“Turistando” no Villa Michelon

Por Kátia Bortolini

Olhar como se fosse pela primeira vez. Foi o que pensei ao receber o convite da diretora do Hotel Villa Michelon, Elaine Michelon, para participar como hóspede da programação de duas pernoites do primeiro final de semana da La Bella Vendemmia, de 10 a 12 de janeiro deste ano. O evento prossegue até 8 de março, nos finais de semana, de sexta a domingo. Amei o convite pela oportunidade de conhecer, de forma mais íntima, o complexo hoteleiro/turístico construído no Vale dos Vinhedos, há mais de 18 anos, pelo saudoso amigo empresário Moysés Michelon (in memoriam). Já tinha estado várias vezes no Villa Michelon, mas sempre a trabalho.

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A experiência da hospedagem para a La Bella Vendemmia iniciou na Casa do Filó, no final da tarde de sexta-feira, 10, junto a hospedes de vários Estados do Brasil e de uma família da Austrália, com apresentação de Eliane Michelon sobre os hábitos culturais das levas de imigrantes trentinos e vênetos que colonizaram a Serra Gaúcha, a partir de 1875. Entre eles, o do Filó, evento social   que ocorria após o término de mutirões de famílias das comunidades em torno da vindima anual (colheita de verão da safra da uva nas pequenas propriedades). A família auxiliada presenteava os vizinhos com um filó, festa regada a cuca, biscoito, salame, queijo, pão, vinho e suco de uva.

A explanação de Elaine foi seguida de visita técnica ao parreiral modelo, com colheita de uvas para o ritual da pisa (pisar as uvas dentro de uma mastela como antigamente, macerando os grãos para a elaboração do vinho). Chovia forte… mas, mesmo assim, a maioria dos hóspedes do grupo participou da colheita e da maceração das uvas, na grande tina destinada à pisa. Após, começou a festa na Casa do Filó, com lanches e pratos típicos da região, regados a suco de uva, vinho branco e vinho tinto encanados. Elaine resgatou a proposta das bebidas encanadas, a exemplo do ocorrido nas primeiras edições da Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), na década de 60 em homenagem a seu pai, Moysés Michelon, precursor do evento que na década de 1960 projetou Bento Gonçalves como a “Capital Brasileira da Uva”, no cenário nacional. Seu Moisés, como o empresário era conhecido na comunidade, também foi um dos precursores da cadeia hoteleira do Vale dos Vinhedos. A animação musical do filó, que não poderia faltar, fica a cargo de corais e músicos da região.

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Na manhã de sábado, acordei com os mugidos dos bois e dos terneiros, entre outros sons de animais da mini fazendinha, entrecortados pelas risadas das crianças.  No decorrer do sábado “ turistei” na estrutura do complexo, a pé, e também aproveitei a piscina e a academia. Ainda no sábado trafeguei pela RS 444 até a entrada de Santa Tereza, “ olhando como se fosse a primeira vez”.  Os morros ficam ainda mais lindos nessa época do ano, encobertos por plantações de videiras e árvores.

Adorei o Átrio, um lugar diferenciado dentro do Hotel, com espaços para circulação e integração entre os hóspedes do Villa Michelon. A Piazza dei Bambini, espaço que valoriza a cultura e proporciona às crianças uma volta divertida ao passado, também é uma atração à parte.  Equipada com brinquedos, diversos jogos, livros e lápis de cor, com a permanência de uma recreacionista que garante o conforto e segurança dos pequenos, nos feriados e finais de semana.

A suíte onde fiquei hospedada é um encanto. A forração da parede e a decoração remetem à casa da “nona”, com todo o conforto atual, entre eles uma banheira com hidromassagem. Na cabeceira da cama de casal, há uma barra de ferro muito sugestiva…

Amei a estadia… super recomendo a experiência da hospedagem.

Hotel Villa Michelon

54 2102.1800

RS 444- KM 18,9- Estrada do Vinho 

Vale dos Vinhedos- Bento Gonçalves 

reservas@villamichelon.com.br 

www.villamichelon.com.br 

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C:DCIM124GOPROGOPR5704.GPR

 

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Bento-gonçalvense define o que é a Vida

Por Dr Antonio Carlos Koff

Recentemente, Bento Gonçalves foi premiada pela Cúpula Mundial de Cidades do Conhecimento, num evento internacional, que reconheceu esta cidade como um dos destinos emergentes. Somos uma das quatro cidades mais admiradas do mundo, de acordo com os capitais de conhecimento, juntamente com Vancouver, Porto Rico e Barcelona, que também receberam o prêmio.

