Mitos e Verdades sobre as Próteses Mamárias

Por Dr Felipe de David 

Cirurgião Plástico 

O bem-estar físico está, inquestionavelmente, associado ao emocional. Esse equilíbrio é intensamente almejado por um número cada vez maior de mulheres, que aliam o planejamento de uma vida saudável à elevação de sua autoestima. Construir o corpo ideal é o sonho – e desafio – para muitas delas. Nesse contexto, a adequação quanto ao formato/tamanho das mamas exerce papel fundamental, motivo pelo qual diversas pacientes recorrem às cirurgias de implantação de próteses mamárias.

Antes de tomar a decisão de investir nesse procedimento, é fundamental contatar um profissional especializado, para uma avaliação técnica personalizada. E, também, conhecer alguns mitos e verdades sobre os implantes nos seios.

A prótese de silicone tem prazo de validade

Verdade. Porém, os produtos utilizados atualmente possuem quase o dobro de durabilidade se comparados aos produzidos no início dos anos 2000. As próteses atuais têm uma textura na superfície: a camada que a envolve é mais grossa e o silicone é mais gelatinoso. Especialistas estimam que o desgaste da prótese possa acontecer após 15 ou 20 anos de uso.

Há idade definida para colocação das próteses

Mito. As necessidades de cada paciente variam, por isso que não há uma idade ‘certa’ para o implante. Contudo, os médicos recomendam que o procedimento inicie a partir dos 17 ou 18 anos – quando a mama já está bem desenvolvida.

Existem vários tamanhos e formatos

Verdade. Junto ao médico, a paciente decidirá sobre qual a melhor opção, levando em consideração a proporção e a simetria, além dos fatores fisiológicos envolvidos. Há basicamente três formatos: redonda, que pode ser de perfil alto, baixo ou moderado; anatômica, que tem formato de gota; e cônica, pouco utilizada nos procedimentos.

A prótese impede a amamentação

Mito. A prótese é colocada sob o músculo ou entre o músculo e a glândula mamária. Isso, portanto, não interfere no crescimento do seio durante a gravidez e na amamentação. Os ductos mamários, que conduzem o leite, são mantidos durante a cirurgia. Contudo, após a amamentação, em algumas mulheres as mamas mudam de tamanho – exigindo uma adequação posterior na região mamária.

A confiança no cirurgião plástico e os cuidados pós-operatórios são essenciais

Verdade. Uma clínica de cirurgia bem estruturada utiliza materiais seguros e aprovados pelos órgãos reguladores, para não causar danos ao organismo das pacientes. Em qualquer sinal de problema, o cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, deve ser contatado para avaliar o quadro e poder conduzir o tratamento da forma mais segura possível. A boa cicatrização depende da coerente técnica cirúrgica, dos cuidados pós-operatórios e de fatores genéticos de cada paciente.

Bento Gonçalves 

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felipe de david

Corrupção: um fenômeno natural?

Por Elvis Pletsch 

elvis_pletsch@hotmail.com 

Desafio-lhes a pensar sobre a origem da corrupção de uma forma diferente. Não acredito que ela seja somente um reflexo da sociedade, resultado da ineficiência da fiscalização, ou meramente uma consequência necessária para que as coisas sejam feitas. Na verdade, acho que a corrupção é a acompanhante natural do estado.

Pense comigo: os homens agem constantemente para sair de uma situação de menor satisfação para alcançar uma maior satisfação. Sendo assim, os homens buscam agir pelos caminhos mais fáceis e

que lhe fornecerão maior retorno dentro dos valores e virtudes que possuem. Logo, a corrupção vem da natureza humana, quando a busca por caminhos mais simples está comprometida.

Entretanto, o que possibilita a corrupção é o sistema que desenvolve os bloqueios para os caminhos naturais a serem seguidos e que, consequentemente, concentram poder demais para os “cobradores” desse pedágio, sob a justificativa de proteger a sociedade de sua própria natureza.

Porém, a justificativa do sistema entra em contradição no momento em que percebemos que o estado – o detentor do poder de criar “bloqueios” – é formado por homens que buscam maior satisfação, que possuem interesse em permanecer no poder, agindo conforme a sua própria natureza. O interesse do estado e dos homens que o compõem é, portanto, ganhar ainda mais poder para alcançar o ápice da satisfação.

Para conseguir mais poder, o estado utiliza o aparato da burocracia, criando dificuldades para vender facilidades, desenvolvendo bloqueios propositalmente complexos e difíceis de driblar para vender a sua passagem.

Com isso, o poder econômico começa a ver o poder político com bons olhos, já que os empresários só irão procurar a compra de políticos e membros do estado quando eles possuírem algo poderoso a ser vendido. Sem nada para vender, o estado não possuiria utilidade para esse grupo.

O estado, portanto, passa a estocar aquilo que é mais valioso para o empresário: o poder de criar tarifas que protejam o seu mercado, de criar leis que impeçam a concorrência, de criar licenças e autorizações para o funcionamento das empresas e de captar subsídios que aumentem a sua margem de lucro, em contraste às necessidades do consumidor e pagador de impostos. Por isso que a corrupção entre entes públicos e privados não existe apesar da burocracia, mas por causa da burocracia.

