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Novidades para a vitivinicultura na Serra Gaúcha

No mês de fevereiro, a Embrapa Uva e Vinho, através do seu o Programa de Melhoramento Genético “Uvas do Brasil” irá apresentar novidades para os viticultores da Serra Gaúcha: duas novas cultivares, uma para mesa, a BRS Melodia, e outra para vinho, a BRS Bibiana, além das recomendações de cultivo das cultivares BRS Vitória e BRS Isis para a Serra Gaúcha.

Resistência a doenças, adaptação às condições climáticas específicas de regiões de clima temperado e qualidade da fruta com alta produtividade são as principais vantagens que Patrícia Ritschel e João Dimas Garcia Maia, coordenadores do Programa, destacam nas novas cultivares desenvolvidas especialmente para as regiões de clima temperado.

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BRS Melodia – a nova opção de uva de mesa sem semente da Embrapa

O sabor especial de mix de frutas vermelhas, característico da cultivar BRS Melodia, vai conquistar os consumidores que buscam um sabor diferenciado, aposta João Dimas Garcia Maia, um dos melhoristas responsável pelo desenvolvimento da variedade. Ele comenta que essa cultivar rosada sem sementes atende a demanda dos viticultores da Serra Gaúcha, que não conseguiam produzir a cultivar importada Crimson Seedless.

Cultivada com o uso de cobertura plástica e com o manejo correto, garante-se uma produtividade de 25 toneladas por hectare. Na produção de uvas de mesa, as práticas de manejo de cachos sempre dão em bons resultados.  Na ‘BRS Melodia’, o pesquisador destaca que deve ser feito o raleio e o desponte dos cachos. Por apresentar cachos menores, o manejo de cachos da ‘BRS Melodia’ é mais fácil, quando comparada com as cultivares do Grupo Itália. O emprego de giberelina é fundamental para garantir o tamanho das bagas adequado às uvas de mesa. “Caso o viticultor quiser uma cor rosada intensa, deve-se aplicar ácido abscísico no início da maturação”, recomenda Maia.

BRS Vitória e BRS Isis –  sob cobertura plástica, prontas para conquistar o sul do Brasil

Desenvolvidas inicialmente para o cultivo em regiões de clima tropical, as cultivares BRS Isis e BRS Vitória atraíram a atenção dos produtores da Serra Gaúcha. “Eles acompanharam o avanço da área plantada no Vale do São Francisco e o sucesso que elas estão fazendo, tanto no Brasil, como no exterior. Diversos produtores começaram a plantar e pediam nossa ajuda para ajustarmos o manejo, pois queriam também oferecer essas cultivares diferenciadas na Serra Gaúcha”, relata Patrícia.

Para atingir esse objetivo, foi dado início a um trabalho conjunto, envolvendo os técnicos da Embrapa e os produtores da região para adaptação do manejo. “Depois de diversos experimentos, foram elaboradas as recomendações técnicas que irão garantir a produção em sistema de cultivo protegido das cultivares BRS Isis e BRS Vitória”, anuncia Roque Zílio, técnico que atua há mais de 25 anos no Programa de Melhoramento “Uvas do Brasil”. Ele destaca que os produtores têm escolhido a ‘BRS Vitória’ pelo seu sabor diferenciado e precocidade. Já a ‘BRS Isis’, por apresentar um ciclo mais longo, possibilita que o produtor consiga ampliar a oferta de uvas e distribuir melhor a mão-de-obra para realização do manejo, sem a necessidade de contratar mais pessoas.

Zílio destaca que de uma forma geral, o principal diferencial entre o manejo tradicionalmente empregado nas regiões de clima temperado e aquele recomendado para as novas cultivares de uva de mesa está no controle da produção, no manejo do cacho, realizado para obtenção de cachos menores e menos compactos. Seguindo estas recomendações, os produtores conseguirão uvas com maturação e coloração mais uniformes, além de uma concentração maior de açúcares deixando-as mais doces e saborosas.

Lançamento da BRS Melodia e recomendações das cultivares BRS Vitória e BRS Isis adaptadas para o clima da Serra Gaúcha: dia 08/02, às 15h na Embrapa Uva e Vinho

‘BRS Bibiana’

É a mais nova cultivar que, ao lado das cultivares Moscato Embrapa, BRS Lorena e BRS Margot, compõem a linha de cultivares resistentes a doenças. A ‘BRS Bibiana’ apresenta reação intermediária ao míldio e ao oídio. Com a elevação do conteúdo de açúcares, ao final do ciclo, deve-se redobrar os cuidados relacionados à podridão da uva madura. Estas doenças podem ser controladas com o uso dos tratamentos convencionalmente utilizados para o cultivo de ‘BRS Lorena’.   É resistente à podridão ácida e à podridão cinzenta, causada por Botrytis. Os vinhos remetem aos produtos elaborados com uvas europeias, mas com um custo de produção reduzido por exigir menos tratos culturais.

 A ‘BRS Bibiana’ apresenta cachos soltos, o que evita as podridões.  Para a obtenção de boa   produtividade, recomenda-se a realização de poda mista, deixando-se todas as varas possíveis para a produção e não apenas 5-6, como normalmente praticado na Serra Gaúcha”, esclarece a melhorista.

Outro grande diferencial da nova cultivar é o potencial de atingir um elevado conteúdo de açúcares, mesmo em anos com condições adversas de clima. “Para essa cultivar não tem tempo ruim. A safra sempre vai ser boa, permitindo a elaboração de vinhos com qualidade”, antecipa Patrícia.

Lançamento da BRS Bibiana: dia 12/02, terça-feira, às 15h na Embrapa Uva e Vinho

Convite para os Jornalistas

Convidamos você, Jornalista, para estar conosco nos dois dias: no dia 08 de fevereiro, sexta-feira, às 15h para conhecer a BRS Melodia, cultivar de uva de mesa sem sementes e as recomendações para as cultivares adaptadas ao clima da Serra Gaúcha e no dia 12 de fevereiro, terça-feira, também às 15h para conhecer a BRS Bibiana, cultivar de uva para vinho.