Aliás, Bento Gonçalves parece estar destinada a se tornar polo cultural. Eis que o bento- gonçalvense Antonio Carlos Koff acaba de definir o que é vida, quando até agora, ao que se sabe, ninguém se atreveu a defini-la.

Costuma-se dizer que não se sabe o que é a vida, não se sabe como ela surgiu e que, provavelmente, nunca se poderá criar vida. Vejamos o que diz a esse respeito o nosso conterrâneo e que se presta a profundas reflexões:

“VIDA É MOVIMENTAÇÃO CONTÍNUA DE DENTRO PARA FORA”.

Vida

Dois mil e vinte

Por César Anderle

Estamos beirando o Ano Novo. Os espíritos se elevam, é um momento de renovação, passamos pelo Natal e refletimos sobre amor, carinho, bem-estar, perdão, gratidão, mas agora revisamos as nossas conquistas de dois mil e dezenove, as nossas frustrações, os nossos sonhos, e vivemos o clima de solidariedade que envolve todos os corações. O nascimento de Cristo foi uma oportunidade de renovarmos as esperanças na natureza humana, no homem e na sua fé por tempos melhores. A passagem para um novo ano, independente da crença de cada um, é sempre um momento de renovação.

Neste caminho que trilharemos, lanço aqui algumas questões: Qual o valor que eu dou à vida? Como eu a vivo? Quais os valores que eu priorizo? A resposta a estas indagações suscitará em nós a importância que damos ou não pelo cuidado à vida. Recorrendo ao pensador clássico Sócrates, ele afirma: “a vida sem reflexão não merece ser vivida”.

Só poderemos construir a paz a partir de uma nova mentalidade, quebrando alguns paradigmas, “enculturando” novas formas de olhar o outro, isso significa valorizar o ser humano na sua amplitude. Resgatar a subjetividade humana, respeitar cada pessoa na sua simplicidade e singularidade.Sendo assim, possibilitaremos uma vida digna a todos, cada um com suas virtudes e fragilidades.

Precisamos discernir com sabedoria o que é necessário para viver bem e melhor, com qualidade de vida. Se faz necessário perguntar o porquê e para que. O excesso de bens materiais ou a escassez dos mesmos é o grande desafio da sociedade moderna. Muitos vivem só para o trabalho. A preocupação quantitativa e lucrativa, tudo vale para atingir as metas e o poder nesta visão maquiavélica.

Por outro lado, e olhando para a maioria do nosso povo, existem pessoas que trabalham constantemente para apenas sobreviver. Mesmo que a vida seja difícil, cria-se sentido e sabor se intensificarmos as horas que sobram do dia, da semana, partilhando e celebrando a amizade com as pessoas da comunidade, da família, com os amigos e por causas humanitárias, só assim presenciaremos o verdadeiro sentido da vida.

Este é o momento de projetarmos o nosso futuro, nossas próximas metas, nossos sonhos, nossos ideais. A partir do dia primeiro de janeiro podemos mudar o mundo sim, com nossas atitudes, nossos pensamentos, nossas ações. O futuro se faz hoje, através do primeiro passo, da primeira mudança em nosso cotidiano. Podemos ter uma rotina positiva, basta querermos, lembrando que sempre se faz necessária a disciplina. Só assim faremos um mundo melhor, a começar por mim e por você.

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Cirurgia plástica no verão: o que você precisa saber

Por Dr. Felipe de David 

Cirurgião Plástico 

Muitas pessoas acreditam que as cirurgias plásticas devem ser realizadas nas estações mais frias, mas isso não é uma regra. Pode não parecer, mas o verão também é uma época em que são realizadas muitas cirurgias plásticas. Com a agenda da clínica menos disputada do que no inverno – além de muitos pacientes estarem em férias, folga ou recessos – os meses iniciais do ano também são bastante procurados para procedimentos estéticos. Além disso, cirurgias como prótese de mama, por exemplo, apresentam pequeno período de recuperação. Assim, logo o corpo estará pronto para a mesma temporada de verão.