É através dessa relação que surge a maior empresa estatal da atualidade: a fábrica de desigualdade econômica, que produz favores para aqueles que tiverem condições de pagar pelas facilidades, fornecendo a honra de atingir a maior satisfação pessoal possível, juntamente com os vendedores da burocracia.

Enquanto isso, aqueles que não estiverem em seu nicho de clientes, que não possuem condições para pagar por seus valiosos produtos, ficarão praticamente impedidos de entrarem nas nobres festas da ascensão social e econômica, onde servem-se medalhões de lagosta, bobós de camarão e vinhos premiados para os convidados (não é, STF?).

A corrupção, portanto, não pode ser somente um reflexo da mentalidade da sociedade ou uma consequência necessária para que as coisas sejam feitas, pois tal colocação açoita aqueles que agem sob a virtude da honestidade. Além disso, tais atos corruptivos só tornam-se comuns perante os incentivos sistemáticos das situações cotidianas, quando estas são amedrontadas sob o poder da burocracia. Como dito pelo francês Frédéric Bastiat, quando a lei e a moral estão em contradição, o cidadão se acha na cruel alternativa de perder a noção de moral ou de perder o respeito à lei, duas infelicidades tã

A corrupção também não pode ser somente resultado da ineficiência da fiscalização, pois até mesmo a fiscalização é facilmente corruptível, já que lida diretamente com o comprador da burocracia. Não é à toa que, frequentemente, ouve-se falar da corrupção dentro das operações e das entidades anticorrupção, como o caso do “japonês da lava-jato”. Trata-se aqui da famosa questão da coleção de Sátiras do poeta romano Juvenal: Quem vigia os vigilantes?

Há ainda a assustadora possibilidade da corrupção ser o motivo para existirem tantas obras públicas, sendo os desvios de verba previstos desde o início do projeto. Reflita sobre todas as infraestruturas construídas pelo estado e se realmente seria necessário a atuação do ente público. O superfaturamento pode facilmente ser a intenção inicial de toda obra pública, pois se trata de uma ótima cortina para a troca de favores, ainda mais quando possui o clamor populacional por sua existência. Como declarou Adriano Gianturco, a construção efetiva representa o custo legal para se fazer esse desvio.

A corrupção, tampouco, pode ser meramente cultural ou herança da exploração europeia, como defendido por alguns sociólogos. Ela é um abraço apertado de quem esteve sempre lhe vigiando, de quem aparece para apertar a mão e entregar folheto nos anos pares, assim como todo o aparato que aplaude os seus discursos. Eles que nos ensinam as suas práticas todos os dias e merecem todo o crédito pelo resultado, porque é através do “jeitinho” que nos ensinaram que eles se mantêm às custas de todos.

Elvis

Coração

Por César Anderle 

Importante órgão do corpo humano que, com seu pulsar, nos faz viver a cada dia em plenitude.

Coisas simples e ao mesmo tempo complexas nos deixam numa profunda reflexão. Somos grandes e pequenos num piscar de olhos. O coração nos faz sentir Vida a cada segundo. A batida dele nos remete a pensarmos num todo. Imaginemos o trabalho intenso deste órgão, é de fundamental importância para o restante do corpo.

Como seria o nosso caminhar? Como seria a nossa mente? Como seria o nosso ser sem ele? Nada disso existiria, não é verdade?

Todos os órgãos são importantes para podermos acordar a cada manhã. Se um deles falhasse, seria difícil se levantar. Percebemos a importância do rim, das pernas, do cérebro, do pâncreas e de todos os demais. Deus realmente se faz agir em cada segundo de nossas vidas, não nos damos conta por vivermos numa frenética intensidade do dia a dia, mas como ficamos gratos à Vida que Deus nos deu. A cada inspirada é o próprio Deus que nos diz: – Vai em frente, não desista, agradeça e tenha fé, Eu estou contigo para te aliviar as preocupações e as dificuldades.

Nós como pessoas, grupos ou comunidades, não somos diferentes, precisamos um dos outros para realizar os trabalhos, buscamos o bem comum, mas só iremos alcançá-lo se entendermos o sentido da união, o sentido da empatia, se nos colocarmos no lugar do outro, assimilar as angústias, as tristezas, as preocupações, as alegrias e a felicidade do outro. Só assim poderemos, de forma plena, dizer que estamos vivenciando a Graça da Vida.

Deus nos deu inteligência, cabe a nós utilizá-la para o bem, fazer o bem sem olhar a quem.

Numa comunidade, bem como numa empresa, convivemos com muitas pessoas, com pensamentos diferentes e muitas vezes divergentes, mas quando olhamos num só destino, com um só sentido, com um só objetivo, temos grandes probabilidades de nos sentirmos valorizados e satisfeitos. Unindo várias informações, compilando dados, conseguimos discernir melhor as situações e assim tomarmos as decisões mais sensatas e coerentes. O olhar para o outro numa comunidade ou numa empresa é fundamental, pois o coletivo é que nos traz a Felicidade plena. A busca por esta plenitude passa pela quebra de alguns paradigmas, mas faz com que todos alcancem os objetivos em comum.

