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ARTIGOS, Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA

Memória: Paco, o bandoleiro da Serra Gaúcha

 

“Paco, o Bandoleiro da Serra Gaúcha” é texto do Capítulo “Memórias de Sangue”, do livro “Janelas da Memória”, de autoria do jornalista, escritor, pesquisador e historiador Ademir Antonio Bacca, resultado de uma criteriosa pesquisa sobre o que se publicou sobre a história de Francisco Sanchez Filho.

 

A história de Francisco Sanchez Filho foi um mosaico que começou a se formar em minha cabeça ainda na juventude, quando passei a me interessar pela história da cidade e por seus personagens, históricos ou folclóricos. Paco era um deles. Gostava de ouvir histórias a seu respeito e a indecisão entre se tratar de um bandido ou de um herói aguçava ainda mais minha curiosidade.

Temor, ódio ou respeito: qualquer dos três sentimentos se encaixa na história de Francisco Sanches Filho. As opiniões recolhidas sobre ele variavam de acordo com o lado político de quem as emitia: bandoleiro para uns, justiceiro para outros. A verdade, eu descobriria com o tempo, é que a história foi escrita com sangue, violência e traição. Sangue das vítimas do filho de imigrantes espanhóis que se radicaram nas margens do Rio Burati no final do século XIX e a traição dos políticos que o abandonaram à própria sorte quando seus serviços escusos não lhes interessavam mais.

Mas afinal, quem foi Paco? Qual de tantos que o imaginário popular legou para a história da nossa região é o que mais se aproxima da verdade? Herói ou bandido? Defensor dos pobres ou um mercenário a serviço do crime sob a complacência das autoridades?

 

Quem foi Paco?

Um dos grandes protagonistas da serra gaúcha no século passado, Paco não entrou na história pelas melhores páginas e embora até tenha sido chamado de “herói dos pobres”, não passou de um daqueles personagens que os historiadores chamam de “bandidos sociais”. Queiram ou não os seus defensores, Paco atuou como bandoleiro entre 1912 e 1930, fazendo o jogo sujo dos políticos aliados de Borges de Medeiros, presidente do Estado do Rio Grande do Sul. Assim, em poucas palavras, daria para acomodar a história de Francisco Sanchez Filho, o bandoleiro Paco, na estante de livros policiais de qualquer biblioteca; mas a história exige um mergulho mais profundo para se decifrar um pouco da atribulada vida do homem que espalhou terror nas barrancas do Rio das Antas e na região.

Nas reportagens, artigos, ensaios e livros que foram escritos sobre sua trajetória percebe-se a clara divisão de opiniões dos autores. Alguns o veem como o “Robin Hood da Serra”, numa equivocada comparação com o mítico fora-da-lei inglesa que roubava da nobreza para dar aos pobres, enquanto outros afirmam que Paco roubava para si, dividindo o butim apenas com seus comparsas de assalto.

Violento, bom de briga, rápido no gatilho e no manuseio de facas, fez desses atributos instrumentos para se fazer respeitado e temido, espalhando mais temor do que admiração por onde passasse. A ele foram atribuídas mais de 150 mortes, centenas de agressões, roubos e assaltos e outras tantas ações em favor de seus chefes políticos ou de quem o contratasse para uma empreitada. Apenas o número de mortes parece ser exagerado.

Galanteador, raptar e estuprar mulheres foram práticas que ele exercitou com frequência, chegando a ser tratado como um “Dom Juan Colonial” pelos jornais da Capital. Teve três esposas e incontáveis companheiras. Com a primeira, Maria Facchin, com quem se casou no dia 30/01/1911, teve dez filhos. Com Maria Frattini, que tinha apenas 15 anos quando foi seduzida pelo bandoleiro, teve outros três. A terceira, identificada apenas como Tereza, teria lhe dado outros três filhos, cujo paradeiro é até hoje desconhecido. Mas reza a lenda que ele teria outros espalhados pela região.

 

O início

Não era comum a presença de famílias espanholas em meio aos núcleos de imigração italiana no final do século XIX quando os imigrantes Francisco e Antônia se instalaram no interior da Colônia Dona Isabel, na Linha Brasil, Quinta Seção da margem esquerda do Rio das Antas. Traziam consigo as filhas Maria e Dolores, mas Antonia estava grávida quando chegou ao Brasil. Logo atraíram a curiosidade das famílias italianas, que perceberam que seus vizinhos eram diferentes não apenas nos costumes e no falar. Isso não os intrigava, gostavam deles. Na verdade, Francisco Sanches Collados e Antônia Pilar Buenazella Foan divergiam dos demais moradores ali estabelecidos por se vestirem bem e pelo nível de educação que demostravam ter, muito superior aos seus vizinhos, quase todos analfabetos. Francisco era alfabetizado e ocupou postos de Fabriqueiro e Inspetor de Quarteirão na comunidade. O casal sempre foi benquisto pelos vizinhos, embora tenham sido eclipsados da história nos anos seguintes graças à fama do filho Francisco.

Francisco Sanches Filho nasceu no dia 29 de maio de 1889 (mais tarde nasceria Ramon, o último filho do casal) e viveu na companhia dos pais até os 20 anos, quando mudou para Nova Pompeia, em companhia de uma das irmãs e o cunhado. Além do espanhol, falava fluentemente italiano e português.

Era um homem violento, bom de briga, rápido e preciso no gatilho e também no manuseio de facas. Apesar da baixa estatura, era um homem forte, difícil de ser vencido numa briga a socos. Isso fez dele um homem temido por todos, fato que alguns preferiam enxergar como respeito, mas que na realidade era medo. Por outro lado, exercia certo fascínio com as mulheres, o que lhe proporcionou uma vida sentimental muito agitada. Exímio jogador, costumava ganhar dinheiro dos colonos explorando suas habilidades no jogo da “tampinha” ou no carteado.

Trabalhou como balseiro e por mais de duas décadas atuou como “fósforo” (como na época eram conhecidos os atuais cabos eleitorais) do grupo que apoiava o Presidente da Província Borges de Medeiros, fazendo o serviço sujo, dando segurança e angariando votos nas eleições para os candidatos chimangos. A proteção das autoridades acabou lhe abrindo as portas para a vida de agressões, assaltos e assassinatos que passou a praticar. Mais tarde, sem o apoio das autoridades, caçado pela própria polícia que o protegera, tornou-se o bandoleiro implacável que espalhou um rastro de terror e mortes pela região.