Apesar de apresentar mais inchaços em épocas quentes e as malhas compressivas incomodarem um pouquinho mais, o resultado é o mesmo – independentemente da época do ano. Mas claro que essa condição se concretiza desde que os cuidados pós- operatórios sejam respeitados, afinal, um corpo saudável se recupera de uma cirurgia em qualquer clima.

É importante ressaltar, portanto, que não existem problemas em operar no verão, mas vale enfatizar que os cuidados precisam ser redobrados, especialmente em relação ao sol, cuja exposição direta deve ser evitada pelos primeiros 30 dias (além da proteção extra com bastante protetor solar e roupas adequadas durante o período dos três primeiros meses). Essa recomendação precisa ser seguida rigorosamente, pois como cada procedimento gera um tipo e tamanho de cicatriz, a exposição ao sol pode deixá- la mais escura e evidente, além de causar manchas pelo corpo.

Qualquer que seja a cirurgia procurada, entretanto, é necessária uma boa conversa com seu cirurgião plástico. Ele vai saber avaliar seu caso, identificando benefícios e cuidados que devem ser tomados no pós-operatório. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também faz um alerta com relação à escolha do profissional e do local adequado para a realização dos procedimentos. A orientação é que o paciente sempre verifique se o cirurgião é membro associado ou titular da Sociedade para garantir a seguridade da cirurgia.

Os mais requisitados

Dentre os procedimentos mais procurados para o verão, lideram a preferência dos pacientes as próteses de mama – junto às cirurgias de seio, como mastopexia, mastoplastia redutora, mastoplastia de aumento e a reconstrução mamária –, lipoescultura – que consiste na retirada de gordura de algumas regiões do corpo com posterior enxerto em outras regiões deficientes – e rinoplastias – procedimentos que remodelam o nariz.

BENTO GONÇALVES 

Rua Dr. José Mário Mônaco, 227 

Sala 905, Centro 

Fones: (54) 3702.4113

(54) 99970.4113

felipe de david

O Big Bang não explica nada

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

No princípio, era o “Nada”. A total ausência de qualquer coisa. Difícil imaginar. O nada absoluto soa como absurdo. Algo que escapa ao nosso entendimento. É como tentar pensar em um quadrado redondo. Ou o time ser rebaixado no mesmo ano em que é campeão. Dá um nó no cérebro.

Dizem os cientistas de que desse “nada” surgiu o famoso “Big Bang”, a grande explosão primordial. Isso há uns “meros” 13,8 bilhões de anos, um pouco menos, um pouco mais. Até onde se sabe (ou não se sabe), parece que, assim, do “nada”, surgiram o espaço, o tempo e a energia, tudo inconcebivelmente unido e muito, mas muito quente. Uma sopa cósmica colossal, uma espécie de plasma primitivo, que foi se expandindo, expandindo, e de onde tudo se originou (inclusive, você, eu, os Rolling Stones e a Gisele Bündchen).

Esse tal de Big Bang, no entanto, deixa uma pergunta em aberto. Uma questão, aliás, típica das crianças – que ainda não se tornaram adultos presunçosos repletos de certezas e que por isso mesmo fazem indagações inteligentes. O estimado leitor e a prezada leitora acho que alguma vez já se perguntaram: “se tudo era nada, de onde diabos veio essa explosão?” Sim, porque, se algo explodiu, era preciso que algo existisse para justamente explodir. Mas, não acabamos de dizer que no início nada existia? Confusa essa história!

A Bíblia dá a conhecida resposta, nos dizendo que nesse “nada” havia Deus. Foi ele, quem, portanto, criou dali tudo o que veio a existir. Fiat lux! Tão simples quanto acender um fósforo. Mas, eis que novamente a nossa amada criança intervém: “e quem criou Deus?” Impossível responder. Aqui, ou você tem fé, ou não tem. Mas o mistério permanece. Insondável e impenetrável. Para crentes e ateus.

Voltando ao Big Bang, a verdade é que três perguntas nos desafiam: O que explodiu? Por que explodiu? O que havia antes da explosão? Talvez jamais tenhamos as respostas. Quem sabe seja melhor fazer como os índios da tribo Pirarrã, que vivem na Amazônia. Eles acreditam que a terra e o céu sempre existiram, ou seja, ninguém os criou. Certa vez, ao serem questionados por antropólogos sobre o que havia antes do mundo, responderam: “sempre foi assim”. Os Pirarrãs não acreditam em nada que não possa ser visto ou provado. Espertos esses índios.

