conta.

 

Hoje, após mais de seis décadas, o professor e tradicionalista, com enorme prestígio no município e região, segue atuante em prol da manutenção da cultura gaúcha. Para ele, os festejos de 2020 demonstram que, mesmo no formato virtual, as comemorações da Semana Farroupilha estão ocorrendo com enorme sucesso e representatividade. “O importante é manter a tradição. Hoje podemos afirmar, com orgulho, que existem mais de 1.500 CTGs filiados ao Movimento Tradicionalista espalhados pelo mundo, inclusive na Rússia e na China. O lema desse ano expressa essa representatividade”, conclui.

Ivete Dalla Valle

IVETE DALLA VALLE

A homenageada dos Festejos 2020

 

Neste ano, a homenageada dos Festejos Farroupilha em Bento Gonçalves é a tradicionalista Ivete Dalla Valle. Desde muito jovem apreciava música e frequentava bailes e festas junto com seus pais e familiares, onde aprendeu os passos de dança. De caráter plural, exerceu por 30 anos a profissão de bancária e a de professora em escolas particulares. Iniciou sua participação no Movimento Tradicionalista depois de frequentar bailes no CTG Laço Velho, onde foi convidada, juntamente com sua irmã Iraci, a fazer um curso de Danças Gaúchas de Salão. Após recebeu o convite para ingressar na Invernada Artística do CTG Laço Velho. Logo em seguida, Ivete passou a fazer parte da Patronagem (Diretoria) do CTG Laço Velho como Sota-Capataz (Secretária), Diretora Cultural e integrante do Departamento Campeiro, secretariando todos os Rodeios na parte campeira. De lá para cá, Ivete participou de diversos eventos em cidades do Rio Grande do Sul e também fora do país, como Uruguai. Na 11ª Região Tradicionalista atuou como diretora do Departamento Cultural e secretária por várias coordenadorias.

 

Neste ano, és a homenageada dos Festejos Farroupilha em Bento Gonçalves. Como estás vivenciado esse momento?

Ivete: Ser a sexta pessoa e a segunda mulher a receber esta homenagem aumenta minha responsabilidade como tradicionalista. É desnecessário dizer da honra e alegria em ser a homenageada dos Festejos Farroupilhas de 2020, mesmo que realizados de uma forma tão diferente. O trabalho está longe de terminar, pois há muito a se fazer pela tradição, mantendo a essência e, principalmente, aceitar as mudanças e acompanhar os tempos modernos para não nos tornarmos obsoletos.

 

Já recebestes inúmeras homenagens e honrarias. Alguma em especial?

Ivete: Todas as homenagens que recebi foram muito importantes. Representavam momentos distintos que estavam sendo vividos. Cada um deles de valor inigualável. Ser a homenageada dos Festejos 2020, pela prefeitura de Bento Gonçalves e ABCTG, representa a valorização de toda minha trajetória no tradicionalismo. É o reconhecimento do trabalho que sempre busquei realizar com dedicação, de forma íntegra e com muito amor.

 

Como surgiu o interesse pelo tradicionalismo?

Ivete: Iniciei minha participação no Movimento Tradicionalista quando fui convidada, juntamente com minha irmã Iraci, a fazer um curso de Danças Gaúchas de Salão, promovido pelo MTG e que habilitava a ministrar aulas de danças de salão, sendo este o primeiro curso do gênero na 11ª Região Tradicionalista. Seguiu-se o convite para ingressar na Invernada Artística do CTG Laço Velho. Em seguida, passei a fazer parte da Patronagem do CTG Laço. Posteriormente, fui convidada a desenvolver palestras, fazer parte de comissões culturais, secretarias e a ser avaliadora de concursos. Com o convívio nos Centros de Tradições Gaúchas, percebi que são espaços de integração, onde nos reunimos para reviver os costumes e tradições. São locais de acolhimento, onde procura-se respeitar as diferenças individuais. Isso fez com que passasse a gostar cada vez mais dessa participação.

 

Como está sendo a experiência de vivenciar esses festejos de forma virtual?

