Uma marca para a agricultura e os alimentos do Brasil

Maurício Antônio Lopes
Presidente da Embrapa

A linguagem pode aprisionar as ideias e restringir sua compreensão. É por isso que as imagens vão se tornando tão comuns na comunicação e nas nossas vidas. As companhias mais bem-sucedidas no mundo dedicam considerável energia, tempo e recursos à concepção, promoção e controle de suas marcas, quase sempre comunicadas com o auxílio de imagens. Marcas podem se tornar poderosas e produzir muito valor para as pessoas e suas organizações, por ampliar a visão com que seus clientes as percebem. Exemplos imediatamente reconhecidos por todos são as empresas Apple, Google, Microsoft, Coca-Cola e Facebook, detentoras de marcas sempre apontadas dentre as mais valiosas do mundo. De acordo com a revista Forbes, em 2016 estas cinco marcas valiam, juntas, a astronômica soma de US$422,9 bilhões.

Já vivemos numa sociedade acostumada às marcas. Com elas, as empresas passaram a investir na construção de uma imagem nas mentes das pessoas, para torná-las mais fiéis e dispostas a pagar valores extras por seus produtos.  Tentam convencer consumidores a desistir de produtos concorrentes em favor dos seus ou mesmo corrigir as percepções negativas ou errôneas sobre o que oferecem. As marcas podem até assumir a identidade do produto ou do serviço que oferecem.  Exemplos são Gillette, como sinônimo de lâmina de barbear, ou Xerox, como sinônimo de cópia reprográfica, e Brahma como cerveja. Tal lealdade à marca garante sucesso nas vendas, mesmo que concorrentes possam oferecer produtos ou serviços superiores.

Nações e pessoas podem também cultivar e se beneficiar de suas marcas.  A campanha que levou Barack Obama à presidência dos EUA, em 2008, conquistou o prêmio máximo do prestigiado Festival Internacional de Propaganda de Cannes. Resultado da combinação criativa do uso das mídias sociais, da capacidade de influenciar a imprensa e da marca icônica que circulou o mundo durante a campanha em imagens simples, como a silhueta do candidato Obama impressa nas cores da bandeira americana, caracterizando-o como um patriota, e  sua associação com a palavra esperança. De imediato, a Web incorporou a marca, que deu o tom da campanha otimista e vitoriosa de Obama.

O Brasil e sua economia poderiam se beneficiar enormemente da psicologia positiva que marcou a campanha de Barack Obama, com sua marca icônica associada a mensagens otimistas, como “sim, nós podemos”. Vejamos o exemplo da nossa agricultura, que no tempo recorde de quatro décadas tirou o Brasil da insegurança alimentar,  projetou o país como importante provedor de alimentos para mais de um bilhão de pessoas ao redor do globo, além de garantir cerca de um quarto do PIB nacional. Por falta de uma marca forte e consolidada e de campanhas que movam os brasileiros a defender  nossos grandes avanços, a extraordinária conquista da segurança alimentar e a posição de grande exportador de alimentos não são percebidos como grandes feitos por boa parte da nossa sociedade. Não é incomum vermos os próprios brasileiros abraçarem análises recheadas de preconceitos e dogmas acerca da agricultura e dos nossos alimentos, com grande prejuízo à imagem e credibilidade do Brasil.

Exemplo recente foi a reação mundial à Operação Carne Fraca, que em poucas horas produziu um verdadeiro tsunami de desinformação e pré-julgamentos sobre a carne brasileira.  A despeito da importância da operação, da gravidade dos fatos levantados e dos ilícitos cometidos, a maneira de comunicá-la, sem informação qualificada que permitisse à população ter uma medida mais realista dos seus impactos, causou imenso dano à imagem do Brasil e dos seus produtos.   Fossem a nossa agricultura e a carne brasileira amparadas por marca internacional respeitada e defendida pela nossa sociedade, nós, os brasileiros, não teríamos escolhido o caminho da autoflagelação, comunicando ao mundo um problema sistêmico e generalizado de qualidade e confiabilidade em toda a cadeia produtiva, quando só haviam fatos pontuais e localizados de corrupção administrativa.

