Aprender…

Por Ancilla Dall’ Onder Zatt 

ancila@italnet.com.br 

A cada dia aprendemos coisas novas e, então, nos damos conta da celeridade das mudanças a que assistimos e também de algumas das quais participamos ou realizamos em nossas vidas.

Leonardo Da Vinci costumava dizer que “aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”. Com efeito, todos nós humanos, nascemos com um potencial enorme a ser explorado e desenvolvido, ou seja, todos somos capazes de aprender, se os estímulos oferecidos forem adequados. Mas não é suficiente termos potencial, é preciso “querer aprender”, o que requer disciplina e acreditar no próprio potencial, com suas possibilidades.

O estudo proporciona conhecimento, abre horizontes para o futuro e aponta caminhos desconhecidos. Convém lembrar que a informação pode ser dada e/ou buscada, enquanto o conhecimento é construído com o estudo, interações, empenho e perseverança. Aliás, a perseverança esteve presente na vida do criador da lâmpada, Thomas Alva Edison, que, após mais de mil experimentos, ou tentativas, nos brindou com o seu invento.

Contudo, é a educação e não o ter que acrescenta valor à formação do caráter da pessoa que, no entender de Kaut: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Percebe-se, assim, que investir em educação em todos os níveis de escolaridade é investir no desenvolvimento em todos os aspectos. Investir recursos na educação dos filhos, dos estudantes e dos cidadãos – jovens e adultos – é essencial, todavia, é preciso que haja vontade de aprender. A reflexão sobre o processo de aprender demanda questionamentos de caráter pessoal, institucional e populacional. O que realmente desejo aprender?

Pertencemos a uma instituição aprendente? Que aprendizagens são essenciais a cada um, às organizações e a todo cidadão para que promova seu desenvolvimento pessoal e possa contribuir com o seu saber e sua experiência para o bem da coletividade?

Estes questionamentos e outros mais permitem uma reflexão simples no caminho do enfrentamento das mudanças pelas quais a sociedade passa nos costumes e hábitos, nas empresas, na comunicação, na gestão das empresas, no empreendedorismo e em inúmeras outras circunstâncias que nos induzem a aprender e aprender continuamente.

Não basta aceitar as mudanças, mas assimilá-las, adequando-as às necessidades cotidianas, como é o caso da tecnologia, em qualquer nível e, quiçá, promovê-las, aperfeiçoando ou até substituindo, com o intuito de conquistar melhorias.

Em resumo, é preciso aprender continuamente.

livro

A Provação de Jó

Por Rogério Gava 

rogeriogava@integracaodaserra.com.br 

A Bíblia conta a história de Jó, que vivia na terra de Uz. Honrado e justo, ele tinha sete filhos e três filhas. Havia construído patrimônio invejável: era dono de um rebanho com mais de dez mil animais, entre ovelhas, camelos e bois. Possuía numerosos servos. Enfim, era o “Bill Gates” da época.

Eis que Satanás, anjo caído e estraga-prazeres de carteirinha, insinua a Deus que Jó só é bom por que a vida lhe sorrira. Afinal, ele era rico e afortunado, nada lhe faltava. Seria de esperar que respeitasse o Senhor. Mas era só lançar a desgraça sobre a vida de Jó – insinuava o diabo – e ele iria amaldiçoar o Todo-poderoso. Para o demônio, Jó não passava de um interesseiro, um mercenário da fé.

Deus – que confiava muito na fidelidade de Jó –, autoriza o Satã a semear a adversidade na vida daquele homem. O “demo”, especialista no assunto, capricha na maldade: primeiro, Jó perde todas as posses; depois, os filhos dele morrem; por fim, ele é acometido por feridas purulentas na pele que o desfiguram. Apesar de toda essa infelicidade e desgraça, Jó permanece fiel a Deus e apenas repete: “Deus deu, Deus tirou”.

Diante de tamanho infortúnio, a esposa de Jó o incita a renegar o Senhor, mas Jó permanece firme em sua fé. Depois, três amigos visitam Jó com o intuito de confortá-lo, mas na verdade querem o fazer confessar que pecou; para eles, só isso explicaria a ira de Deus, que sempre pune os maus e premia os bons. Mas Jó, sem se abalar, afirma que nada fez de perverso e não blasfema. Um quarto personagem, de nome Elihu, se junta ao coro; hostil, ele acusa Jó de se considerar mais virtuoso que o próprio Deus. Ao que Jó, responde de forma resignada: “recebemos o bem das mãos de Deus; por que não receberíamos o mal?”.