Ivete: Quando abrimos os Festejos Farroupilhas desse ano ressaltamos que 2020 está sendo marcado por momentos muito difíceis. Nunca em minha vida imaginei que teríamos que manter distância das pessoas que amamos. Que nos abraçaríamos de longe e aprenderíamos a sorrir com os olhos. Nos damos conta que, devido a pandemia, o Movimento se tornou mais tecnológico, com atividades online. Sem a cuia passando de mão em mão, sem abraços, sem danças, transformamos as redes sociais em galpões virtuais. E isso não vai mudar totalmente. Esse será o futuro. As redes sociais que antes nos afastavam, hoje são as ferramentas mais usadas para nos aproximarmos de quem e daquilo que gostamos.

 

Qual é a atual representatividade das mulheres no tradicionalismo?

Ivete: Desde os primórdios do Movimento Tradicionalista Gaúcho, tivemos a participação feminina, seguindo o exemplo das mulheres gaúchas que mantiveram a economia do Estado, em tempos de guerras, pois os homens partiam para a luta e as mulheres mantinham as estâncias produtivas. A mulher, com o passar dos anos, foi conquistando seu espaço, antes timidamente e depois de forma mais atuante, se fazendo necessária, pela competência, trabalho e dedicação. As pioneiras foram desbravando e conquistando os espaços, antes ocupados por homens. Já temos mulheres exercendo o cargo de Conselheiras, Coordenadoras Regionais, Vice-presidentes e, neste ano, pela primeira vez na história do Movimento, tivemos duas mulheres pleiteando o cargo máximo dentro do MTG. Hoje, o MTG está sendo administrado por uma mulher.

 

Qual é a representatividade do dia 20 de setembro na Revolução Farroupilha?

Ivete:  A data de 20 de Setembro não é somente para festas. Setembro é um mês cívico, de reflexão e agradecimento pelos que deram suas vidas para o Rio Grande do Sul conquistar o respeito merecido pelos governantes. Nos utilizamos do ufanismo e das festividades para conscientizar nossas crianças e jovens de que temos cultura e tradição rica, que somos um povo diferenciado, trabalhador e aguerrido.

 

Considerações gerais.

Ivete: Uma história de vida não se faz sozinha. Muitas pessoas fizeram parte dessa caminhada. Por isso, agradeço a todos que possibilitaram que eu viva esse momento. Aos meus pais, por serem visionários e, numa época bem diversa, ensinaram que o estudo e o conhecimento eram o caminho. Aos meus familiares pelo apoio, incentivo, por sempre acreditarem em mim e pelos exemplos a serem seguidos. Aos meus amigos e tradicionalistas, agradeço o companheirismo e o comprometimento. Sou grata à ABCTG e sua diretoria, aos coordenadores da 11ª Região Tradicionalista, aos CTGs de Bento Gonçalves e região e ao Movimento Tradicionalista Gaúcho por me fazerem crescer como ser humano e pelas oportunidades e valorização da minha história. Agradeço, também, à imprensa pela divulgação de todo nosso trabalho. Gratidão ao Poder Público Municipal por apoiar e incentivar a causa tradicionalista.

gaita e bombacha

Gaita, paixão e bombacha

Apaixonado pela cultura gaúcha, o comerciante Leandro Magnaguagno, trajado com sua indumentária, alegra eventos tocando gaita

 

Desde quando participas ativamente do movimento tradicionalista?