Percepções das pessoas sobre uma nação vêm, em grande medida, do comportamento dos seus governos, das suas instituições e da sociedade.  E são referendadas a partir de sua própria experiência como consumidores, investidores ou visitantes, além de experiências comunicadas a elas por outros.  É comum identificarmos pessoas de diferentes nacionalidades expressando opiniões comuns sobre o design e a elegância dos produtos italianos; sobre o requinte dos perfumes, vinhos e queijos franceses; sobre a qualidade e a superioridade dos automóveis alemães; ou sobre a capacidade inovadora das empresas do Vale do Silício nos Estados Unidos.  Essas percepções positivas geram consequências importantes para a imagem e o sucesso dessas nações.  E geram orgulho e suporte na população, que defende e promove a imagem dos seus produtos nacionais.

Assim como as empresas usam a publicidade para influenciar a percepção dos consumidores sobre suas marcas, as nações podem investir em marcas e campanhas para moldar visões globais sobre seus setores mais estratégicos.  É o caso da marca e da campanha 100% Pure New Zealand, lançada em 1999.  Uma clara história de sucesso da Nova Zelândia, idealizada como uma campanha de turismo, mas com grande benefício para a agricultura daquele país.  O Brasil pode igualmente exaltar suas belezas naturais, rica diversidade cultural e capacidade de produzir alimentos para sua população e para centenas de países.  E conta com todos os ingredientes para construir marcas que mostrem ao mundo o que nos faz diferentes, autênticos e melhores.  Basta um pouco da psicologia positiva de Barack Obama:  sim, o Brasil pode!

No Dia Mundial da Água, é hora de economizar o líquido mais precioso do planeta

Informações: MSLGROUP ANDREOLI

Já parou para pensar na quantidade de água e energia que você consome todos os dias? Na hora do banho, de usar o aspirador ou mesmo no momento de lavar a louça, é muito importante poupar recursos naturais – e ainda dá para economizar dinheiro fazendo isso.

Nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda cresça 55% até 2050. Se continuarmos esbanjando, em 2030 o mundo enfrentará um déficit no abastecimento de água de 40%. Ou seja, precisamos economizar mesmo!

O mesmo vale para o consumo de energia. Estima-se que daqui a trinta anos a população passe de sete para mais de nove bilhões de pessoas. Serão necessários quase três planetas Terra para manter o atual estilo de vida da humanidade. Não queremos que isso aconteça, certo? Por isso, para economizar água, energia e dinheiro, separamos dicas eficientes e que você pode adotar agora mesmo.

1. Não lave mais louça
Não estamos dizendo que você precisa deixar a louça suja na pia para sempre, mas comprar uma lava-louças é a melhor opção. Sabia que para cada copo que sujamos, são necessários mais dois copos de água limpa para lavá-lo? Em quinze minutos de torneira aberta na pia gastam-se em média 90 litros de água. Na lava-louças, a economia pode chegar a 27 mil litros em um ano, o que vale a 55 caixas d’água de 500 litros!

2. Peneirando o chuveiro
Uma opção barata e fácil, os arejadores, também chamados de “peneirinhas”, misturam ar à água dando a sensação de maior volume. A eficiência é a mesma, mas os respingos que levam ao desperdício serão menores. E ele pode ser implantado na pia também. A peça custa cerca de R$ 60 e você nem precisa chamar o encanador – basta rosquear os arejadores nos bicos das torneiras e chuveiros e pronto. Fácil!

3. Sem desperdício
Já pensou em reutilizar a água da pia do banheiro na descarga? A pia fica acoplada ao vaso sanitário, e toda a água utilizada nela é direcionada à descarga. Isso proporciona uma economia de até 70% da água usada no banheiro.

4. “Lavar roupa todo dia”. Só que não
Uma lavadora de cinco quilos consome 135 litros de água a cada uso. Acumule roupas da semana para lavar de uma só vez e, se for possível, reuse aquela blusinha de segunda, que continua limpa, na sexta. Lavar roupas sem necessidade é bobagem!

