Sobre “Joker”

Por Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

Joaquin Phoenix poderia ter interpretado o personagem Arthur Fleck (que cria o alter-ego Coringa) sem texto algum (assim como Leonardo DiCaprio em “O Regresso”), que mesmo assim seria aplaudido de pé no Festival de Cinema de Veneza. O olhar com o misto de desespero e revolta do personagem premia mais uma atuação estupenda de Phoenix. É impossível não ficar vidrado no personagem, não simpatizar com o mesmo, e em alguns momentos torcer pela sua “vitória” ao longo da história. Pode-se dizer que “Joker”, dirigido por Todd Phillips, é uma crítica ao chamado capitalismo selvagem? Sem dúvidas. Além de que o longa destaca questões pertinentes sobre saúde mental. Em suma, é um filme importante lançado no momento certo. A violência gráfica é explorada de forma sublime, porém eu diria que é apenas um bônus numa história repleta de elementos que enriquecem qualquer debate acerca do sistema social que estamos inseridos. Estamos adoecendo numa realidade em que a competição desenfreada e a desigualdade social cada vez maior tem soterrado uma parcela da população que com extrema dificuldade tenta se reerguer numa sociedade marcada pela ganância e o poder. Será mesmo que o Coringa, ou melhor, Fleck, é o verdadeiro vilão da história? Assista “Joker” e tire suas próprias conclusões.

Joker

O Caminho do Meio

Por Rogério Gava

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Já se disse que toda virtude é um ápice entre dois vícios. Um cume entre dois vales. Espécie de média entre dois extremos. O respeito, por exemplo, é um bom termo entre a negligência e o medo exagerado. Um aluno diante de um teste: se ele der de ombros e achar que já sabe tudo, estará sendo negligente, e com certeza se dará mal. Mas se ficar petrificado diante do desafio, tremendo de medo de ser reprovado, possivelmente terá o mesmo destino. Encarando o exame com o respeito que a situação pede – o que pressupõe que se preparará com afinco –, com certeza terá maiores chances de sucesso.

Veja o caso da humildade: ela é o justo balanço entre a arrogância, de um lado, e a submissão, de outro. Ser humilde não é depreciar-se. Tampouco carecer de autoestima. E nem de longe deixar-se humilhar. A humildade é o ponto “ótimo” entre achar-se “o gás da Coca-Cola” e um “João Ninguém”. Ser humilde é sabermo-nos “filhos da terra”, do humus, donde justamente deriva o termo. Pó somos e ao pó voltaremos. Tudo o que a soberba – esse extremo equivocado – esquece.

A simplicidade é outro bom modelo do que estamos falando. Ser simples é estar equidistante da presunção e da ingenuidade. Aliás, é bom que se saiba: ser simples não significa ser “simplório”. A verdadeira simplicidade não pressupõe a tolice, ou a falta de sabedoria. O homem simples, ao contrário, é aquele que não se envaidece de sua própria inteligência, daquilo que julga saber. Ele reconhece que tudo o que sabe não é nada, diante do outro tanto que ignora. Simplicidade é essa leveza de espírito, a boa meia medida entre um ego esvaziado ou inflado demais.

Me parece que tudo na vida, ao final, pede o equilíbrio. Como se diz: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O prazer é um terreno fértil para testar esse princípio. Me diga o leitor com sinceridade: não é muito mais fácil abdicar totalmente de comer doces, do que provar o primeiro brigadeiro e parar por aí? Quem nunca fez regime que atire a primeira pedra. E já disse o poeta Fernando Pessoa: é mais fácil abdicar totalmente de um vício do que tentar moderá-lo.

O “caminho do meio” não é uma lógica nova. Buda já o ensinava. Conta a lenda que o mestre, tendo desmaiado de fome após severo jejum, e recuperado a consciência somente após comer uma tigela de mingau, teve uma iluminação. Ele percebeu então que os extremos – mesmo em causa nobre – nunca são a melhor pedida. A partir daí, passou a pregar aos discípulos as virtudes do meio-termo para o refinamento do espírito.