Somos privilegiados por estarmos todos num só barco.

areia

Notas ao Livro dos Mistérios

Por Rogério Gava 

“A existência na terra

é mistério impensável

nasce um, e morre outro

sofrível, insuportável

uns sorrindo, ou cantando;

da vida se lastimando

por viver muito instável”

Abraão Batista,

poeta cordelista cearense

Velhos (des)conhecidos

E então, você encontra aquele amigo de infância, ou de escola, assim, por acaso. E acontece que ele não te diz mais absolutamente nada. Você até se pergunta: como fomos tão amigos? Agora, ele é um “velho desconhecido”. Disse o Nelson Rodrigues que a amizade é uma ilusão. Que amigos não existem. Montaigne, citando Aristóteles, falou o mesmo (não sem uma ponta de ironia): “Ó meus amigos, um amigo é coisa que não existe”. Amigos são navios que se cruzam no vasto oceano, apitando ao longe. Cada qual em seu pequeno pedaço de mar, perdido na vastidão do grande mundo. Nada sabendo de verdade sobre quem vai lá.

Contradições

Queremos que nossos filhos cresçam; queremos que nossos filhos não cresçam jamais. Queremos paz e tranquilidade, mas também dinheiro e reconhecimento. Só nos enxergamos nos outros; que também são – como lembrou Sartre – nosso terrível inferno. Sabemos que vamos morrer; sentimos, no entanto, a imortalidade batendo forte em nosso peito. Somos um só; somos muitos. Pobre homem, essa contradição ambulante. Edgar Morin pergunta: “somos faces contraditórias da mesma pessoa? Ou pessoas contraditórias da mesma face?”. E Walt Whitman emenda: “Eu sou contraditório. Eu sou imenso. Há multidões dentro de mim”. A única verdade absoluta é que vivemos sob verdades contrárias: dúvida e fé; amor e ódio; racionalidade e misticismo; vida e morte. Verdade do homem: somos uma contradição que respira. Mas, afinal, como disse o admirável Quintana: “Quem nunca se contradiz deve estar mentindo”.

Mudar para continuar o mesmo

Imagine um navio que deixa o porto. No caminho do destino, partes lhe vão sendo substituídas. Primeiro, o convés. Depois, a proa. Os mastros, as cabines. Antes de chegar ao fim da jornada, todas

as peças foram trocadas, o casco, tudo, até o último parafuso. Ao atracar, será o mesmo navio? E nós, somos os mesmos após tanta mudança? Não reconheço mais aquele que fui aos vinte anos. Embora eu saiba que aquele que lá fui, é o mesmo que sou agora. A mesma pessoa totalmente diferente. O psicanalista Juan-David Nasio batizou esse fenômeno de “mesmidade”, o “coração atemporal de nosso ser”. Somos essencialmente os mesmos ao longo de todas as idades que vivemos. Morin: “De fato, cada um de nós, com a idade, conservou as idades precedentes”. Mudamos, por certo, ao longo de toda a vida, mas há uma espécie de essência do eu que conservamos, apesar de todas as mudanças. Será essa a sombra luminosa de nossa alma?

A necessidade última

Filosofia do Riobaldo, filósofo de todas as horas: “Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivém, e a vida é burra. (…) é todos contra os acasos. (…) Deus existe mesmo quando não há. (…) Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo”. Falou o sábio.

O cérebro

Fico sabendo que se contarmos as conexões neuronais de nosso cérebro, chegaríamos ao número 10 seguidos de um milhão de zeros. Precisaríamos de 32 milhões de anos para conferir cada uma delas. Cem bilhões de neurônios pulsam sem parar dentro de nossa cabeça, todos os dias. Um único neurônio, por sua vez, sustenta em média um milhão de bombas de sódio. Ao todo, são cem bilhões de trilhões de bombas de sódio pulsando. Quando lemos um texto simples como esse, cada neurônio troca informações com outros a uma taxa de duzentos milhões de operações por segundo. O cérebro é o inexplicável tentando se explicar. Será o cérebro o começo e o fim de tudo o que somos?

Rogério Gava

Novembro azul: cuidados com saúde e estética crescem entre população masculina

Dados de adesão a procedimentos estéticos e alerta sobre casos de câncer de próstata mostram preocupação cada vez maior dos homens sobre estilo de vida saudável

Por Dr. Felipe de David

Cirurgião Plástico 

De tabu à realidade, os procedimentos estéticos e cuidados com a saúde, até pouco tempo atrás com baixa procura, vêm ganhando cada vez mais adeptos entre a população masculina. Campanhas de conscientização, como o Novembro Azul – idealizado para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata – e dados de cirurgias plásticas realizadas em homens no Brasil – que quadriplicaram nos últimos cinco anos – evidenciam um movimento de aproximação entre o homem e o zelo pela estética e vida saudável.

Muitas das intervenções plásticas, inclusive, vão além da aparência e contribuem para a qualidade do estilo de vida – a exemplo da lipoaspiração, do lifting facial e das cirurgias que corrigem ginecomastia (crescimento anormal das mamas). Ao fortalecerem a autoestima dos pacientes, os procedimentos vão ao encontro de demandas que fazem parte de um novo contexto social em processo de definição. “Grande parte dos homens que procuram os consultórios médicos para intervenções estéticas objetivam uma melhora no aspecto físico, rejuvenescendo a aparência. Isso, claro, aliado à consequente influência direta em hábitos de vida mais saudáveis”, considera o cirurgião membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Felipe de David.