Magnaguagno: Desde o ano de 2004, quando iniciamos nossa trajetória no comércio, com a inauguração da Recanto Nativo, na época com espaço reduzido e pouco mais de 300 itens à disposição dos clientes. Desde então nos engajamos nas entidades da cidade e região para ajudar no fomento à cultura e manutenção de nossos costumes. Fui diretor de Eventos e de Divulgação da 11ª Região Tradicionalista (RT), integrante do Conselho de Ética da 11ª RT, organizador dos Festejos Farroupilhas de Bento Gonçalves por dois anos, 2008 e 2011, e desde 2012 sou instrutor de Danças Gaúchas de Salão, responsável pelas aulas no CTG Laço Velho. Desde 2017, com a ajuda de mais dois casais, Guilherme Greselle e Mariana Dal Mas, Regis Arcari e Paula Masiero, atendemos também outros CTGs e entidades da cidade e região, além de prepararmos coreografias para casamentos e aniversários. 2020 iniciou com agenda lotada de eventos, bailes e formaturas programadas para o ano todo. Surpreendidos com a pandemia do Coronavírus, todos cursos foram suspensos e os eventos cancelados ou adiados, sem previsão de volta. Neste momento de distanciamento controlado percebemos, nas manifestações em redes sociais e nos poucos contatos mantidos, que o amor pelas coisas da nossa terra permanece aceso e vivo dentro dos gaúchos. A ansiedade de retomarmos as nossas rodas de chimarrão, de nossas aulas de danças e dos fandangos nos CTGs é grande, mesmo sentimento de todos os integrantes das invernadas e departamentos das entidades.

 

Como defines os Festejos Farroupilha?

Magnaguagno:  Como momento de enfatizar ainda mais nossa cultura, nossos usos e costumes.

Recanto fachada

 

Com a pandemia e os festejos no formato online, houve uma diminuição nas vendas da Recanto Nativo?

Magnaguagno: Sim, a pandemia está afetando muito, as vendas diminuíram cerca de 80%. No entanto, vamos nos reinventando e criando algumas formas para poder passar por este momento delicado.

 

Vocês têm apostado em vendas online? De forma geral, foi uma estratégia para driblar esse momento de dificuldades?

Magnaguagno: Não focamos em sites, só através das redes sociais, mas sim, estamos atendendo desta forma. Muitos produtos estão sendo enviados para o Brasil todo.

 

A loja conta com quantos itens?

Magnaguagno: Atualmente a loja conta com mais de 5.000 itens, desde utensílios para o churrasco e chimarrão, como gamelas, tábuas, facas, espetos, cuias, bombas e outros acessórios. Também atende na linha de indumentária, bombachas, botas, lenços, chapéus, vestidos para prendas e prendinhas e muitos outros artigos de artesanato relacionados com nossa cultura.

 

No período dos Festejos Farroupilha se observa o acréscimo de pessoas usando a indumentária gaúcha?

Magnaguagno: Sim, procuramos usar a nossa indumentária durante o ano todo. Nesses dias, ainda mais, para tornar presente às novas gerações a presença da cultura em nossa vestimenta.

 

O que tu poderias dizer para quem ainda não conhece a Recanto Nativo e busca uma referência para a compra de uma indumentária de destaque?

Magnaguagno: A Recanto Nativo está sempre à disposição dos peões e prendas de Bento Gonçalves e região. Prezamos pela qualidade no atendimento e em todos nossos produtos, com boas condições de pagamento e ótimos preços.

de toni

Sexta Farrapa no CTG Laço Velho

Patrão do CTG Laço Velho, Sérgio De Toni, ressalta que as redes sociais estão ajudando a entidade a enfrentar esse ano atípico

O CTG Laço Velho sedia muitos eventos. Qual era a previsão da programação para esse ano?

De Toni: Tínhamos previsto um ano repleto de atividades e eventos, com uma vasta programação artística, cultural e campeira. Porém, em março, fomos surpreendidos pela pandemia ocasionada pela Covid-19. Tivemos que cancelar todas as atividades até o momento.

 

Quais as ações realizadas pelo CTG para driblar o momento de crise?

De Toni: Fizemos um organograma de fluxo de caixa, tomando medidas de contenção de despesas, cancelando as atividades artísticas e campeiras onde tinha professores e músicos contratados. Reduzimos o quadro de funcionários, dando uma atenção ainda maior para as despesas.

 

Quais são as programações ainda para 2020 e as projeções para 2021?

