Sabado, 8 de Agosto

Em clima de El Niño | Jornal Integração da Serra

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Em clima de El Niño

Lembremos que a preocupação gasta nossa energia com o que ainda não aconteceu e o corpo já sofre, como se tudo fosse verdade.

Vânia
Vânia Publicado em 07/08/2026 16:58
Fonte: Autora Foto: Reprodução Web
O clima tem sido um importante motivo de grandes preocupações para todos nós, desde produtores rurais até moradores de regiões urbanas, em todo o mundo. Nesse momento, acompanhamos as previsões climáticas com receio dos efeitos do fenômeno El Niño, enquanto já vemos notícias de enchentes e desabrigados no Rio Grande do Sul. As vivências de 2023 e 2024 ainda ecoam em nossa mente e em muitas vidas, num Estado que teve seu território atingido em absurdos 90%.
Sabemos que chamadas sensacionalistas vendem mais e temos visto manchetes anunciando desgraças enormes em consequência do El Niño, espalhando pânico na população. Saber os fatos, por piores que sejam, costuma acalmar a mente, mais do que a dúvida.
Como já vivemos a experiência, já sabemos em que nível os estragos podem chegar e muito aprendemos a respeito da prevenção, mas a informação, apenas, não é suficiente. É preciso que medidas reais sejam tomadas para evitar novas tragédias.
Lembrando a frase atribuída ao filósofo Sêneca, “Sofremos mais na imaginação do que na realidade”. Podemos pensar que o medo do desconhecido nos leva a esperar sempre o pior, a imaginar algo grandiosamente ruim, que nem sempre a realidade vai confirmar. Assim, sofremos desnecessariamente, por antecipação. É preciso reconhecer, no entanto, que a expectativa pela ocorrência de um evento pode nos auxiliar a tomar providências para prevenção, evitando desfechos ruins. Neste sentido, temos um importante papel do poder público e da sociedade organizada no enfrentamento da situação que se avizinha.
A partir destas colocações, é possível refletir um pouco mais sobre as muitas formas como o ser humano se posiciona diante da vida e de suas possíveis ameaças. A fantasia que criamos diante de um fato novo e importante, de uma ameaça significativa, costuma ser a pior possível. Infelizmente, o medo decorrente da fantasia pode ser paralisante, assustar tanto a ponto de inibir qualquer reação ou reduzir a reação a um reflexo instintivo, sem maior elaboração racional ou crítica.
Um aspecto importante diante de situações assim é a capacidade de manter certo controle emocional, pois o descontrole pode piorar ainda mais a situação, impedindo que se pense para fazer as melhores escolhas. Isso não diz respeito apenas a eventos climáticos, mas também ao “clima emocional” em diversas situações da vida cotidiana, referentes a trabalho, estudo, saúde e relacionamentos.
Essa capacidade humana de análise e ação se constitui ao longo da vida, a partir da postura dos pais e educadores, acreditando e estimulando o valor pessoal e a capacidade de realização e de resolução de problemas, permitindo a atuação criativa da criança e dos jovens. 
Desde crianças aprendemos a lidar com a realidade e a fantasia, a resolver melhor ou pior nossas questões difíceis, com ou sem o apoio dos adultos responsáveis. E eis que agora nos encontramos às voltas com El Niño, precisando desses mesmos recursos internos e externos, pois podemos sofrer muito com as “brincadeiras de mau gosto deste Niño”.
Lembremos que a preocupação gasta nossa energia com o que ainda não aconteceu e o corpo já sofre, como se tudo fosse verdade. A mente cria um cenário ruim e o corpo apresenta as mesmas reações de um perigo real, como o medo e o suor. Busquemos separar o que é um problema real do que é apenas um pensamento assustador, focar no que pode ser resolvido hoje, sem inventar o amanhã. Importante não ficarmos presos a ideias ruins, paralisados, aguardando pelo pior, mas vivendo o presente com atenção, cuidado e prevenção, usando os recursos que a vida e a experiência nos ajudaram a construir.

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