Jó, finalmente, extenuado por tanto sofrimento, abre a boca e amaldiçoa o dia do próprio nascimento. Ele exprime sua revolta contra a injustiça do mundo, que se abate contra bons e maus. Nosso protagonista está desnorteado: a vida lhe parece sem sentido, um redemoinho absurdo que escoa para a morte, no qual todos têm o mesmo destino. Em nenhum momento, porém, vemos Jó protestar contra as intenções de Deus.

No entanto, em seu íntimo, Jó não se conforma: quer interrogar o Senhor para entender por que está naquela situação. Afinal, ele não tinha culpa alguma. Era honesto e temente a Deus. Por que estava sendo punido? “Que sentido há na vida, se os bons sofrem e os maus prosperam?” – ele se pergunta. Afinal, que espécie de justiça de Deus era essa? Jó, o leitor já percebeu, queria nada menos do que colocar o Criador no banco dos réus.

Então Deus aparece a Jó em meio a uma tempestade de vento. A voz tonitruante do Todo- poderoso rebomba nos céus. Mas não fornece nenhuma explicação a Jó. Ao contrário, Lhe chama a atenção para a soberba dele em querer interrogar o Criador: “Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra?”, pergunta o Senhor. Jó, que não era bobo, entende o recado: quem era ele para cobrar de Deus qualquer explicação? O Criador – Jó aprendeu naquele dia – não aceita reclamações. Afinal, somente Ele tem a chave do mistério. Quem somos nós para julgar seus desígnios?

Deus, no entanto, não aparece a Jó apenas para dar-lhe uma lição. Sabedor da fé daquele homem – inabalável mesmo em meio aos piores sofrimentos –, restaura a vida dele com acréscimo: multiplica seus bens e lhe dá o dobro de filhos perdidos. Jó, então, vive por mais cento e quarenta anos, rodeado de filhos, netos e bisnetos. Morreu feliz, na graça do Senhor.

 

* * *

 

Não sabemos quem escreveu a história de Jó, tampouco quem foi ele ou quando exatamente viveu. Isso não tira, no entanto, o brilho de seu significado. Vinte e cinco séculos depois de ter sido escrito, o Livro de Jó continua sendo uma das narrativas mais reveladoras do Antigo Testamento.

A história de Jó é uma lição de felicidade. Ela nos ensina a importância em termos um propósito, um significado maior na existência. Mesmo que o mundo, injusto como ele só, teime em nos provar que esse significado não exista. O mundo de Jó, aliás, não é tão diferente do nosso: mais de dois mil anos depois, seguimos assistindo o mal, tantas vezes, sobrepujar o bem. Hoje e nos tempos bíblicos, canalhas prosperam e bons sofrem.

Jó, no entanto, nos lembra que é nosso dever exigir um mundo melhor, mais sábio e correto. Que a vida, esse vale de lágrimas, também pode ser um bosque de encantamento. Jó, na verdade, é todos nós: seres errantes em busca de Luz.

O hino à sabedoria de Jó, afinal, nos grita que a vida, apesar de todos os pesares, vale a pena. E que a felicidade, longe de ser uma quimera, é a busca de significado em um mundo tantas vezes injusto e sem sentido.

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O Juízo Final

Por Dr Antônio Carlos Koff

Ao inserir-se no mundo físico e ter que enfrentá-lo o ser, muitas vezes, não percebe o verdadeiro significado da vida, que é a eterna luta entre o bem e o mal. Oculta frequentemente sob a superfície é renhida, é constante essa luta e se prolonga até o fim da existência.

Bem e mal andam sempre juntos, lado a lado, porque tem a mesma origem e são eternos. Convém então manter vigilância constante, porque o mal está sempre aguardando oportunidade para entrar em sua vida, muitas vezes disfarçado e preparando ciladas. O mal não quer a sua felicidade, sua realização, seu sucesso e luta para que isso não aconteça. Nele não há verdade, nem justiça. O egoísmo torna a pessoa cega e surda.