O filósofo Leibniz – que certamente não era adepto da filosofia dos Pirarrãs – nos repete a pergunta crucial: “por que existe tudo e não o nada?”. Ou seja, por que, afinal, o Universo calhou de existir? Confrontados com essa interrogação, temos dois caminhos: acreditar que há um sentido oculto por detrás de tudo, e que algum dia iremos descobri-lo; ou acreditar que não há sentido algum, e que, portanto, perguntar- se sobre o sentido de tudo é, por si só, uma pergunta sem sentido algum. O universo, nessa última concepção, é o resultado de uma loteria cósmica. O mundo e nós nele, uma grande roleta aleatória, girando ao sabor das probabilidades no cassino do mistério sem fim.

Crenças à parte, o fato é que o tal do Big Bang segue sem elucidar o que havia antes dele próprio. Há os que dizem que é só por enquanto, e que algum dia descobriremos de onde, afinal, tudo se originou. Pode ser, mas, até lá, o Big Bang segue nos devendo uma explicação melhor. Esse Big Bang que nasceu para explicar tudo, mas que até agora parece não ter explicado nada.

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O Encontro com Verissimo

Por Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

A expectativa quase sempre é carregada de grandes doses de ansiedade e tremelicos estranhos. Entre os dias 17 e 18 de dezembro eu estava assim, ansioso por ser um dos finalistas do 61° Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo, que ocorreria em poucas horas, mas sem imaginar que a grande surpresa e felicidade seria a troca de breves palavras com o mestre das palavras Luis Fernando Verissimo, homem, aliás, de elegância ímpar.

Carregando toda a humildade que um gênio tem, conversou com todos que se aproximavam, sem deixar de abrir um discreto sorriso para fotos. A homenagem a Verissimo, no início da cerimônia, teve uma chuva de aplausos que foram interrompidos apenas pelo “Muito obrigado”, docemente explanado pelo escritor. Foi após a entrega dos prêmios, no entanto, que o complemento daquela manhã seria ainda mais poético.

Enquanto Verissimo, junto de seus familiares, aguardava o momento de deixar o recinto, eu aguardava o momento de, ao menos, dizer algumas palavras. Sabe aqueles minutos que antecedem o primeiro encontro com alguém que tu esperas há um bom tempo? É quando o coração já não entende o ritmo correto dos batimentos, a pressão parece despencar, o corpo começa a balançar, as mãos ficam encharcadas em suor. Pois então: fui acometido por todos esses sintomas. Mas eu mantive o mínimo de compostura e tentei não balbuciar.

No instante em que estive frente a frente com ele, fui feliz em agradecê-lo por aquele momento. Acredito ter sido feliz nas palavras. Fico imensamente feliz também por saber que alguns pedaços meus ficaram com Verissimo. Aproveitei o pouco tempo que me restava para lhe presentear com dois exemplares de “Escritos da Carne”, meu primeiro livro de poesias. Em suma, estou apaixonado por Verissimo. Apaixonado pela delicadeza, carisma, pela poesia que envolve essa pessoa iluminada. Mas, pensando bem, não é paixão não, é amor mesmo. Não há nada mais puro e verdadeiro que o amor. Estou a seus pés, Luis Fernando Verissimo.

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Existe Milagre

Por César Anderle 

Quando percebemos é noite, quando percebemos é sexta-feira, quando percebemos estamos mais experientes depois de mais um aniversário. A Vida não nos espera, ela passa, e cabe a cada um encaixar os seus afazeres com a melhor maneira de aproveitar os bons momentos do dia de hoje.

Ao chegar mais um fim de ano, percebemos que 2019 não foi um ano diferente dos outros. A impressão, num primeiro momento, é que a cada ano o tempo passa mais rápido. Na verdade, através de nossos compromissos, nos ocupamos mais, nos comprometemos mais, nos preocupamos mais.

De nada adianta nos queixarmos (próprio do ser humano), pois quem procura o excesso de compromissos somos nós mesmos. Somos seres em expansão, queremos crescer e estamos sempre abertos para novas ideias. E isso nos faz bem, pois só assim é que evoluímos. O maior problema disso é, justamente, nos queixarmos das tarefas do dia a dia.