A sorte de Paco seria selada no dia 14 de dezembro de 1923, oito anos antes da sua morte, quando Borges de Medeiros e Joaquim Francisco de Assis Brasil, líder dos Maragatos, assinaram o “Pacto de Pedras Altas”, encerrando a Revolução de 1923. Após o fim da guerra, com chimangos e maragatos unidos, cada lado foi abandonando seus incômodos “fósforos” à própria sorte, obrigando-os a fugirem da perseguição das autoridades que antes os protegiam.

 

O “Fósforo”

Cabos eleitorais nos dias atuais ainda têm grande influência em período de eleições. Aqueles que têm boas relações e controlam bairros ou comunidades têm mercado de trabalho e são muito bem pagos durante o período eleitoral. É uma prática antiga e, salvo em algumas regiões do país, os “fósforos” de hoje mudaram a maneira de persuadir os eleitores a votarem nos candidatos para quem trabalham.

Paco foi um dos cabos eleitorais mais disputados da região durante o primeiro quarto do século XX e sua escolha nunca recaiu sobre a influência que ele tinha sobre o eleitorado e sim, pelo medo que ele impunha a eles na hora de se apresentarem para votar. Eleitores que ele mesmo ia buscar em casa e conduzia à urna de votação sob ameaças de morte se preciso fosse. Sua área de atuação abrangia Bento Gonçalves, onde contava com a proteção dos intendentes Antônio Joaquim Marques de Carvalho, Olinto de Fagundes de Oliveira Freitas e João Batista Pianca; e Alfredo Chaves, onde era protegido do intendente Achiles Taurino de Resende e do Interventor Cesar Pestana, além de importantes comerciantes.

Numa época em que o voto não era secreto, Paco garantia, com o uso da violência, os votos necessários para que o Partido Republicano Rio-grandense, de Borges de Medeiros, elegesse seus candidatos com tranquilidade.
Jornais da capital da época registram que na eleição de 1929, Paco e outros “fósforos” foram deslocados de Alfredo Chaves para Garibaldi a fim de evitar que Armando Peterlongo, candidato do Partido Libertador, vencesse as eleições. Considerado invencível, Peterlongo foi derrotado por Manoel Coelho Parreira graças ao terror que Paco e seu grupo espalharam entre os eleitores da cidade.

Mas com a assinatura do Tratado de Pedras Altas, as autoridades retiraram a proteção que davam aos seus cabos eleitorais, abandonando-os à própria sorte, o que levou a maioria a enveredar de vez para o caminho do crime. Paco faria sua última campanha política cooptando votos para Getúlio Vargas que concorria à presidência em 1930.
Mas o primeiro de março daquele ano seria não só o seu último dia de “fósforo”, mas o dia em que o bandoleiro veria sua vida se transformar no inferno de fugas e perseguições que o levariam à morte poucos meses depois. O fim começaria por Nova Pompeia.

 

A sociedade com o delegado

Octacílio Vaz era delegado de polícia de Alfredo Chaves e também Subintendente, mas isso não impediu que ele e Paco organizassem uma poderosa quadrilha de assaltantes, que praticou inúmeros roubos na região. Protegido pela polícia, Paco roubou a casa comercial de Sylvio Giordani, na Estrada Buarque de Macedo. Depois fez aquele que foi o maior assalto da sua carreira de crimes, roubando a vultosa importância de 30 contos de réis em mercadorias da Loja Feres Miguel e Irmão, em Bento Gonçalves.

Entretanto, na divisão do roubo, o delegado Octacilio resolveu guardar para si a melhor parte da mercadoria, não entregando a Paco o que lhe cabia, o que fez com que a sociedade entre eles chegasse ao fim: Octacílio continuava autoridade, mas Paco era só um bandido que ele tinha que prender ou, de preferência, matar.

Paco sabia disso e passou a se esconder na região, pouco aparecendo na sua casa na Quinta Magra. Preferia as cavernas da região, que ele conhecia tão bem, e porque sabia que eram poucos aqueles que tinham coragem para enfrentá-lo no meio do mato.

Pressionado pelas autoridades da capital que exigiam a prisão de Paco, Octacílio foi informado de que ele estaria em Monte Bérico e, na noite de 29 de agosto de 1929, foi ao seu encontro, em companhia de Waldemar de Oliveira Chaves, Comandante da Guarda Municipal e um soldado. Paco ainda mantinha uma rede de informantes e ao saber das intenções do ex-companheiro de crimes, resolveu fugir para Sananduva num carro de aluguel, levando consigo uma moça de 20 anos que acabara de raptar.

Não sabia que o motorista do carro estava acordado com Octacílio e que este os esperaria no meio do caminho. Na troca de tiros, a acompanhante de Paco foi ferida numa das clavículas enquanto o delegado e o comandante da Guarda Municipal foram mortos por Paco, que também foi atingido por dois disparos, um de raspão e outro no peito. O terceiro policial, mesmo ferido, conseguiu se salvar.

As mortes do delegado e do comandante da Guarda Municipal revoltaram a comunidade de Alfredo Chaves e enfureceram ainda mais as autoridades da capital do estado. Aumentou-se o valor da recompensa pela cabeça do bandoleiro e também aumentaram as forças policiais que foram deslocadas para Alfredo Chaves para a caçada final, onde o prefeito Saul Farina determinava que o pegassem. Vivo ou morto.

A sorte de Paco estava por um fio, era vela que se apagava.

 

O duelo de Nova Pompeia

Percebia-se facilmente um clima pesado no ar naquela manhã de 1º de março de 1930 em Nova Pompeia, fosse no olhar assustado ou no caminhar apressado das pessoas que compareciam à seção de votação para escolher, entre Getúlio Vargas e Júlio Prestes, quem seria o próximo Presidente da República. O que preocupava os moradores não era a presença dos já conhecidos “fósforos” e sim a chegada do mais temido deles, o Paco, que fazia uma refeição no Restaurante da família Luzzatto. Estava acompanhado de dois capangas e, como era de costume, fortemente armado.
Na praça estava João Nunes, motorista da família Périco, esperando-o para desafiá-lo para um duelo. Nunes e Paco haviam se estranhado alguns dias antes em uma festa na Linha Brasil. O motorista jurara se vingar e esperava que ele saísse do restaurante. Estava armado de mosquetão, revólver e faca e parecia ter noção da encrenca em que estava se metendo.

No interior do restaurante, o proprietário aconselhara Paco a deixar suas armas e voltar para pegá-las depois de votar, no que foi atendido.

João Nunes, além das razões pessoais, tinha outra motivação para querer matar Paco: a recompensa que os Périco haviam oferecido pela cabeça do bandoleiro depois que ele fizera uma série de assaltos às tropas que levavam mercadorias para sua casa de comércio.