A essência do meio-termo repousa sobre o equilíbrio, essa difícil arte. Ler é bom; passar os dias lendo é alienação. Sexo é saudável; só pensar em sexo é perversão. Trabalhar para viver é necessário; viver para trabalhar é loucura. E por aí vai. Como ensinava Aristóteles – outro sábio que apreciava a ideia da justa medida –, a falta e o excesso são os dois grandes vilões de nossa felicidade. Dizia ele, por exemplo, que tanto a prática excessiva de exercícios, quanto seu inverso – a indolência do corpo –, eram prejudiciais (atualíssimo nosso bom filósofo, nestes tempos de “neurose fitness”).

Aristóteles, aliás, nos legou algo fundamental sobre toda essa questão: cada qual deve descobrir qual é o seu “meio-termo” particular. Ele nos ensina que o caminho do meio não é questão de pura matemática, assim como seis é a média aritmética entre dez e dois. É o que o mestre chamava de “meio-termo em relação a nós”. Haverá vezes em que nos inclinaremos mais para o excesso; noutras, para a falta. Cada um bem sabe onde lhe apera o sapato…

Acima de tudo, o meio-termo está aí para nos lembrar: se a escuridão nos impede de ver, a claridade excessiva nos cega. Nenhuma das situações é boa; pelo simples fato de serem exageros. O caminho do meio mostra que, entre o escuro e o claro, habitam muitas nuances. Basta procurá-las. E que cada um saiba alcançar a sua “justa medida”.

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O Caminho do Meio

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Já se disse que toda virtude é um ápice entre dois vícios. Um cume entre dois vales. Espécie de média entre dois extremos. O respeito, por exemplo, é um bom termo entre a negligência e o medo exagerado. Um aluno diante de um teste: se ele der de ombros e achar que já sabe tudo, estará sendo negligente, e com certeza se dará mal. Mas se ficar petrificado diante do desafio, tremendo de medo de ser reprovado, possivelmente terá o mesmo destino. Encarando o exame com o respeito que a situação pede – o que pressupõe que se preparará com afinco –, com certeza terá maiores chances de sucesso.

Veja o caso da humildade: ela é o justo balanço entre a arrogância, de um lado, e a submissão, de outro. Ser humilde não é depreciar-se. Tampouco carecer de autoestima. E nem de longe deixar-se humilhar. A humildade é o ponto “ótimo” entre achar-se “o gás da Coca-Cola” e um “João Ninguém”. Ser humilde é sabermo-nos “filhos da terra”, do humus, donde justamente deriva o termo. Pó somos e ao pó voltaremos. Tudo o que a soberba – esse extremo equivocado – esquece.

A simplicidade é outro bom modelo do que estamos falando. Ser simples é estar equidistante da presunção e da ingenuidade. Aliás, é bom que se saiba: ser simples não significa ser “simplório”. A verdadeira simplicidade não pressupõe a tolice, ou a falta de sabedoria. O homem simples, ao contrário, é aquele que não se envaidece de sua própria inteligência, daquilo que julga saber. Ele reconhece que tudo o que sabe não é nada, diante do outro tanto que ignora. Simplicidade é essa leveza de espírito, a boa meia medida entre um ego esvaziado ou inflado demais.

Me parece que tudo na vida, ao final, pede o equilíbrio. Como se diz: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O prazer é um terreno fértil para testar esse princípio. Me diga o leitor com sinceridade: não é muito mais fácil abdicar totalmente de comer doces, do que provar o primeiro brigadeiro e parar por aí? Quem nunca fez regime que atire a primeira pedra. E já disse o poeta Fernando Pessoa: é mais fácil abdicar totalmente de um vício do que tentar moderá-lo.

O “caminho do meio” não é uma lógica nova. Buda já o ensinava. Conta a lenda que o mestre, tendo desmaiado de fome após severo jejum, e recuperado a consciência somente após comer uma tigela de mingau, teve uma iluminação. Ele percebeu então que os extremos – mesmo em causa nobre – nunca são a melhor pedida. A partir daí, passou a pregar aos discípulos as virtudes do meio-termo para o refinamento do espírito.