5. Em modo “stand by
Você sabia que os aparelhos domésticos ficam em stand by e gastam energia mesmo nessa função? Não adianta só desligar os aparelhos no comando, é preciso tirá-los da tomada também. Isso pode acontecer com TVs, computadores, carregadores de celular, equipamento de canal a cabo e etc.

6. Na dança do balde
Enquanto você está encolhido no canto do box esperando a água do chuveiro esquentar, prepare um balde para receber a água fria. Você pode reutilizá-la para lavar as roupas, o quintal, o carro etc. No final do dia, você poupou mais de 8 litros de água! Você também pode captar água enquanto toma banho. É só colocar uma bacia sob os seus pés.

7. Aproveitando a piscina ao máximo
Você pode reutilizar a água da piscina de montar para regar os jardins quando não for mais usá-la! Verifique se o nível de cloro não está alto para as plantas, pois isso pode matá-las. Você provavelmente não vai utilizar toda a água de uma piscina de 10 litros, por exemplo, então dividi um pouquinho com o seu vizinho não terá problema nenhum e fará com que todos saiam felizes: você, seu bolso, a água e as plantinhas.

Em 2017, você irá liderar ou educar?

Por Eduardo Shinyashiki

Dentro de uma organização, o que é mais importante: liderar ou educar?

Provavelmente, você já se deparou com essas duas ações isoladamente. Entretanto, a união delas pode trazer resultados e transformações incríveis para empresas dos mais variados segmentos.

Já muito se sabe sobre o papel do líder, aquele indivíduo que precisa mobilizar pessoas na busca de resultados constantes e cada vez maiores. Abraham Lincoln deu uma definição muito sábia para esse papel: “A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns”.

Atualmente, as organizações buscam mais do que alguém que saiba exercer a “Liderança Situacional”, importante modelo de Hersey e Ken Blanchard, no qual o líder se adapta ao perfil de cada profissional. Hoje, o estilo mais procurado pelas empresas é a liderança educadora, um “plus” da liderança situacional que tem por essência acreditar no potencial da equipe e preparar um ambiente corporativo que estimule a aprendizagem, o desenvolvimento e a adaptação às mudanças.

O líder educador não só ensina, mas também aprende com os liderados. Ele não apenas delega, mas também realiza juntamente à equipe em busca dos melhores resultados. Isto é, ele não se coloca em uma posição de superioridade que o limita de participar da execução de tarefas, mas conquista o respeito da equipe com as lições diárias de ética, companheirismo, paciência e educação.

A liderança educadora verifica constantemente se as pessoas estão motivadas para o desenvolvimento e entrega de resultados no trabalho. Ela consiste em dar apoio e desenvolver as pessoas em suas atividades, fornecendo suporte e orientação, além de motivar para novos desafios, objetivos e situações como o aprendizado de novas competências e tarefas e auxílio nos problemas de relacionamento no trabalho ou queda de desempenho.

Os líderes educadores têm forte empatia pelas pessoas e se interessam pelo trabalho de sua equipe. Investir na capacidade dos liderados significa investir nas organizações, e é por isso que devemos sempre construir novos paradigmas de liderança. Desta forma, o gestor educador passa a ser uma referência, um modelo.

Existem algumas atividades que estão relacionadas ao dia a dia do líder educador como integração, desenvolvimento da comunicação, gestão do tempo e o desenvolvimento do potencial profissional de sua equipe. Já no contexto pessoal, essa liderança tem algumas características peculiares como postura reflexiva, capacidade de observação, inovação e facilidade em aprender com os outros e com suas próprias experiências.

O líder que possui a essência educativa gerencia sua equipe por meio do diálogo. Ele define sua gestão como um espaço de aprendizagem para o desenvolvimento de novas competências e estimula o compromisso com a equipe e demais pessoas, criando um melhor ambiente de trabalho e possibilitando mais qualidade e inovação.

Esse tipo de liderança utiliza o diálogo, descobre e estimula novos talentos, desenvolve a atenção e o foco, estimula a autoconfiança, tem flexibilidade, cria um ambiente de trabalho em que a alegria, o reconhecimento e o bem-estar estão sempre presentes. Com isso, um gestor consegue manter uma equipe motivada e em constante desenvolvimento.