Não devemos nos deixar enganar pelas aparências, mas procurar enxergar com os olhos do espírito. Atração engana, imaginação engana, intuição engana, raciocínio engana, porém, consciência e sentimento interno não enganam. Deus fala através do sentimento interno e de nenhuma outra forma mais. Quando sentir dúvida e conflito é porque você está trilhando o caminho errado, mas quando tiver certeza e paz estará no caminho certo.

Saiba que existe um reto e estreito caminho e que estreita é a porta que conduz à vida. Assim diz a lei: “Guardai-vos de praticar a iniquidade”. Quem pratica o mal sabe o que está fazendo, e uma vez que está feito é para sempre. Ele existe e é muito poderoso, não mais do que o bem, mas é muito poderoso.

Assim fala o Senhor: “Por acaso não vos dei a minha lei? Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos tenho amado, e sempre que fizerdes algum mal a um dos meus filhos, a Mim próprio estais fazendo”.

Vivendo uma realidade enganosa que muda a cada momento e que um dia se dissipará, pode passar despercebido ao ser, um mundo que nada mais é do que uma miragem, e o ente muitas vezes se entrelaça num labirinto onde pode se dar mal, porque nem sempre as histórias têm um final feliz. Importa pois não perder tempo na prática do bem com ações que não levam a nada. Hoje é o dia, agora é a hora. A vida é breve. Ainda que se viva cinquenta, sessenta, setenta, oitenta, noventa ou cem anos, mesmo assim a vida é breve, um nada perante a eternidade, um relâmpago apenas. A omissão pode ser uma falta grave. Deus pedirá conta de seu tempo e de seus atos e é inútil querer começar quando é preciso acabar.

O universo terá fim. Vai demorar, mas tudo está condenado ao desaparecimento e ao esquecimento. Não restará pedra sobre pedra.

Tudo o que se faz, pensa ou diz, fica consignado nos registros acásicos e incorporado na personalidade-alma, esse o grande livro da vida. E se não fosse dessa maneira, não poderia haver Deus, nem justiça e nem julgamento. Mas não é assim, ele virá e, querendo ou não, chegará a hora da prestação de contas. Há hora de semear e hora de colher o que se semeou. Dívidas materiais têm prazo e prescrição, mas dívidas espirituais, morais ou cósmicas não prescrevem e, se não perdoadas, são eternas.

Sua consciência está interligada permanentemente com a consciência de Deus e, por isso tudo, o que você pensa, sabe, faz ou planeja fazer Deus também sabe, tornando-se impossível enganar ou esconder. O juízo final não será neste mundo. ‘’Tiveram sua oportunidade!”, assim lhes será dito, e a cada um segundo seus méritos: ou a luz perpétua ou as trevas eternas, e quem for lançado a elas pode perder as esperanças, não tornará a ver a luz.

O inferno existe sim, mas não é fogo, são trevas. Naquele dia terrível não haverá mais o tempo, nem justificativa, nem consideração, nem amor e nem perdão, apenas julgamento. Deus nunca muda os seus propósitos.

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Crônicas na bagagem: nossa própria filosofia

Por João Paulo Mileski 

Assim que chegamos em Viedma, na entrada da Patagônia, fomos recebidos pela Claudia. Quando nos mostrou a casa, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a quantidade de livros de Filosofia, dos mais variados autores. Explicamos a nossa história e contei que antes de pegarmos a estrada eu estudava Filosofia. Ela, então, reagiu dizendo que a nossa filosofia seria a própria viagem.

A Claudia tinha razão. Quase todo os dias, na estrada, nos pegamos matutando algo sobre o qual não pensávamos antes ou, então, conhecemos alguém que nos ensina alguma coisa que, por mais simples que pareça, acaba mudando nossa forma de pensar.

Em El Calafate, conhecemos a Vale. Trocamos experiências e ela nos contou sobre a reação “negativa” de algumas pessoas quando descobrem que ela viaja pedindo carona, sozinha. Para a Vale, às vezes, o que gera medo não é a situação em si, mas como as pessoas reagem diante dela. Até agora, ela não teve nenhum problema na estrada. Pelo contrário, encontrou não apenas pessoas que garantiram carona aos lugares, como também lhe ofereceram hospedagem em suas casas. “Se eu tenho uma energia boa, acho que também posso atrair pessoas boas, não?”, disse.