De Toni: Temos expectativa que as atividades possam retornar antes do final deste ano. Ainda temos alguns eventos programados, como jantares, bailes e shows. Há também grande expectativa dos integrantes das invernadas, que estão desde o último mês de março sem ensaiar e participar de rodeios. Estamos otimistas, acreditando que a situação irá se normalizar em 2021, para que possamos retomar com todas as nossas atividades. Já temos eventos programados para o ano de 2021, além de outros projetos, como uma pesquisa histórica dos 63 anos do Laço Velho, para a publicação de um livro, além estarmos projetando um festival estadual de danças tradicionalistas. Será uma grande novidade em nossa cidade e região.  Nosso CTG, em especial, está programando a “Sexta Farrapa”, que acontecerá todas as sextas-feiras à noite na sede do Laço Velho, onde estaremos comercializando pratos típicos da culinária gaúcha, mas sempre respeitando todos os protocolos de segurança para combate a Covid-19, onde o cliente poderá ficar um pequeno período conosco ou retirar o prato no local.

 

O que o CTG Laço Velho representa para sua vida?

De Toni: Ingressei no Laço Velho no ano de 1998. Desde então me dedico muito à entidade. Já fui vice, tesoureiro, coordenador artístico. Esse é o meu terceiro mandato como Patrão. O Laço Velho é parte da minha vida, tanto pessoal quanto profissional. É como se fosse minha segunda casa, pois é onde passo a maior parte do meu tempo. Graças ao meu trabalho junto ao CTG, já recebi prêmios, homenagens e o reconhecimento da comunidade, mas nunca fiz tudo sozinho, sempre tive todo apoio das patronagens e dos departamentos.

Filhos Leandro (2) Ok

Startup usa criatividade para ampliar negócios na pandemia

Empresa Icehot idealizou o equipamento Icegel, versão especial que disponibiliza álcool em gel para higienização gratuita das mãos, instalado em locais públicos

A pandemia da covid-19 mudou de forma radical o comportamento da sociedade – e alguns dos hábitos estimulados durante esse período permanecerão presentes no cotidiano das pessoas mesmo depois que ela terminar. O cuidado com a higiene – especialmente das mãos – para evitar a transmissão e contágio por vírus e bactérias é um deles.

Para a startup Icehot, de Bento Gonçalves, esse movimento está servindo como oportunidade de ampliação para os negócios. Logo no início da pandemia, a empresa adaptou seus equipamentos, originalmente idealizados para servir água quente e gelada em locais de circulação pública, ao oferecimento de álcool em gel, criando o Icegel. Assim, atendeu com agilidade a necessidade de facilitar o aceso gratuito das pessoas ao sanitizante, especialmente em espaços coletivos.

A aceitação da novidade foi tão positiva por parte do mercado que a startup decidiu investir no Icegel como negócio. Para isso, projetou uma nova versão do totem, não mais adaptada, e sim pensada especialmente para a finalidade dos cuidados com higienização. “No mês de agosto já havíamos instalado todos equipamentos que tínhamos adaptado. Antecipando que os cuidados com a higienização iriam perdurar por um bom tempo, decidimos desenvolver um produto novo, pensado em cada detalhe para disponibilizar álcool gel com segurança, deixando de ser uma adaptação, e sim um produto exclusivo”, comentam os idealizadores da iniciativa, Alex Oliveira e Samuel Panta.

O novo dispositivo permite ao usuário fazer a higiene das mãos de forma prática e segura: basta pressionar o pedal de acionamento e uma porção do desinfetante é disponibilizada para esterilização. Ou seja, não há qualquer contato manual com o equipamento. Além dessa funcionalidade, o IceGel foi renovado nas partes interna e externa, conferindo mais autonomia e melhor experiência ao usuário. Com design moderno, o equipamento cumpre as medidas presentes na NR12 – com um laudo técnico de segurança para facilitar a instalação em qualquer local público. Com laterais mais estreitas, o dispositivo ocupa menos espaço nos locais instalados, facilitando a circulação e flexibilizando a instalação.

Primeiro totem instalado em Caxias do Sul

O primeiro totem do novo Icegel já está instalado e em funcionamento na cidade de Caxias do Sul: em frente ao Hospital Pompéia, centro. Patrocinada pela empresa Vivo, a unidade tem capacidade para disponibilizar 1 litro de álcool em gel por dia, suficiente para 1,5 mil aplicações. Em uma semana – período de autonomia do equipamento antes do reabastecimento – são 10,5 mil acionamentos, higienizando as mãos de um volume significante de pessoas. Em breve, a empresa irá instalar mais totens nos municípios gaúchos.