Reforçamos a importância de sua presença na data, ou próximo dela, para conhecer todos os detalhes desses lançamentos além das recomendações das cultivares Isis e Vitória para Serra Gaúcha. O evento será realizado no auditório da Embrapa Uva e Vinho, Rua Livramento 515, Bento Gonçalves, RS.

Contamos com sua presença.

Serviço:

– Lançamento da BRS Melodia e recomendações para as cultivares BRS Vitória e BRS Isis adaptadas para o clima da Serra Gaúcha: dia 08/02, sexta-feira, às 15h no auditório da Embrapa Uva e Vinho, Rua Livramento 515, Bento Gonçalves, RS.

– Lançamento da BRS Bibiana: dia 12/02, terça-feira, às 15h no auditório da Embrapa Uva e Vinho, Rua Livramento 515, Bento Gonçalves, RS.

Foto: Viviane Zanella

Exportações de vinhos e espumantes brasileiros crescem 32% em valor no semestre   

Comercializações para 29 países somam US$ 3,6 milhões. Volume foi 39% superior ao mesmo período de 2017, com 1,6 milhões de litros negociados     

As exportações de vinhos tranquilos e espumantes brasileiros tiveram alta de 39,3% em volume e 32,8% em valor no primeiro semestre de 2018, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os produtos vinícolas foram comercializados para 29 países, somando 1.593.137 litros e negócios de US$ 3,6 milhões.

No ranking dos cinco principais destinos estão Paraguai, Estados Unidos, Cingapura, Colômbia e Reino Unido. As 42 empresas participantes do projeto setorial Wines of Brasil, realizado em parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), responderam por 85% do resultado obtido.

De acordo com o gerente de Promoção do Ibravin, Diego Bertolini, a expectativa é que no segundo semestre as comercializações para o exterior sigam crescendo, especialmente devido às estratégias em mercados da América Latina, que incluem também o projeto setorial 100% Grape Juice of Brazil. Em 2017, os países do continente absorveram 41,3% do total global negociados.

“Além dos mercados-alvos China, Estados Unidos e Reino Unido, pretendemos aumentar as iniciativas de promoção e aprimorar a distribuição em países próximos ao Brasil, como Paraguai, Colômbia, Chile e Peru, em função de vantagens competitivas, como logística e perfil de produto. Os latino-americanos possuem paladar similar aos brasileiros, o que favorece nossa penetração”, explica o executivo.

Ibravin

Entre janeiro e junho de 2018, o melhor desempenho ficou com os espumantes, que obtiveram expressivo crescimento de 61,2% em litros e 29,2% em valor, comparados ao primeiro semestre do ano anterior. Os vinhos tranquilos, que representam a maior fatia das comercializações, tiveram um incremento de 37,4% no volume e 33,6% nas vendas.

EXPORTAÇÕES – JANEIRO A JUNHO 2018

Volume (litros) 2018/17 Valor (US$/FOB) 2018/17
Vinhos tranquilos 1.450.301 37,44% 3.013.070,00 33,60%
Espumantes 142.836 61,21% 631.671,00 29,23%
Total 1.593.137 39,28% 3.644.741,00 32,82%

Fonte: Comex Stat – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic)

PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES (VALOR) – JANEIRO A JUNHO 2018

Vinhos e espumantes Vinhos Espumantes
Paraguai Paraguai Chile
Estados Unidos Estados Unidos Cingapura
Chile Colômbia Polônia
Reino Unido Reino Unido Estados Unidos
Cingapura Japão China

Fonte: Comex Stat – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic)

Sobre o Wines of Brasil e o 100% Grape Juice of Brazil          
O Wines of Brasil e o 100% Grape Juice of Brazil são iniciativas de promoção comercial dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros no mercado externo, desenvolvidas desde 2002 entre o Ibravin e a Apex-Brasil. Os projetos setoriais contam, atualmente, com a participação de 42 vinícolas e têm como mercados-alvo os Estados Unidos, Reino Unido, China e Paraguai. Nos últimos anos, cerca de 95% das empresas que aderiram às ações conseguiram dar continuidade em suas exportações, devido ao suporte, aos programas de capacitação oferecidos e ao trabalho setorial de consolidação da imagem dos rótulos nacionais no Exterior. Mais informações podem ser obtidas nos sites www.winesofbrasil.comwww.grapejuiceofbrazil.com e www.ibravin.org.br.

Foto: Dandy Marchetti/Ibravin

Brasil inicia o maior projeto de pesquisa já elaborado para desenvolver a aquicultura

Foi iniciado o maior projeto de pesquisa em aquicultura já realizado no País. O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar ao longo de sua duração. Trata-se de um marco em investimentos no tema, fruto da parceria entre Embrapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a atual Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, ligada à Presidência da República, (SEAP).

O projeto é o terceiro maior já financiado pelo BNDES Funtec – linha de crédito não reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Serão R$ 45 milhões financiados pelo banco estatal, R$ 6 milhões da Embrapa e R$ 6 milhões da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, totalizando R$ 57 milhões. A meta, ao fim dos quatro anos de duração, é estabelecer a infraestrutura e a pesquisa científica necessárias para atender demandas do mercado de aquicultura.

“Esse projeto é de grande importância não só para o nosso centro de pesquisa, mas também para a Embrapa inteira e para o Brasil. É a comprovação de que a aquicultura chegou para ficar e tornou-se uma área estratégica no País”, comemora Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), unidade que coordena o BRS Aqua.

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Quatro espécies estudadas

No Brasil, um dos maiores desafios em aquicultura está na falta de pacotes tecnológicos para a criação de importantes espécies aquícolas. Por isso, o projeto focará na pesquisa do tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia (Oreochromis niloticus), camarão (Litopenaeus vannamei) e bijupirá (Rachycentron canadum), que apresentam grande demanda de mercado ou possuem alto potencial de produtividade.