Com essa frase, pensei na quantidade de pessoas que não saem de casa ou deixam de fazer coisas que gostariam por medo do que pode acontecer, e esse medo quase sempre é reflexo não de uma experiência própria, mas do que ouvimos no dia a dia, seja de um amigo, colega de trabalho ou quando ligamos a televisão.

Não posso dizer que o mundo não é perigoso porque não conheço todos os lugares e todas as pessoas, mas posso afirmar que também, assim como a Vale, estamos descobrindo um mundo diferente daquele que sempre nos contaram – onde não seria possível ser feliz jogando tudo para o alto e percorrendo a América dormindo em um Sandero.

Não sei qual filosofia vou descobrir ao final de tudo isso, mas ando cada vez mais convencido de que, por mais que lemos, ouvimos ou assistimos, só é possível enxergar o mundo real quando olhamos com os próprios olhos.

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Coisa boa, coisa ruim… quem sabe?

Por Rogério Gava

rogeriogava@integracaodaserra.com.br

Numa antiga aldeia vivia um velho camponês. Ele possuía o cavalo mais bonito do lugar. Todos os vizinhos o consideravam o homem mais feliz do povoado por ter um animal como aquele. Certo dia, ao amanhecer, o camponês foi alimentar o cavalo e descobre que esse havia fugido. Ao invés de cair em consternação, o bom homem suspirou por um instante e então seguiu em suas tarefas diárias.

Tão logo souberam da fuga, os moradores foram à casa do camponês para consolá-lo. O encontraram cuidando da horta. “Meu bom amigo, você deve estar muito triste”, comentou um deles, “perder um cavalo como aquele… que lástima!”. Ao que o camponês apenas respondeu: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Todos ficaram se entreolhando, sem entender ao certo o que significavam aquelas palavras. E o camponês seguiu a capinar.

No dia seguinte, inesperadamente, eis que o cavalo está de volta. E não só isso: trazendo uma égua selvagem com ele. Do outro lado da cerca um vizinho presencia a cena, e a notícia se espalha pelo lugarejo. Era um milagre: o cavalo não só havia voltado, mas tinha trazido consigo uma égua jovem e muito bonita.

Novamente a casa do camponês se encontra repleta de gente. “Você tem muita sorte meu amigo, o cavalo voltar desse jeito! E ainda trazer uma égua! Que felicidade em dobro!”. Ao que o camponês, sem pestanejar, responde calmamente: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Novamente aquelas palavras enigmáticas não encontraram quem as compreendesse.

Ao entardecer daquele mesmo dia, o filho do camponês resolve domar a égua selvagem, mas leva um tombo e quebra uma perna. Nova romaria à casa do camponês. “Meu Deus, que azar”, diz uma mulher. “Sim, se o cavalo não tivesse voltado isso não teria acontecido”, retruca outro. Só para ouvirem o camponês repetir o de sempre: “coisa boa,
coisa ruim… quem sabe?”.

Passaram-se alguns dias. Eis que a região onde ficava a aldeia declara guerra a um reino vizinho. Oficiais do exército visitam o povoado para recrutar soldados. O filho do camponês, enfermo, não foi alistado. Novamente os moradores ecoam em uníssono: “mas que felicidade! Se o filho não tivesse quebrado a perna, ele teria ido morrer na guerra! O
bom Deus gosta mesmo de nosso amigo!”

O camponês, sereno, ouvindo aquilo tudo, apenas responde: “coisa boa, coisa ruim… quem sabe?”. Os vizinhos, ainda sem nada entender, tomam seu rumo. E tudo segue como sempre fora.

Moral da história
Nesta vida incerta nada sabemos. O azar pode ser uma sorte; a sorte poderá ser um azar. Infortúnios, muitas vezes, se revelam bênçãos. Sucessos se transformam em fracasso. O velho camponês entendia de felicidade. Aprendera o que muitas vezes esquecemos: nossa passagem pela Terra é feita de coisas boas e outras nem tanto, e a ninguém é
revelado o fim da jornada. Resta-nos, assim, nunca perder a esperança e a alegria de viver. Mesmo porque, se será coisa boa, ou coisa ruim… quem há de saber?

trevo de quatro folhas - Cópia

A importância do Boro para a videira

Por Aldacir H. Pancotto

Técnico em Agropecuária EMATER/RS-ASCAR Santa Tereza 

É neste período do ano que muitos produtores encaminham análises de solo para laboratórios e verificam as deficiências ou, muitas vezes, excessos.