Foto: Alex Oliveira

Morre Fernando Vieira, diretor geral da Festa Nacional da Música

Morreu na tarde desta quarta-feira (16) o jornalista, radialista e empresário Fernando Vieira, 72 anos. A morte ocorreu em Bento Gonçalves, após Viera sofrer um infarto fulminante. A morte ocorreu por volta das 16h30. Segundo informações, a equipe do Samu chegou a prestar socorro a Vieira, porém, sem obter sucesso.

O profissional traz em sua bagagem mais de 40 anos dedicados à música e à televisão no Rio Grande do Sul. Sua carreira profissional iniciou em 1971, na então TV Difusora (hoje TV Bandeirantes), passando por inúmeros projetos e programas que marcaram o meio social e cultural de Porto Alegre. Foram 17 anos na TV Bandeirantes, seguidos de outros 17 anos na TV Guaíba, onde produziu e apresentou programas como Portovisão e Guaíba ao Vivo.

Em 1981, lançou a Festa Nacional do Disco, que durante 15 anos representou um marco no encontro de músicos e gravadoras. Foram 11 edições em Porto Alegre e três na Serra Gaúcha. Em maio de 2005, transferiu-se para a TV Pampa, onde produziu e apresentou o programa Zoom. Sobre a retomada desse grande encontro da música brasileira, que a partir de 2005 passou a se chamar Festa Nacional da Música.

O corpo será levado para Porto Alegre.

Foto: Ederson Nunes/CMPA

CIC-BG cria comissões para articular demandas e projetos em áreas específicas

Diretoria executiva está organizada em dez grupos temáticos de trabalho

As respostas a importantes demandas da sociedade, em áreas como indústria, economia, turismo e tecnologia, estão mais ágeis dentro do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG). A gestão do presidente Rogério Capoani frente à entidade no biênio 2020/2021 criou 10 comissões para acelerar projetos e ações em diversos segmentos, contando com a expertise dos integrantes da diretoria nas áreas onde cada um é especialista. Esse formato de trabalho foi planejado pelo líder e anunciado ainda na ocasião de sua posse, em dezembro de 2019 – quando foi anunciado, também, o grupo diretor – com perfis e gabaritos escolhidos já em alinhamento com essa intencionalidade.

“O intuito é trazer dinamismo a pleitos que se mostram apressados, especialmente diante do desafio a que nos autopropusemos: ser uma diretoria executiva, ou seja, de cunho executor. Sempre acompanhamos de perto a representatividade da entidade, mas sentíamos a carência de uma execução coordenada. Por isso, formatamos essas comissões como forma de ter mais representatividade, autonomia e agilidade, antecipando-nos a algumas situações. Assim, de modo articulado e alinhado com os propósitos e compromissos de nossa gestão, as equipes desenvolvem ideias, aperfeiçoam processos, criam projetos e os implantam”, diz o presidente do CIC-BG, Rogério Capoani, sobre mais uma das inovações implementadas sob sua coordenação.

Outro ganho é que a expertise dos diretores – organizados nas comissões de acordo com suas áreas de atuação e especialidade – traz diagnósticos muito mais precisos acerca das prioridades e sugestões de planos de ação adequadas à realidade setorial, afinada às atuais dificuldades carentes de solução de cada segmento. “Conseguimos, assim, potencializar o aproveitamento dos talentos de nossos diretores e maximizar suas contribuições”, avalia Capoani.

O trabalho das comissões será reportado em relatórios por períodos de gestão, outra proposta que Capoani está implementando. Os documentos serão elaborados semestralmente e disponibilizados para consulta e conhecimento dos associados.

Conheça as comissões

Indústria: Bruno Benini, Francisco Bertolini, Wiliam Rizzi.

Comércio: Marijane Paese; Nattália Milan; Tiago Casagrande.