Independentemente do contexto em que o líder educador esteja inserido, ele é a pessoa chave para a integração e o desenvolvimento dos recursos humanos. Experimente ser um líder educador em 2017 e desenvolva novas habilidades para a construção de uma liderança eficaz e transformadora.

*Eduardo Shinyashiki é mestre em neuropsicologia e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional, educacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o poder pessoal e a autoliderança das pessoas, por meio de palestras, coaching, treinamentos e livros, para que elas obtenham atuações brilhantes em suas vidas. Mais informações: www.edushin.com.br

A atuação das empresas na era do talentismo

Por Wellington Rodgério

No atual cenário em que vivemos, com crise financeira em diversos países, catástrofes ambientais e diferenças sociais, engana-se quem acredita que esses problemas são exclusivos dos governantes. Está mais do que na hora de todos enxergarem que já ultrapassamos há tempos a era em que as iniciativas privadas não prestavam atenção nessas questões. E, mais, as empresas que não discutem e não se preocupam com os problemas do mundo ao seu redor estão fadadas ao fracasso.

As companhias que pensam somente em gerar lucros têm de se reinventar. É preciso enxergar que empresas são agentes de mudanças, que também possuem um real compromisso com a sociedade, devem participar ativamente, extrapolar as exigências do capitalismo e ter um reposicionamento de comportamento empresarial.

A mudança de paradigma do sistema que vivemos está em um termo conhecido como “talentismo” – ou seja, no fato de pensar no conjunto da obra, e não apenas na organização em si. A finalidade desse novo conceito é a capacidade de inovar e circular ideias por meio do talento, da educação e do empreendedorismo, sempre com uma visão clara de compromisso junto à sociedade, ao meio ambiente e às causas sociais que envolvem a realidade ao seu entorno, seja na cidade ou no país todo. Isso significa um reposicionamento do comportamento empresarial.

 Para compreender um pouco melhor, o Fórum Econômico Mundial reúne anualmente chefes de governo, representantes empresariais, de bancos, entre outros executivos, com os intuitos de debater temas presentes e propor caminhos para o futuro. Porém, é claro, nada adiantará se essas questões não saírem do papel.

Além de colocarem as iniciativas em prática, as organizações precisam seguir os “Dez Objetivos do Pacto Global”, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) elaborada sobre os pilares dos direitos humanos, princípios e direitos fundamentais no trabalho, respeito e preservação do meio ambiente e o combate à corrupção. A missão do Pacto Global é engajar as empresas para que aceitem as metas propostas, apoiem e busquem alcançá-las dentro de suas dependências e também nas esferas de influência.

O “talentismo” nada mais é que a valorização de uma empresa ao seu capital humano seja ele parte da equipe de colaboradores, da carteira de clientes ou da comunidade que, de alguma forma, participa de sua atuação. Toda companhia que atua no cenário moderno do capitalismo precisa estar de acordo com esse conceito e perceber que as pessoas são mais importantes que o dinheiro.

* Wellington Rodgério é diretor financeiro do Grupo Sabará, empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias, soluções e matérias-primas de alta performance, voltadas aos mercados de tratamento de águas, cosméticos, nutrição e saúde animal e à indústria de alimentos e bebidas

Vale a pena antecipar a restituição do IR?

Por Reinaldo Domingos*

Muita gente, nessa época do ano, busca por um serviço que, embora possa parecer uma mão na roda, é perigoso, se não for feito com cautela: a antecipação da restituição do Imposto de Renda. Além de considerar os juros, é preciso ter certeza de que a declaração entregue está inteiramente correta, pois o contribuinte pode cair facilmente na malha fina e ter que arcar com o empréstimo do próprio bolso. 

O contribuinte também deve prestar muita atenção na hora de preencher, pois se não colocar todos os dados corretamente pode acabar perdendo dinheiro de dedução. É válido buscar o máximo de informação possível sobre o serviço e/ou procurar um especialista contábil para evitar problemas. 