“Essas espécies se encontram em diferentes patamares tecnológicos e para cada uma delas haverá uma abordagem diferente”, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto, Lícia Maria Lundstedt, da Embrapa Pesca e Aquicultura. Segundo ela, enquanto a tilápia possui um pacote tecnológico mais avançado, as pesquisas com o bijupirá ainda são incipientes no País, embora seja uma espécie nativa do litoral brasileiro e tenha potencial para ser uma opção para o desenvolvimento da piscicultura marinha nacional.

Reforço na infraestrutura de pesquisa

“Cada uma dessas espécies por si só renderia vários projetos. De qualquer forma, o BRS Aqua vai gerar os mais diversos produtos, entre eles um incremento da infraestrutura para futuras pesquisas em aquicultura na Embrapa”, explica Lundstedt. A Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), por exemplo, terá um novo laboratório para pesquisar espécies marinhas; a Embrapa Meio Norte (PI), que já trabalha com camarão, também terá melhorias em suas instalações para pesquisas na área e várias outras unidades da Embrapa receberão um reforço na infraestrutura para incrementar as pesquisas em aquicultura.

Para atender às mais diversas demandas, o BRS Aqua funciona como um grande guarda-chuva sob o qual há oito projetos componentes (Germoplasma, Nutrição, Sanidade, Manejo e gestão ambiental, Tecnologia do pescado, Economia do setor aquícola, Transferência de tecnologia e Gestão), com pesquisas distribuídas em diversos centros de pesquisa da Embrapa e polos produtivos.

Formação de banco de germoplasma

“Um dos destaques em genética é a geração de informações científicas e tecnológicas que tenham impacto direto na produção de alevinos (filhotes) de tambaqui com melhor qualidade, o que vai refletir em redução da mortalidade e aumento na produção”, explica Lundstedt, acrescentando que o projeto pretende estabelecer uma coleção de germoplasma qualificado de tambaqui na Embrapa Pesca e Aquicultura para futuros investimentos públicos ou privados em melhoramento genético.

Segundo a pesquisadora, atualmente o setor produtivo do tambaqui utiliza germoplasma pouco caracterizado cientificamente e sem melhoramento genético. Para que a produção avance, é necessário que o germoplasma seja geneticamente melhorado quanto às características produtivas, como melhoria nas taxas de crescimento, maior resistência a doenças, adaptação a sistemas intensivos de cultivo, entre outros avanços.

Em sanidade, o projeto pretende mapear os mais importantes desafios sanitários do tambaqui e seus fatores de risco para propor boas práticas de manejo, sistemas de diagnóstico rápido de doenças e desenvolver seus respectivos tratamentos. Um dos principais resultados nessa área será a identificação dos fatores de risco preponderantes relacionados à mortalidade do camarão, causada pela doença da mancha branca, a fim de propor medidas para evitar ou mitigar os efeitos em sua produção no Nordeste.

Causada por um vírus, a doença se manifesta na fase inicial de desenvolvimento do crustáceo, calcificando-o, provocando falta de apetite, letargia e manchas brancas em sua casca. Em seguida, o animal morre e contamina os outros. Com isso, produções inteiras são perdidas antes mesmo de chegarem ao consumidor. Um dos casos mais recentes da doença ocorreu no Ceará em meados de 2017. Em seis meses, 30 mil toneladas de camarão foram perdidas – o equivalente a 60% da produção do período.

Em nutrição, o foco será em tambaqui e tilápia. Serão definidos protocolos alimentares para a produção intensiva do tambaqui, nas fases de larva, engorda e abate, em viveiros e tanques-rede, tendo por base a capacidade de digestão dos ingredientes da ração e as exigências nutricionais do peixe. Além disso, o projeto abordará aspectos relacionados à tecnologia de processamento de rações, uma vez que há diversos parâmetros que precisam ser cuidadosamente monitorados para obtenção de produtos de alta qualidade. Também serão avaliadas nutricionalmente as rações disponíveis no mercado. É justamente esse insumo que impacta em até 82% nos custos de produção, dependendo do sistema adotado. Na prática, o produtor acaba gastando mais do que o necessário para engordar o animal.

Mudanças climáticas e piscicultura

Questões relacionadas ao aquecimento global e à sustentabilidade ambiental igualmente estão no radar do projeto, que prevê o desenvolvimento de equipamentos para monitoramento da liberação dos gases de efeito estufa na piscicultura. Também está prevista a análise da relação da produção em tanques rede, suas emissões de gases de efeito estufa e a qualidade da água. O acompanhamento das variáveis físicas, químicas e biológicas de sedimentos e da água, incluindo contaminação do solo e tratamento de efluentes gerados pela produção de peixes, também será alvo de estudos. Da mesma forma, será desenvolvido um sistema para tratamento de efluentes da produção de peixes.

Novos produtos de pescado

O BRS Aqua vai atuar ainda em diferentes aspectos relacionados ao processamento do pescado. O projeto vai trabalhar no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o abate eficiente e humanitário de peixes, padronização e controle de qualidade de filés, uso de resíduos e co-produtos do processamento na elaboração de materiais com valor agregado. Do mesmo modo, haverá um estudo de modelos para gestão de resíduos sólidos na indústria de processamento do pescado.

Além dos gargalos tecnológicos, a aquicultura brasileira também carece de dados e análises econômicas.  “Por se tratar de um setor relativamente recente, se comparado a cadeias agroindustriais tradicionais como a de outras carnes ou grãos, há poucas informações sobre diversos aspectos da cadeia do pescado”, justifica o pesquisador da Embrapa Manoel Xavier Pedroza Filho, responsável pelo segmento de economia do projeto. Segundo ele, faltam dados sobre viabilidade econômico-financeira dos sistemas de cultivo, estrutura da cadeia produtiva, risco de investimento, impacto econômico da adoção de tecnologias, além de dados macroeconômicos da aquicultura nacional (empregos, PIB, etc).

“A ausência dessas informações dificulta a tomada de decisões dos setores público e privado, uma vez que são fundamentais não apenas para orientar os investimentos, mas também subsidiar a formulação de políticas públicas para o setor”, ressalta o especialista. O BRS Aqua pretende gerar informações econômicas das quatro espécies contempladas no projeto, por meio de análises de viabilidade econômica de sistemas de produção, impacto de adoção de tecnologias, risco de investimento, entre outras.