Os amigos de Paco ficaram esperando por ele no restaurante. Dirigiu-se ao local de votação, cumprimentou as pessoas, votou e retornou ao restaurante. Lá tomou duas cervejas com os amigos, recolheu suas armas e, ao sair para a rua, foi desafiado por Nunes. Disparou para o alto esperando com isso assustar o desafiante, mas este revidou e Nova Pompeia logo virou uma praça de guerra. Aqueles que estavam na rua, a polícia inclusive, debandaram em disparada em busca de um lugar seguro para se protegerem enquanto as balas disparadas pelos dois lados perfuravam tudo o que encontravam pela frente. Ninguém sabe quanto tempo durou o tiroteio até que ambos ficaram sem munição e partiram para o confronto corpo-a-corpo, na qual, para surpresa de todos, Nunes levava a melhor. Paco estava em suas mãos, praticamente dominado, quando um dos seus amigos gritou-lhe para que usasse a faca que trazia escondida em uma das botas:

– A faca, compadre! A faquinha!

Num último esforço conseguiu derrubar Nunes e, antes que ele conseguisse levantar, acertou-o em cheio no peito. Nunes morreria algumas horas depois no hospital de Bento Gonçalves.

Desta vez o caso não foi abafado pelas autoridades.

A sorte de Paco começava a mudar. Getúlio Vargas perdera a eleição para Júlio Prestes e não demoraria para que o país mergulhasse na Revolução de 1930.

 

A perseguição

Desde 1920, já casado, Paco vivia com a família no interior de Alfredo Chaves, no núcleo colonial chamado Nossa Senhora da Pompeia, Linha Parreira Horta, 5ª seção da margem direita do Rio das Antas, conhecida como Quinta Magra, pela pobreza da região.

Depois de matar o Delegado de Polícia e o Comandante da Guarda Municipal, Paco tinha consciência de que seria alvo de uma caçada implacável e decidiu refugiar-se numa caverna, onde curou os ferimentos que sofrera no tiroteio em Monte Bérico.

Saul Farina assumia como intendente de Alfredo Chaves e sua prioridade era pegar Paco. Vivo ou morto. Mas não era fácil encontrá-lo, Paco conhecia as barrancas do Rio das Antas como a palma das mãos. Ali nunca o pegariam. E ele ainda tinha aliados. Poucos o admiravam, muitos o temiam, mas formavam uma rede de proteção que permitia que escapasse das tropas que o caçavam.

Nas ocasiões em que era obrigado a ir à cidade, contava com a ajuda de amigos confiáveis que lhe davam pouso, dormindo uma noite em cada lugar, mas retornava sempre para uma das grutas quando percebia que estava correndo perigo. Os dias se arrastavam lentamente naqueles últimos dias do ano de 1930.

 

O fim

Foi entre as paredes da Intendência de Alfredo Chaves que a sorte de Paco foi selada. Uma reunião de pais de alunos da Escola Marina Largura, onde os filhos de Paco estudavam, seria a isca para atraí-lo para uma armadilha fatal. O motivo da reunião era decidir se a professora da escola, que era protegida do bandoleiro, seria substituída ou não devido a reclamações que haviam chegado ao Intendente Saul Farina. Um amigo de Paco, até hoje mantido em anonimato, seria o algoz que o entregaria aos seus assassinos.

Era um domingo de sol forte, dia 19 de fevereiro de 1931, e os pais dos alunos deixavam a escola depois de votarem pela permanência da professora, temerosos de uma reação por parte do seu protetor.

Paco andava a pé, seguido pelo tal amigo a cavalo. Seus filhos iam à frente. Caminhou poucos metros e, de repente, um tiro foi disparado para o alto. Era o sinal combinado para o traidor fugir. Do meio da mata, quatro homens armados esperavam o momento de entrar em ação. Paco tentou fugir mas não teve tempo, foi crivado de balas na frente dos filhos. Mesmo após constatar que o bandoleiro estava morto, seus assassinos descarregaram toda sua munição sobre o cadáver, montaram em seus cavalos e foram embora.

Chegara a hora da verdade e caíra por terra o mantra que Paco passara a vida recitando: “ainda não fizeram a cadeia que irá me trancar, nem a bala que vai me furar”.

A vela se apagara.

 

Nasce a lenda

Colono, balseiro, tropeiro, capanga de políticos, caudilho, bandoleiro, arruaceiro, valentão, galanteador, afável, fisionomia alegre, sorriso aberto, assassino frio, amigo dos poucos amigos, inimigo de todo aquele que o enfrentasse. Assim era Francisco Sanches Filho, que seguindo o costume espanhol, ainda pequeno recebeu o apelido de Paco e que um dia, aos 20 anos, deixou a casa dos pais na Linha Brasil, atravessou o Rio das Antas e instalou-se em Nova Pompeia para ajudar a irmã e o cunhado num pequeno bar onde aprendeu as manhas do carteado e a trapacear no jogo das tampinhas.

A imprensa da capital, que abria seguidas manchetes contando as façanhas do “fósforo” do PRR, comparava-o ao cangaceiro Lampião, o que em muito contribuiu para que se criasse um misto de admiração mesclado com terror, com todos os ingredientes para transformar um facínora em lenda. Entretanto, quase sempre se esqueciam de dizer que, na maioria das vezes, Paco era apenas o braço que executava a ordem que vinha de cima.

Assim, a morte de Paco foi recebida com alívio pelos políticos que lhe deram cobertura e por muito tempo se valeram dos seus serviços intimatórios que lhes conseguiram votos para que se mantivessem no poder durante tantos anos. Vivo, Paco era uma ameaça de entregar todo mundo, caso fosse preso. Uma carta escrita às autoridades propondo se entregar em troca se ser mantido vivo, nunca chegou às mãos do destinatário.

Paco foi velado na sala de sua casa na Capela Nossa Senhora da Pompeia em cima de duas tábuas e foi enterrado no cemitério local. Algum tempo depois, seus restos mortais foram transladados para Bento Gonçalves, onde repousam anonimamente em uma sepultura de algum dos cemitérios da cidade, evitando assim a curiosidade da população.

Embora tenha sido esquecida pelos historiadores gaúchos, a trajetória de Paco tornou-se uma lenda, que sobrevive e intriga na região.