Um dos produtos normalmente recomendado é o Boro. O comportamento do boro tem sido registrado em diferentes regiões vitícolas. Este micronutriente é fundamental no processo de floração-frutificação e sua deficiência prejudica a produtividade dos vinhedos e a qualidade da uva.

Na região da Serra Gaúcha têm-se constatado sintomas típicos da deficiência de boro em vinhedos de Concord, Bordô e outras viníferas como:

a) a retenção das caliptras (capuz da flor), ocasionando grande queda de botões florais e, consequentemente, a diminuição da frutificação;
b) a presença de bagas de tamanho reduzido, o que deprecia consideravelmente o produto final, principalmente quando a uva for destinada ao consumo “in natura”;
c) formação de manchas cinza-escuro na película (parte externa) e polpa (parte interna) das bagas.
Em geral, a videira é sensível à deficiência de Boro, porém as cultivares americanas têm mostrado maior dificuldade de absorção desse mineral, tanto pelas raízes, quanto pelas folhas. Entre as americanas, Concord, Bordô, Jeques, Niágara Branca e Rosa e Isabel são as que mais têm apresentado os sintomas típicos da deficiência de boro, identificados somente quando a produtividade já diminuiu.

Sabe-se que o estado nutricional das plantas tem muita influência no processo de absorção dos nutrientes. Toda a planta desequilibrada ou em estresse nutricional pode retardar ou reduzir, em muito, a distribuição dos nutrientes recebidos via foliar. No caso dos micronutrientes, a sua movimentação dentro da planta é bem menor do que a dos macronutrientes. O Boro é considerado como imóvel dentro da planta, ou seja, tem o seu transporte muito reduzido, via floema (casca), das folhas para as outras partes da planta. Os nutrientes aplicados em plantas deficientes podem ficar retidos nas folhas até que o teor seja bastante alto para, então, passarem a ser transportados para outros órgãos.
Para solucionar esses problemas, tem sido utilizado o bórax em adubações do solo e o ácido bórico para adubações foliares. Existem no mercado diferentes fontes de Boro para uso em adubações foliares, visando a uma melhor eficácia em sua absorção. As doses dos adubos à base de Boro, para aplicação no solo, variam em função do tipo de
solo e, principalmente, de sua capacidade de absorção. É importante ter cuidado com a dose a ser usada, porque o boro tem uma faixa muito estreita entre os níveis normais e tóxicos.

As doses de Boro atualmente recomendadas para a videira são: bórax via foliar – 0,25% a 0,50%, aplicado desde a brotação até o início da floração; e bórax no solo – 30 g/planta ou 70 a 100 kg/ha – utilizado no inverno. Bons resultados podem ser obtidos com aplicação foliar de bórax ou outro produto à base do boro, em pós-colheita, com duas a três aplicações, conforme a análise foliar.

Uma coisa é certa: bom preparo do solo, adubações mais racionais, através de análises do solo e foliar, e um bom programa de tratamentos fitossanitários, além de um adequado manejo da copa, conduzem as plantas a melhores condições nutricionais, inclusive em Boro, proporcionando boas produções e uvas de melhor qualidade.

Boro - Coluna Pancotto

Fonte: Embrapa

Não brinquem com os preços

Por Elvis Pletsch

elvis_pletsch@hotmail.com 

Imagine uma sociedade onde o preço do tomate está alto, digamos que seja oito reais por quilo. Nesta sociedade, há um sujeito chamado João (sempre é o João), que é produtor de tomates. Na visão da população, João é considerado o culpado pelo preço alto do tomate: oras, que ganancioso é o João. Isso até pode ser verdade, João pode estar cobrando um preço bem acima do normal, ou talvez o custo do tomate esteja bem semelhante ao preço que João está vendendo, mas não adianta julgarmos as decisões de João.