Responsável pelo impressionante número de 276 mil cirurgias ao ano, a prática estética entre a comunidade masculina difere de acordo com a faixa etária: da infância até a juventude, a cirurgia plástica mais comum entre homens é a otoplastia (correção das orelhas em abano). Já entre 20 e 30 anos, ganha destaque a rinoplastia (plástica no nariz), e a ginecomastia, ou seja, correção das mamas masculinas – esse procedimento, aliás, é o mais procurado pelos

homens, segundo a SBCP. Até os 40 anos, por sua vez, muitos procuram os cirurgiões plásticos para realizar lipoaspiração, lipoescultura e também implantes capilares. A blefaroplastia (cirurgia nas pálpebras) é comum entre pacientes de 50 a 60 anos e, para além dessa idade, o lifting facial é o preferido.

Campanha convida a debater saúde masculina

Com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças que atingem a população masculina, a campanha Novembro Azul surgiu em 2003 e, desde então, espalha pelo mundo a cultura da conscientização sobre cuidados com a saúde do homem. O principal foco da iniciativa é o câncer de próstata, que atingiu cerca de 68 mil pessoas somente em 2018. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens, além de ser a segunda causa de morte por câncer em indivíduos do gênero masculino no Brasil, com mais de 14 mil óbitos.

Existem alguns fatores que podem aumentar as chances de desenvolvimento do câncer de próstata. Entre eles, médicos especialistas destacam o aumento do risco com o avançar da idade – no Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos. Outros fatores determinantes são o histórico de câncer na família, o sobrepeso e a obesidade.

Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas e, quando apresenta, os mais comuns são dificuldade ou demora em começar e terminar de urinar, sangue ou diminuição do jato de urina e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Nesse sentido, cuidados com uma alimentação saudável, manter o peso corporal adequado, praticar atividade física, não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre os fatores que mais ajudam a prevenir a doença. Porém, em caso de algum dos sintomas, é extremante importante procurar imediatamente um médico especialista, que irá dar andamento aos exames e procedimentos necessários.

Dr. Felipe de David

Cirurgião Plástico

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Técnicas de lipoaspiração são aliadas na definição corporal

Por Felipe de David 

Cirurgião Plástico 

Verão, sol e calor combinam com praia, piscina, diversão – e corpos em exposição. A ansiedade por esse período típico de curtição costuma vir acompanhada de outra grande apreensão: será possível alcançar a definição corporal desejada até a hora de encarar o biquíni ou a sunga?

Quem almeja entrar em forma sabe que a rotina para isso exige disciplina: alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e adoção de hábitos saudáveis são indispensáveis. Mas há um importante aliado capaz de colaborar com esse desafio: as técnicas de cirurgia plástica. Esses procedimentos não são responsáveis diretos pelo emagrecimento, mas muitas vezes agem como incentivo para a pessoa recuperar a autoestima e, assim, dedicar-se a um estilo de vida diferente.

Uma das opções mais procuradas – e conhecidas – é a lipoaspiração. A técnica – que conferiu uma grande evolução à cirurgia plástica – pode complementar a maioria das intervenções cirúrgicas – desde uma abdominoplastia até um lifting facial. O procedimento vai muito além do que aspirar gorduras: ele ajuda a modelar, contornar e rejuvenescer o corpo. Por isso que, nesse contexto, as pessoas normalmente se remetem a lipoaspiração. Indicada para remover gorduras localizadas, como as que se encontram debaixo dos braços, nos quadris e na região abdominal, a lipo se torna aliada, também, de quem opta pela cirurgia bariátrica e depois deseja eliminar o excesso de pele resultante da perda de peso.

Ao lado dela, outras técnicas corroboram em prol de quem visa o bem-estar: cirurgia plástica no abdômen (abdominoplastia), nas mamas (mamoplastia), em braços e coxas (braquioplastia e cruroplastia), na face (lifting facial) e nos glúteos (gluteoplastia) podem auxiliar na obtenção de melhores resultados. Há, também, os procedimentos de lipoenxertia, que permitem a retirada de gordura para posterior aplicação em depressões ou áreas que necessitam de maior volume, como as nádegas – objetivando melhor equilíbrio estético, característico da lipoescultura. O cirurgião plástico, após cuidadosa avaliação clínica, é capaz de recomendar qual técnica é a mais adequada para o caso de cada paciente.

Tratamento e recuperação

Se o diagnóstico do cirurgião recomendar a lipoaspiração, é importante o paciente saber como a cirurgia ocorre. O procedimento requer anestesia geral ou peridural – com tempo de internação variando de 12 horas, para menores volumes, a 24 horas, em cirurgias maiores. A cicatriz é discreta e não requer a retirada de pontos. Já o repouso indicado é de uma semana, com capacidade para o trabalho em três dias e exercícios físicos após um mês.