 

O silêncio da família

Quando Paco caiu em desgraça e foi abandonado pelos políticos que lhe davam cobertura e em seguida jurado de morte pelas autoridades, a culpa pelos seus crimes foi descarregada sobre sua família. Cada vez que o procuravam e não o encontravam na Quinta Magra, os policiais torturavam física e psicologicamente sua esposa e seus filhos na tentativa de que eles lhes informassem o seu paradeiro.

Essas agressões e humilhações acabaram se transformando numa rede de proteção ou numa concha onde os herdeiros se fecharam num silêncio que atravessou décadas e que a maioria deles acabou levando para a sepultura.
Se fosse necessário não alimentar a opinião pública a fim de se protegerem da história que fora escrita por seu pai, e não por eles, os Sanches defenderam seu direito com unhas, dentes e até advogados quando foi necessário, poucas vezes permitindo que a imprensa e historiadores invadissem sua privacidade.

No que fizeram muito bem. Mas isso não impediu que a história de Paco se espalhasse pela região e pelo estado, contada de forma diferente a cada voz e exercesse o sagrado direito de toda lenda que se preze: bandido, herói ou uma vítima do sistema político vigente na ocasião?

Morto Paco, ficou a lenda. E as lendas, sabemos, têm asas. Acham frestas nas gaiolas da memória e mesmo que alguns não queiram, abrem as asas e se soltam ao vento porque, ao contrário dos mortais, sabem voar.

 

 

A foto lendária

A foto de Paco com um revólver na mão direita, um mosquetão ao ombro, outros revólveres e sua inseparável faca presos à cintura é aquilo que hoje se chama de foto de estúdio e foi batida por Aurélio Cavalli, no vilarejo de Fagundes Varela, então distrito de Alfredo Chaves. Na ocasião o bandoleiro estava escondido em alguma gruta da região depois de duelar e matar João Nunes em Nova Pompeia, distrito de Bento Gonçalves, hoje Pinto Bandeira.

Cavalli, que era fotógrafo nas horas de folga, não fez perguntas, limitou-se a fotografar. Abriu a máquina de fole, colocou a chapa de vidro e encaixou o filme. Alinhou Paco na posição ideal e acomodou-se sob o pano escuro. Ao forçar o dedo no disparador estava preocupado apenas com o foco. Em nenhum instante passou por sua cabeça que naquele instante ele estava fazendo uma das fotos mais emblemáticas do século passado, a qual eternizaria a lenda de Francisco Sanches Filho, o Paco.

 

O filme que não saiu

Em 1979, a história de Paco estava praticamente esquecida em toda a região. Os poucos historiadores que haviam se aventurado a pesquisar a vida do bandoleiro haviam esbarrado no silêncio da família e haviam desistido. Foi quando a imprensa da capital abriu manchetes anunciando que a Interfilmes, do produtor Itacir Rossi, faria um filme contando a história de Paco e que o jogador de futebol Elias Ricardo Figueroa, faria o papel principal.

O roteiro estava pronto e era assinado pelo cineasta Antonio Jesus Pfeil, baseado no seu livro “O trágico fim do bandido Paco”, que também daria nome ao filme.

Rossi esperava repetir nas telas o sucesso de “Motorista sem limites”, filme do cantor Teixeirinha que ele produzira no ano anterior e se tornara o grande campeão de bilheteria nos cinemas do estado.

Alertada, a família Sanches foi aos tribunais e conseguiu impedir que a filmagem fosse realizada e o projeto acabou se resumindo na publicação do livro-roteiro de Pfeil alguns anos depois.

 

Imprensa e pesquisadores resgataram a história

Carlos Wagner, um dos mais premiados repórteres da história da imprensa gaúcha de todos os tempos, foi quem pela primeira vez mergulhou no emaranhado da teia de verdades, boatos & ficção que o imaginário popular teceu em torno da história de Francisco Sanches Filho, o Paco. A reportagem “Paco, o bandoleiro da Serra Gaúcha”, publicada no Jornal Zero Hora em junho de 1988 tornou-se fonte de pesquisa obrigatória a todo interessado em conhecer a vida e a história do homem que se tornou uma das maiores lendas do interior do estado nos primórdios do século XX.

Treze anos depois, Gustavo Guerlter, repórter do Jornal Pioneiro, trazia para o século XXI a história de Paco em uma bem elaborada reportagem publicada também em capítulos nas páginas do jornal caxiense que resultou no livro de grande aceitação “Paco – Uma história escrita com chumbo”.

Por sua vez, o professor universitário Sergio Cruz Lima defendeu em artigo que Paco Sanchez era uma espécie de líder campônio, o “Robin Hood gaúcho”, em um período histórico do Rio Grande “em que as reivindicações sociais ainda não tinham coloração política, muito menos uma agremiação partidária definida capaz de arrostar nos interesses dos humildes”, deixando de lado o fato de que Paco, a serviço das autoridades, conduzia os cidadãos às urnas de votação sob a ameaça de uma arma.

Já a historiadora Márcia Londero defende que Paco se enquadra perfeitamente no que Eric Hobsbawn define como fenômeno de reação às situações de exploração, opressão e miséria vividas por uma comunidade camponesa nas mãos de um bandido social. Essa opinião é criticada por alguns revisionistas, principalmente porque se baseia na análise dos bandidos e utiliza fontes populares, pouco fazendo uso de documentos oficiais como fontes históricas. Ao escrever o ensaio “Paco: um bandido social da Serra gaúcha” Márcia foi quem mais se aprofundou na pesquisa de crimes cometidos por Paco e processos que ele respondeu.

Na apresentação do livro de Gustavo Ghertler a historiadora Loraine Slomp Giron reclama que Paco não tem merecido a devida atenção dos historiadores, alertando que são raros os estudos sobre ele e sobre sua ação política em prol do Partido Republicano Rio-grandense. Para ela, “Paco faz parte da revelação do negativismo social, do uso da contravenção na conquista do poder. Não é o primeiro nem o único, mas é exemplo claro de que, naqueles velhos tempos de corrupção política e policial, da associação indébita do banditismo com políticos renomados da República velha”.

