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Doença periodontal em cães e gatos

Veterinário Luciano (1)

Por Luciano Geimba
Médico Veterinário
CRMV-RS 08877

A doença periodontal é a afecção mais comum em cães e gatos. Ela acomete os tecidos de sustentação do dente que incluem a gengiva, o osso alveolar, o cemento e o ligamento periodontal. Dentre os fatores predisponentes a esta doença, destaca-se a raça, idade, dieta, mastiga- ção e a saúde do animal. Entretanto, o acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes é o fator primordial para a causa desse problema.

A doença periodontal é responsável por diversos graus de inflamação e de infecção dos tecidos da boca, causando dor, com eventual perda do dente e até fraturas de mandíbula ou maxilar. Além disso, pode acarretar distúrbios sistêmicos, comprometendo órgãos vitais, como coração, fígado e rins, e também articulações.

Placa bacteriana

A placa dentária e caracterizada como um material amarelado, pegajoso, que se forma sobre a superfície do esmalte do dente e por toda a boca, podendo ser igualmente chamada de biofilme ou induto mole. Constituída por bactérias que podem alterar-se, oriunda da alimenta- ção das mesmas, produzindo compostos sulfurosos, atuam agressivamente sobre os tecidos e são responsáveis pela halitose, que é decorrente da doença periodontal.

Cálculo dentário

O cálculo dental é formado pela calcificação da placa dentária, pois caso ela não seja removida haverá precipita- ção de sais de cálcio, além de outros minerais presentes na saliva. Ele pode ser supragengival e subgengival.

Prevalência e fatores predisponentes

A doença periodontal afeta 75% dos animais entre quatro e oito anos de idade. Entretanto, foi relatado caso de doença periodontal grave em cães de três meses de idade, salientando a importância de iniciar cuidados com a higiene oral ainda na dentição decídua. Vários fatores predispõem a progressão da gengivite e da doença periodontal, entre eles, o excessivo apinhamento dos dentes (especialmente em raças pequenas e braquicefálicas), proteção salivar diminuída, má oclusão, retenção de dentes decíduos e anomalias dentais (hipoplasia do esmalte dentário). Também pode estar relacionada com o estado fisiológico do animal, debilidade e tensão, afecções sistêmicas e imunossupressão. Problemas mais sérios de acúmulos de placa e cálculo dentário ocorrem em animais alimentados com rações úmidas enlatadas ou com restos de dietas caseiras, devidos a ausência de ação abrasiva.

Sinais clínicos

A maioria dos animais com idade superior a quatro anos apresenta algum grau de doença periodontal em um ou mais dentes, porém muitos proprietários não percebem essa anormalidade. O sinal que os proprietários mais observam é a halitose, resultante da putrefação dos tecidos e fermentação bacteriana no sulco ou bolsa periodontal, liberando compostos sulfurosos. Outros sinais comuns são: sialorreia, mobilidade dentária, gengivite severa, retração gengival, exposição da raiz, hemorragia gengival branda e moderada, bolsas periodontais, secreção nasal e fístulas oronasais.

Um diagnostico completo da cavidade oral inclui anamnese, exame visual, periodontal e avaliação radiográfica, que determinam os graus da doença e os fatores predisponentes que contribuem para seu aparecimento.

Tratamento

O objetivo do tratamento da doença periodontal baseia-se na eliminação de sua causa principal, a placa bacteriana. Consiste em impedir a progressão da doença, sendo possível através de cuidados terapêuticos, tratamento adequado e controle diário da placa, de modo a evitar a recorrência da doença. Incluindo raspagem de cálculo da coroa, raspagem radicular, aplainamento radicular, polimento e outros processos como extrações, tratamento endodônticos e cirurgia periodontal.

Prevenção

O sucesso da prevenção da doença periodontal depende do condicionamento do animal e principalmente dos cuidados dispensados em casa por parte dos proprietários. Estes devem ser instruídos sobre a importância da escovação, a forma mais correta de realizá-la, bem como o retorno ao médico veterinário para reavaliar a higiene oral do animal e efetuar uma nova profilaxia profissional quando necessária.