A essência do meio-termo repousa sobre o equilíbrio, essa difícil arte. Ler é bom; passar os dias lendo é alienação. Sexo é saudável; só pensar em sexo é perversão. Trabalhar para viver é necessário; viver para trabalhar é loucura. E por aí vai. Como ensinava Aristóteles – outro sábio que apreciava a ideia da justa medida –, a falta e o excesso são os dois grandes vilões de nossa felicidade. Dizia ele, por exemplo, que tanto a prática excessiva de exercícios, quanto seu inverso – a indolência do corpo –, eram prejudiciais (atualíssimo nosso bom filósofo, nestes tempos de “neurose fitness”).

Aristóteles, aliás, nos legou algo fundamental sobre toda essa questão: cada qual deve descobrir qual é o seu “meio-termo” particular. Ele nos ensina que o caminho do meio não é questão de pura matemática, assim como seis é a média aritmética entre dez e dois. É o que o mestre chamava de “meio-termo em relação a nós”. Haverá vezes em que nos inclinaremos mais para o excesso; noutras, para a falta. Cada um bem sabe onde lhe apera o sapato…

Acima de tudo, o meio-termo está aí para nos lembrar: se a escuridão nos impede de ver, a claridade excessiva nos cega. Nenhuma das situações é boa; pelo simples fato de serem exageros. O caminho do meio mostra que, entre o escuro e o claro, habitam muitas nuances. Basta procurá-las. E que cada um saiba alcançar a sua “justa medida”.

 

Procedimentos de contorno corporal são aliados de quem busca definição

Muitas pessoas procuram o consultório de cirurgia plástica em busca de procedimentos que possam corrigir características que lhes incomodem no próprio corpo. Os pacientes costumam apontar insatisfações dos mais variados tipos – grande parte delas solucionadas pelo conjunto de técnicas de contorno corporal. Nesses tipos de cirurgias são retiradas gorduras em excesso e flacidez da pele, melhorando a forma e o tônus dos tecidos nas regiões abdominal, glúteos, virilhas e coxas. Como resultado, o paciente apresenta tonificação e contornos mais suaves – além de aparência corporal mais jovem e delineada.

Procedimentos como abdominoplastia, torsoplastia (retirada do excesso de pele na região dos flancos e prolongando-se até as costas), lipoaspiração, lipoescultura (remoção de gordura de algumas regiões do corpo), gluteoplastia (aumento do volume das nádegas), cirurgia pós-grande perda de peso, braquioplastia (lifting de braço), cruroplastia (diminuição do excesso de pele na região das coxas) e implantes de panturrilha são os mais requisitados por homens e mulheres que visam um maior bem-estar consigo mesmo.

É sempre importante destacar alguns pontos antes de realizar sua cirurgia: busque indicação de amigos da sua confiança, priorizando um profissional especializado e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Seja franco em relação às suas expectativas e converse com o cirurgião para encontrar o procedimento mais adequado às suas necessidades.

Também é válido ressaltar que o período que antecede o verão é mais propício à realização dessas cirurgias, pois costumam apresentar recuperação um pouco mais longa – que, em alguns casos, podem precisar de seis meses para apresentar o resultado final desejado. Além disso, as temperaturas amenas são excelentes para uma reabilitação tranquila até a próxima temporada de calor.

Já no pós-operatório, siga as instruções passadas pelo profissional para que sua recuperação ocorra de forma saudável. Por fim, entenda que a manutenção do resultado requer que você mantenha um peso estável, pratique atividades físicas e valorize a alimentação saudável.

BENTO GONÇALVES

Rua Dr. José Mário Mônaco, 227 – Sala 905, Centro

Fones: (54) 3702.4113

(54) 99970.4113

GUAPORÉ

Clinical Center – Av. Silvio Sansom, 1435 – 2° Andar

Fones: (54) 3443.6543

(54) 99912.6543

felipe de david

Só basta acreditar

Por Carina Furlanetto

Falar em religião é polêmico, mas às vezes ouso meter-me em alguns vespeiros. Não quero aqui discutir suas crenças, até mesmo porque, quando se acredita em algo, as justificativas não são necessárias – o coração sente e ponto final.