 

Fontes:

Guertler, Gustavo – Paco – Uma história escrita com chumbo; Maneco – Livraria & Editora, Caxias do Sul, RS, 2001
Pfeil, Antonio Jesus – O trágico fim do bandido Paco; Bortolini Edições, Canoas, RS, 1990
Farina, Geraldo – A História de Veranópolis
Wagner, Carlos – Paco, o bandoleiro da Serra Gaúcha; Jornal Zero Hora, Porto Alegre, 1988
Guertler, Gustavo – Uma história escrita com chumbo; Jornal Pioneiro, Caxias do Sul, 2001
Lodero, Márcia – Paco: um bandido social da Serra Gaúcha

 

Fotos: Reprodução Ademir Antônio Bacca

Foto Paco: Aurélio Cavalli

21 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/paco-001.jpg 702 1133 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-21 16:47:432022-06-21 16:47:43Memória: Paco, o bandoleiro da Serra Gaúcha
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA

Hip Hop ocupa Salão Nobre da prefeitura de Bento Gonçalves

Exposição mostra história dos 10 anos de Battle In The Cypher

 

A força da Cultura Hip Hop em Bento Gonçalves chega ao Salão Nobre da Prefeitura Municipal, onde está montada a exposição “Os 10 Anos de Battle In The Cypher” para visitação durante o mês de julho. A ocupação é significativa e reforça a importância de um dos principais encontros da cultura Hip Hop da América Latina realizado na cidade estar ocupando o espaço nobre que conta a história da cidade e onde até então a cultura urbana e o hip hop ainda não tinham chegado. A mostra reúne, em imagens e materiais diversos, uma linha de tempo onde é possível conhecer a história de um dos mais conhecidos encontros culturais de Bento, com projeção nacional e internacional. O projeto é realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura.

A exposição já circulou pelo Museu do Imigrante e Centro Cultural 20 de Novembro. Criado em 2019 para registrar e festejar os 10 anos de Battle In The Cypher, o projeto reúne fotografias, matérias de jornais, flyers, peças de exposições que aconteceram nas diversas edições da BITC, camisetas, telas de serigrafia e diversos outros artefatos. A exposição pode ser visitada no horário de das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira.

 

Foto: Bruna Ferreira

20 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/bitc-expo2@BrunaFerreira.jpg 733 1181 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-20 16:45:362022-06-20 16:45:36Hip Hop ocupa Salão Nobre da prefeitura de Bento Gonçalves
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA, EVENTOS, GASTRONOMIA, MUNDO DO VINHO, PETS

Festival anima vinícola Dom Cândido neste sábado (18)

Promovido pela Castelos do Vale Resorts e Vinícola Dom Cândido, Festival de Inverno movimenta Bento Gonçalves, com evento voltado para toda a família, além de pet friendly, entrada gratuita e música ao vivo

Frente ao sucesso das edições de outono e já de olho no inverno, a parceria entre Castelo do Vale Resorts e Vinícola Dom Cândido volta mais uma vez para agitar a região do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, agora com a primeira edição do Festival de Inverno.

Gratuito e aberto ao público, o festival acontece a partir das 14h, com previsão de encerramento às 20h, regado à música ao vivo, comidinhas, ilha de vinhos e espumantes. Os visitantes ganharão taças personalizadas de brinde na compra da garrafa que terá preço especial. Outra opção são os drinques especiais: Aperol, Kir Royal e Rossini. A parte gastronômica ficará por conta do food truck Kombosa da Ley, com hot dogs e panchos. Haverá distribuição de marshmallows para quem quiser aproveitar a fogueira que será acesa no local.

Com muita energia e interação, a partir das 16h, a banda Acústica Rock irá embalar os presentes ao som de muito pop e rock nacional e internacional dos anos 70, 80 e 90.

O evento mantém a proposta da vinícola junto com a empresa Mundo Planalto, detentora da marca Castelos do Vale Resorts, em proporcionar a experiência de diversão e lazer com gastronomia e bons drinks no Jardim Dom Cândido.

E fica a dica! O evento contará com brinquedoteca para as crianças se divertirem em segurança, enquanto os pais aproveitam sem se preocupar com os pequenos. Além do fato que será pet friendly, ou seja, para ninguém ficar de fora. Aos interessados em conhecer mais sobre o projeto do resort, maquete do empreendimento e o apartamento decorado estarão disponíveis.

 

Foto: Hélio Alexandre

17 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/unnamed-100.jpg 497 800 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-17 16:36:362022-06-17 16:36:36Festival anima vinícola Dom Cândido neste sábado (18)
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA, EVENTOS

Atrações imperdíveis da 30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho até domingo

Feira e festa encerram domingo (19), no Parque de Eventos de Bento Gonçalves

Quem ainda não aproveitou todas as possibilidades de compras e lazer que a 30ª ExpoBento e a 17ª Fenavinho oferecem precisa se atentar: o encerramento da feira e da festa está programado para domingo, dia 19, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves.

Até lá, ainda há tempo de aproveitar muitas das atrações da ExpoBento e Fenavinho.

 

Sexta de Pedro Ernesto, Guri de Uruguaiana e Elvis

Na sexta, dia 17, tem desfile de moda em dois horários, às 14h e às 18h, na passarela multicultural, além de oficina de culinária francesa (steak tartare), às 16h, no ExpoBento na Mesa. Para quem gosta de música, o dia terá um cardápio eclético. Os apreciadores de música italiana não podem perder o show de Inês Rizzardo, às 18h, no Palco Fenavinho. No mesmo espaço, só que às 20h, será a vez da gauderiada: o jornalista Pedro Ernesto Denardin mostra sua porção cantor nativista ao lado de sua banda. Já os amantes do rock têm encontro marcado com Fabiano Feltrin prestando tributo a Elvis Presley, às 22h, no Palco Gastronomia. Na agenda da ExpoBento e da Fenavinho ainda tem um artista que, com seu humor, une todas as tribos. O Guri de Uruguaiana se apresenta às 21h, no Espaço Pró-cultura RS LIC.

Sábado com Sbornia e Acústicos & Valvulados

No final de semana, mais entretenimento e lazer com as apresentações de Hique Gomez e sua “A SbØrnia Kontr’Atracka”, espetáculo que protagoniza ao lado de Simone Rasslan para mostrar, com tiradas de humor e muita música, a cultura do fictício país flutuante Sbornia. O show será no sábado (18), às 21h, no Espaço Pró-cultura RS LIC, mesmo espaço que, uma hora depois, recebe os roqueiros da Acústicos & Valvulados para uma apresentação especial. Além de tocar hits como “Fim de Tarde Com Você” e “Até a Hora de Parar”, recebem os convidados Carlinhos Carneiro (Bidê ou Balde) e Jaques Maciel (Rosa Tattooada) para entoar alguns clássicos do rock gaúcho, tanto de suas bandas de orgiem como de outras formações.

Corais e arte nativa no domingo

A despedida da 30ª ExpoBento e da 17ª Fenavinho será no domingo, dia 19. A data reserva apresentações de corais, do Hospital Tacchini, às 12h, e da Fundação Casa das Artes, às 14h, ambos no Palco Fenavinho, e também um momento de culto às tradições gaúchas. O grupo Os Gaudérios, com 45 anos de atuação, demonstra através da dança o folclore nativo dos pampas.