Cabe sempre uma reflexão sobre como andam nossos afazeres e como estamos tratando a cada um deles. Sempre iremos esbarrar nas pessoas e esse é o diferencial de cada ser humano. A pessoa que sabe lidar com esta situação se dará melhor e será bem vista, pois ali existe alguém que se importa com o outro, nada é por acaso. Quando olhamos nos olhos de alguém e transmitimos alguma mensagem, é nesta hora que se percebe a presença de Deus nas ações.

Por isso vai o convite a cada um de vocês, esta inflexão em nosso ser. Eu sei que, muitas vezes, nos machuca revisar e reconhecer pequenos ou talvez grandes erros, mas a simples atitude de querer rever certas ações, já nos abastece de humildade e nos faz crescer como ser humano.

Faça hoje o futuro que você quer ter amanhã. Reveja seus conceitos, pense no sofrimento dos outros e busque sempre a Paz de espírito, pois só assim seremos realmente considerados humanos.

Muitos buscam e pedem milagres, mas Deus deu a sabedoria para Você ser o milagre. Faça o bem, melhore o seu humor, tenha atitude positiva, faça melhor… Desejas o milagre? Seja o milagre!

Shalom!

Paz

Só precisamos ir

Por Carina Furlanetto 

Sempre que lia sobre casais que se programaram para dar uma volta ao mundo de carro pensava que isso não era para mim. Eles tinham uma estimativa de quanto gostariam com cada item da planilha (documentação, combustível, hospedagem, alimentação) e até em que época passariam por cada lugar. Depois, vinha a parte de adaptar o veículo para transformá-lo em casa. Alguns entravam com as próprias habilidades e outros contratavam alguém para fazer um bom projeto. Nós, que mal sabemos martelar um prego, teríamos que nos contentar com os gastos da segunda opção, o que minguaria o orçamento para a aventura. Resumindo, parecia não ser para nós.

Quando decidimos encarar essa viagem, nosso único planejamento foi jogar números para o alto e contar com a sorte. Chutamos um valor que poderíamos gastar por dia conforme o que tínhamos e torcemos para que conseguisse abarcar tudo, mas com zero convicção. O roteiro que deixamos para ser elaborado de última hora nunca foi concluído e a única parte que traçamos da rota deixou de ser consultada ainda no primeiro mês na estrada. Sobre o carro, nos preocupamos apenas em ter uma fonte de energia para carregar eletrônicos e cozinhar com uma panela elétrica instalando uma bateria extra. De resto, apenas fomos.

No começo eu sentia um indigesto gosto de deslocamento. Devíamos estar fazendo algo errado, pensava. Estaríamos sendo muito ingênuos em acreditar que para realizar um sonho bastava dar o primeiro passo e deixar que o destino decidisse os próximos?

Somente ao cruzar com outros malucos que também seguiam somente a sua intuição é que as inquietações foram sepultadas. Eu não sei aonde passarei o próximo final de semana e hoje estou bem tranquila com isso. Como canta Engenheiros do Hawaii, “nós não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir”.

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Reflexões

Por Ancilla Dall’Onder Zat 

Professora 

ancila@italnet.com.br 

Quando o ano está a findar, há todo um movimento pessoal e coletivo de sensibilidade pela magia do Natal que se aproxima e pelos mais variados aspectos. Há os que contabilizam alegrias, conquistas pessoais, enquanto outros enfrentaram problemas, perdas de familiares e de amigos que partiram ou dificuldades financeiras.

É o momento de refletir sobre as vivências e ações na trajetória de mais uma etapa, para que a próxima se concretize, na esperança e perspectiva de um ano melhor. É também o momento em que refletimos sobre nossos ganhos e nossos gastos, pois nossa necessidade de consumo está relacionada à natureza humana para a sobrevivência.

O consumo consciente atende às nossas necessidades básicas (Maslow), entre as quais não se pode prescindir da alimentação, saúde, educação e vestuário. Há quem sugere perguntar a si mesmo: eu preciso? Eu posso? Ou ainda, atende às minhas necessidades básicas? Consumir hoje e poder fazê-lo de forma consciente amanhã e depois, foi comparado por Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a uma corrida, pois se corremos desenfreadamente, é provável ficar pelo caminho; moderamente, de acordo com nossas forças, chegaremos com sucesso ao final da corrida. A sobriedade faz-se presente.