Grande potencial nacional

Apesar de possuir 12% da água doce mundial e uma costa litorânea com mais de 8.500 quilômetros de extensão, a produção brasileira de animais aquáticos é inferior ao seu potencial. As causas desse desempenho são diversas e incluem baixa qualidade das matrizes reprodutoras; poucos estudos sobre a capacidade de suporte de ambientes de cultivo (número máximo de peixes ideal para uma determinada área); limitada assistência técnica; deficiência nas formas de controle e monitoramento das enfermidades de animais aquáticos; utilização incipiente de resíduos para produção de derivados; falta de tratamento e aproveitamento de efluentes de aquicultura e de padronização de indicadores para o licenciamento ambiental nos diferentes ambientes onde a aquicultura é praticada.

“Fizemos um levantamento de informações sobre o setor entre 2012 e 2013, que gerou dois estudos que revelaram todo o potencial na área de aquicultura do Brasil. Isso foi na época do Ministério da Pesca e Aquicultura, que desejava investir no desenvolvimento aquícola”, recorda Marcos Rossi Martins, chefe do Departamento da Área de Indústria e Serviços do BNDES.

A análise constatou grandes gargalos e oportunidades. A variedade de peixes da Bacia do Rio Amazonas, por exemplo, é um diferencial para o Brasil atingir novos mercados. O clima é outra vantagem a favor do País, cujas condições para o cultivo da tilápia – uma das espécies de peixe mais consumidas no mundo – são excelentes. Outros cultivos, como o de crustáceos e moluscos, também têm potencial de escala no Brasil. No entanto, a indústria de pescados ainda é incipiente no País, tanto na pesca quanto na aquicultura.

Segundo dados de 2014 de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), o consumo mundial na aquicultura é da ordem de 20 kg per capta, enquanto o de carne bovina atingiu menos da metade: 6,54 kg. Nesse cenário é fácil perceber como o mercado da pesca e da aquicultura é promissor no País.

“A demanda mundial por pescados vem crescendo de forma acelerada em decorrência do aumento populacional e da busca por alimentos mais saudáveis. No Brasil isso também ocorre. Em 2003, o consumo era inferior a 6,5 quilos de pescado por pessoa ao ano, hoje esse valor subiu para nove quilos per capta. Se a população ingerisse a quantidade recomendada pela OMS, que é de 12 quilos, isso já representaria um impacto no consumo de 5.722 mil toneladas”, calcula Jaldir Lima, um dos coordenadores do estudo do BNDES.

Expectativa de melhora na competitividade

O projeto foi bem recebido também por representantes do setor produtivo. Para Antônio Albuquerque, diretor técnico da Associação Cearense dos Criadores de Camarão (ACCC), ele é um sinal de que a pesquisa está atenta às demandas do mercado. “Essa iniciativa da Embrapa de ouvir vários atores, incluindo outras cadeias produtivas, para saber quais são as principais demandas, é muito positiva. Também é muito útil que a pesquisa saiba qual tipo de apoio o setor produtivo pode dar”, diz.

Francisco Medeiros, diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a Peixe BR, tem muitas expectativas. “Temos acompanhado a elaboração dessa proposta desde 2015. Trata-se de um setor carente de soluções que ofereçam melhor competitividade. No Brasil, temos grandes pesquisadores em aquicultura, no entanto, observamos baixa utilização de tecnologias geradas por essas instituições de pesquisa”, analisa ele. “Temos um grande problema de competitividade e esperamos que todas essas ações tragam soluções que promovam melhores condições de mercado. Vamos acompanhar de perto a execução desse trabalho”, resume.

Elisângela Santos (MTb 19.500/RJ)
Embrapa Pesca e Aquicultura

Embrapa apresenta documento com a visão de futuro para a agricultura brasileira

A Embrapa lança, no último dia 24 de abril, quando comemora os 45 anos de criação, “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”. O documento de 212 páginas teve a colaboração de aproximadamente 400 colaboradores da Embrapa e instituições parceiras. Foram analisados durante 18 meses sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e e ambientais e seus potenciais impactos.

“Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferece bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) de instituições públicas e privadas com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e o trabalho dos 2.448 pesquisadores da Empresa.

O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional. Um dos destaques é a identificação de sete megatendências. São elas: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere desafios e oportunidades, por exemplo.

           

Para chegar à identificação das sete megatendências, o trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano, se baseou em sinais e tendências apontados por diferentes setores da sociedade, incluindo atores das cadeias produtivas agrícolas, segmentos da iniciativa privada, do terceiro setor e de outras organizações públicas. Internamente, estudos realizados no âmbito do Sistema Agropensa, da carteira de projetos e do programa de cooperação internacional da Empresa (Laboratórios Virtuais no Exterior – Labex) forneceram os subsídios para as contribuições e análises de pesquisadores e especialistas que atuam nos mais de 40 centros de pesquisa da Embrapa no País.

           

            Impactos, cenários e megatendências: as projeções da pesquisa agropecuária para um futuro sustentável

           

O Sistema Agropensa da Embrapa vem trabalhando há anos com a análise e a projeção de cenários sobre a evolução e o futuro da agropecuária no Brasil e no mundo. Tendo em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas, o documento lançado este ano – “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira” – dá continuidade às análises e prospecções futuras consolidadas em duas outras publicações anteriores: “O Futuro do Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura Brasileira” (2014), e “Cenários exploratórios para o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira” (2016).

           

No primeiro estudo foram indicados os cinco eixos de impacto para orientar a atuação futura da Embrapa. No segundo, identificou-se quatro possíveis cenários para a evolução da agricultura do Brasil a médio e a longo prazo. Dialogando com essas prospecções de forma inovadora, esse terceiro estudo aponta sete megatendências delineadas por aspectos científicos, tecnológicos, socioeconômicos, ambientais e mercadológicos emergentes. “Tratam-se de indicadores de forças que se formam de maneira lenta, mas geram consequências que perduram por um longo prazo na agricultura”, explica Edson Bolfe.