É claro que o adiantamento do valor pode ajudar nas contas, no entanto, o que as pessoas não entendem é que, além de correrem riscos, estão apenas remediando um problema. Precisar dessa quantia já é uma prova de que as coisas não vão bem e que está faltando educação financeira. Caso contrário, não estariam precisando antecipar o recebimento de algum dinheiro para honrar com um compromisso que não conseguiu pagar com o seu próprio orçamento. 

Sendo assim, a recomendação é que, antes de tomar qualquer decisão, se realize um diagnóstico financeiro, para saber dos ganhos mensais e para onde está indo cada centavo do dinheiro, podendo, dessa maneira, identificar o que exatamente precisa ser resolvido, ou seja, quais despesas estão sendo supérfluas que podem ser diminuídas ou até mesmo eliminadas. 

Se os juros que está pagando em uma dívida forem maiores do que os da antecipação, também pode ser um bom negócio. Mas ainda assim é importante fazer uma boa pesquisa entre as instituições financeiras, uma vez que a concorrência é alta, fazendo com que as taxas cobradas variem muito. Agora, caso os juros da dívida sejam menores do que o da antecipação, o melhor é aguardar.

 *Reinaldo Domingos é doutor em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira e autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Diário dos Sonhos e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

Como utilizar o Big Data para auxiliar na tomada de decisão

Por Eduardo Santos*

Cada vez mais se discute o uso do big data para melhorar o processo de tomada de decisões nas empresas, em especial nos departamentos de marketing, todavia ainda são poucas as empresas no Brasil que efetivamente utilizam este recurso e, menos ainda, agências criando campanhas baseadas em dados. Vamos apontar aqui alguns passos de como começar a utilizar o big data para a tomada de decisões estratégicas. Antes de começar um projeto, é importante entender o processo de tomada de decisão, que em geral passa por 5 passos:

Se estamos interessados em trabalhar no topo da pirâmide, precisamos entender como transformar dados em informação.

Hoje existem iniciativas de uso do big data e de inteligência artificial em todas essas etapas, porém ainda é imprescindível a presença de um ser humano validando e complementando esses algoritmos. Em resumo, ainda é imprescindível uma análise humana dos dados para que seja possível juntar a lógica com a emoção, afinal estamos comunicando para pessoas e não para máquinas.

Alguns casos recentes que demonstram isso, aconteceram com gigantes como o Facebook, que dispensou a equipe que fazia a curadoria de conteúdo do Trending e no primeiro dia em que as máquinas assumiram a sessão, várias notícias falsas e bizarras acabaram ganhando destaque. Outro case foi o da Amazon com a série Alpha House que, mesmo usando o big data para escolha do tema mais desejado pelos telespectadores, falhou em pontos importantes que fizeram o concorrente, também desenvolvido a partir de análises baseadas em dados, House of Cards, da Netflix, despontar como uma das melhores séries da atualidade.

unnamedPor conta destes exemplos, é possível concluir que usar dados públicos presentes na internet combinados com dados presentes dentro das empresas, após serem processados, é uma ferramenta valiosíssima, mas de nada adianta essa iniciativa ser realizada sem um processo bem definido, uma cultura analítica que passa pelo entendimento dos dados, assim como pelo entendimento humano e comportamental. Só por meio desse filtro é possível chegar ao desenvolvimento de um produto realmente eficiente para o seu público.

Ou seja, ao se transformar dados estruturados e não estruturados em informação pode-se empoderar pessoas para tomarem decisões mais assertivas, encontrar tendências, clusters de clientes e muito mais. Porém, para as empresas, o mais importante não é ter a informação em mãos e sim criar a cultura de tomada de decisão baseada em dados, a cultura de transformar informação em conhecimento, ou seja: criar uma cultura data-driven na empresa.