Venho de família muito religiosa, estudei em escola católica e fui criada com valores bíblicos muito sólidos. No meio disso tudo, desenvolvi a minha própria forma de ligar-me a algo superior, sem a necessidade de praticar rituais há anos eternizados e transmitidos por gerações. Antes desta viagem, sentia algo a me proteger dos perigos e acreditava que até mesmo as situações mais cabeludas deveriam ter um propósito – aquele lance de não ganhar uma cruz maior do que a que podemos carregar. Mas até por piloto automático, em alguns apuros, rezava um par de “pai-nossos” ou “ave-marias”, como uma espécie de mantra para me acalmar.

Minha relação com Deus ou com o que quer que seja que há de superior a nós – o nome pouco importa – mudou desde que saí de casa há seis meses. Em silêncio, diante de uma paisagem estonteante, sempre fecho os olhos por alguns segundos e recito mentalmente um “obrigada”. Quando as adversidades tomam conta do dia, repito em pensamento os mesmos mantras de antes e, às vezes, quase que instantaneamente, uma solução aparece – como quando, no meio de uma trilha puxada, em um dia de sol escaldante, várias nuvens surgem no céu acompanhadas de uma brisa, refrescando o clima e permitindo seguir em frente. Pode ser apenas coincidência, mas há momentos em que a providência divina parece ser a única explicação plausível para as benesses que nos ocorrem.

Claro que nem sempre tudo acontece como gostaríamos. Se pudesse escolher, preferia sempre ter uma casa para ficar do que dormir nos bancos de um carro. Mas quem foi que disse que o melhor para a gente é sempre realizar os nossos desejos? Há um porquê, mesmo que só o entendamos às vésperas de partir dessa vida. Há quem acredite – e tendo a também ir por essa via, mesmo desconhecendo explicações plausíveis – que de alguma forma escolhemos de antemão os caminhos que trilharemos e as pessoas com as quais compartilharemos nossa jornada. Mesmo sem saber onde chegarei, sigo caminhando com a certeza de que há algo de bom reservado para nós.

Crônicas na Bagagem

A busca ilusória

“Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa, que sonhamos

Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos

E nunca a pomos onde nós estamos”.

Vicente de Carvalho (1866-1924)

Poeta brasileiro

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

Nunca corremos tanto atrás da felicidade. Ser feliz tornou-se obrigação. Ou pelo menos parecer que se é. Vivemos uma verdadeira “tirania da felicidade”. Isso significa que a felicidade nos é imposta, travestida nos mais diversos objetos, experiências e sensações.

As redes sociais amplificaram essa busca: viramos expectadores e protagonistas de um grande “teatro da felicidade compartilhada”. A felicidade alheia soa hoje como uma bofetada. No campeonato da felicidade total, quem não está feliz é rebaixado.

Essa verdadeira obsessão pela felicidade não tem sido satisfatória. Pelo contrário, ela está nos esmagando. As estatísticas mundiais de depressão (a incapacidade de sentir-se feliz) e do uso de drogas (a busca por uma felicidade artificial) – só para citar dois grandes males de nosso tempo – falam por si só. Adolescentes se mutilam e postam suas cicatrizes na internet. A intolerância virtual prolifera. Algo não está bem. A impressão é que nunca fomos tão infelizes. Por mais que nos esforcemos para não o ser.

A busca da felicidade se transformou em um grande paradoxo: quanto mais procuramos a felicidade, menos a encontramos. Isso ocorre pois nos vendem uma ideia insidiosa: a noção de que a felicidade deve ser caçada, garimpada como a um metal precioso. Essa é uma grande falácia, um engodo, mas que assumiu ares de grande verdade. Como se a felicidade morasse em algum lugar distante, esperando para ser encontrada. É a felicidade das férias, da próxima viagem, do Ano-Novo. Do corpo perfeito. Do emprego dos sonhos.