Voo de helicóptero

Que tal admirar Bento Gonçalves das alturas? Um voo de helicóptero com saída e chegada no heliponto do Parque de Eventos oferece um novo ângulo das belezas de Bento Gonçalves. O passeio poderá ser feito no sábado, dia 18, e no domingo, dia 19, das 10h às 17h, e as partidas são por ordem de chegada. O valor do voo, que dura aproximadamente cinco minutos, é de R$ 190 e pode ser parcelado em até quatro vezes no cartão.

Experiências tecnológicas

Se você quer ampliar seu entendimento sobre metaverso e realidade virtual a Fenavinho te ajuda. As duas experiências estão instaladas na Vila Típica e podem ser testadas sem custo algum para os visitantes. No metaverso, é possível passear pela Vila Típica de forma virtual, enquanto a realidade virtual levará o público a visitar dois pontos turísticos, previamente fotografados, de forma real, com o auxílio de óculos de realidade virtual. Se você quiser ampliar seu contato com a tecnologia, aproveite que está na Fenavinho e tenha seu vinho servido por um robô. Para isso, é preciso adquirir uma taça de cristal da Oxford, a R$ 20. Depois, é só trocar o voucher recebido que o robô fará o resto por você – beber o vinho fica por sua conta, não esqueça!

Degustar vinho

O universo dos vinhos pode ser intimidador para alguns, diante de tantos tipos e estilos da bebida. Mas a Fenavinho também está aí para, além de oferecer diversão e alegria com a enogastronomia da região, ajudar na aproximação do público com a milenar bebida. Onde devo pegar a taça para beber? Como sentir os aromas do vinho? Perguntas assim vão ser respondidas nos cursos gratuitos de degustação oferecidos pelas vinícolas participantes. De sexta a domingo, ocorrem duas aulas em cada dia, com início sempre às 15h e às 19h. Sexta-feira, a promoção será nas vinícolas Cristofoli e Lovara, respectivamente. No sábado, quem oferece os cursos são as vinícolas Don Giovanni e Valmarino e, encerrando a programação, no domingo, o evento será na Vinícola Somocal e nos Vinhos Coloniais. Inscrições na hora, de acordo com a disponibilidade de vagas.

Fenavinho

A ExpoBento e a Fenavinho estão de volta depois de um hiato de dois anos devido à pandemia. Agora, é tempo de celebrar o reencontro, e nada mais indicado do que reunir os amigos e os familiares e aproveitar, no melhor clima de festa do interior, os atrativos da Fenavinho. O ambiente remete às comunidades do início do século 20, com os estandes das vinícolas e de restaurantes emulando o casario típico da época. Longas mesas, como aquelas das festas de colônia, recebem os visitantes para acomodá-los a fim de que passem, ali, horas agradáveis entre um brinde e outro como vinho, suco e espumante e bons pratos de pasta e pizza. Por ali, ainda, é bem fácil de encontrar o Tasta Vin, o mascote da festa, e o trio de soberanas da Fenavinho, a Imperatriz do Vinho, Laís Dupont, e as Damas de Honra, Raiane Conci e Letícia Beliski. Uma bela chance de registrar esse encontro e guardá-lo tanto no celular quanto na memória.

Agroindústria

Um dos espaços mais saborosos da ExpoBento, literalmente, é sua área dedicada às agroindústrias. Quem vem de fora para a Serra sabe que vir para a região significa voltar para casa com capeletti, queijo, salame, pães e outras delícias típicas. Para quem mora aqui, é a oportunidade de, num único lugar, encontrar tudo que precisa para abastecer a despensa e deixar a mesa repleta de coisas boas para comer – afinal, para o gringo, mesa boa é mesa farta. Esse espaço na feira reúne cerca de 40 pequenos produtores agrícolas que vêm de diversas partes do Estado para oferecer produtos de procedência reconhecida. Uma grande chance de levar mais sabor e saúde à mesa – e ainda prestigiar e consumir todas as delícias produzidas no interior gaúcho.

 

Guri de Uruguaiana se apresenta nesta sexta-feira, 17

Foto: Gilmar Gomes

17 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Guri-de-Uruguaiana.jpg 732 1181 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-17 16:16:252022-06-17 16:16:25Atrações imperdíveis da 30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho até domingo
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA, EVENTOS

30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho terão batalhas de hip hop

Promoção é da Nest Panos, coletivo de Bento Gonçalves reconhecido no país pela promoção da cultura hip hop

 

A cultura hip hop vai ser, novamente, contemplada com espaço na maior feira multissetorial do país, a 30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho, com a “Batalha Nest Hip Hop Jam”.

A atividade, promovida pelo coletivo Nest Panos, reunirá participantes de várias cidades da Serra, principalmente de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, em disputas um contra um e em desafios de rima. “Vão ser batalhas-shows, com um atleta demonstrando suas habilidades e o outro tentando superá-lo”, explica William Ballestrin, coordenador do evento.

A ideia de levar a batalha para dentro da ExpoBento surgiu, de acordo com ele, de um apelo da comunidade que pratica o hip hop – em 2019, a Nest Panos chegou a realizar uma apresentação no então Palco Fashion da feira. “A demanda por eventos como esse é muito grande, e a gente já faz projetos sociais nos bairros, no centro da cidade, com shows e batalhas de danças e rimas. O que desejamos é que a cultura do hip hop seja melhor entendida, que as pessoas saibam como funcionam essas batalhas. Vamos conversar com o público sobre dança, cultura, e de forma interativa, até convidar as pessoas para que pratiquem alguns passos”, diz.

Ballestrin reforça a necessidade de o hip hop ser mais difundido na sociedade, de modo geral. “É preciso que as pessoas conheçam mais, aprendam e compreendam essa cultura que por muito tempo foi marginalizada e que ficava só na periferia das cidades. O quadro está mudando, felizmente para melhor, e agora, por exemplo, o hip hop e as batalhas de danças estão chegando às Olimpíadas, em 2024. Estamos atingindo a todas as camadas sociais, e boa parte disso se deve à divulgação que tem sido feita pela mídia do pais”, afirma.

A Nest Panos é um coletivo dedicado à promoção da cultura hip hop e tem um trabalho consolidado em seu propósito. Como parte disso, também é uma marca de roupas e acessórios e produtora de eventos que objetiva manter a cultura hip hop viva cada vez mais forte. Fundada em 2009, a Nest é referência nacional na realização de atividades culturais, como o “Battle in the Cypher”, que traz participantes de toda América Latina e até da Europa a Bento Gonçalves.