Para tentar exemplificar como ações simples podem gerar essa cultura, podemos dar o exemplo de um trabalho desenvolvido pela ED Interactive junto a um de seus clientes, a D-Link, fabricante de roteadores. Depois de analisar um problema logístico dos clientes que procuravam pelos roteadores no site da empresa, foi desenvolvida uma ferramenta no seu site, na página de cada produto que mostra “Onde comprar”. Ali, o produto em questão e somente os varejos que possuem estoque naquele exato momento serão exibidos. Com os dados gerados nessa ferramenta, o fabricante consegue mostrar para os varejistas quanto poderiam ter vendido a mais se tivessem aquele produto em estoque, prever tendências de compras e definir melhor o perfil de consumidor. Assim, tais dados servem tanto para a marca, para avaliar seus parceiros de vendas e fomentar novas negociações, quanto para seus clientes, que tem a informação precisa para efetuar a compra no momento de sua necessidade. Esse trabalho foi desenvolvido com base em uma simples análise de navegação do site, cruzando com dados de vendas de produtos. Como resultado, os novos dados gerados já deram início a alguns outros projetos junto à empresa.

Após essa descrição de cases, é possível concluir que, para se criar uma cultura data-driven, uma empresa deve focar em alguns pontos:

1)      Compartilhamento de informação, relatórios de vendas, clientes, distribuição e cadastros de CRM (todos os departamentos que tem acesso a uma dessas informações devem ter acesso as demais também, afinal ninguém consegue montar um quebra cabeça com uma peça só).

2)      Co-criação de indicadores chave de desempenho (KPIs) bem definidos e que atendam à empresa como um todo, ao mesmo tempo em que atende os departamentos individualmente (todos que tomam decisões para seus departamentos devem juntos definir os KPIs da empresa e juntos perseguir a melhora destes números, pois só assim vão entender o quanto um número pode influenciar o outro).

3)      Criar testes AB que consigam tirar possíveis dúvidas ao longo do processo de decisão (testes sobre as mesmas condições de “temperatura e pressão” garantem um resultado comprovado pelos clientes e não por percepções infundadas). Um bom exemplo é criar comunicações ligeiramente diferentes e entender qual performa melhor, isso pode significar que se uma frase ou uma imagem for testada, você saberá qual tem maior impacto em seus clientes.

4)      Entender a jornada do consumidor de seus produtos e serviços (existem inúmeras ferramentas que podem ajudar nesse processo, mas o mais importante é entender quais são os momentos em que o consumidor entra em contato com a marca e o quão perto da decisão de compra ele está em cada momento, só assim é possível definir o ROI).

5)      Tomar decisões baseadas nos dados e não mais no feeling individual ou do grupo. Para isso existem dinâmicas que podem ser usadas. Lembrar que por mais que os números estejam presentes, normalmente existe mais de uma forma de comunicar uma mesma mensagem, então, a criatividade continua sendo sua melhor arma, só que agora com uma assertividade maior.

*Eduardo Santos é diretor da agência ED Interactive. Ao lado dos sócios Fábio Lima e Célio Oliveira, está à frente de projetos de marketing e publicidade utilizando big data, marketing digital e business inteligence para clientes de todo o Brasil e internacionais, sempre tendo como guia o lema da agência: Think Digital. Act Real. www.edinteractive.cc

Consumo de álcool pode trazer sequelas irreversíveis

 

Cirrose hepática e até mesmo câncer de fígado representam a consequência deste hábito

O início do ano é sempre um momento de reflexão e reavaliação. Também é importante estar atento aos cuidados com a saúde e o consumo de álcool deve ser levado em consideração, até mesmo durante o Carnaval. Afinal, a ingestão excessiva pode comprometer a saúde e trazer sequelas irreversíveis. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, no ano passado, revelou que 52% dos brasileiros beberam pelo menos uma vez no último ano e os 48% restantes relataram estar abstinentes.

O hábito de consumo de bebidas alcoólicas é uma condição que representa uma postura social e guarda relação com a cultura do meio no qual cada indivíduo se encontra inserido. Beber pouco, moderadamente ou ser abstêmio depende ainda de características intrínsecas pertinentes a genética e a hábitos adquiridos, destaca Dr. Pedro Oliveira, diretor médico da ePharma, empresa líder no mercado de assistência de benefícios farmacêuticos. Estas características pessoais devem balizar a capacidade e a resistência de cada indivíduo.