           

Além de explorar aspectos específicos que levaram à percepção das sete megatendências, na publicação lançada agora, em 2018, são identificados os grandes desafios delas derivados. “A partir desses desafios foram feitas análises sobre como poderá ser a agricultura brasileira nos próximos anos. O objetivo é que as análises geradas contribuam para a tomada de decisões estratégicas da Embrapa e parceiros públicos e privados e para o maior desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil”, finaliza Bolfe.

           

            A trajetória e o atual posicionamento da agricultura brasileira frente às tendências e sinais forneceram as premissas para a condução das análises das megatendências. Entre elas, destacam-se o fato de que o Brasil continuará figurando entre os principais protagonistas mundiais na produção e no comércio de grãos e carnes nos próximos anos e a constatação de que a tecnologia foi responsável pelo alcance dessa posição e continuará funcionando como um vetor transformador.

           

Contribuições da ciência frente aos desafios

           

            Soluções apresentadas recentemente pela Embrapa indicam que a empresa já vem atuando no sentido de responder a alguns das dezenas de desafios apontados pelo estudo. O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária Brasileira (www.embrapa.br/macrologistica), lançado em março, atende, por exemplo, ao desafio de “Ampliar o uso da inteligência territorial estratégica em ações de governança e gestão pública e privada das cadeias produtivas da agricultura”, apontado pelas análises relacionadas à megatendência “Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura”.

           

            Sistemas de produção intensivos e sustentáveis, soluções resultantes da pesquisa e técnicas que dispensam o uso de insumos químicos integram o conjunto de soluções que fazem frente a desafios impostos pela megatendência “Intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção agrícolas”.

           

            Nesse sentido, um dos principais exemplos de sistemas de produção intensivos e sustentáveis é o de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), implantado, atualmente, em diferentes combinações, em mais de 11 milhões de hectares no Brasil. Com o audacioso objetivo de chegar a 1 milhão de hectares em 2030, a Rede ILPF constituída em 2012 pela Embrapa e quatro parceiros (Cocamar, John Deere, Soesp, Syngenta),  foi transformada em março em Associação, mudança de status marcada pela adesão de dois novos integrantes: a SOS Mata Atlântica e o Bradesco. Com foco na internacionalização, na agregação de valor por meio da certificação e na inovação, a agora Associação Rede ILPF continuará o trabalho de transferência de tecnologia, capacitação de assistência técnica e de comunicação, buscando aperfeiçoá-lo.

           

Com foco na mitigação dos efeitos da mudança do clima, uma ferramenta criada pela Embrapa é a Plataforma ABC, que tem como missão articular ações multi-instittucionais de monitoramento da redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) dos setores da agropecuária brasileira, sobretudo as reduções derivadas das ações previstas e em execução pelo Plano agricultura de baixa emissão de carbono – Plano ABC).

           

Entre as soluções resultantes da pesquisa, uma das mais recentes que será apresentada durante a solenidade de 45 Anos da Embrapa no próximo dia 24 é o processo de inoculação de braquiária com Azospirillum que, entre outras vantagens, também traz benefícios ambientais ao favorecer o sequestro de carbono da atmosfera e eliminar a necessidade de aplicação de insumos químicos à lavoura.

           

            Outro exemplo de contribuição da pesquisa agropecuária para o enfrentamento dos desafios que, por sua vez, atende à necessidade de reduzir perdas e desperdício de alimentos por meio do desenvolvimento de novas embalagens é a que resultou na criação de uma película biodegradável. Funcionando como um revestimento comestível para frutas, no caso do coco verde, a película pode prolongar em até quatro vezes a vida útil do produto. Ao ser adotada este ano pelo mercado, a solução está permitindo que uma fruta tipicamente tropical chegue à Europa atendendo a um mercado consumidor exigente: o revestimento garante a manutenção das características nutricionais do coco natural e a água dentro dele sem alteração de cor ou sabor. Mais uma prova concreta do quanto a ciência contribui, de fato, para a ampliação das exportações de produtos alimentícios.

Embrapa completa 45 anos e investe em mudanças para enfrentar novos desafios

Uma única pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa (Embrapa), um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja, permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa – apenas na última safra. Com essa inovação, os agricultores não precisam gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

 Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimento e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará na semana que vem os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes só serão anunciados  em uma solenidade no dia 24, em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

“O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro”, afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical – e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

“Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

 

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

 

Futuro e Visão 2030

 

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. “A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos”, diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para “dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

“Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade”, conclui o presidente Maurício Lopes.

Serviço:

Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa

Data: 24 de abril de 2018

Horário: 15 horas

Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF

Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Texto: Jorge Duarte e Robinson Cipriano

40 anos do Programa Genético Uvas do Brasil

Variedades desenvolvidas pela Embrapa Uva e Vinho contribuem para a expansão e a competitividade da vitivinicultura brasileira

A Embrapa Uva e Vinho, sediada em Bento Gonçalves, no último dia 6 de fevereiro apresentou os resultados dos 40 anos do Programa Genético Uvas do Brasil, implantado em 1977. O Programa, além de desenvolver novas cultivares para atender demanda de viticultores e vinícolas das diferentes regiões vitícolas brasileiras também tem utilizado o Banco Ativo de Germoplasma da Uva (BAG-Uva) para selecionar e disponibilizar clones, como a ‘Isabel Precoce’ e Concord Clone 30, e lançar, após validação, outras cultivares, como a ‘Tardia de Caxias’. Na ocasião, foi inaugurada a Exposição Histórica sobre o Programa de Melhoramento, retratando a viticultura na Serra Gaúcha, resultado da parceria entre a Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul.

Nessa trajetória, identificar as demandas do setor produtivo e criar uma nova cultivar, desde a escolha dos progenitores para cruzamento até a seleção de quais serão validadas em áreas de produtores parceiros, foram algumas das rotinas dos pesquisadores do Programa. Idealizado e coordenado pelo pesquisador Umberto Almeida Camargo, até a sua aposentadoria em 2009, o projeto teve continuidade sob a coordenação dos pesquisadores Patricia Ritschel e João Dimas Garcia Maia, que já integravam a equipe.