SERVIÇO

O quê: “Batalha Nest Hip Hop Jam” na 30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho

Quando: Dia 18 de junho, das 17h às 19h

Onde: Palco Gastronomia

Quanto: R$ 15

Estacionamento: R$ 25 para carros e R$ 10 para motos

Promoção: Nest Panos Bento Gonçalves

William Ballestrin, ao centro, é responsável pelo Nest Panos, coletivo que vai promover o “Batalha Nest Hip Hop Jam” na 30ª ExpoBento e 17ª Fenavinho

Foto: Divulgação – Nest Panos

15 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Batalha-Nest-Hip-Hop-Jam.jpg 703 1134 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-15 14:54:202022-06-15 14:54:2030ª ExpoBento e 17ª Fenavinho terão batalhas de hip hop
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA

Clóvis Tramontina: o homem que levou a Tramontina para o mundo

O homem que levou a Tramontina para o mundo tem muito a ensinar sobre a vida e os negócios. Clóvis Tramontina comandou por 30 anos uma das marcas mais amadas pelos brasileiros

 

Um homem corajoso, inovador e apaixonado pela vida. Este é Clóvis Tramontina,que por 30 anos esteve à frente de um negócio que produz mais de 22 mil itens para facilitar a vida das pessoas. Considerado uma das figuras empresariais mais emblemáticas do país, Clóvis demonstrou aptidão para ideias criativas ainda na infância.

Desde muito cedo, frequentou os corredores da empresa fundada pelo avô, Valentin, há 111 anos, na cidade de Carlos Barbosa, interior do Rio Grande do Sul. Com apenas oito anos, criou o time de futsal River, que mais tarde ganhou o nome de Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), se tornou reconhecido mundialmente e concedeu à cidade o título de Capital Nacional do Futsal.

Em 1980, aos 25 anos, levou o talento para os negócios à Tramontina. Trabalhou com vendas por mais de uma década e, aos 36, foi promovido como presidente do empreendimento. Na época, a marca, que era conhecida apenas no Rio Grande do Sul, tinha grande número de concorrentes.

Clovis, com uma capacidade criativa ímpar, fez do marketing o maior aliado para expandir os negócios. Com forte investimento em propagandas na grande mídia, a Tramontina passou a ser conhecida e admirada por milhões de brasileiros. Tornar a empresa da família uma das favoritas no país foi apenas um dos grandes desafios da vida do gaúcho.

Anos mais tarde, em 1986, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla, uma doença degenerativa autoimune que compromete o sistema nervoso. Os sintomas o motivaram ainda mais a expandir a multinacional. Hoje, a Tramontina é uma potência mundial presente em mais de 120 países.

Em 2021, o empresário lançou sua biografia Clóvis Tramontina: Paixão Força e Coragem, que reúne memórias de sua trajetória pessoal e profissional. A obra, disponível em lojas virtuais como a Amazon e em livrarias de todo o país, retrata a visão de mundo de um homem apaixonado pela vida, que nunca se deixou abalar pelas dificuldades.

 

Foto: Divulgação

7 de junho de 2022/0 Comentários/por Kátia Bortolini
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/06/O-vencedor-da-Dona-Laura.jpg 1465 2362 Kátia Bortolini https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png Kátia Bortolini2022-06-07 15:23:532022-06-07 15:23:53Clóvis Tramontina: o homem que levou a Tramontina para o mundo
Cultura e Entretenimento, DESTAQUES DO DIA

Oscar de Freitas e a manutenção do ritmo

A imagem é esta: depois de uma visitação guiada e degustação em uma das vinícolas mais conhecidas de Bento Gonçalves, um saxofonista alto e bem-vestido passeia com os dedos entre as chaves de um sax tenor em uma naturalidade ímpar. Ao fim de algumas músicas, oferece seu trabalho encarnado em CDs à venda para os turistas, agora encantados com o som.

“Sax Tropical Volumes 1 e 2”, com músicas de mambo, cumbia e rumba, “Chorinho Só Pra Relembrar”, de nome autoexplicativo, “Músicas Românticas” com sons de bolero, chachachá e suinger, “Músicas Alegres para Dançar” e outros volumes floreados com frases como “Saber Viver é Música, Vinho e Lazer” e “Como diz o povo. O samba velho é sempre novo”. Em todos os encartes, na mesma fonte cursiva, anunciava sua autoria nas interpretações variadas: Oscar do Sax, nome artístico de Oscar de Freitas, saxofonista.

Em um verso de um dos CDs estampados com uma foto de Maria Fumaça, onde o músico também performou por anos, figura uma montagem de um saxofone junto à Pipa Pórtico, símbolo turístico da cidade. Junto, os dizeres: Bento Gonçalves, a Capital da Uva e do Vinho.

O monumento de entrada do município, escolha que demonstra apreço do músico pela cidade, ainda não estampava as boas-vindas aos turistas quando ele, jovem, colocou pela primeira vez seus pés por aqui. Sujos, em chinelos quase arrebentados depois de dias de caminhada de Encantado, onde nasceu.

Oscar acredita fervorosamente em encarar a vida sem pensar excessivamente nos riscos de ir conquistar as coisas que se busca. “Toda vez que um pensamento negativo vem sobre algo, tem que vir com os positivos por cima. Senão, a gente não sai de casa, fica parado, não faz nada”, conta.

Criado pela mãe, Oscar não tem o nome do pai na certidão de nascimento. Com sete anos, passou temporadas em casas de famílias na pequena cidade, de colonização também italiana. Na adolescência, chegou perto de passar fome por um período. “Ainda bem que tinha frutas pra salvar”, lembra sobre o local onde morou.

No quintal da casa própria que orgulhosamente pagou à vista, hoje, cuida com afinco de uma horta com ervas e hortaliças variadas. Cada uma serve para alguma coisa. O melhor anti-inflamatório tá aqui, diz e aponta para uma folha de confrei. Aprendeu tudo com a mãe, benzedeira. Era ele quem, ainda menino, ia buscar o material usado pela mãe nas rezas feitas a quem a visitava.

Trabalhou em um laticínio dos 16 aos 18, pouco antes de vir para Bento Gonçalves. Depois da difícil experiência na casa de uma das famílias onde morou, aprendeu a cicatrizar feridas e criou uma rede de apoio.

Saiu da cidade porque a música o levou. Escolheu Bento Gonçalves porque era a cidade que abrigava a Todeschini, fábrica de instrumentos musicais da época. Os primeiros acordeons do país, no Sul, mais conhecidos como as gaitas, foram produzidos pela empresa familiar na década de 1920.

