Notoriamente, agosto é o mês dos pais, cujo dia comemoramos no segundo domingo, saudando e homenageando sua presença nas famílias e na vida dos filhos.Fato particularmente curioso e que seguidamente ocorre, é o questionamento do valor do pai na vida de um filho ou filha, no encaminhamento da família e da educação; algo como: para que serve o pai? Questionamento feito por mães que não conseguem ter ao seu lado, apoiando a maternidade, um pai presente para seus filhos; por filhos que crescem sem a proximidade e o cuidado de seus pais.No entanto, estas indagações acabam justamente por dar testemunho da função do pai, pois falam da falta que eles fazem, com tristeza, frustração e mágoa. A presença do pai tem função inicialmente indireta na relação da mãe e seu bebê, mas fundamental enquanto esteio, fundamento, suporte, segurança que permite à mãe dedicar-se integralmente e com tranquilidade aos cuidados necessários com o bebê. Imaginemos uma mãe que, sem a presença do pai de sua criança, precisa dar conta de tudo para os cuidados diretos com o bebê, além de pensar e providenciar o que for necessário para o sustento material da família, lidando com todas as decorrências emocionais da maternidade e da insegurança quanto ao futuro. Situação especialmente difícil e, infelizmente, real para inúmeras mães, que também precisam cuidar de outros filhos. Naturalmente, essa situação vai distanciar a mãe do que realmente interessa no momento inicial da vida de um bebê, a relação extremamente próxima e devotada da mãe, a fim de conhecê-lo, diferenciar e suprir suas demandas. Aqui, nestes primeiros momentos da relação mãe-bebê, estão as bases da saúde mental, sendo que o pai é o garantidor de que esse momento se dê com tranquilidade. Além disso, passado o tempo inicial de vida de uma criança, em contato quase que simbiótico com sua mãe, é fundamental que o pai esteja presente para assumir um papel mais ativo junto a ela, apresentando outras faces da realidade, ampliando o universo, mostrando que existem desafios e aprendizagens com outras dimensões de satisfação e que nem tudo é prazer. O papel do pai é apresentar a realidade, o novo, o difícil, o proibido, desafiar para a conquista e a superação.Para reduzir a preocupação que já pode estar instalada a esta altura do texto, cabe dizer que a psicologia reconhece além do pai real, a validade e importância da função paterna, que pode ser desempenhada por outra pessoa, que não o pai biológico e real presente. Assim, podemos ter outro homem, um familiar, como avô, tio ou padrinho, um novo companheiro da mãe ou mesmo uma mulher, que seja capaz de se inserir entre a pequena criança e sua mãe, para apresentar um mundo maior, com outras alegrias e desafios.O pai apresenta um mundo real, com leis, sem ilusão, atua para que os valores sociais sejam conhecidos, aceitos e praticados pela criança. Função fundamental e necessária, ao lado da função materna.Podemos perceber que nossa sociedade necessita de pais presentes e atuantes, pais que interditem o enlevo da relação mãe-bebê, para orientarem a relação criança-mundo. A partir desta exposição, ao olharmos ao redor, talvez fique mais fácil identificar o valor, a necessidade e a importância do pai e da função paterna para um filho e para toda uma sociedade.
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