É essencial buscar orientação médica

Mais da metade da população brasileira está acima do peso ideal. O dado divulgado pelo Ministério da Saúde liga o sinal de alerta para quem faz parte desse grupo – e também para a comunidade médica, que tenta oferecer alternativas para redução dessa estatística. Em caso de obesidade mórbida, o indicado é a realização de cirurgias bariátricas. A maioria das pessoas, no entanto, pode reverter o quadro de sobrepeso por meio da readequação alimentar e a adoção de hábitos saudáveis. Nesses casos, as intervenções cirúrgicas complementam os resultados do processo. O cirurgião plástico pode indicar o tratamento necessário, baseando-se nos anseios e nas necessidades do paciente. E lembre-se: é essencial buscar um médico no qual você confie e que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Dr Felipe De David

A saúde

Por Antonio Carlos Koff

Médico, Cientista, Filósofo, Humanista

Os principais cuidados com a saúde podem ser resumidos numa tríade fundamental: alimentação, exercício e desaceleração.

Os alimentos são divididos em três espécies: as proteínas, os lipídios ou gorduras e os glicídios ou carboidratos. As proteínas estão presentes em todos os seres vivos, participam de praticamente todos os processos celulares e podem ser encontradas em fontes de origem animal, como na carne, ovos, leite, peixe e também em fontes de origem vegetal, como nos cereais, feijão, soja, lentilha, grão de bico, nozes e sementes. São essenciais para o crescimento e a manutenção do corpo, sendo o principal componente estrutural de todas as células, particularmente dos músculos.

Os lipídios ou gorduras são insolúveis na água e fornecem energia para as células.

Os glicídios ou carboidratos são de origem predominantemente vegetal, exercem função energética e podem desempenhar função estrutural.

Numa refeição grande, bem equilibrada, devem constar esses três elementos, e não só é importante selecionar a qualidade do que se vai comer, mas também saber dosar corretamente as proporções.

A conformação dos dentes nos indica que o ser humano é omnívoro, ou seja, pode comer de tudo, e isso é verdadeiro, mas ele precisa ter alguns cuidados. Como regra geral, pouco sal, pouco açúcar e pouca gordura, sendo conveniente fazer refeições mais frequentes e menos copiosas. Frutas, verduras e legumes têm sido propagados como os melhores e, em parte, isso é verdade. Mas não se deve esquecer dos cereais, que são muito importantes e representam o futuro da humanidade. Além disso, as frutas têm alto teor de acidez e convém consumi-las com moderação. Tudo o que provém do animal, deve ser reduzido, porque, além de representar seu impiedoso sacrifício, não é o melhor para o corpo. Da mesma forma, pão branco e farinhas brancas não são as melhores opções.

Importante comer devagar, mastigando bem os alimentos, sem pressa, tirando um tempo para isso. Se quiser ainda obter melhor proveito, procure, a cada bocado ingerido, emitir pensamentos de paz, harmonia e prosperidade, lembrando que está recebendo da fonte universal força para seu corpo e para suas realizações. Peça, naquela hora, que suas energias se renovem e o conservem com saúde. A mente é um imã e pode atrair o que você quer.

A verdade é que o leite e seus derivados, como manteiga, queijo, ricota, requeijão e outros são os maiores responsáveis, a longo prazo, pela arteriosclerose e entupimento dos vasos sanguíneos. Seria então o caso de se perguntar: “Como pode um alimento da natureza ser inconveniente para o ser humano”? Devemos, no entanto, nos lembrar que o leite de vaca foi feito para o bezerro, não para os seres humanos. Ademais, a natureza não quer que os mamíferos tornem a tomar leite depois de desmamados. Intolerância à lactose e outras é uma reação do organismo, que não deseja esse tipo de alimento, o qual pode ser substituído, com vantagem, pelo leite de soja ou de outros cereais, misturado a diferentes bebidas.

Do ponto de vista físico, o homem é o seu sistema osteomuscular. São os músculos que permitem ao ser humano expressar-se, permanecer de pé, locomover-se, alimentar-se, respirar, trabalhar, reproduzir-se ou exercer qualquer atividade.

Ter um bom sistema osteomuscular é da mais alta importância. Exercícios de contração e descontração muscular devem ser praticados com inteligência, persistência e moderação, sem chegar ao cansaço. Os anaeróbicos, por não produzirem aceleração cardíaca, nem respiratória, são os melhores. Com criatividade, podem ser praticados a qualquer momento e em qualquer ocasião. Exercícios aeróbicos, que tornam o indivíduo ofegante, sudorético e fatigado, produzindo ácido lático, são prejudiciais e acabam levando à senilidade precoce. Andar a pé, respirando ar puro, em ritmo normal, em temperatura agradável, evitando o cansaço, tendo a mente harmonizada com o cósmico, pensando na saúde e na beleza da vida, sempre com sentimento de gratidão, é, provavelmente, um dos melhores exercícios.

Importante também é saber resguardar-se da ação dos agentes físicos, como calor ou frio, vento, contusões, traumatismos, certos tipos de odores ou impurezas, ruídos intensos ou radiações muito fortes.

Evitar a prática de esportes competitivos, os quais provocam exaustão e desgaste físico, além de traumas frequentemente presentes. São válidos como espetáculo para as multidões, mas para os atletas tornam-se danosos, podendo até resultar em lesões definitivas, simplesmente porque o corpo não foi feito para essas violências.