O governo, querendo fazer com que todos tenham acesso ao tomate, decide tabelar o preço da fruta. Está definido que os produtores de tomate não poderão cobrar mais que seis reais pelo quilo de seu produto. A população vibra. Aparentemente, o governo está ouvindo as nossas preces!
É uma pena, no entanto, que essa intervenção abra um grande número de possibilidades. João até pode engolir essa intervenção e vender pelo preço mais baixo, mas agora existe um incentivo para João vender seu produto informalmente pelo seu preço original, ou até abandonar a produção de tomates para trabalhar no cultivo de cenouras.
De qualquer forma, o resultado pode ser o contrário da intenção do governo: os produtores vão procurar outras oportunidades de lucro, os mercados vão começar a ficar mais vazios, e a população que conseguirá comprar tomates será ainda menor. Sorte para os mal intencionados: já imaginou se decidirem criar uma grande rede de tráfico de tomates?

Se você acha que isso só acontece quando a intenção do governo é ajudar o consumidor, pensou errado. O governo pode ser muy amigo das empresas, então em uma situação onde João é quem está pedindo ajuda ao governo, um tabelamento que faça subir o preço do tomate pode até colocar João em uma enrascada: o consumo do tomate pode
simplesmente diminuir, ou ele pode até ganhar novos concorrentes, caso o consumo se mantenha estável.

O Brasil intervencionista
Na terra da intervenção de preços, não faltam exemplos para mostrar.

Para lembrar do passado, podemos até olhar para o Plano Cruzado de Sarney, em 1986. Em uma época de inflação galopante, o congelamento de preços foi a gota d’água para muitos empresários desistirem de produzir. Segundo o cientista político Bruno Garschagen, essa foi a época em que o conceito de “fila” transformou-se em uma instituição nacional. Tinha fila nos supermercados, nas feiras, nas distribuidoras de gás, nos postos de gasolina e até nos carrinhos de picolé.
Anos depois, Dilma não deixou passar em branco a ideia de congelar preços. A “presidenta” praticou o congelamento de preços da Petrobras de 2011 até o final de 2014. Só naquela brincadeira, houve um prejuízo de R$ 71 bilhões de reais à empresa, valor maior até que as estimativas dos últimos desvios de corrupção da estatal.
Ainda nesse ano, os “liberais” (será?) Bolsonaro e Macri também quiseram deixar sua marca nessa história. O presidente argentino resolveu congelar o preço de 60 itens da cesta básica por seis meses, e pode colocar o país em um caminho semelhante ao da Venezuela. Enquanto isso, Bolsonaro aparentemente tentou imitar Dilma e vetou um reajuste da Petrobras no preço do diesel. No mesmo dia o mercado respondeu, e as ações da estatal fecharam em queda de 8%. Após a turbulência, Paulo Guedes comentou que o presidente aprendeu a lição.

O que defender então?
Seria injusto não reconhecer que os argumentos em defesa à interferência nos preços parecem razoáveis. O preço fixado pode parecer a solução para o consumidor pagar menos, além de auxiliar o cálculo de custos e receitas do empresário. Não é à toa que os caminhoneiros estão brigando pelo tabelamento de fretes e que a população esteja
constantemente pedindo pela diminuição no valor do combustível. Mas é preciso enfatizar que qualquer medida que interfira nos preços altera algum fator significativo da economia – e isso raramente é bom.
Para o economista Donald Boudreaux, o sistema de preços, quando pode funcionar livremente, é um engenhoso método de comunicação e coordenação capaz de aprimorar as condições de vida dos seres humanos. Isso porque a formação de preços é um processo social, onde cada consumidor colabora em sua elaboração.

