Uma das principais feiras de negócios do vinho da América Latina, a Wine South America abre as portas nesta terça-feira, 12 de maio, em Bento Gonçalves, reunindo compradores, importadores e especialistas de diferentes mercados. O evento chega ao seu sexto ano em um cenário especialmente favorável: em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou R$ 21,1 bilhões, crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior (dados Ideal BI Consulting), impulsionado pela valorização de produtos de maior qualidade e pelo aumento do tíquete médio. Esse aquecimento atrai olhares de dentro e de fora, e explica a presença de rótulos de mais de 20 países na feira, entre eles Alemanha, África do Sul, Argentina, Austrália, Chile, Espanha, França, Grécia, Itália, Nova Zelândia, Portugal e Uruguai. A edição marca ainda a ampliação de mercados já consolidados: Itália e Portugal expandem sua presença, com destaque para a participação italiana, que ocupará praticamente um corredor inteiro da feira com cerca de 50 vinícolas expositoras.
Um dos grandes destaques desta edição é a diversidade da produção nacional, que reflete a expansão da vitivinicultura brasileira para além das regiões tradicionais. A sexta edição reforça que o vinho brasileiro não cabe mais só no Sul: do semiárido nordestino ao Cerrado do Planalto Central, passando pelos vales da Serra Gaúcha e pelas altitudes catarinenses, a produção nacional chega à Wine South America 2026 com uma diversidade de terroirs que promete surpreender o mercado. A feira, que ocorre até 14 de maio, reúne mais de 400 marcas nacionais e internacionais, sendo mais de 280 brasileiras, vindas de pelo menos nove estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Brasília, Minas Gerais e Espírito Santo.
Consolidada como a principal plataforma de negócios do setor vitivinícola na América Latina, a WSA ganha força ano a ano com sua vocação comercial. A expectativa para esta edição é de R$ 110 milhões em negócios gerados ao longo dos três dias de evento, superando os R$ 100 milhões registrados em 2025, resultado das mais de 2.000 reuniões comerciais previstas e da presença de cerca de 7 mil compradores e especialistas. Deste volume, estima-se que R$ 70 milhões sejam movimentados por vinhos brasileiros.
Uma nova geografia do vinho brasileiro
A expansão da vitivinicultura brasileira para além do eixo tradicional do Sul é, talvez, uma das tendências que se confirma a cada edição da feira. Se Brasília chega à WSA pela segunda vez com rótulos de alta gama e premiados em competições nacionais e internacionais, Goiás e Espírito Santo trazem novas vozes ao mercado.
O Vale do São Francisco, no Pernambuco, também representado no evento, reafirma sua singularidade como uma das regiões vinícolas mais inusitadas do país: não há estações do ano ditando o ciclo da videira, já que quem define é o próprio produtor. Com irrigação controlada às margens do Rio São Francisco, é possível colher uvas todos os dias do ano, produzindo desde espumantes moscatéis a tintos de guarda, por preços competitivos, com entregas ao longo de todos os meses.
“O Vale do São Francisco é uma região muito singular. As altas temperaturas constantes e a elevada luminosidade, aliadas à irrigação controlada, permitem uma produção contínua. O produtor pode escolher diferentes janelas do ano para produzir estilos específicos, e isso representa uma oportunidade real de negócios para compradores que precisam de abastecimento consistente ao longo do ano”, afirma Rodrigo Fabian, diretor executivo do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco e diretor de enologia da Verano Brasil (marcas Garziera e Rio Valley).
Na WSA, o Vale do São Francisco estará representado pela Rio Sol e pela Vinhos Garziera. A Rio Sol apresenta dois lançamentos: o Rio Sol Tempranillo Rosé e o Rio Sol Gran Reserva Arinto, branco elaborado com casta portuguesa que homenageia a fauna do sertão nordestino no rótulo, com o peixe Matrinchã do São Francisco. Já a Garziera aposta em rótulos com o selo da IP Vale do São Francisco, entre eles o primeiro espumante Extra Brut da região elaborado com Chardonnay. A Terranova também marca presença dentro do espaço do Miolo Wine Group, reforçando a força dos vinhos tropicais na feira.
Na Serra Gaúcha, a presença de associações como Aprovale (Vale dos Vinhedos), AFAVIN (Farroupilha), Altos Montes (Flores da Cunha e Nova Pádua), Asprovinho (Pinto Bandeira), APEG (Garibaldi) e Aprobelo (Monte Belo do Sul) garante a representação dos principais terroirs consagrados do país. Em Santa Catarina, os Vinhos de Altitude de São Joaquim e os Vales da Uva Goethe de Urussanga marcam presença.

Brasília: alta gama, premiações e Cerrado como nova fronteira
A segunda participação do Distrito Federal na Wine South America chega com um portfólio robusto e uma mensagem clara: o Cerrado já começou a sua imersão ao mundo do vinho brasileiro. A região estará representada por 8 vinícolas, entre elas Vinícola Brasília, Villa Triacca, Casa Vitor, Marchese, Horus Vinhos do Planalto, Ercoara e Miro Vinhos.
Um dos destaques é a Villa Triacca – Hotel Vinícola & Spa, que chega à feira com uma vitrine de alto nível: rótulos premiados nos Vinalies de Cannes (incluindo três Gran Ouro), melhor Sauvignon Blanc e melhor Syrah do Brasil na Grande Prova Vinhos do Brasil, além do título de vinícola revelação.

Negócios, conteúdo triplicado e tendências em pauta
A Wine South America 2026 chega com a programação de conteúdos triplicada em relação à edição anterior. Painéis no auditório principal abordarão temas como inteligência de mercado, Reforma Tributária e e-commerce de vinhos; os Wine Talks reunirão empresários e operadores com experiências aplicáveis ao dia a dia do trade; e os Workshops estratégicos ampliam as possibilidades de formação e conexão. A curadoria é do Grupo Venda Mais Vinho.
Entre as tendências que dominarão os debates está o avanço dos vinhos sem álcool e desalcoolizados, movimento que vem crescendo estruturalmente no Brasil nos últimos cinco anos e que, na WSA, ganha protagonismo com lançamentos inéditos de marcas como Vinoh e Aurora. A digitalização do trade, a sustentabilidade na vitivinicultura e o posicionamento dos vinhos brasileiros no mercado internacional, junto das mudanças do novo Acordo do Mercosul-União Europeia, completam a agenda estratégica da edição.
Sobre a Wine South America
A Wine South America ocorre de 12 a 14 de maio, na Serra Gaúcha, em Bento Gonçalves (RS), conhecida como a capital brasileira da uva e do vinho. A região abriga a Denominação de Origem Vale dos Vinhedos e o município vizinho de Pinto Bandeira, primeira DO de espumantes do Novo Mundo. Organizada pela Milanez & Milaneze, subsidiária da Vinitaly – que realiza a maior feira de vinhos do mundo em Verona há mais de 55 anos -, a WSA reúne em um único ambiente mais de 400 marcas nacionais e internacionais, com rótulos de mais de 20 países.
A Wine South America tem o patrocínio de SEBRAE, Prefeitura de Bento Gonçalves, Sicredi, Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Badesul – Agência de Fomento do Rio Grande do Sul e, CAIXA e Governo do Brasil. Tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil. Apoio CONSEVITIS-RS E SEAPI, termo de colaboração 4837/2022.
Fotos: Divulgação Wine South America
