Faturamento aumentou, mas exportações e empregos tiveram retração
Mais uma vez o setor moveleiro gaúcho constata que, apesar dos desafios, mantém-se resiliente para crescer e evoluir. Conforme apuração da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) junto a fontes oficiais do governo, o ano de 2025 encerrou com avanço de faturamento, mas retração nas exportações e na geração de empregos.
Dados da Secretaria da Fazenda mostram que as mais de 2.600 empresas moveleiras do estado registraram faturamento de R$ 14,5 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. O montante representa crescimento nominal de 6,48% frente ao mesmo período de 2024. Utilizando como parâmetro o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que em 2025 ficou em 4,26%, o crescimento real no faturamento do segmento foi em torno de 2,22%.
O presidente da Movergs, Vitor Agostini, considera que o desempenho poderia ser melhor. “Em 2025 tivemos desafios que impactaram vários setores. Baixo crescimento da economia e desajuste fiscal do governo, por exemplo, impactam na taxa de juros e dificultam o consumo interno de bens duráveis, que é o caso dos móveis. Já as exportações foram impactadas pelas oscilações do mercado internacional, principalmente com a alta tributação aplicada pelos Estados Unidos, que era o principal destino dos móveis gaúchos. Em um cenário mais favorável, possivelmente teríamos um desempenho melhor no ano passado”, analisa.
Segundo informações do portal Comex Stat, do governo federal, as exportações de mobiliário produzido no Rio Grande do Sul movimentaram US$ 256,5 milhões em 2025 (queda de 3,3% comparado ao ano anterior). Apesar da retração de 32,5% nas vendas para os Estados Unidos, cresceram as compras feitas por países como Uruguai (+13,2%), Argentina (+127,1%) e México (+14,8%).
“A redução expressiva das exportações para os Estados Unidos comprova que a taxação de 40% determinada pelo presidente Donald Trump trouxe um impacto considerável à competitividade dos nossos móveis. Para os empresários que vendem para fora do Brasil, fica como aprendizado a importância de diversificar mercados. Muitas indústrias já vêm fazendo isso, tanto que tivemos aumento nas vendas para outros países”, avalia Daniel Segalin, diretor Internacional da Movergs.
Os desafios geopolíticos tendem a permanecer em 2026. “De um lado, a baixa na alíquota de importação dos Estados Unidos para 15% e o acordo entre Mercosul e União Europeia criam um cenário mais favorável para as exportações. Mas, ao mesmo tempo, temos crise política na Argentina, importante parceira comercial no ano passado, e a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que já vem deixando o mercado global receoso, inclusive com oscilações no preço do petróleo”, explica Segalin.
Outro indicador com retração foi o número de trabalhadores em atividade. O balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados revela que o setor moveleiro do Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 33.905 empregos diretos – queda de 3,01% em relação a 2024. Para o presidente da Movergs, o resultado é fruto de um conjunto de fatores. “As demissões são uma realidade nacional. Tivemos aumento nos postos de trabalho em 2020 e 2021, período da pandemia com enorme demanda por móveis. Desde 2022 o setor vem se acomodando em relação ao volume de produção, às vendas e consequentemente ao quadro de funcionários. Além disso, investimentos em automação nas indústrias, terceirização de processos e possíveis demissões por causa da taxação dos Estados Unidos podem ter gerado desligamentos”, avalia.
SOBRE A MOVERGS
A Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) é a entidade que representa as empresas do setor moveleiro gaúcho. Há quase 40 anos trabalha em prol do fortalecimento e do fomento de oportunidades para a cadeia produtiva. Comprometida com a defesa dos interesses de seus associados, a entidade atua na ampliação de sua representatividade no contexto político-econômico nacional – além de realizar ações como a feira Fimma Brasil e o Congresso Movergs para impulsionar negócios e promover qualificação.
Foto: Indústria moveleira
Crédito: Divulgação Multimóveis




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