Serviços: Adelgides Stefenon; Gilberto Durante; Jussara Konrad; Leocir Glowacki; Marcos Giordani; Vinícius Piva.

Infraestrutura e Logística: Adelgides Stefenon; Adriano De Bacco; Gabriel Schuartz; Giancarlo Ravanello; Joana Milan; Luciano Bertuol.

Observatório da Economia: Adelgides Stefenon; Antônio Carlos Paludo; Fabiano Larentis; Nelson Maragno; Roberto Megggiolaro; Vinícius Piva.

Inovação e Tecnologia: Rogério Tessari; Vinícius Piva.

Turismo: Adriano Miolo; Eduardo Valduga; Gabrielle Signor Rodrigues; Gilberto Durante; Jana Brun Nalin; Rodrigo Arpini Valério.

Finanças: Roberto Meggiolaro; William Rizzi.

Sparkling Night Run: Bruno Benini; Leocir Glowacki; William Rizzi

Comunicação e Visual: Jana Brun Nalin; Rodrigo Arpini Valério

Foto: Gilmar Gomes 

A arte que vem do vinho

Cave do Sol, nova vinícola do Vale dos Vinhedos, transformou pipas de até 110 mil litros de vinho em móveis, portas imponentes e equipamentos do século passado em grandes obras feitas pelas mãos de artistas locais

Quem visita a Cave do Sol encontra muito mais do que excelentes vinhos. Moderna, em estilo contemporâneo, carrega toda história que acompanha a Família Passarin, desde que Giuseppe Passarin saiu da Itália, vindo do Vêneto para o Brasil, em 1888. Grandes instalações com obras de arte externas e internas, uma linha do tempo, paredes revestidas com tijolos da vinícola desativada e madeira das pipas no mobiliário são testemunhos de que não há vinho sem história.

As memórias estão em cada detalhe, preservando não apenas a história da família como também da vinicultura brasileira. A arquiteta Vanja Hertcert, especialista na Arquitetura do Vinho no Brasil, com mais de 30 projetos de Norte a Sul do país, projetou muito mais do que uma vinícola, um empreendimento que por si só é a cronologia do vinho, com identidade e personalidade próprias. Apaixonada por vinho, um produto que vai além do imaginário, Vanja focou sua atividade no setor ainda na década de 1990. “Projetar a Cave do Sol foi um grande desafio e ao mesmo tempo um grande presente. Afinal, não é sempre que encontramos uma história tão rica em detalhes, com um patrimônio imensurável que viajou no tempo para se tornar o que é hoje uma vinícola única, eternizada nos seus detalhes”, destaca a arquiteta.

Quem visita a Cave do Sol, no Vale dos Vinhedos, degusta arte o tempo todo, da taça a cada detalhe da visita. “O acervo tão abundante foi inspiração para envolver artistas locais num processo de criação de grandes obras, a partir de objetos antigos preservados pela família, que ganharam valor artístico nas mãos destes artesãos. A Cave do Sol é a única vinícola do Brasil a seguir esta proposta”, ressalta Vanja.

As obras feitas a partir de peças utilizadas no processo de elaboração dos vinhos desde 1927 foram concebidas e têm a assinatura dos artistas locais Aido Dal Mass e Rubens Sant’Anna Filho. De grandes proporções, elas estão distribuídas no jardim e interior da vinícola. O espaço mais particular e restrito é a própria Cave do Sol, destino das degustações especiais e onde está a Enoteca da vinícola. Nela, o sol, imortalizado na arte, ganha a luz natural do astro, faça chuva ou faça sol. A designer Sirlei Chiminazzo deu vida ao sonho da família criando o logotipo, representado pelo talento da artista do Vale dos Vinhedos, Karen Poletto Jacobs, num mosaico multicolorido, iluminado naturalmente por uma cavidade idealizada pela família.