Uma ceia festiva, brinquedos para as crianças, presentes para os familiares e amigos simbolizam o amor e o respeito pela vinda do Deus Menino, sinalizam a amizade, a solidariedade e a partilha. Como não sentir prazer ao ver a alegria estampada no rosto de uma criança ao receber o seu brinquedo? A felicidade de um desprovido, com a solidariedade de alguém desconhecido?

A esperança que sempre esteve presente entre os seres humanos, por encerrar em seu significado e sentido o desejo de bem-estar e realização, incentiva e estimula, pois a esperança não tem idade. Aliás, a vida é feita de esperança. A criança espera amor e atenção de seus pais, assim como espera o brinquedo no Natal; o adulto espera suprir suas necessidades e que seus sonhos se realizem; o idoso espera ter saúde e convivência digna.

O Natal imprime, em todos nós, sentimentos nobres de amor, de solidariedade, de partilha e, sobretudo, de esperança. É nesse clima de reflexão e de esperança que desejamos um Feliz Natal e um Ano Novo de muita alegria.

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O Dinheiro

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br

“E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando

cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as

aves do céu.”

Érico Veríssimo,

Olhai os Lírios do Campo, 1938.

 

Leio que, na Suíça, mais da metade da população já não usa papel moeda. Uma tendência mundial, dizem os analistas. Em um futuro próximo, ao que parece, o dinheiro – esse papel pintado que enlouquece o mundo – será só virtual.

A notícia me fez pensar. Vivemos, todos, correndo atrás de dinheiro. Mesmo que neguemos sua importância. O dinheiro, por vezes, parece nos possuir. Não por acaso o denominam de “vil metal”. Mas, até onde mesmo vai o poder do dinheiro?

Em uma sociedade em que tudo está à venda, não ter dinheiro é de fato um grande problema. Quem tem poucos recursos ou nenhum terá, é fato, o que chamaríamos de uma vida bem difícil. A afluência de dinheiro – ou a sua falta – torna-se, assim, uma questão crucial da sociedade moderna. Se o dinheiro é o equivalente universal de troca (para usar a expressão de Marx), não o ter trará enormes dificuldades.

No entanto, há o “outro lado da moeda”. Se, como se diz, da morte nada escapará, tampouco e especialmente a riqueza, por que o dinheiro seduz tanto? Por que este esforço insano em acumular? Uma resposta possível: dinheiro traz poder. O poder de usufruir, de possuir. O dinheiro, bem equivalente de todos os outros bens, concede a possibilidade ilimitada de obter bens no futuro. E sendo os bens futuros disponíveis ilimitados e sempre crescentes, não é de se admirar que o fascínio pelo poder do dinheiro só faça aumentar.

Ensina, desde os primórdios, a ciência econômica, que nossas necessidades são – e serão – sempre ilimitadas. Como não desejar aquele que nos leva a saciá-las?

Toda essa questão me traz à memória o livro “Os sete pecados capitais”, do escritor espanhol Fernando Savater. Nele, o autor constrói um diálogo imaginário entre satanás e um escritor. O diabo, ali, tenta convencer seu interlocutor das vantagens em acumular.

Trata-se de um ensaio sobre a avareza, para Savater, o ato de se dar ao dinheiro mais importância do que ele realmente tem. Ato equivocado de transformar um meio em um fim.

O dinheiro, ao final, só vale justamente pelas trocas que proporciona. No fundo, é papel pintado sobre o qual se acordou – socialmente – um valor. Um papel com um número impresso que pode ser trocado por qualquer coisa. Um “vale genérico” compatível com todas as trocas, se quisermos assim entender. A idolatria ao dinheiro emerge quando esse acordo social é esquecido, e o dinheiro é alçado à condição de sumo sacerdote do sentido e da felicidade. O dinheiro, então, de abstração virtual, converte-se no objetivo máximo da vida, e tudo passa a ser acumular. De valor imaginário e arbitrário, o dinheiro passa a ter valor real. Um valor que fascina e, dependendo de nossa relação com ele, nos entorpece e ludibria. Nos engana. O dinheiro é, ao fim e ao cabo, um truque.

rogeriogava