Temos que aprender que quanto mais buscamos a felicidade desse jeito, menor é a chance de sermos felizes. Embora essa afirmação cause estranheza, sua lógica é encantadoramente simples: correr atrás da felicidade faz acreditar que ela é um estado perene, permanente, um objetivo a ser alcançado. Mais do que isso: um direito que temos.

E algo que pode, sim, ser comprado. E aí nos projetamos como loucos na procura de uma vida feliz. A qual, como diz o poeta, pomos sempre lá onde não estamos.

Essa busca desenfreada pela felicidade esconde outro detalhe perverso: ela nos faz crer que existe um modelo único para uma vida feliz, a ser perseguido por todos de forma padronizada. Nada mais falso. A felicidade, como a nossa impressão digital, é única. Cada um tem a sua. A felicidade do prezado leitor e da estimada leitora é diferente da minha; que por sua vez é diferente da do meu vizinho. Não tem cópia ou imitação.

Prefiro pensar a felicidade como um subproduto de tudo o que fazemos. Nesse sentido, ela chega sempre sem fazer alarde, como que por acréscimo a um momento que estamos vivendo. Como disse o grande Guimarães Rosa, “a felicidade se acha em horinhas de descuido”. Um exemplo corriqueiro: você está junto à família, compartilhando boas gargalhadas em torno de uma comida saborosa: pronto, você está feliz. Note que você não está procurando a felicidade; é ela que surge. Bem falou o filósofo Alain: “a felicidade é uma recompensa que advém àqueles que não a procuram”.

Tal e qual a caricatura do idoso a procurar os óculos por toda a casa, apenas para encontrá-lo sobre o nariz, seguimos buscando a felicidade que se escancara a nossa frente. Procuramos o que já temos? O poeta francês Chamfort nos dá uma pista da resposta: “a felicidade não é coisa fácil: é muito difícil encontrá-la em nós e impossível encontrá-la em outro lugar”.

O culto da felicidade já provou ser um engano. A felicidade não é um dever. Tampouco um prêmio. A felicidade é o que ela é: um mistério; uma brisa que passa; uma gota de orvalho que tão logo nasce já se esvai. Nos resta vivê-la. E parar de procurá-la.

natureza

Quando deixamos de planejar

Por João Paulo Mileski 

No meio do maior salar do mundo, em Uyuni, na Bolívia, para todos os lados em que olhávamos víamos o azul do céu sobre o branco do sal. Era como se estivéssemos ilhados em um mar de sal, sem um caminho propriamente traçado (dirigimos quase 150 quilômetros dentro do salar seguindo as marcas de pneus, que nessa época do ano, com poucas chuvas, ficam bastante expostas).

O Uyuni foi mais um marco da nossa expedição, e quase no centro dos 10.582 metros quadrados de sal, quando já não havia resquício algum de civilização, imaginei aquele imenso deserto como uma metáfora do atual momento das nossas vidas. Também não temos um caminho propriamente delineado na expedição. Sabemos onde queremos chegar, mas quando ou por qual estrada, são as circunstâncias e os acasos do dia a dia que passaram a decidir por nós. Antes de sair de casa preparamos um roteiro bastante minucioso para o Uruguai, Argentina e Chile, mas à certa altura, por conta das situações imprevisíveis que uma viagem como essa vai revelando, aos poucos, acabamos rejeitando-o.

Ainda que sempre estivéssemos acostumados a planejar tudo com antecedência, estamos lidando bem com essa imprevisibilidade, porque descobrimos que quando paramos de nos preocupar tanto com o amanhã, passamos a viver mais intensamente cada minuto que temos hoje, nesse momento. Nos alegramos com as pequenas conquistas, choramos com as saudades, nos emocionamos com as pessoas e lugares, como se não tivéssemos outra oportunidade de viver aquilo de novo. Nos tornamos mais sensíveis ao que acontece à nossa volta.

Aprendemos que o segredo pode ser o equilíbrio. Saber onde se quer chegar, mas não esquecer de onde estamos. Se pensarmos apenas no amanhã, nossas vidas serão uma eterna espera.