A interferência governamental nesse processo é, portanto, uma distorção no processo social que resulta em uma informação falsa daquilo que está acontecendo na sociedade. É por isso que devemos ter cuidado ao pedir a interferência do governo, mesmo quando queremos um preço mais justo, pois a verdadeira formação de preços só poderá acontecer enquanto estiver na mão do mercado e do consumidor.
Medidas como o tabelamento de fretes, por exemplo, podem criar um incentivo para as empresas comprarem os próprios caminhões e deixarem de contratar transportadoras ou motoristas autônomos. A diminuição artificial no combustível também pode distorcer toda a lógica de preços e fazer com que todos paguem pelos prejuízos da Petrobras. Lembre-se que não há como uma empresa vender seus produtos por um preço mais barato do que
seu custo por tanto tempo. Por sorte (e para nosso azar), a estatal pode contar com a ajuda dos impostos para bancar suas contas.
A nossa única alternativa é abraçar medidas como a abertura comercial, a diminuição de impostos, o fim dos subsídios, a desburocratização, a defesa por uma moeda mais forte (afinal, o real pode até ser mais estável do que o cruzado, mas não é nenhum franco suíço) e outras medidas de longo prazo que facilitam a entrada de novos concorrentes no mercado, mantém o nosso poder de compra e tornam os preços mais atrativos para a população. Portanto, como membro consumidor e parte desta interação social que conhece as trágicas possibilidades das políticas econômicas, faço um encarecido pedido para aqueles que tratam de emitir leis, decretos e tabelamentos em nosso país: por favor, estudem essas medidas e não brinquem com os preços.

SAO PAULO - SP - BRASIL - 26.11.2015 - Black Friday Supermercado Extra da Avenida Ricardo Jafet  Foto  Reinaldo Canato


Foto Reinaldo Canato

Valores

Por Ancila Dall’Onder Zat 

Professora

ancila@italnet.com.br 

O ritmo acelerado das inovações tecnológicas, aliadas ao crescente volume de informações advindas de diferentes formas, são algumas das características que impactam na educação no Século XXI. Educar é necessário, mas como?

Ouve-se, com frequência, que a educação vem “de casa”, isto é, um direito e um dever dos pais. Todavia, é milenar a prática e o desejo de passar os valores familiares aos descendentes. Entretanto, a convivência familiar de outrora permitia mais tempo dos pais com os seus filhos, situação nem sempre possível na modernidade, em que a escola dá continuidade a esse processo. Não falo do ensino, mas de valores, aprendidos pelo exemplo e pela convivência.

Piangers escreveu recentemente, em Donna ZH, sua reflexão sobre valores, ao ser perguntado sobre “Quais valores você quer passar para suas filhas?”. Explica que nem sempre se consegue o que se deseja passar, mas vale a pena tentar. Desejaria que suas filhas aprendessem o valor da vida em família e que saibam dizer “com licença, por favor e
obrigado”.

A reflexão sobre valores nos remete a valorar a vida, a convivência familiar, a saúde, o respeito às diferenças, nas formas de pensar e ser, e ao meio ambiente, o planeta, nossa casa maior. Não podemos esquecer a força da amizade que inicia na família, com os vizinhos próximos, com os colegas de escola ou de trabalho, com quem se pode dialogar, dividir preocupações e sucessos, pois nunca se está só quando se tem amigos. Mário Quintana costumava dizer que “a amizade é o amor que nunca morre”.

Quando pensamos em valores, muito poderia ser dito, entretanto, lembramos que a leitura, como disse Piangers, “talvez seja um deles”, trazendo à nossa mente a figura dos pais de família lendo para seus filhos. A reflexão em valores é um tema que não se esgota ao lembrar o amor ao trabalho, cantado em versos por Olavo Bilac, e expresso em nossa região pelo Monumento ao Imigrante. Aqui, faço um parêntese para lembrar meu ingresso na escola estadual, cujo pórtico de entrada estava e está escrito “Labor Omnia Vincit”, quando eu tentava decifrar o seu significado. Ou seja, “o trabalho sempre vence”, salientando a importância do trabalho para a sobrevivência e para a dignidade do ser humano.

Enfim, cultivar valores é educar para um mundo melhor.

educação

O dom de ser Mãe

Por César Anderle 

Talvez o maior dom que Deus deu aos humanos foi o dom da mulher gerar uma vida.

Sublime e magnífica expressão de amor e doação.

 

A mulher tem em suas mãos e em sua mente o desafio de gerar uma nova esperança para

a existência humana. Toda vez que nasce um bebê, a crença de um mundo melhor se

renova e a humanidade se enche de alegria.