Viver e trabalhar de modo desacelerado é resguardar-se do desgaste prematuro e do desperdício de forças, sendo, para isso, necessário acostumar-se a executar uma só tarefa de cada vez e não assumir compromissos acima das forças. Não diga SIM quando quiser dizer NÃO. Procure desenvolver sempre mais o poder de autocontrole e também levar em conta que o excesso de informações diminui a qualidade de vida.

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A maneira como se vive no lar ou no trabalho é fundamental na busca de resultados e objetivos. Querendo ou não, o indivíduo é afetado pelo meio ambiente. Conviver com inarmônicos, antagônicos ou com inimigos, recebendo radiações negativas, dificulta a concentração, atrasa a evolução, aumenta a insatisfação e acaba acarretando danos à saúde. Nada arruína mais o corpo, nada destrói de maneira mais impiedosa e nada corrói de modo mais funesto do que o sofrimento psicológico continuado, porém as consequências só aparecem muito tempo depois.

Não viva em ambiente hostil, não vale a pena. Perto dos amigos, longe dos inimigos, para louvar a Deus, essa é a verdadeira vida. Só assim atingirá seus mais altos ideais e poderá viver nas mais altas esferas do pensamento, na paz, no silêncio e na bem-aventurança.

Ame-se, converse com seu corpo, com seus olhos, com seu coração, seus pulmões, seus órgãos. Envie- lhes pensamento de amor, harmonia e de confiança. Eles são seus. Os pensamentos modelam o corpo, a face, a fisionomia. Influenciam os movimentos, o andar, e se manifestam de forma exuberante no todo que é a pessoa humana.

A imagem mental que cada um forma de si é o que construirá seu futuro. Quem se visualiza cheio de saúde, beleza, felicidade, prosperidade, atrai essas condições, sucedendo o contrário aos que pensam de modo oposto. Seu futuro depende do que você está pensando e fazendo AGORA.

A lei da mente é implacável: o que você pensa, você cria. O que você sente, você atrai. O que você acredita, torna-se realidade. A fé está na frente de todas as coisas e, sem ela, nada é possível realizar.

O ser humano precisa aprender a viver em harmonia com as leis da natureza, abster-se de quaisquer tipos de excessos, tomar bastante água e cultivar o repouso. Necessita também reservar um tempo para meditar. Deus fala através do sentimento interno.

Existe realmente um maravilhoso estado de harmonia interna, que pode proporcionar saúde, beleza, alegria e prosperidade e que deve ser constantemente procurado por aqueles que buscam o seu aperfeiçoamento.

Para haver harmonia interna é preciso ter amor e pensamentos positivos. Quando não amamos, sentimo- nos desligados de tudo e, consequentemente, das forças construtivas, e então um terrível sentimento de solidão nos invade. Nada é possível verdadeiramente construir sem amor, a verdadeira força que move o sol e as estrelas. Com frequência, certas pessoas são acometidas de uma sensação de fraqueza, de falta de forças, sensação de peso, de cansaço, que nada mais é do que a falta de amor, sem o qual não existe a faísca que provém da alma. O amor é o melhor dos remédios, o maior dos mestres, e é a única coisa que, quanto mais se dá, mais se tem para dar.

E muitos nos perguntam: “Mas, afinal, o que Deus quer de nós”? Temos sempre afirmado que a obra de Deus é perfeita, mas não está terminada. E Ele quer o auxílio de cada um para ir completando sua obra. Quer que você utilize todo o seu potencial, todos os seus dotes, a sua criatividade, sua capacidade, que você cresça e realize o máximo que puder, tornando-se, dessa maneira, um canal para a manifestação das obras de Deus.

Não tenha medo de crescer, não tenha medo de aparecer. Quando você cresce, o mundo cresce. Lembre-se sempre que, para andar em harmonia com o universo, é preciso ter um caminho.

Tudo, no entanto, sem nunca se esquecer da verdadeira finalidade da vida, que é a ETERNA LUTA ENTRE

O BEM E O MAL.

Não só é importante o quanto se vive, mas sim como se vive. Um dia você descobrirá que sem amor não somos nada.

A mente tem poder sobre o corpo e este tem o poder de se autocurar.

Se você atingir a maestria, poderá utilizar seu corpo pelo tempo que lhe aprouver e envelhecer sem ficar velho. Mas o tempo, a vida e as finanças não poupam ninguém, e um dia você terá que deixar este mundo.

Por mais parentes, amigos e conhecidos que você tenha, por mais bens materiais que possua, por mais

poder e influência que julgue possuir, terá de cruzar sozinho o umbral da transição e nada levará consigo. Nenhum bem será transportado, nenhuma pessoa lhe acompanhará. Nem pai, nem mãe, nem irmão, nem filho, nem amigos, nem ninguém poderá lhe acompanhar. Durante a passagem estará totalmente sozinho e entregue à sua própria sorte. Rogue para que seja suave e sem dor. Naquele dia e hora, seria bom lembrar ou dizer aquilo que deveria ter dito durante toda a vida: “LOUVAI AO SENHOR”.

Melhor ainda que antes tenha dito: “Ando no meio das trevas, das traições, dos perigos e da morte, mas nem as trevas, nem as traições, nem os perigos e nem a morte me amedrontam porque Deus está comigo”.