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2019: o ano do cinema de terror

Por Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

O ano de 2019 tem sido fértil para o cinema de terror. Produções de diversos gêneros do estilo estão presenteando o público ávido por sangue e uma pitada de susto e risos. Os remakes também têm surgido com frequência nos últimos anos, e pode-se dizer que o terror está entre os gêneros com maior produção de remakes. Neste ano o clássico Cemitério Maldito, lançado oficialmente em 1989, com direção de Mary Lambert e que hoje é considero um cult do terror, ganhou o seu primeiro remake, dirigido por Kevin KolschDennis Widmyer. O longa (vale lembrar que é uma adaptação de uma obra do mestre do terror Stephen King) foi uma verdadeira homenagem ao clássico de 1989, e mesmo com mudanças pontuais na trama agradou aos fãs. Recentemente estreou Annabelle 3, filme também muito aguardado pelos adeptos das histórias relatadas pelo casal de médiuns Ed e Lorraine Warren. Mas se está pensando que para este ano já não tem grandes novidade está equivocado. Entre agosto e dezembro irá estrear títulos curiosos e veja bem, nenhum remake. Então vale a pena conferir e ficar de olho no que vem por aí. Pode arrancar as unhas, agarrar o braço de seu namorado, namorada e comemorar. O terror domina as telas em 2019.

Próximos lançamentos

 

Histórias assustadoras para contar no escuro

Direção: André Ovredal

Produção: Guillermo del Toro

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 8 de agosto

Sinopse

A cidade de Mill Valley é assombrada há décadas pelos mistérios envolvendo o casarão da família Bellows. Em 1968, a jovem Sarah Bellows, uma garota problemática que mantinha um mau relacionamento com os pais, foi ao porão para escrever um livro repleto de histórias macabras. Décadas mais tarde, um grupo de adolescentes descobre o livro e passa a investigar o passado de Sarah. No entanto, as histórias do livro começam a se tornar reais.

Morte Instantânea

Direção: Lars Klevberg

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA, Noruega

Lançamento: 9 de Agosto

Sinopse

Bird Fitcher (Kathryn Prescott) é uma adolescente tímida do Ensino Médio que pode contar nos dedos aqueles que pode chamar de amigo. Mas o que ela não imaginava era que, após encontrar uma câmera Polaroid amaldiçoada, sua vida seria transformada para sempre: estranhamente, todos que aparecem em alguma foto tirada pelo dispositivo têm um fim trágico e violento.

Brinquedo Assassino

Direção: Lars Klevberg

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 22 de agosto

É importante ressaltar que a estreia de Chucky é um novo capítulo da franquia. O filme se trata de um reboot, ou seja, uma nova história, sem ligação alguma com os fatos contados nos filmes anteriores. O boneco também passou por um processo “cirúrgico”, já que está com uma nova aparência. Apesar das mudanças radicais no estilo, a promessa é de um longa sangrento.

Sinopse

O filme acompanha a história de Karen (Aubrey Plaza) que, no aniversário de seu filho (Gabriel Bateman), o presenteia com o boneco mais aguardado dos últimos tempos. Quando crimes estranhos começam a acontecer pela vizinhança, eles passam a suspeitar que o brinquedo pode não ser tão inofensivo quanto parece.

IT: A Coisa- Capítulo 2

Direção: Andy Muschietti

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 5 de setembro

Sinopse

27 anos depois dos eventos de “It – Parte 1”, o grupo de adolescentes que fazia parte do “Losers Club” – o clube dos perdedores – realiza uma reunião. No entanto, o que parece ser apenas um reencontro de velhos amigos acaba se tornando em uma verdadeira e sangrenta batalha quando Pennywise (Bill Skarsgard), o palhaço retorna.

Predadores Assassinos

Direção: Alexandre Aja

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 26 de setembro

Sinopse

Quando a Flórida é vítima de um imenso furacão, os tsnunamis levam todos os habitantes a evacuarem o local. Mesmo assim, a jovem Haley (Kaya Scodelario) se recusa a sair de casa enquanto não conseguir resgatar o pai, gravemente ferido. Aos poucos, o nível da água começa a subir, Haley também se fere e tanto ela quanto o pai precisam enfrentar inimigos inesperados: gigantescos crocodilos que chegam com as águas.