 

Jesus Cristo já dizia, há milhares de anos, que devemos respeitar as crianças. O nosso

futuro depende também delas e é para elas que devemos olhar incessantemente. O

respeito pela vida e pelo futuro da humanidade passa pela gratidão e pela educação que

daremos aos pequeninos.

 

A responsabilidade de gerar uma criança é, a partir deste ato, educá-la para ser um bom

jovem e um cidadão coerente. Para isso, os ensinamentos e aprendizados que os pais

darão a ela são de fundamental importância.

 

O carinho, o afeto, a bondade, a humildade, o bem querer, a gratidão e o respeito são

herdados ainda no ventre da mãe. A capacidade de estabelecer uma conexão intra-uterina

é privilegio da mulher, só ela detém este dom, que se coloca como principal alicerce do

caráter do futuro bebê. A presença e o carinho do pai se agrupa nestes momentos e

fortalece o convívio do bebê com sua futura família.

 

Ser mãe é uma arte. A mãe nos dá exemplo, nos encoraja, nos fortifica, nos ensina, nos

puxa a orelha quando necessário, nos protege. Uma mãe sofre com o sofrimento do filho,

ela se põe no lugar dele, avança sobre os que fazem mal pelo simples fato de querer o

bem do seu filho.

 

A ternura dos olhos de uma mãe ao encostar o bebê em seu peito a diferencia dos

homens, sem sombra de dúvidas. O homem tem muito que aprender com a paciência e a

doação de uma mãe.

 

As emoções vividas pelas mães são indestrutíveis em sua memória. O pulsar do

coraçãozinho batendo em seu ventre as deixam frágeis e, ao mesmo tempo, corajosas

para encarar qualquer situação. A dedicação de uma mãe é exemplar, nunca desiste,

jamais fraqueja, se doa por inteiro. É difícil para um homem descrever essas situações

mas, ao mesmo tempo, é fácil compreender o sentimento que estes gestos representam.

A mãe suporta dores, calafrios, angústias, momentos de desconforto. Ela põe em prática

toda sua força para entender melhor o seu filho, não se esquiva de afazeres diários, é uma

guerreira de fato, nunca deixa de amar, por pior ação que um filho possa ter vivenciado. O

amor de mãe não tem preço.

 

Parabéns mamães pelo seu dia e continuem a ser dóceis e afetivas não somente com

seus filhos, mas com todas as pessoas. Quem sabe assim, um dia, a humanidade seja

diferente e encontraremos então a fórmula ideal para uma vida melhor.

Mãe

Valor biológico e nutricional da carne de peixe

Valor biológico e nutricional da carne de peixe

Por Thompsson Didoné 

Enólogo Emater/RS-Ascar 

Neste mês aumenta o consumo de peixes, em decorrência da Semana Santa e da tradição do consumo de pescado.

O consumo do pescado deveria ocorrer com mais frequência. Recomendações nutricionais indicam seu consumo como importante, ao menos uma vez por semana.

Existem muitas razões para introduzir o peixe na alimentação, além de ser um alimento muito saboroso. Os peixes são fontes de proteínas, vitaminas e sais minerais. Peixes gordos têm maior teor de vitaminas A e D no corpo. Os magros concentram estas vitaminas no fígado.

A proteína da carne dos peixes é de alta digestibilidade e de grande valor biológico, ou seja, é possível absorver até 45% do volume da carne de um peixe que se tenha ingerido. A quantidade necessária de carne de peixe por dia para suprir as necessidades de manutenção de um ser humano de tamanho e peso normal é de 100 gramas. O valor biológico se dá em função de que as proteínas presentes na carne de peixe apresentam todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano, entre outros.

Os minerais presentes na carne de peixe são Cálcio, Ferro, Iodo, Fósforo, Cobre e Magnésio em grandes proporções. Estes minerais são necessários para a formação de ossos e dentes e também ajudam as proteínas e vitaminas na formação, regularização e funcionamento do organismo.

A carne de peixe possui baixo teor de gorduras e tem menor valor calórico que outros tipos de carne. Deve-se observar que peixes muito gordos podem apresentar até mesmo colesterol, uma vez que possam ter sido criados com uma dieta desbalanceada e sejam animais muito velhos.

Tempo de armazenagem 

l Peixes magros: de 6 a 8 meses

l Peixes gordos: de 1 a 3 meses

peixe