Mas é preciso também agradecer. A gratidão abre a porta para maiores bênçãos.

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Se você tem uma casa para morar, agradeça.

Se você tem uma família, agradeça.

Se você tem parentes, agradeça.

Se você tem amigos, também agradeça.

Se você tem trabalho, agradeça.

Se você tem alimento para comer, agradeça.

Se você tem roupa para vestir, agradeça.

Se você tem um carro, agradeça.

Se você tem dinheiro, agradeça.

Se você tem saúde, agradeça.

Se você ainda tem pernas para andar, agradeça.

Mas se você não tem nada disso, também agradeça, porque você tem a Deus. Essa luz maravilhosa que está dentro de você e que lhe acompanha sempre onde quer que você esteja.

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Sobre “Joker”

Por Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

Joaquin Phoenix poderia ter interpretado o personagem Arthur Fleck (que cria o alter-ego Coringa) sem texto algum (assim como Leonardo DiCaprio em “O Regresso”), que mesmo assim seria aplaudido de pé no Festival de Cinema de Veneza. O olhar com o misto de desespero e revolta do personagem premia mais uma atuação estupenda de Phoenix. É impossível não ficar vidrado no personagem, não simpatizar com o mesmo, e em alguns momentos torcer pela sua “vitória” ao longo da história. Pode-se dizer que “Joker”, dirigido por Todd Phillips, é uma crítica ao chamado capitalismo selvagem? Sem dúvidas. Além de que o longa destaca questões pertinentes sobre saúde mental. Em suma, é um filme importante lançado no momento certo. A violência gráfica é explorada de forma sublime, porém eu diria que é apenas um bônus numa história repleta de elementos que enriquecem qualquer debate acerca do sistema social que estamos inseridos. Estamos adoecendo numa realidade em que a competição desenfreada e a desigualdade social cada vez maior tem soterrado uma parcela da população que com extrema dificuldade tenta se reerguer numa sociedade marcada pela ganância e o poder. Será mesmo que o Coringa, ou melhor, Fleck, é o verdadeiro vilão da história? Assista “Joker” e tire suas próprias conclusões.

Joker

O Caminho do Meio

Por Rogério Gava

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Já se disse que toda virtude é um ápice entre dois vícios. Um cume entre dois vales. Espécie de média entre dois extremos. O respeito, por exemplo, é um bom termo entre a negligência e o medo exagerado. Um aluno diante de um teste: se ele der de ombros e achar que já sabe tudo, estará sendo negligente, e com certeza se dará mal. Mas se ficar petrificado diante do desafio, tremendo de medo de ser reprovado, possivelmente terá o mesmo destino. Encarando o exame com o respeito que a situação pede – o que pressupõe que se preparará com afinco –, com certeza terá maiores chances de sucesso.

Veja o caso da humildade: ela é o justo balanço entre a arrogância, de um lado, e a submissão, de outro. Ser humilde não é depreciar-se. Tampouco carecer de autoestima. E nem de longe deixar-se humilhar. A humildade é o ponto “ótimo” entre achar-se “o gás da Coca-Cola” e um “João Ninguém”. Ser humilde é sabermo-nos “filhos da terra”, do humus, donde justamente deriva o termo. Pó somos e ao pó voltaremos. Tudo o que a soberba – esse extremo equivocado – esquece.

A simplicidade é outro bom modelo do que estamos falando. Ser simples é estar equidistante da presunção e da ingenuidade. Aliás, é bom que se saiba: ser simples não significa ser “simplório”. A verdadeira simplicidade não pressupõe a tolice, ou a falta de sabedoria. O homem simples, ao contrário, é aquele que não se envaidece de sua própria inteligência, daquilo que julga saber. Ele reconhece que tudo o que sabe não é nada, diante do outro tanto que ignora. Simplicidade é essa leveza de espírito, a boa meia medida entre um ego esvaziado ou inflado demais.

Me parece que tudo na vida, ao final, pede o equilíbrio. Como se diz: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O prazer é um terreno fértil para testar esse princípio. Me diga o leitor com sinceridade: não é muito mais fácil abdicar totalmente de comer doces, do que provar o primeiro brigadeiro e parar por aí? Quem nunca fez regime que atire a primeira pedra. E já disse o poeta Fernando Pessoa: é mais fácil abdicar totalmente de um vício do que tentar moderá-lo.

O “caminho do meio” não é uma lógica nova. Buda já o ensinava. Conta a lenda que o mestre, tendo desmaiado de fome após severo jejum, e recuperado a consciência somente após comer uma tigela de mingau, teve uma iluminação. Ele percebeu então que os extremos – mesmo em causa nobre – nunca são a melhor pedida. A partir daí, passou a pregar aos discípulos as virtudes do meio-termo para o refinamento do espírito.

A essência do meio-termo repousa sobre o equilíbrio, essa difícil arte. Ler é bom; passar os dias lendo é alienação. Sexo é saudável; só pensar em sexo é perversão. Trabalhar para viver é necessário; viver para trabalhar é loucura. E por aí vai. Como ensinava Aristóteles – outro sábio que apreciava a ideia da justa medida –, a falta e o excesso são os dois grandes vilões de nossa felicidade. Dizia ele, por exemplo, que tanto a prática excessiva de exercícios, quanto seu inverso – a indolência do corpo –, eram prejudiciais (atualíssimo nosso bom filósofo, nestes tempos de “neurose fitness”).