Através do Programa, foram lançadas dezenove cultivares para atendimento a três segmentos da cadeia produtiva vitivinícola: uvas de mesa (para consumo in natura) e para processamento (suco e vinho) todas com alta produtividade, boa concentração de açúcar e tolerância ao míldio, principal doença da videira.

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A pesquisadora Patricia Ritschel, ressalta que esses 40 anos também são um marco em termos de transferência de material propagativo para os viticultores. Ela acrescenta que hoje, o viticultor tem acesso a qualquer variedade, desde as mais clássicas como a Tardia de Caxias e Dona Zilá, até os novos lançamentos, como a Vitória, Núbia, Magna ou Isis, em viveiristas licenciados pela Embrapa em todas as regiões do Brasil.

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Ainda segundo Patrícia, as cultivares desenvolvidas pelo Programa especialmente para as condições brasileiras resultaram num novo padrão de uva de mesa, na produção de suco de uva de alta qualidade, na ampliação do período de colheita de uvas para a elaboração de suco em regiões de clima temperado e na elaboração de vinho de mesa varietal com valor agregado.

Cultivares para diferentes condições de relevo e clima

A atividade vitivinícola demanda mão de obra e tem boa rentabilidade por área, por ser uma cultura intensiva e perene. É, tipicamente uma atividade desenvolvida por agricultores de base familiar, mas também por grandes empreendimentos com foco, tanto na produção de uvas finas para processamento quanto na produção de uvas de mesa para exportação e mercado interno. Neste contexto, o Programa Uvas do Brasil desenvolveu projetos customizados no sentido de disponibilizar alternativas de variedades adaptadas as condições tropicais e globalmente competitivas. As regiões vitivinícolas tradicionais, do sul do Brasil, tipicamente produtoras de uvas para processamento, têm à disposição maior número de alternativas, com cultivares para diferentes condições de relevo e clima.

Maior acervo de germoplasma da América Latina

A Embrapa Uva e Vinho possui o maior acervo de germoplasma de videira de toda a América Latina. São 1400 acessos, introduzidos de diferentes partes do mundo e avaliados à campo para as condições da Serra Gaúcha; é a base de qualquer programa de melhoramento, pois é a partir do BAG que se recupera ou se identifica características para desenvolver uma nova cultivar. Informações como tipo de flor, características do cacho, da baga, fenologia, produção, composição química do mosto e incidência de doenças estão catalogadas e disponíveis ao público interessado no endereço: https://www.embrapa. br/uva-e-vinho/banco-ativo-de-germoplasma-de-uva. Para mais informações sobre o Programa de Melhoramento Uvas do Brasil acesse: https:// www.embrapa.br/uva-e-vinho/programa-uvas-do-brasil.

Ciência leva vitivinicultura para o agreste pernambucano

uva Nordeste

A degustação dos primeiros vinhos elaborados a partir de uvas colhidas em umaárea experimental deixa o Agreste Pernambucano no limiar de se constituir em uma nova região vinícola do Brasil. Apreciadas em um evento que reuniu cerca de 70 pessoas na Chácara Vale das Colinas, em Garanhuns (PE), as garrafas que iam sendo esvaziadas eram, na expressão do bioquímico Milson Maurício de Macedo, um anúncio de “harmonizar” Garanhuns e uma nova possibilidade de desenvolvimento econômico e social.

A boa qualidade da bebida apresentada serve como indicador do potencial da região para a produção de vinhos finos, vocação que está sendo desenvolvida com o auxílio do trabalho científico. O evento fez parte de um projeto que reuniu pesquisadores e professores da Embrapa Semiárido, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com o objetivo de avaliar o comportamento agronômico, a qualidade da uva e implementar o processamento de vinhos em regiões vitivinícolas não tradicionais.

Para tanto, foram testadas dez variedades de uvas europeias, e, em pouco mais de três anos de pesquisa no campo, foi possível identificar as que melhor se adaptam às condições de solo e clima do local. Entre elas estão três brancas: Muscat Petit Grain, Sauvignon Blanc e Viognier; e três tintas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah.

Ajustes no sistema de manejo das videiras

Com a pesquisa ainda em andamento, a equipe busca agora ajustes no sistema de manejo das videiras. Eles focam aspectos como aumento da produção, práticas de poda e a identificação do momento certo de realizar a colheita, a fim de dispor de frutos com os compostos fenólicos equilibrados na vinificação. “Grande parte da qualidade do vinho depende do manejo das plantas no campo”, explica a pesquisadora da Embrapa Semiárido Patrícia Coelho de Souza Leão, que lidera o projeto.

As uvas das variedades selecionadas foram cultivadas e colhidas no Campo Experimental do IPA, em Brejão, na microrregião de Garanhuns. Depois, foram levadas para vinificação no Laboratório de Enologia da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), utilizando o método tradicional para vinhos jovens e em escala experimental.

De acordo com a pesquisadora responsável pela vinificação, Aline Telles Biasoto Marques, os resultados mostraram que os vinhos elaborados a partir das uvas da região possuem potencial para a produção em escala comercial. “Eles se enquadraram dentro dos limites da legislação brasileira para vinho fino seco em todos os parâmetros avaliados: teor alcóolico, teor de açúcares, acidez total e volátil e dióxido de enxofre total”, afirma.

Também foram realizadas análises sensoriais pela equipe da Escola do Vinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE). Somadas à opinião das pessoas que participaram da degustação, elas mostraram que os vinhos de Garanhuns são bastante promissores.

“Os tintos se mostraram fiéis às características varietais e exaltaram a personalidade de vinhos tintos jovens”, avalia a enóloga e professora Ana Paula André Barros, do IF Sertão (PE). “Os brancos, por sua vez, são marcantes como varietais e apresentaram sensações visuais, olfativas e gustativas que podem indicar uma tipicidade do terroir do local”. Terroir, como ela explica, seria a expressão da harmonia entre a cultivar (uva), o solo, o clima e a ação do homem (manejo).