As obras de arte

A primeira obra de arte que chama a atenção na Cave do Sol é o ‘Sol Negro’. É ele quem dá as boas-vindas a todos que chegam na vinícola. Instalado a 3 metros do solo e atingindo 8 metros de altura, é formado por um conjunto de oito moto bombas antigas, pesando mais de 2 toneladas. Através delas, passaram milhões de litros de vinho. A instalação pode ser vista, inclusive, por todos que passam pela RS 444 (Estrada do Vinho). Ao seu lado, uma fonte que partilha o seguinte texto: “A Cave do Sol foi construída numa TERRA abençoada, onde o AR puro chega abundante em cada estação. O FOGO representado pelo Sol, com nome e arte fundidos, aquece a paisagem. Para completar a homenagem aos quatro elementos, a ÁGUA que limpa, refresca e purifica, está nesta fonte que, com sua atividade constante, traz a certeza da vida em movimento”.

Ainda na parte externa, cercando a vinícola, a uva é representada em peças metálicas feitas com centenas de aros das antigas pipas da família. As ‘Uvas ao Sol’ têm dimensões que variam de 2 a 3 metros de diâmetro, atingindo até 800 quilos, ganhando vida à noite com iluminação cênica. São sete grãos de uva gigantes espalhados pelo jardim, simbolizando a fertilidade do solo do Vale dos Vinhedos. A presença e força do Sol sobre a videira também estão impregnados nos ‘Destiladores’, utilizados por mais de 70 anos pela vinícola e que hoje são peças emblemáticas que compõem o jardim, explorando a cor e luz naturais do cobre e do latão.

Depois de apreciar a arte do entorno, rampas de acesso conduzem o visitante à Loja e à Vinheria, espaços amplos e aconchegantes, ideais para quem quer curtir uma experiência sensorial inesquecível e descomprometida. Pequenos capiteis, livros e até um chuveiro de cobre aquecido a brasa, da década de 1950, que faz parte do acervo da família de Arnaldo Passarin, decoram o ambiente. A madeira das antigas pipas está em todo lugar, especialmente no mobiliário, destacando mesas, portas, prateleiras e detalhes das paredes da loja. Amplos sofás acolhem os visitantes, criando um ambiente descontraído e acolhedor.

No andar abaixo está a cave, revestida com tijolos que, segundo Arnaldo e Arlete Passarin, guardam as histórias da família, trazendo as marcas do tempo e dando vida à Cave do Sol. “Eles foram retirados da antiga vinícola, transportados até o Vale dos Vinhedos e agora fazem parte deste amplo complexo enoturístico que une tradição, história e modernidade”, comenta Passarin, proprietário da vinícola. No terceiro andar fica o restaurante e o Solarium, equipados para sediar eventos. É lá que está a obra ‘As Uvas do Sol’, um painel medindo 4 metros x 2 metros, que simboliza um cacho de uva, onde os frutos são representados pelos discos do destilador.

As visitas

Na Cave do Sol é possível fazer três tipos de visitas, que vão de 40min a 1h10min, sempre guiadas por enólogos e sommeliers. Em todas elas são degustados cinco produtos e está incluída uma taça de cristal exclusiva. Mas se a intenção é apenas viver uma experiência sem protocolos, é só chegar e aproveitar o que a Vinheria tem a oferecer ou ainda adquirir rótulos na Loja, canal que logo será incrementado com o e-commerce da marca.

Inicialmente, quatro linhas estão no mercado, partindo da Cave do Sol, passando pela Solar do Vale e Vulcano, até chegar a Monarca. Mas os ícones – homenagem feita pela família – são batizados com os nomes de Capitão Chico, como Arnaldo Passarin é chamado, e Vitória Lúcia. O primeiro se trata de um vinho tinto 100% Cabernet Sauvignon. O segundo, que carrega o nome das mães de Arlete e Arnaldo, respectivamente, é um espumante Nature Método Tradicional. Ao todo, são 34 rótulos entre espumantes, vinhos e suco de uva.

Os vinhos, espumantes e sucos da Cave do Sol são elaborados com uvas cultivadas na Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste, compondo um portfólio rico em diversos terroirs, atendendo aos mais variados estilos.

SERVIÇO

(Em razão da pandemia, inicialmente, abre em soft opening)

Sextas e sábados, das 10h às 17h

Domingos, das 10h às 16h