Aristóteles, aliás, nos legou algo fundamental sobre toda essa questão: cada qual deve descobrir qual é o seu “meio-termo” particular. Ele nos ensina que o caminho do meio não é questão de pura matemática, assim como seis é a média aritmética entre dez e dois. É o que o mestre chamava de “meio-termo em relação a nós”. Haverá vezes em que nos inclinaremos mais para o excesso; noutras, para a falta. Cada um bem sabe onde lhe apera o sapato…

Acima de tudo, o meio-termo está aí para nos lembrar: se a escuridão nos impede de ver, a claridade excessiva nos cega. Nenhuma das situações é boa; pelo simples fato de serem exageros. O caminho do meio mostra que, entre o escuro e o claro, habitam muitas nuances. Basta procurá-las. E que cada um saiba alcançar a sua “justa medida”.

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O Caminho do Meio

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Já se disse que toda virtude é um ápice entre dois vícios. Um cume entre dois vales. Espécie de média entre dois extremos. O respeito, por exemplo, é um bom termo entre a negligência e o medo exagerado. Um aluno diante de um teste: se ele der de ombros e achar que já sabe tudo, estará sendo negligente, e com certeza se dará mal. Mas se ficar petrificado diante do desafio, tremendo de medo de ser reprovado, possivelmente terá o mesmo destino. Encarando o exame com o respeito que a situação pede – o que pressupõe que se preparará com afinco –, com certeza terá maiores chances de sucesso.

Veja o caso da humildade: ela é o justo balanço entre a arrogância, de um lado, e a submissão, de outro. Ser humilde não é depreciar-se. Tampouco carecer de autoestima. E nem de longe deixar-se humilhar. A humildade é o ponto “ótimo” entre achar-se “o gás da Coca-Cola” e um “João Ninguém”. Ser humilde é sabermo-nos “filhos da terra”, do humus, donde justamente deriva o termo. Pó somos e ao pó voltaremos. Tudo o que a soberba – esse extremo equivocado – esquece.

A simplicidade é outro bom modelo do que estamos falando. Ser simples é estar equidistante da presunção e da ingenuidade. Aliás, é bom que se saiba: ser simples não significa ser “simplório”. A verdadeira simplicidade não pressupõe a tolice, ou a falta de sabedoria. O homem simples, ao contrário, é aquele que não se envaidece de sua própria inteligência, daquilo que julga saber. Ele reconhece que tudo o que sabe não é nada, diante do outro tanto que ignora. Simplicidade é essa leveza de espírito, a boa meia medida entre um ego esvaziado ou inflado demais.

Me parece que tudo na vida, ao final, pede o equilíbrio. Como se diz: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O prazer é um terreno fértil para testar esse princípio. Me diga o leitor com sinceridade: não é muito mais fácil abdicar totalmente de comer doces, do que provar o primeiro brigadeiro e parar por aí? Quem nunca fez regime que atire a primeira pedra. E já disse o poeta Fernando Pessoa: é mais fácil abdicar totalmente de um vício do que tentar moderá-lo.

O “caminho do meio” não é uma lógica nova. Buda já o ensinava. Conta a lenda que o mestre, tendo desmaiado de fome após severo jejum, e recuperado a consciência somente após comer uma tigela de mingau, teve uma iluminação. Ele percebeu então que os extremos – mesmo em causa nobre – nunca são a melhor pedida. A partir daí, passou a pregar aos discípulos as virtudes do meio-termo para o refinamento do espírito.

A essência do meio-termo repousa sobre o equilíbrio, essa difícil arte. Ler é bom; passar os dias lendo é alienação. Sexo é saudável; só pensar em sexo é perversão. Trabalhar para viver é necessário; viver para trabalhar é loucura. E por aí vai. Como ensinava Aristóteles – outro sábio que apreciava a ideia da justa medida –, a falta e o excesso são os dois grandes vilões de nossa felicidade. Dizia ele, por exemplo, que tanto a prática excessiva de exercícios, quanto seu inverso – a indolência do corpo –, eram prejudiciais (atualíssimo nosso bom filósofo, nestes tempos de “neurose fitness”).

Aristóteles, aliás, nos legou algo fundamental sobre toda essa questão: cada qual deve descobrir qual é o seu “meio-termo” particular. Ele nos ensina que o caminho do meio não é questão de pura matemática, assim como seis é a média aritmética entre dez e dois. É o que o mestre chamava de “meio-termo em relação a nós”. Haverá vezes em que nos inclinaremos mais para o excesso; noutras, para a falta. Cada um bem sabe onde lhe apera o sapato…

Acima de tudo, o meio-termo está aí para nos lembrar: se a escuridão nos impede de ver, a claridade excessiva nos cega. Nenhuma das situações é boa; pelo simples fato de serem exageros. O caminho do meio mostra que, entre o escuro e o claro, habitam muitas nuances. Basta procurá-las. E que cada um saiba alcançar a sua “justa medida”.