Potencial também para espumantes

“Isto é uma possibilidade porque algumas das variedades analisadas mostraram descritores sensoriais que não são comuns para elas, então podem ser comuns naquele terroir onde foram cultivadas”, enfatiza Ana Barros, que acrescenta: “Arriscaria a dizer que as uvas brancas, além de vinhos tranquilos, também teriam potencial para elaboração de espumantes naquela região.”

Durante a degustação, a sequência de elogios a cada taça servida era concluída com exclamações de surpresa por ser um vinho local, ou com afirmações de que, se fossem comercializados, sem dúvida iriam adquirir o produto. O corretor de seguros Cristóvão Valença de Vasconcelos já antevê a superação da atual falta de referências vinícolas na cidade. “Acho que Garanhuns vai dar um salto, vai ser aquela história de mudar da água para o vinho”, diz.

É no que acredita Clebson Nunes, técnico da Secretaria de Turismo e Cultura de Garanhuns. Para ele, uma “iguaria” como vinhos elaborados localmente é uma atração a mais para a região montanhosa de clima ameno e com uma extensa programação anual de eventos promovidos pela prefeitura e que costuma encher de reservas os hotéis da cidade. Nunes informa que apenas o Festival de Inverno de Garanhuns deste ano trouxe mais de um milhão de pessoas ao município pernambucano que possui pouco mais de 140 mil habitantes.

Opção aos pequenos produtores

Garanhuns está localizada a quase 900 metros acima do nível do mar, com temperatura média anual de 20,6º C. As características climáticas estão em uma transição entre aquelas registradas nas regiões vinícolas do Semiárido brasileiro (Submédio do Vale do São Francisco) e as do Sul e Sudeste. É o que aponta o engenheiro-agrônomo Rodrigo Leite de Sousa em sua dissertação de mestrado “Aptidão de cultivares de videira para produção de vinhos finos na microrregião de Garanhuns-PE: Estudos iniciais”, defendida na UFRPE. Ele identificou, ainda, semelhanças de clima com, ao menos, oito tradicionais produtores de vinhos de cinco países: Espanha (Málaga e Tenerife), Israel (Haifa), Itália (Lecce e Trapani), Tunísia (Bizerte e Nabeul) e Turquia (Izmir).

A pesquisadora da Embrapa Semiárido Patrícia Coelho de Souza Leão considera que desenvolver a vitivinicultura em regiões de vocação natural para o turismo, associado ao clima ameno e invernos mais rigorosos, poderá vir a ser uma nova alternativa de cultivo para pequenos agricultores familiares organizados ou médios empresários.

É o que já ocorre com sucesso na Serra Gaúcha, ao integrar cultivo da videira, enoturismo, e setores de serviços como hotelaria e gastronomia. E, para a pesquisadora, pode vir a acontecer também em Garanhuns, o que seria importante para instaurar um segmento econômico forte, capaz de promover desenvolvimento e gerar emprego.

Avanços alcançados pela pesquisa da Embrapa, UFRPE e IPA têm sido acompanhados de perto pelo empresário e médico oftalmologista Michel Moreira Leite. Cearense de nascimento, residindo em Garanhuns há 14 anos, está no processo de construção de uma vinícola com a implantação de 3,5 hectares com três das variedades de melhor desempenho produtivo e enológico: 40% da área com Muscat Petit Grain e o restante dividido entre Cabernet Sauvignon (30%) e Malbec (30%).

Segundo Michel Leite, o plano é trabalhar com enoturismo, sem a pretensão comercial de ver os vinhos que irá produzir em prateleiras de supermercados. “Com esse pontapé inicial, quem sabe não virão outros investidores?”, sonha ele, já imaginando a abertura de outras vinícolas, que podem se agregar à produção de queijos especiais e de outros derivados das uvas, como geleias, doces, cosméticos, uvas passas, sucos e espumantes.

Ciente do caminho pioneiro que empreendia e da entusiasmada receptividade a cada vinho degustado, assim como da diversidade de sabores e aromas percebidos pelos enólogos e seus convidados, Michel brindou aos pesquisadores e professores da Embrapa, da UFRPE, do IPA e do IF-Sertão com o reconhecimento: “vocês estão fazendo história.”

 

Safra 2017 é degustada por mais de 100 enólogos em Bento Gonçalves

Evento ocorre durante oito dias, com análises de 327 amostras e 59 vinícolas

 DSC_0120A 25ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2017, iniciada na última terça-feira, 15, se estenderá até o dia 24 de agosto . Nesses oito dias de degustação, 120 enólogos, divididos em oito grupos de 15 profissionais cada, estão avaliando às cegas 327 amostras de 59 vinícolas de seis estados brasileiros. São eles: Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. No dia 23 de setembro, será apresentado a um público de 850 apreciadores o resultado da degustação com os 16 vinhos selecionados entre os 30% mais representativos da Safra 2017. Os participantes também poderão fazer a degustação dos escolhidos.

As degustações serão realizadas em Bento Gonçalves, no Laboratório de Análise Sensorial da Embrapa Uva e Vinho, responsável pela coordenação técnica do evento. Os primeiros dois grupos, A e B, entram em ação nos dias 15 e 16 de agosto.Nos dias 17 e 18 será a vez dos grupos C e D; nos dias 21 e 22 os grupos E e F e nos dias 23 e 24 os grupos G e H finalizam a etapa de degustação de seleção.

O presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Edegar Scortegagna, estará acompanhando de perto os trabalhos. “A degustação é técnica e segue normas internacionais. Os avaliadores têm acesso apenas a informações relacionadas a categoria das amostras”, explica o enólogo. “Nossa expectativa é grande. Na taça poderemos, de fato, avaliar a qualidade da safra e antever o que o consumidor poderá encontrar a partir do final deste ano”, complementa.

Inscrições do público

O grande momento do vinho brasileiro é quando o grande público participa da última etapa da Avaliação, degustando as 16 amostras selecionadas entre os 30% mais representativos. Para participar dessa experiência única, considerada a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo, os interessados deverão se inscrever no site www.enologia.org.br. O período para as inscrições abre dia 29 de agosto, às 8h30min.