Zumbilândia 2

Direção: Ruben Fleischer

Gênero: Comédia, Terror, Ação

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 24 de outubro

Sinopse

Anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi nos Estados Unidos, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem buscando novos lugares para habitação e sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que novos rumos podem ser explorados.

Daniel Isn’t Real

Direção: Adam Egypt Mortimer

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Lançamento: 6 de dezembro

Sinopse

“A trama segue o problemático Luke (Robbins), que sofre um violento trauma familiar e ressuscita seu amigo imaginário da infância, Daniel (Schwarzenegger), para ajudá-lo a lidar com a situação. Carismático e cheio de energia maníaca, Daniel ajuda Luke a alcançar seus sonhos, antes de empurrá-lo até a borda da sanidade e em uma luta desesperada pelo controle de sua mente – e sua alma.”

Chucky-in-the-Childs-Play-Remake

O poder de pensar positivo

Por César Anderle 

As lembranças da infância nos trazem pensamentos bons. Talvez, em alguns momentos, até podemos ter tido atitudes um pouco ruins, mas na grande maioria, tivemos ações que nos trazem boas lembranças.

Na vida adulta, as angústias e as decepções acabam por nos influenciar negativamente, mas acredito que temos muito mais a agradecer do que reclamar e aí entra o positivismo, pois se ignorarmos que possuímos muitos bons momentos, com certeza iremos nos deixar abater por possíveis problemas.

Ao nos levantarmos da cama, sentimos o pulsar da vida em nosso peito e a respiração nos fortifica para dizermos “bom dia Senhor”, mesmo que no silêncio, a respiração nos faz pensar e mentalizar o desejo de um dia perfeito.

Num pulo, corremos para a higiene pessoal e em alguns passos estamos diante da água que iremos beber e nos purificar, satisfazendo as células que irão nos dar suporte para uma saudável atividade cerebral e de todas as nossas funções biológicas.

Estando na cozinha de nosso lar, começamos o ritual do preparo do café matinal. O aroma deste precioso grão nos dá prazer e nos abre o apetite para um pãozinho com mistura, queijos e afins. Muitos me dirão “mas temos o gosto pelo velho e bom chimarrão e ele também nos acalenta para o início de um dia abençoado”, e é bem verdade, ambos nos satisfazem.

Tudo isso nos faz refletir que, se em poucos minutos nos sentimos bem e cobertos de vitalidade para sair de casa, e ir de encontro com o novo e a rotina, imagina as outras atividades que virão na sequência das horas.

Isso tudo nos ajudará para o acúmulo de energia tão necessária aos desafios do restante da jornada. A palavra é simples, positividade. Idealizamos este pensamento, igual ao sinal que traçamos para nos abençoar. Isso fará a diferença, a fé nos chega através do nosso conhecimento, das nossas atitudes, dos exemplos que nos cercam e da vontade de querermos crescer nela. O positivismo é de igual energia, tenho certeza de que Cristo foi altamente positivo, pois nos deu exemplos de como acreditar no coração das pessoas, de nos deixar um legado da capacidade do ser humano arrepender-se das atitudes equivocadas e assim alcançar o perdão.

Este é o exemplo maior de positivismo, ver o bem sem focar o defeito. Será que eu ou você, temos o direito de nos acomodar, de nos amedrontar, de nos entristecer diante de uma dificuldade ou situação delicada? Penso que devemos refletir se Deus não está colocando à nossa frente uma oportunidade de fazermos o melhor, de aprendermos com aquela situação. Acredito ser justamente uma oportunidade de crescimento pessoal.

Pensamentos positivos, atitudes positivas, é isso que nos move para frente, é isso que nos dará um futuro melhor, um futuro com a presença de Deus, um futuro com consciência serena e o direito de voltar para casa, poder tomar um banho, dar um abraço e um beijo carinhoso na esposa, no marido, nos filhos e ter a certeza de que no dia seguinte tudo se inicia e o aroma do café se repetirá para mais um dia altamente positivo.

 

 

pensamento positivo

Precisamos gamificar tudo?