Andou horas por causa da música. Saiu a pé, às 2h da madrugada. Subiu e desceu morros e chegou na cidade às 16h, depois de uma curta carona conquistada a apenas oito quilômetros do município. Às 17h30, bateu na porta da fábrica e no dia seguinte, na primeira hora, estava trabalhando na fábrica dos sonhos. “Sabia que tinha uma fábrica de gaitas aqui, então vim. Não tinha família, não tinha nada”, diz.

O contato com o instrumento não era novidade. Quando criança, improvisou e chegou a criar uma espécie de instrumento de percussão que fazia ritmo nas rodas de gaiteiros da cidade. “Era chamado para as rodas de gaita por causa disso, fazia aquele barulhinho e ficava bom e o pessoal falava: chama aquele menino lá”, conta.

Na Todeschini, vendia acordeons. “Vendi umas 40, não fiquei com nenhuma”, conta rindo. Só foi ter a primeira gaita há alguns anos, que hoje descansa em sua garagem ao lado de instrumentos variados: principalmente saxofones altos, tenor, soprano. O músico conta que nunca teve coordenação para tocar a base da gaita junto com o movimento da mão direita.

No fim, seu instrumento mesmo é o saxofone. Todos os tipos, de diferentes afinações. Estão, hoje, espalhados pelo ambiente, que carrega música: um pandeiro usado nos shows de carnaval é pendurado como quadro na parede e um trombone de aparente pouco uso descansa no canto do cômodo.

Jovem em Bento Gonçalves, o primeiro instrumento de Oscar foi um clarinete. Aprendeu duas músicas e decidiu ter aulas com um maestro que ensinou-lhe escala. Desde então, aprende música todo dia, década após década. “Música é algo que nunca se acaba de aprender. Como a vida. Sempre tem algo a mais para aprender, sempre tem muita coisa”, comenta o músico, hoje com 76 anos de idade.

Do clarinete, escolheu o sax tenor pela afinação similar em si bemol.

Nunca pensou em parar de trabalhar para viver da música e, aos amigos com essa ideia, buscava desencorajar. A falta de valorização dos artistas é um fator ressaltado, mas ainda não se contentava com o cargo de empregado quando não estava fazendo o que mais ama fazer.

Com 23 anos apenas, largou um emprego como mecânico na Aurora para, junto com colegas, abrir o próprio negócio. Sua empresa de solda chegou a ganhar o título de maior compradora de aço do Rio Grande do Sul. “330 toneladas de aço em um ano”, comenta. “Mas não adianta ganhar dinheiro e não ter vida. É melhor ter pouco, mas viver melhor”, diz o músico ao falar, convencido, de que os últimos 20 anos da sua vida, logo após o fechamento da empresa, foram os melhores. Vida em paz.

Empreendedor, construía a vida na cidade: integrava a banda municipal e logo formou seu próprio grupo. A banda, antenada à década em que surgiu, batizada com nome em inglês.

Oscar lembra que foi um dos primeiros da cidade a ter um aparelho de rádio, único local possível para escutar referências. Chico Buarque de Hollanda, Gilberto Gil e outros expoentes da música brasileira despontavam nessa época. “Estava à toa na vida, o meu amor me chamou”, cantarolou relembrando uma delas, sucesso de Chico. Depois de quatro meses ouvindo na rádio quando tocava o som, a banda já a levava para os palcos de shows em Bento. Tirava tudo no ouvido. Seu grupo era pioneiro na cidade e Oscar tem orgulho disso.

Para além do eixo Rio-São Paulo, sintonizava nas ondas de música caribenha. À semelhança da criação do gênero musical paraense como “guitarrada”, escutava as batidas advindas da América Central e se inspirava nos arranjos para apresentação no interior da Serra Gaúcha, onde a música era, à época, limitada às cantigas italianas vindas de outro continente.

Fotos em eventos carnavalescos não cessam. Aponta nelas alguns companheiros que faziam som junto com ele. Uns ainda aqui, outros que já se foram.

Oscar gosta de samba, tango, cumbia. Diz ser possível transformar, com uso do ritmo da síncope, qualquer melodia em música brasileira, latino-americana. Se adapta, sempre.

Nos saxofones, o faz também. Oscar mostra as adaptações nas chaves e peças de posicionamento dos dedos que julgar necessário para o manuseio. Conserta os instrumentos de mecânica complexa, troca posições de notas e entende as diferenças de sonoridade.

Um fabricado na década de 1950, feito ainda para segurá-lo de forma curvada (algo do passado para quem toca saxofone hoje), foi um deles. Por ser leve, é o escolhido por Oscar na hora de tocar. Uma dor na cervical o fez colocar um lindo Yamaha dourado à venda. Prioriza, atualmente, o uso de saxofones altos, mais agudos, pequenos e leves. O que é mais difícil vender são os tantos CDs e pendrives de músicas encaixotados que, desde o advento da pandemia, ficaram estocados em casa.

Oscar encara a realidade com firmeza e faz o melhor que dá diante das condições, sempre foi assim. A realidade bate na porta e as vendas podem não ser tão boas. Mas não pretende entrar no Spotify, diz. Idade já foi. Idade trouxe também uma fraqueza ao corpo que, segundo o músico, se abala mais com “mau olhado”.

O músico dava conta de terminar o turno na vinícola com momentos de pausa para meditação. Hoje, sem muitos trabalhos fora, treina pouco. É uma hora por dia, relembrando canções na garagem. E as melodias há muito não lidas demoram um pouco para encaixar no movimento dos dedos. “Mas o incrível é que elas vêm, em algum lugar da cabeça ainda ficam, mesmo depois de muitos anos”, diz.

Aos iniciantes na música e no sax, Oscar tem as palavras treinadas na resposta: não pare, porque quem para na música, provavelmente vai se arrepender depois. É preciso manter o ritmo do caminhar, na música, na vida. Oscar toca e não parece lutar contra o tempo, integra-se a ele. Manutenção do ritmo.

POR JÚLIA BEATRIZ DE FREITAS

CRÉDITO FOTO: Júlia Beatriz de Freitas

21 de março de 2022/0 Comentários/por dbwebsitesbg
https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2022/03/oscar-freitas.jpg 671 1080 dbwebsitesbg https://www.integracaodaserra.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Integracao.png dbwebsitesbg2022-03-21 21:25:012022-03-21 21:25:01Oscar de Freitas e a manutenção do ritmo
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