A ingestão de bebidas alcoólicas traz um agravante adicional no período de verão. O calor provoca intensa desidratação e a presença de significativos teores de álcool na corrente sanguínea impacta exponencialmente nos órgãos vitais: cérebro; fígado e rins com progressiva degeneração nestes órgãos, com destaque para o fígado, no qual tais efeitos podem, inclusive, desencadear o câncer.

A cirrose hepática tem, ao longo do tempo, sido destacada como estágio final do contínuo uso de bebidas alcoólicas. Outras moléstias, com menor evidência, concorrem para comprometimento da condição de saúde física e mental.

O alcoolismo agudo tem sido apontado como a principal causa urbana de mortes e lesões por acidente. A associação do uso de bebida alcoólica com a baixa ingestão alimentar potencializa as manifestações orgânicas imediatas e tardias e se agrava no tempo de calor.

“Beber com moderação”, como divulga o Ministério da Saúde, permanece a melhor recomendação, sustenta o Diretor Médico da ePharma.

Ingo Pelikan: Uma dose de otimismo

5589_0Por Ingo Pelikan

Criatividade se tornou palavra de ordem em 2016, um ano extremamente complicado para a indústria automotiva, marcado por uma queda brusca de volumes. Ao longo destes 366 dias, todos os segmentos do setor foram obrigados a serem criativos para sobreviver e, apesar de toda a dificuldade, conseguiram administrar bem o cenário.

Em função da incerteza de quando poderia haver uma retomada do crescimento, todos os elos jogaram um pouco na defensiva. Assim, fizeram uma série de ajustes para que realmente não houvesse impactos na qualidade dos processos produtivos. De fato, a princípio, não há indicadores que apontem para uma queda neste quesito, mas existe uma séria preocupação com a cadeia de fornecedores.

O que esperar deste novo ano? Embora ainda seja um pouco cedo para fazer alguma estimativa, seja para mais ou para menos, por conta do atual cenário político-econômico que ainda é incerto, previsões já apontam para uma pequena retomada, no sentido de, no mínimo, estabilizar no atual patamar e ter um pequeno crescimento.

Já existe aí um pequeno otimismo, capaz de estimular o crescimento da indústria. Uma dose de otimismo é fundamental para que todos voltem a acreditar em nosso potencial enquanto Brasil e estejam preparados para um possível aumento de demanda.

Já em preparação para uma eventual retomada, as organizações precisam entender que este é um importante período para revisar todos os processos de manufatura enxuta, responsáveis por atacar fortemente os desperdícios. São quatro os pilares que geram excelência operacional: processos, produtos, serviços e pessoas.

Se os quatro pilares forem bem trabalhados com objetivo de aprimorar a qualidade da marca, certamente serão maiores as chances de aproveitar melhor as oportunidades com a retomada. Dentro desse conceito, é preciso oferecer qualidade com alto desempenho, que contemple todas as demandas do cliente e não gere dores de cabeça.

O setor também precisa estar cada vez mais próximo para debater as dificuldades, alinhar os conceitos e desenvolver trabalhos em conjunto. Todos os elos devem estar integrados para que no momento da retomada não haja a procura de culpados, mas se tenha a solução na mão, já debatida com antecedência.

Neste cenário, a qualidade made in Brazil deve ser aperfeiçoada constantemente pelo setor, afinal a expectativa de crescimento não é restrita ao mercado interno, mas envolve as exportações. O produto nacional precisa ser competitivo globalmente para que a qualidade made in Brazil seja reconhecida em todos os lugares.

O País lida com a forte concorrência de países emergentes, que certamente investem nos mesmos aspectos e talvez não sofram um abalo político-econômico tão forte como o Brasil nos últimos três anos. Países como Índia, Rússia e México tiveram período um pouco mais tranquilo para se preparar para o aumento dessa demanda global.

Agora é a hora de intensificar estes princípios e praticá-los definitivamente porque a velocidade da retomada é imprevisível. Ao longo dos processos de crescimento, muitas organizações acabam ficando para trás. É hora de cada empresa fazer uma autoavaliação sobre onde chegou e o que precisa fazer daqui em diante. Vamos em frente!

*Ingo Pelikan é presidente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva