Coisa boa, coisa ruim… quem sabe?

Por Rogério Gava

rogeriogava@integracaodaserra.com.br

Numa antiga aldeia vivia um velho camponês. Ele possuía o cavalo mais bonito do lugar. Todos os vizinhos o consideravam o homem mais feliz do povoado por ter um animal como aquele. Certo dia, ao amanhecer, o camponês foi alimentar o cavalo e descobre que esse havia fugido. Ao invés de cair em consternação, o bom homem suspirou por um instante e então seguiu em suas tarefas diárias.

Tão logo souberam da fuga, os moradores foram à casa do camponês para consolá-lo. O encontraram cuidando da horta. “Meu bom amigo, você deve estar muito triste”, comentou um deles, “perder um cavalo como aquele… que lástima!”. Ao que o camponês apenas respondeu: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Todos ficaram se entreolhando, sem entender ao certo o que significavam aquelas palavras. E o camponês seguiu a capinar.

No dia seguinte, inesperadamente, eis que o cavalo está de volta. E não só isso: trazendo uma égua selvagem com ele. Do outro lado da cerca um vizinho presencia a cena, e a notícia se espalha pelo lugarejo. Era um milagre: o cavalo não só havia voltado, mas tinha trazido consigo uma égua jovem e muito bonita.

Novamente a casa do camponês se encontra repleta de gente. “Você tem muita sorte meu amigo, o cavalo voltar desse jeito! E ainda trazer uma égua! Que felicidade em dobro!”. Ao que o camponês, sem pestanejar, responde calmamente: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Novamente aquelas palavras enigmáticas não encontraram quem as compreendesse.

Ao entardecer daquele mesmo dia, o filho do camponês resolve domar a égua selvagem, mas leva um tombo e quebra uma perna. Nova romaria à casa do camponês. “Meu Deus, que azar”, diz uma mulher. “Sim, se o cavalo não tivesse voltado isso não teria acontecido”, retruca outro. Só para ouvirem o camponês repetir o de sempre: “coisa boa,
coisa ruim… quem sabe?”.

Passaram-se alguns dias. Eis que a região onde ficava a aldeia declara guerra a um reino vizinho. Oficiais do exército visitam o povoado para recrutar soldados. O filho do camponês, enfermo, não foi alistado. Novamente os moradores ecoam em uníssono: “mas que felicidade! Se o filho não tivesse quebrado a perna, ele teria ido morrer na guerra! O
bom Deus gosta mesmo de nosso amigo!”

O camponês, sereno, ouvindo aquilo tudo, apenas responde: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Os vizinhos, ainda sem nada entender, tomam seu rumo. E tudo segue como sempre fora.

Moral da história
Nesta vida incerta nada sabemos. O azar pode ser uma sorte; a sorte poderá ser um azar. Infortúnios, muitas vezes, se revelam bênçãos. Sucessos se transformam em fracasso. O velho camponês entendia de felicidade. Aprendera o que muitas vezes esquecemos: nossa passagem pela Terra é feita de coisas boas e outras nem tanto, e a ninguém é
revelado o fim da jornada. Resta-nos, assim, nunca perder a esperança e a alegria de viver. Mesmo porque, se será coisa boa, ou coisa ruim… quem há de saber?

trevo de quatro folhas - Cópia

A importância do Boro para a videira

Por Aldacir H. Pancotto

Técnico em Agropecuária EMATER/RS-ASCAR Santa Tereza 

É neste período do ano que muitos produtores encaminham análises de solo para laboratórios e verificam as deficiências ou, muitas vezes, excessos.

Um dos produtos normalmente recomendado é o Boro. O comportamento do boro tem sido registrado em diferentes regiões vitícolas. Este micronutriente é fundamental no processo de floração-frutificação e sua deficiência prejudica a produtividade dos vinhedos e a qualidade da uva.

Na região da Serra Gaúcha têm-se constatado sintomas típicos da deficiência de boro em vinhedos de Concord, Bordô e outras viníferas como:

a) a retenção das caliptras (capuz da flor), ocasionando grande queda de botões florais e, consequentemente, a diminuição da frutificação;
b) a presença de bagas de tamanho reduzido, o que deprecia consideravelmente o produto final, principalmente quando a uva for destinada ao consumo “in natura”;
c) formação de manchas cinza-escuro na película (parte externa) e polpa (parte interna) das bagas.
Em geral, a videira é sensível à deficiência de Boro, porém as cultivares americanas têm mostrado maior dificuldade de absorção desse mineral, tanto pelas raízes, quanto pelas folhas. Entre as americanas, Concord, Bordô, Jeques, Niágara Branca e Rosa e Isabel são as que mais têm apresentado os sintomas típicos da deficiência de boro, identificados somente quando a produtividade já diminuiu.

Sabe-se que o estado nutricional das plantas tem muita influência no processo de absorção dos nutrientes. Toda a planta desequilibrada ou em estresse nutricional pode retardar ou reduzir, em muito, a distribuição dos nutrientes recebidos via foliar. No caso dos micronutrientes, a sua movimentação dentro da planta é bem menor do que a dos macronutrientes. O Boro é considerado como imóvel dentro da planta, ou seja, tem o seu transporte muito reduzido, via floema (casca), das folhas para as outras partes da planta. Os nutrientes aplicados em plantas deficientes podem ficar retidos nas folhas até que o teor seja bastante alto para, então, passarem a ser transportados para outros órgãos.
Para solucionar esses problemas, tem sido utilizado o bórax em adubações do solo e o ácido bórico para adubações foliares. Existem no mercado diferentes fontes de Boro para uso em adubações foliares, visando a uma melhor eficácia em sua absorção. As doses dos adubos à base de Boro, para aplicação no solo, variam em função do tipo de
solo e, principalmente, de sua capacidade de absorção. É importante ter cuidado com a dose a ser usada, porque o boro tem uma faixa muito estreita entre os níveis normais e tóxicos.

As doses de Boro atualmente recomendadas para a videira são: bórax via foliar – 0,25% a 0,50%, aplicado desde a brotação até o início da floração; e bórax no solo – 30 g/planta ou 70 a 100 kg/ha – utilizado no inverno. Bons resultados podem ser obtidos com aplicação foliar de bórax ou outro produto à base do boro, em pós-colheita, com duas a três aplicações, conforme a análise foliar.

Uma coisa é certa: bom preparo do solo, adubações mais racionais, através de análises do solo e foliar, e um bom programa de tratamentos fitossanitários, além de um adequado manejo da copa, conduzem as plantas a melhores condições nutricionais, inclusive em Boro, proporcionando boas produções e uvas de melhor qualidade.

Boro - Coluna Pancotto

Fonte: Embrapa

Não brinquem com os preços

Por Elvis Pletsch

elvis_pletsch@hotmail.com 

Imagine uma sociedade onde o preço do tomate está alto, digamos que seja oito reais por quilo. Nesta sociedade, há um sujeito chamado João (sempre é o João), que é produtor de tomates. Na visão da população, João é considerado o culpado pelo preço alto do tomate: oras, que ganancioso é o João. Isso até pode ser verdade, João pode estar cobrando um preço bem acima do normal, ou talvez o custo do tomate esteja bem semelhante ao preço que João está vendendo, mas não adianta julgarmos as decisões de João.

O governo, querendo fazer com que todos tenham acesso ao tomate, decide tabelar o preço da fruta. Está definido que os produtores de tomate não poderão cobrar mais que seis reais pelo quilo de seu produto. A população vibra. Aparentemente, o governo está ouvindo as nossas preces!
É uma pena, no entanto, que essa intervenção abra um grande número de possibilidades. João até pode engolir essa intervenção e vender pelo preço mais baixo, mas agora existe um incentivo para João vender seu produto informalmente pelo seu preço original, ou até abandonar a produção de tomates para trabalhar no cultivo de cenouras.
De qualquer forma, o resultado pode ser o contrário da intenção do governo: os produtores vão procurar outras oportunidades de lucro, os mercados vão começar a ficar mais vazios, e a população que conseguirá comprar tomates será ainda menor. Sorte para os mal intencionados: já imaginou se decidirem criar uma grande rede de tráfico de tomates?

Se você acha que isso só acontece quando a intenção do governo é ajudar o consumidor, pensou errado. O governo pode ser muy amigo das empresas, então em uma situação onde João é quem está pedindo ajuda ao governo, um tabelamento que faça subir o preço do tomate pode até colocar João em uma enrascada: o consumo do tomate pode
simplesmente diminuir, ou ele pode até ganhar novos concorrentes, caso o consumo se mantenha estável.

O Brasil intervencionista
Na terra da intervenção de preços, não faltam exemplos para mostrar.

Para lembrar do passado, podemos até olhar para o Plano Cruzado de Sarney, em 1986. Em uma época de inflação galopante, o congelamento de preços foi a gota d’água para muitos empresários desistirem de produzir. Segundo o cientista político Bruno Garschagen, essa foi a época em que o conceito de “fila” transformou-se em uma instituição nacional. Tinha fila nos supermercados, nas feiras, nas distribuidoras de gás, nos postos de gasolina e até nos carrinhos de picolé.
Anos depois, Dilma não deixou passar em branco a ideia de congelar preços. A “presidenta” praticou o congelamento de preços da Petrobras de 2011 até o final de 2014. Só naquela brincadeira, houve um prejuízo de R$ 71 bilhões de reais à empresa, valor maior até que as estimativas dos últimos desvios de corrupção da estatal.
Ainda nesse ano, os “liberais” (será?) Bolsonaro e Macri também quiseram deixar sua marca nessa história. O presidente argentino resolveu congelar o preço de 60 itens da cesta básica por seis meses, e pode colocar o país em um caminho semelhante ao da Venezuela. Enquanto isso, Bolsonaro aparentemente tentou imitar Dilma e vetou um reajuste da Petrobras no preço do diesel. No mesmo dia o mercado respondeu, e as ações da estatal fecharam em queda de 8%. Após a turbulência, Paulo Guedes comentou que o presidente aprendeu a lição.

O que defender então?
Seria injusto não reconhecer que os argumentos em defesa à interferência nos preços parecem razoáveis. O preço fixado pode parecer a solução para o consumidor pagar menos, além de auxiliar o cálculo de custos e receitas do empresário. Não é à toa que os caminhoneiros estão brigando pelo tabelamento de fretes e que a população esteja
constantemente pedindo pela diminuição no valor do combustível. Mas é preciso enfatizar que qualquer medida que interfira nos preços altera algum fator significativo da economia – e isso raramente é bom.
Para o economista Donald Boudreaux, o sistema de preços, quando pode funcionar livremente, é um engenhoso método de comunicação e coordenação capaz de aprimorar as condições de vida dos seres humanos. Isso porque a formação de preços é um processo social, onde cada consumidor colabora em sua elaboração.

A interferência governamental nesse processo é, portanto, uma distorção no processo social que resulta em uma informação falsa daquilo que está acontecendo na sociedade. É por isso que devemos ter cuidado ao pedir a interferência do governo, mesmo quando queremos um preço mais justo, pois a verdadeira formação de preços só poderá acontecer enquanto estiver na mão do mercado e do consumidor.
Medidas como o tabelamento de fretes, por exemplo, podem criar um incentivo para as empresas comprarem os próprios caminhões e deixarem de contratar transportadoras ou motoristas autônomos. A diminuição artificial no combustível também pode distorcer toda a lógica de preços e fazer com que todos paguem pelos prejuízos da Petrobras. Lembre-se que não há como uma empresa vender seus produtos por um preço mais barato do que
seu custo por tanto tempo. Por sorte (e para nosso azar), a estatal pode contar com a ajuda dos impostos para bancar suas contas.
A nossa única alternativa é abraçar medidas como a abertura comercial, a diminuição de impostos, o fim dos subsídios, a desburocratização, a defesa por uma moeda mais forte (afinal, o real pode até ser mais estável do que o cruzado, mas não é nenhum franco suíço) e outras medidas de longo prazo que facilitam a entrada de novos concorrentes no mercado, mantém o nosso poder de compra e tornam os preços mais atrativos para a população. Portanto, como membro consumidor e parte desta interação social que conhece as trágicas possibilidades das políticas econômicas, faço um encarecido pedido para aqueles que tratam de emitir leis, decretos e tabelamentos em nosso país: por favor, estudem essas medidas e não brinquem com os preços.

SAO PAULO - SP - BRASIL - 26.11.2015 - Black Friday Supermercado Extra da Avenida Ricardo Jafet  Foto  Reinaldo Canato


Foto Reinaldo Canato

Valores

Por Ancila Dall’Onder Zat 

Professora

ancila@italnet.com.br 

O ritmo acelerado das inovações tecnológicas, aliadas ao crescente volume de informações advindas de diferentes formas, são algumas das características que impactam na educação no Século XXI. Educar é necessário, mas como?

Ouve-se, com frequência, que a educação vem “de casa”, isto é, um direito e um dever dos pais. Todavia, é milenar a prática e o desejo de passar os valores familiares aos descendentes. Entretanto, a convivência familiar de outrora permitia mais tempo dos pais com os seus filhos, situação nem sempre possível na modernidade, em que a escola dá continuidade a esse processo. Não falo do ensino, mas de valores, aprendidos pelo exemplo e pela convivência.

Piangers escreveu recentemente, em Donna ZH, sua reflexão sobre valores, ao ser perguntado sobre “Quais valores você quer passar para suas filhas?”. Explica que nem sempre se consegue o que se deseja passar, mas vale a pena tentar. Desejaria que suas filhas aprendessem o valor da vida em família e que saibam dizer “com licença, por favor e
obrigado”.

A reflexão sobre valores nos remete a valorar a vida, a convivência familiar, a saúde, o respeito às diferenças, nas formas de pensar e ser, e ao meio ambiente, o planeta, nossa casa maior. Não podemos esquecer a força da amizade que inicia na família, com os vizinhos próximos, com os colegas de escola ou de trabalho, com quem se pode dialogar, dividir preocupações e sucessos, pois nunca se está só quando se tem amigos. Mário Quintana costumava dizer que “a amizade é o amor que nunca morre”.

Quando pensamos em valores, muito poderia ser dito, entretanto, lembramos que a leitura, como disse Piangers, “talvez seja um deles”, trazendo à nossa mente a figura dos pais de família lendo para seus filhos. A reflexão em valores é um tema que não se esgota ao lembrar o amor ao trabalho, cantado em versos por Olavo Bilac, e expresso em nossa região pelo Monumento ao Imigrante. Aqui, faço um parêntese para lembrar meu ingresso na escola estadual, cujo pórtico de entrada estava e está escrito “Labor Omnia Vincit”, quando eu tentava decifrar o seu significado. Ou seja, “o trabalho sempre vence”, salientando a importância do trabalho para a sobrevivência e para a dignidade do ser humano.

Enfim, cultivar valores é educar para um mundo melhor.

educação

O dom de ser Mãe

Por César Anderle 

Talvez o maior dom que Deus deu aos humanos foi o dom da mulher gerar uma vida.

Sublime e magnífica expressão de amor e doação.

 

A mulher tem em suas mãos e em sua mente o desafio de gerar uma nova esperança para

a existência humana. Toda vez que nasce um bebê, a crença de um mundo melhor se

renova e a humanidade se enche de alegria.

 

Jesus Cristo já dizia, há milhares de anos, que devemos respeitar as crianças. O nosso

futuro depende também delas e é para elas que devemos olhar incessantemente. O

respeito pela vida e pelo futuro da humanidade passa pela gratidão e pela educação que

daremos aos pequeninos.

 

A responsabilidade de gerar uma criança é, a partir deste ato, educá-la para ser um bom

jovem e um cidadão coerente. Para isso, os ensinamentos e aprendizados que os pais

darão a ela são de fundamental importância.

 

O carinho, o afeto, a bondade, a humildade, o bem querer, a gratidão e o respeito são

herdados ainda no ventre da mãe. A capacidade de estabelecer uma conexão intra-uterina

é privilegio da mulher, só ela detém este dom, que se coloca como principal alicerce do

caráter do futuro bebê. A presença e o carinho do pai se agrupa nestes momentos e

fortalece o convívio do bebê com sua futura família.

 

Ser mãe é uma arte. A mãe nos dá exemplo, nos encoraja, nos fortifica, nos ensina, nos

puxa a orelha quando necessário, nos protege. Uma mãe sofre com o sofrimento do filho,

ela se põe no lugar dele, avança sobre os que fazem mal pelo simples fato de querer o

bem do seu filho.

 

A ternura dos olhos de uma mãe ao encostar o bebê em seu peito a diferencia dos

homens, sem sombra de dúvidas. O homem tem muito que aprender com a paciência e a

doação de uma mãe.

 

As emoções vividas pelas mães são indestrutíveis em sua memória. O pulsar do

coraçãozinho batendo em seu ventre as deixam frágeis e, ao mesmo tempo, corajosas

para encarar qualquer situação. A dedicação de uma mãe é exemplar, nunca desiste,

jamais fraqueja, se doa por inteiro. É difícil para um homem descrever essas situações

mas, ao mesmo tempo, é fácil compreender o sentimento que estes gestos representam.

A mãe suporta dores, calafrios, angústias, momentos de desconforto. Ela põe em prática

toda sua força para entender melhor o seu filho, não se esquiva de afazeres diários, é uma

guerreira de fato, nunca deixa de amar, por pior ação que um filho possa ter vivenciado. O

amor de mãe não tem preço.

 

Parabéns mamães pelo seu dia e continuem a ser dóceis e afetivas não somente com

seus filhos, mas com todas as pessoas. Quem sabe assim, um dia, a humanidade seja

diferente e encontraremos então a fórmula ideal para uma vida melhor.

Mãe

Valor biológico e nutricional da carne de peixe

Valor biológico e nutricional da carne de peixe

Por Thompsson Didoné 

Enólogo Emater/RS-Ascar 

Neste mês aumenta o consumo de peixes, em decorrência da Semana Santa e da tradição do consumo de pescado.

O consumo do pescado deveria ocorrer com mais frequência. Recomendações nutricionais indicam seu consumo como importante, ao menos uma vez por semana.

Existem muitas razões para introduzir o peixe na alimentação, além de ser um alimento muito saboroso. Os peixes são fontes de proteínas, vitaminas e sais minerais. Peixes gordos têm maior teor de vitaminas A e D no corpo. Os magros concentram estas vitaminas no fígado.

A proteína da carne dos peixes é de alta digestibilidade e de grande valor biológico, ou seja, é possível absorver até 45% do volume da carne de um peixe que se tenha ingerido. A quantidade necessária de carne de peixe por dia para suprir as necessidades de manutenção de um ser humano de tamanho e peso normal é de 100 gramas. O valor biológico se dá em função de que as proteínas presentes na carne de peixe apresentam todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano, entre outros.

Os minerais presentes na carne de peixe são Cálcio, Ferro, Iodo, Fósforo, Cobre e Magnésio em grandes proporções. Estes minerais são necessários para a formação de ossos e dentes e também ajudam as proteínas e vitaminas na formação, regularização e funcionamento do organismo.

A carne de peixe possui baixo teor de gorduras e tem menor valor calórico que outros tipos de carne. Deve-se observar que peixes muito gordos podem apresentar até mesmo colesterol, uma vez que possam ter sido criados com uma dieta desbalanceada e sejam animais muito velhos.

Tempo de armazenagem 

l Peixes magros: de 6 a 8 meses

l Peixes gordos: de 1 a 3 meses

peixe

O Homem Mais Feliz do Mundo

O Homem Mais Feliz do Mundo

Por Rogério Gava 

A narrativa nos foi legada pelo historiador grego Heródoto. Conta ele que no século V antes de Cristo, existia um reino muito poderoso chamado Lídia, localizado na Ásia Menor (onde hoje é a Turquia). Lá, aos trinta e cinco anos de idade, subiu ao trono o rei Creso. Ele era um bom monarca; um tanto esnobe demais, é verdade, mas o povo de Lídia não tinha do que se queixar.

Eis que certo dia chega à Sárdis, capital do reino, um viajante vindo de Atenas, de nome Sólon. Homem muito sábio, logo despertou a vaidade de Creso, que ordenou fosse ao visitante, mostrada toda a opulência do reino. Creso, você já entendeu, queria se exibir.

Após o tour por riquezas extraordinárias, que incluiu até piscinas gigantescas transbordantes de pedras preciosas, Sólon foi levado à presença do rei. Creso o aguardava em seu modelito básico: um manto cravejado de diamantes e bordado em ouro.

“E então, caro Sólon” – disse Creso – “agora que viste as maravilhas de meu reino, me responda: quem é o homem mais feliz do mundo?”.

Sólon, que não se deixara impressionar por toda aquela fenomenal fortuna, responde: “É Telos de Atenas, majestade”.

Creso ficou estarrecido. Perguntou então a Sólon quem era aquele tal de Telos, de quem nunca tinha ouvido falar. Como ele poderia ser o homem mais feliz do mundo?

Sólon então explica o porquê da escolha: “Telos era morador de Atenas, nem pobre, nem rico, com uma família numerosa e bela. Morreu de forma nobre, defendendo a cidade que amava. Até hoje é lembrado com láureas”.

Creso não entendeu muito bem o que Sólon estava querendo dizer. “Como um homem que já morreu pode ser o mais feliz do mundo?”, pensou ele. Creso, então, não satisfeito, perguntou a Sólon quem viria logo após Telos no ranking de felicidade. Afinal, o segundo lugar até que não estaria tão mal.

A resposta de Sólon traz nova decepção: “Cleóbis e Bíton” – diz ele –, “dois irmãos de uma nobre família de Argos, honestos e grandes guerreiros. São verdadeiros heróis nacionais. Morreram de total fadiga, após percorrerem quarenta e cinco estádios puxando a carroça que levava a própria mãe doente ao templo”.

Creso, vendo que nem a medalha de prata da felicidade lhe fora reservada por Sólon, se enfurece de vez e vocifera com o visitante: “E eu, serei menos do que esse Telos e dos dois irmãos heróis? Além disso, estão todos mortos! Por acaso não viste toda a minha riqueza? Eu, o grande rei, vivo e afortunado?”.

Ao que Sólon argumenta: “Prezado rei, vossa majestade realmente é um homem muito poderoso e rico, além de admirado por seus súditos. No entanto, quem garante como estarás amanhã? Veja, só posso dizer se um homem é feliz quando sua vida se esgota, para que saibamos se ele morreu na felicidade ou na desgraça”.

Creso seguiu sem compreender. Ao contrário, ficou ainda mais bravo com Sólon. Assim, ordenou aos soldados que o mandassem embora de mãos vazias, sem nenhum dos presentes que a ele tinha reservado. Creso não admitia que alguém não o considerasse o homem mais feliz do mundo.

O tempo passou. Dois anos depois, Creso começou a se incomodar como os vizinhos Persas (atual Irã), que estavam ampliando o território de forma ameaçadora, sob o comando do rei Ciro. Creso, que não era de levar desaforo para casa, declara então guerra ao reino inimigo. Durante doze dias e doze noites os soldados dos dois lados guerreiam de forma cruel. Ao final, o exército da Lídia é derrotado e o rei condenado à morte.

O fim de Creso estava próximo. Já em seu suplício, ao alto da fogueira e contemplando a própria ruína, ele então começa a gritar: “Sólon, Sólon, Sólon!” Ciro, ouvindo aquilo, chama os intérpretes para interrogar Creso. Quem era esse Sólon que Creso tão fortemente evocava? Creso conta então toda a história sobre o aviso de Sólon a respeito da felicidade.

Ciro, emocionado, perdoa Creso, e ordena que o tirem do fogo. Esse, porém, já está em altas chamas, que em vão os soldados tentam apagar. Com as labaredas lhe alcançando os pés, Creso, em desespero, ergue as mãos para o céu e suplica ao deus Apolo: “senhor dos oráculos, me salve deste fim terrível!”

Creso ainda bradava quando irrompeu uma chuva diluviana sobre o local, apagando de vez o fogo. Ciro, impressionado com a história de Creso, o nomeia conselheiro do rei. Creso, a partir daí, se torna um homem sábio e ponderado. E muito mais humilde. Ele aprendera a lição de Sólon: a felicidade é sempre frágil e provisória, e a nenhum homem – nem mesmo ao mais rico de todos – cabe saber até quando será feliz.

 

O pote cultural: sobre metas e sonhos

O pote cultural: sobre metas e sonhos

Por Elvis Pletsch

Há algum tempo, sentia-me perdido quanto ao o que queria para a minha vida. Tinha muitos problemas para organizar minhas ideias, pois queria fazer muita coisa e não sabia por onde começar. A ansiedade, assim como a pressão do ambiente para tomar decisões rápidas, transformou-me em um verdadeiro estrangeiro – no sentido Gessinger da palavra – sem metas definidas e sem rumo certo para seguir.

Foi através dessa frustração que, juntamente a Natália Zucchi (namorada, jornalista e colunista deste mesmo jornal), desenvolvemos aquilo que apelidamos de “pote cultural”.

O nome surgiu por acaso. A intenção inicial era colocar frases e trechos de livros e músicas que gostaríamos de lembrar, mas a ideia não pegou. Por isso, reaproveitamos o nome para criar um procedimento para armazenar objetivos, metas e ideias em um velho pote de cerâmica.

O que aconteceu após o uso dessa metodologia foi inesperado: escrevemos ao menos 50 papéis com aquilo que gostaríamos de fazer, dobrando-os e separando-os em metas de curto, médio e longo prazo. Aos poucos, enchemos o pote com lugares para viajar e restaurantes para conhecer, além de metas de vida, como empreender, terminar a graduação, aumentar os investimentos na bolsa, voltar a escrever, fazer cursos ou ver o show de algumas bandas. Se ao longo do ano houvesse algo novo que poderia ser feito, fazíamos um novo papel para ser adicionado aos outros.

Quase um ano depois, não haviam muitas lembranças daquilo que estava escrito no pote, pois não tínhamos o hábito de olhar o que estava por lá. Mas, após um breve momento de dúvidas quanto ao futuro, resolvemos rever todos os papéis. O resultado nos surpreendeu. Cumprimos muita coisa que havíamos esquecido, e boa parte das outras metas e ideias estavam sendo encaminhadas.

 

Faça você mesmo

Não é difícil aplicar essa metodologia em casa. É necessário um recipiente qualquer, caneta e papel. No nosso caso, utilizamos um pote de cerâmica, caneta hidrográfica e papel colorido.

Após conseguir esses itens, basta anotar tudo aquilo que você quiser fazer, seja amanhã ou em cinco anos. Pode ser qualquer ideia. Comece lembrando das coisas pequenas, como visitar um amigo ou conhecer algum lugar, para depois se aprofundar e colocar seus maiores desejos, como viajar para outro país, conseguir um novo emprego ou ter filhos. Não existe ideia ruim, até porque, posteriormente, você vai mudar sua personalidade e descartar aquilo que não desejar mais.

Também há a possibilidade de criar uma gamificação, escrevendo prêmios atrás de cada folha para gratificar-se ao cumprir com aquilo que foi escrito. Mas lembre-se de ir com cautela, pois isso pode lhe deixar sem dinheiro algum. Em nosso caso, não desenvolvemos nenhum sistema de recompensas por nossas metas, até porque entendemos que alcançar as metas é a própria recompensa.

Por fim, basta trabalhar para alcançá-las e estabelecer um período para verificar o que está dentro do pote. Nós pretendemos olhar os papéis uma vez por ano, sem o compromisso de ficar verificando-os regularmente, mas nada lhe impede de fazer isso com frequência.

Para marcar aquilo que foi alcançado, nós colocamos os papéis desdobrados no fundo do pote, para futuramente lembrarmos de tudo aquilo que conquistamos, além de desfrutar da mesma sensação de olhar para um antigo álbum de fotografias.

O verdadeiro aprendizado

Já havia ouvido falar sobre a necessidade de uma definição de metas, mas por acreditar na habilidade humana perante a incerteza, sempre achei que uma organização de objetivos pessoais era besteira.

É claro que eu estava errado. Apesar da nossa fórmula focar somente no resultado, e não nos meios para alcançá-lo, colocar os objetivos no papel tornou-se um método inconsciente de organizar aquilo que é mais significativo.

Foi através dessa experiência que conseguimos perceber a mudança da nossa mentalidade durante todo esse ano. Várias conquistas realmente foram grandiosas para a nossa realidade, mas como amadurecemos e nossos gostos mudaram, vários objetivos já não faziam mais sentido e simplesmente foram rasgados. Assim, a possibilidade de encarar alguns velhos sonhos e deixá-los para trás ficou mais fácil, pois conseguimos visualizar todos os outros sonhos prestes a entrar no forno.

A experiência também serviu como uma injeção motivacional – veja só, rendeu até um texto. Não somos diferentes da maioria. Assim como nossos pais e avós, muitas vezes reclamamos que o ano passou rápido e temos convicção de que não fizemos nada. Mas quando tiramos os papéis e vimos que muita coisa foi conquistada, acabamos deixando de lado o pensamento rotineiro de que as coisas não andam bem. Na verdade, boa parte da cobrança diária por novas conquistas só existia porque criamos o costume de esquecer as nossas conquistas anteriores.

Seguindo os passos de Eric Ries, chegamos à conclusão de que até não falarmos a nossa ideia atual, nunca vamos ter uma melhor. É por isso que nessa última revisão de metas, outros dez papéis foram escritos, e esperamos que boa parte deles possam ser colocados no final do pote pelos próximos anos. Caso isso não aconteça, ao menos teremos aprendido uma grande lição: sem valorizar o presente e o passado, vamos viver sempre pelo futuro – e quem é que sabe o que vem por aí?

 

Do livro à leitura

Do livro à leitura

Por Ancilla Dall’ Onder Zat

Professora 

Comemora-se, no dia 23 de abril, o Dia Mundial do Livro, mas pouco se reflete sobre o seu significado através dos tempos.

O homem utilizou os mais diferentes materiais para registrar sua passagem pela terra desde a pintura rupestre (escrita e pintura no rochedo) ao e-Book dos dias atuais.  Assim, ao olhar para a pequena Gabriela, de oito meses, virando curiosamente as páginas de seu livro de pano, percebe-se o significado inicial dado pelos dicionários ao livro: “reunião de folhas ou cadernos presos por um dos lados em capa flexível ou rígida”. Através dos tempos variaram as folhas de papiro, pergaminho, papel e/ou virtual, conservando a essência da sua finalidade.

É interessante lembrar que a escrita no papiro deu surgimento à classe dos escribas, enquanto o pergaminho, de maior durabilidade, favoreceu a conservação de ideias e da história.

Na Idade Média, os mosteiros eram os guardiões dos livros sagrados, inclusive a Bíblia, e os copistas transcreviam obras do pensamento grego e atuais daquela época. Convém lembrar a invenção da prensa por Gutemberg para estudar melhor o processo de evolução para o livro impresso. Hoje, o livro digitalizado pode ser lido no seu celular ou tablet, facilitando o acesso às obras e a leitura das mesmas.

Em 1926, a Câmara de Barcelona oficializou o Dia do Livro, 5 de abril, data de nascimento do escritor Miguel de Cervantes, que foi proposta pelo escritor Valenciano Vincet Clavel Andrés. Entretanto, em 1995, foi criado o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, organizado pela Unesco, para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a proteção dos direitos autorais de quem escreve. Esse dia, 23 de abril, lembra a data de morte de William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Graciliano de la Vega. Na tradição catalã, que comemora São Jorge nesse dia, é costume dar uma rosa para quem compra um livro.

Em abril, dia 18, comemora-se também o Dia do Livro Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato, numa referência à data de seu nascimento. Aliás, no Brasil comemora-se o Dia Nacional do Livro e a Semana da Biblioteca, de 23 a 29 de outubro, desde 1980, para incentivar o ensino, a pesquisa e extensão.

As datas não são apenas lembretes, mas um incentivo à leitura, cujo hábito deve ser desenvolvido desde cedo em casa pelos pais e na escola pelos professores. A leitura abre as portas para o conhecimento e dá asas à imaginação. Este é o significado e o sentido do livro, não importando se for de pano, papel ou virtual.

Crônicas na Bagagem

O passo mais difícil

Por João Paulo Mileski

Quando completamos a sexta noite consecutiva dormindo no carro, com temperatura inferior a 10 graus e um vento congelante de 40 km/h, com o Sandero estacionado na beira da rua onde um “zorro” caminhava sossegadamente, no pequeno povoado de Cerro Sombrero – na parte chilena da Terra do Fogo – publicamos uma foto nas redes sociais do nosso “dormitório” e algumas pessoas escreveram ressaltando que era preciso coragem para isso.

 

Pensei por um tempo naquilo e, analisando o contexto, de fato talvez tivemos que ser um pouco audaciosos para simplesmente dormir em um carro pequeno, em local público, em uma cidade desconhecida. Mas a verdade é que, na hora, nos pareceu como algo natural. Havia bons motivos para nos acomodarmos em Cerro Sombrero por uma noite: os banheiros públicos mais limpos que eu já conheci, ducha quente e wi-fi grátis, além de referências de outros viajantes que já haviam passado por lá anteriormente. Todos esses fatores, somados ao peso do cansaço, fez com que não titubeássemos quando levantamos a hipótese de ali ficar.

 

Antes disso, já havíamos ficado dois dias consecutivos sem banho e nos arriscado em estradas bastante ameaçadoras para um veículo sem tração – tanto é que atolamos uma vez. Mesmo assim, apesar de tudo o que já vivemos nesses quase dois meses de expedição, talvez nosso principal ato de coragem tenha sido antes disso tudo começar, quando decidimos largar tudo para gastar todas as nossas economias e viver dois anos na estrada. Tanto que consideramos a hipótese em 2015 e somente em meados de 2018 vencemos o medo e decidimos levar a ideia adiante.

 

Aquele não foi apenas o primeiro passo, mas o mais difícil, o que mais nos custou dias de discussão, análises e noites de sono. O que estava em jogo era abrir mão de trabalho, trancar a faculdade e, possivelmente, voltar a Bento Gonçalves com a poupança raspada.

 

Hoje, no “final do mundo” – escrevo de Ushuaia -, refletindo sobre o que passou para que chegássemos até aqui, no entanto, começo a me dar conta de que o maior medo talvez nunca tenha sido deixar tudo isso para trás, mas sim “dar um tempo” em uma forma de vida que, em algum momento, se convencionou como a correta e que, de certa maneira, sem nos darmos conta, acaba moldando tudo o que fazemos.

 

Nós abrimos mão de praticamente tudo para ver e descobrir como é viver exatamente como a gente quer. E por mais difícil e custoso que esteja sendo, a sensação, isso eu posso garantir, é libertadora. Essa é uma experiência que não durará para sempre, mas hoje já não vemos o mundo sob uma única perspectiva, e isso, por si só, faz tudo valer a pena. Quando isso terminar, já não seremos os mesmos que éramos antes.

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