Por Elvis Pletsch 

elvis_pletsch@hotmail.com 

Caso fossem anotadas todas as atividades que fiz na minha infância e adolescência, é bem provável que jogar videogame estivesse entre as mais constantes. Passei centenas de horas na frente de uma tela interagindo com algo que, para outras gerações, era considerado um desperdício de tempo.

Na minha casa não era diferente, os dias de chuva tornavam-se uma mistura de dádiva e terror: era mais tempo para jogar, mas meus pais acabavam substituindo o “vai brincar lá fora” pelo “desliga isso aí que vai queimar”.

Por mais fútil que possa parecer, acabei descobrindo que os games podem ter uma utilidade real que deveria ser melhor explorada. A designer americana Jane McGonigal demonstrou que se somadas todas as horas jogadas no game World of Warcraft, lançado em 2001, teriam sido gastos 5,93 bilhões de anos na resolução de problemas de um mundo virtual. O que aconteceria, portanto, se essas horas tivessem sido gastas na resolução de um problema real?

A resposta dessa pergunta acabou sendo testada em 2011 por pesquisadores da Universidade de Washington, quando desenvolveram o jogo “Foldit”, que desafiava os gamers a compreender como determinada proteína poderia ser utilizada no combate à Aids. O jogo atraiu 46 mil participantes de diversas áreas, que acabaram obtendo uma solução em apenas 10 dias, sabendo que o problema havia tomado 15 anos de cientistas que nunca obtiveram sucesso algum.

Os motivos por trás dessa rápida resolução são explicados pela gamificação que, através da criação de metas, regras, feedbacks e da participação voluntária, visa imitar os conceitos utilizados pelos games para replicar o seu “vício” em problemas reais do dia a dia.

Um desses conceitos é o feedback instantâneo: ao terminar uma missão você ganha uma recompensa, ao derrotar um inimigo você ganha experiência. Esses feedbacks positivos vão reforçar bons comportamentos, enquanto os negativos (como perder vidas) vão permitir ao usuário encontrar uma estratégia melhor para passar de fase. Mas o que interessa é que ele é instantâneo, descartando a ansiedade de só saber o resultado após um longo processo e acelerando as etapas de crescimento profissional e aprendizado.

Quando uma empresa sofre com avaliações anuais, normalmente há uma sensação de “caos” nas vésperas das avaliações: será que está tudo certo? Será que estamos acompanhando todos os processos necessários?

Essa ansiedade poderia ter sido evitada aplicando o feedback instantâneo, avaliando os processos durante todo o ano, e não somente em uma data específica. Dessa forma, os colaboradores não iriam sentir a diferença entre uma avaliação anual e uma avaliação rotineira.

Outro caso comum no meio corporativo são as bonificações e prêmios para os melhores vendedores. O caso mais recorrente é a existência de um grande prêmio que será entregue após um longo período. Os vendedores podem até se sentir motivados com metas de longo prazo, mas aquilo dificilmente irá conquistar aqueles que precisam de uma motivação constante para levantar de manhã. A solução para isso seria a existência de pequenos prêmios semanais, que iriam manter os vendedores mais engajados durante todo o tempo necessário, e não somente na véspera da grande premiação.

A aplicação da gamificação também pode ser utilizada em áreas que possuem insatisfação por parte de seu público. Uma universidade, por exemplo, poderia criar uma gamificação que mantenha seus alunos estudando, como o Khan Academy fez, evitando um aumento da evasão escolar. Os aplicativos de corrida, que fazem você acumular pontos e medalhas virtuais por cada distância percorrida, são um exemplo que consegue tirar muita gente da frente do sofá mesmo em dias frios.

Tudo isso não deveria ser novidade para ninguém, pois a gamificação está crescendo exponencialmente. A sua aplicação já está presente em grandes empresas como o Starbucks, o Waze, a Amazon ou o Santander, que parecem estar apresentando resultados bem positivos. O que acontecerá quando começarmos a utilizar os conceitos da gamificação para solucionar a política, o meio-ambiente, a saúde ou a educação? Será que precisamos gamificar tudo?

gamificação