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Roni Dall’Igna lança dicionário com verbetes do talian | Jornal Integração da Serra

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Roni Dall’Igna lança dicionário com verbetes do talian

Professor e pesquisador reúne em nova obra um conjunto de expressões que abrange o vêneto brasileiro, o português e o italiano

Vânia
Vânia
Fonte: Exata Comunicação Foto: Idovino Merlo

Em um lugar onde a memória da imigração não é apenas preservada como também se mantém viva, o professor e pesquisador Roni Dall’Igna premia Bento Gonçalves e a Serra Gaúcha com uma obra cujo teor exalta a identidade regional a partir de uma de suas mais genuínas manifestações, o talian. Na Casa Merlin, sede da Associação Caminhos de Pedra, no distrito de São Pedro, a língua amalgamada entre dialetos italianos – em especial o vêneto – e o português ilustra o dicionário de verbetes que ele lança no dia 2 de outubro, às 19h30min.


Professor de Português de gerações de alunos, ele tem pelo talian um afeto que perpassa décadas. “Fui criado ouvindo histórias de minha avó num português macarrônico, misturado ao vêneto talian”, recorda ele, autor de seis livros, entre os quais dois dedicados à língua que agora revisita. Aos “Provérbios Vênetos”, lançados em dois volumes nos anos de 1987 e 1988, ele adiciona agora o “Dicionário Talian”, um documento de mais de 380 páginas que reúne versões em português e italiano de quase 28 mil verbetes da língua reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil.


O compêndio resulta de uma pesquisa de mais de 30 anos, exercício que coloca seu nome entre os referenciais no Estado sobre a origem linguística dos povos que habitam o Rio Grande do Sul. Mas não é apenas o rigor científico que se desdobra em cada página. Elas estão tingidas também da memória e da vivência do autor com o idioma. Se em casa o talian era onipresente, na escola o italiano, uma das línguas estudadas por ele no antigo curso Clássico da Escola Mestre Santa Bárbara – um dos educandários que ele voltaria anos depois como professor –, servia como um complemento ao aprendizado da língua matriz. O conhecimento do talian já era tamanho que, ainda adolescente, dedicou uma coluna no jornal O Regional – fundado com amigos e que teve duração de três anos – com expressões em talian.


Foi mais ou menos assim que, quando chegou à então Fundação Educacional da Região dos Vinhedos (Fervi) – hoje Carvi – para cursar Letras, ele já tinha uma farta documentação a respeito. “Era uma pesquisa com cerca de 20 mil palavras, em italiano/vêneto (talian) a palavra semiaportuguesada e a tradução”, conta Dall’Igna. Ele ainda não sabia, mas era o embrião que agora se materializa num conjunto vital para manter viva essa língua que se criou na intercorrência da imigração italiana no Brasil, em especial no sul do país. A tal pesquisa acabou ficando numa gaveta, mas em 1984, por sugestão de outro bastião do talian, o professor Darcy Loss Luzzatto, autor de mais de uma dezena de livros sobre a pauta, Dall’Igna deu nova vida a ela. “Dei ênfase ao talian, colocando na ordem talian/português/italiano. Brinquei, na ocasião, afirmando que o poeta Olavo Bilac estava equivocado, que errara ao escrever que a Língua Portuguesa era a ‘última flor do Lácio, inculta e bela...’, e sim, que o talian era a última flor do Lácio...”, diz.


Para o autor, ex-patrono da Feira do Livro de Bento Gonçalves, o livro tem o caráter de resgate do linguajar daqueles que povoaram Cruzinha, Colônia Dona Isabel e Bento Gonçalves. “Com o passar do tempo, a mistura dos dialetos que deram origem ao talian foi o foco dessa pesquisa. Os filós também serviram para essa ‘salada’ de palavras e sons, pronunciadas por famílias de inúmeras etnias italianas que deram origem a esse novo linguajar”, pontua. Uma língua que, mais de 150 anos depois da imigração, segue viva e fonte para novas histórias. Como as que ele pretende contar num novo livro, já titulado como “Nanni Balote”, com história hilárias e históricas. “As palavras passam e o que está escrito, permanece”, reflete.


O “Dicionário Talian” também terá lançamento na Feira do Livro de Bento Gonçalves, no dia 16 de outubro, às 19h30min. A obra conta com financiamento da Lei Rouanet; patrocínio master de Mundo Bertolini e patrocínio de Ricefer, Pan Electric e Concresul; apoio do Comites-RS e realização do Ministério da Cultura.


Legenda: Professor e pesquisador Roni Dall’Igna, organizador do dicionário

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