O investimento para associado é de R$ 250. Não associados pagam R$ 310. A partir deste ano, a Fundaparque, administradora do Parque de Eventos onde ocorre a Avaliação, passará a cobrar R$ 10 para o estacionamento de carros e R$ 5 de motos. A cobrança será aplicada a todos os veículos que acessarem o parque, oferecendo cobertura de seguro, além de atuar com uma equipe responsável pela orientação e segurança do local.

Programação da degustação de seleção

Grupos A e B: 15 e 16 de agosto

Grupos C e D: 17 e 18 de agosto

Grupos E e  F: 21 e 22 de agosto

Grupos G e H: 23 e 24 de agosto

Foto: Jeferson Soldi

Manejo de inverno em pessegueiros

Por Thompson Didoné
Enólogo Emater/RS-Ascar Bento Gonçalves
AGRICULTURA

No período de dormência das plantas do pessegueiro (inverno) vários tratos culturais são necessários para que se obtenha uma boa produção de frutas com qualidade. Podemos citar como práticas que estão sendo executadas: a adubação, poda seca, cultivo de culturas de cobertura de solo e tratamentos fitossanitários de inverno.

A adubação de correção deve ser baseada em análises de amostras de solo e, no caso de adubação de manutenção, deve também ser considerada a exportação de nutrientes do solo pelo volume de produção de frutos que são comercializados.

A poda seca é a principal prática cultural que está sendo feita e encontra-se bastante adiantada nas variedades superprecoces como a BRS Kampai e PS 25.399 (do cedo), cultivadas em mesoclimas mais quentes (vales de rios). Essas variedades já demonstram a abertura das primeiras flores, de forma antecipada, devido ao escasso número de horas de frio acumulado até o momento. Nesse caso, deve-se ter cuidado com a aplicação de caldas como tratamento de inverno, pois podem resultar em danos nas gemas floríferas.

Nos locais mais altos, boa parte da poda seca já foi feita na pré-poda ou poda de outono, cabendo destaque para a variedades Chimarrita (variedade mais cultivada) e PS 10.711 (do tarde). Nessas variedades recomenda-se a aplicação de calda bordalesa ou sulfocálcica.

A grande maioria dos pomares possui cobertura vegetal no solo, tendo importância evidenciada nesse ano de períodos chuvosos constantes. A proteção do solo, evitando ou diminuindo o efeito da erosão, a manutenção e elevação da matéria orgânica, a reciclagem dos nutrientes e a melhoria da estrutura do solo são algumas das vantagens que podem ser evidenciadas nesta prática.

Como tratamentos fitossanitários que podem e devem ser feitos destacamos a aplicação de calda sulfocálcica (enxofre e cal, mais fervura). Porém, deve-se ter o cuidado para que a calda seja armazenada de forma correta, em local seco e ao abrigo da luz. Também se faz necessário que a calda tenha a graduação em que são feitas as recomendações de diluição em água, que são baseadas em caldas com 32° Be. Sempre é importante saber a graduação da calda para fazer a diluição correta.

Na microrregião de maior concentração e cultivo de plantas de produção de pêssegos de mesa da Serra Gaúcha, constituída pelos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Farroupilha, está sendo instalado o sistema piloto de monitoramento e alerta da presença de mosca das frutas, principal praga da cultura na região.

No mês de agosto o sistema de alerta passará a divulgar as informações e recomendações sobre o controle da mosca das frutas. Assim, no mês de julho estaremos divulgando em que se constitui e como funcionará o Sistema de Alerta Fitossanitário para a presença da Mosca das Frutas. Para mais informações entre em contato com o Escritório Municipal da EMATER/RS-ASCAR de um dos municípios citadas ou com a EMBRAPA de Bento Gonçalves.

Embrapa e Ibravin apresentam dados da produção de uva no Rio Grande do Sul

Informações do Cadastro Vitícola 2013-2015 serão mostradas na próxima segunda-feira, dia 24, em evento para dirigentes, viticultores e imprensa.

Na próxima segunda-feira, dia 24 de abril, a partir das 9h30min, a Embrapa Uva e Vinho e o Instituto Brasileiro do Vinho – Ibravin, apresentam o Cadastro Vitícola 2013-2015, no Auditório da Empresa de Pesquisa, em Bento Gonçalves . A nova edição é realizada pelas entidades promotoras, com o apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 bvinhosO Cadastro Vitícola 2013-2015 é uma sistematização de informações dos vinhedos declaradas pelos viticultores do estado do Rio Grande do Sul. A edição apresenta, além de uma análise criteriosa sobre os dados cadastrais, mapas com a distribuição espacial dos vinhedos georreferenciados.

São informações históricas de dados e gráficos da viticultura gaúcha nos últimos 20 anos e os números detalhados de área das propriedades e dos vinhedos, cultivares por microrregião e por município e vinhedos por variedades.

 

A pesquisadora e coordenadora do Cadastro Vitícola, Loiva Maria Ribeiro de Mello, que irá fazer uma apresentação da edição no evento, antecipa que se constata uma mudança na viticultura no Estado, que está avançando para regiões mais planas, nas quais é possível a mecanização do cultivo. “A viticultura tradicional da Serra Gaúcha é essencialmente de agricultura familiar, instalada em pequenas propriedades de topografia acidentada. Agora, com o avanço do plantio na Serra do Sudeste, por exemplo, as propriedades possuem maior área de produção ”, destaca a pesquisadora. No Rio Grande do Sul, o levantamento de dados que alimentam o cadastro tem sido realizado desde 1968.

 Desde o ano 2000, a coordenação técnica do Cadastro Vitícola é realizada pela Embrapa Uva e Vinho, por delegação do Mapa. O projeto é financiado pela Embrapa e pelo Ibravin, com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) e conta com o apoio de outras instituições e entidades (sindicatos de produtores, Emater/RS e associações de produtores).

Após o evento, o cadastro e todas as suas possibilidades de buscas a partir de filtros estabelecidos estarão disponíveis para consulta, impressão ou exportação na página da Embrapa Uva e Vinho.

Foto: Silvia Tonon