Posts

Definido o preço mínimo da uva para a safra 2018/2019

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou na última terça-feira (4) o valor mínimo que será pago pelo quilo da uva industrial na safra 2018/2019, que será de R$ 1,03.

O Presidente da Frente Parlamentar em defesa da Vitivinicultura, deputado Afonso Hamm, destacou que o reajuste do preço era uma reivindicação do setor. “Essa é uma boa notícia para os produtores que enfrentaram a elevação dos custos de produção em decorrência da precificação ser em dólar, que acabou retirando boa parte da margem de lucro dos agricultores. Estamos propondo um reequilíbrio para os vinicultores e a indústria”, afirmou.

O parlamentar, que também é produtor de uvas viníferas, ressaltou que uma das principais preocupações é diminuir o impacto dos prejuízos na Serra Gaúcha, principal polo vitivinícola do país, que foi atingida pelo granizo que destruiu boa parte dos parreirais no final de outubro.

“Estivemos reunidos com os produtores da região da Serra e Campos de Cima da Serra e constamos que a situação é muito grave, com perdas que chegam a 90% da produção. Além do reajuste do preço mínimo da uva vamos trabalhar para modernizar a Lei do Vinho e reduzir as alíquotas do IPI do vinho”, afirmou.

 O reajuste do preço deve ser aplicado já a partir do dia 1º de janeiro de 2019 e vale para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil.

image003

Clima, que antecipou colheita da safra 2018, também contribuiu para a qualidade da uva

VINICULTURA NA REGIÃO DA SERRA GAÚCHA

Os produtores de uva da Serra Gaúcha foram surpreendidos na safra 2017/2018. As frutas amadureceram mais cedo e a colheita foi antecipada. Os primeiros cachos foram retirados no final de dezembro, cerca de vinte dias antes do período normal. O responsável por isso foi o clima. Fez menos frio durante o inverno. A média na região é de 410 horas com temperaturas abaixo de sete graus. Mas em 2017, foram somente 188 horas. As altas temperaturas no mês de setembro e a menor quantidade de chuva no período também contribuíram para que o ciclo da maioria das variedades fosse acelerado.

Safra Cooperativa Garibaldi - Cassius Fanti

A colheita da safra da uva 2017/2018 rendeu cerca de 720 mil toneladas entre os municípios produtores da Serra Gaúcha, responsável por 90% da produção do Estado. Esse número é vinte por cento menor que no ano passado, mas fica dentro da média histórica. Mesmo assim, os viticultores estão comemorando a qualidade das uvas resultante da boa graduação da safra. Segundo o Ibravin, as indústrias vinícolas também estão felizes com a qualidade da uva da última safra.

Cooperativa Aurora: maturação uniforme

“O clima foi o grande aliado para que esta safra, que praticamente acaba de ser colhida, apresentasse uma graduação elevada. A maturação foi uniforme, resultando em uvas com bom teor glucométrico que garantem qualidade às bebidas derivadas da fruta”. A afirmação é do diretor executivo geral da Cooperativa Vinícola Aurora, Herminio Ficagna. Segundo ele, a safra 2018 foi tão excepcional como as de 2002 e 2012.

LEIA MAIS: Aurora é a marca de vinhos mais lembrada pelo público gaúcho

As onze mil e cem famílias associadas a Vinícola Aurora que, entre pequenas propriedades rurais de onze municípios da região da Serra Gaúcha, cultivam 2.900 hectares com uva entregaram à cooperativa 62 milhões de quilos. A entrega começou na segunda semana de dezembro do ano passado, encerrando na segunda semana de março.

Safra - Créditos Wagner Meneguzzi

Na safra 2016/2017 a colheita conjunta dessas famílias foi de 71,5 milhões de quilos. Elas cultivam, para vinho de mesa e suco de uvas, a Isabel, a Bordô e a Seibel. Para espumantes os Moscatos, Prossecco, Chardonnay e Riesling e, para vinhos finos, as varietais Cabernet Franc, Sauvignon, Tannat e Merlot, entre outras.

Cooperativa Garibaldi: quesito qualidade

O trabalho árduo das cerca de 400 famílias associadas à Cooperativa Vinícola Garibaldi no preparo do solo, cultivo das videiras e colheita dos frutos apareceu de forma marcante nos resultados da safra deste ano – foram 19,6 milhões de quilos de uva entregues desde o início da vindima, em dezembro de 2017. Do total recebido, 20% será destinado à produção de espumantes, bebida que tem se consolidado com um dos carros chefe da marca, tanto em participação de mercado quanto no reconhecimento por meio de premiações em concursos brasileiros e internacionais.

O encerramento da entrega, no último dia 2 de março, veio acompanhado de uma avaliação positiva no quesito qualidade. “Por mais uma vez, estamos recebendo uma safra de excelência, motivo de orgulho para a Cooperativa, que evolui a cada ano no nível de produtos apresentados ao mercado. Esse ganho crescente de qualidade é, sem dúvida, consequência do comprometimento de cada família associada em melhorar permanentemente o nível das uvas”, afirma o presidente Oscar Ló. Os resultados completos da safra serão apresentados aos produtores em assembleia geral ordinária, no próximo dia 29 de março.

Setor vinícola retoma vendas e encerra 2017 com alta de 5,6%

Último trimestre do ano consolidou recuperação comercial, com destaque para o suco de uva 100%, que fechou o ano com crescimento de 16%

Com uma retomada iniciada no terceiro trimestre e que ganhou fôlego nos últimos três meses do ano, o setor vitivinícola terminou 2017 com dados positivos, apresentando crescimento de 5,67% nas vendas no mercado interno. No total, foram comercializados 363.184.941 litros de vinhos, espumantes, sucos e outros derivados da uva.

Nos vinhos tranquilos, as vendas ficaram positivas em 2,19%, com 189,3 milhões de litros comercializados. Os vinhos espumantes ampliaram o volume em 3,22%, com 17,4 milhões de litros, e os sucos de uva 100% prontos para consumo foram os itens que mostraram melhor desempenho, com expansão de praticamente 16% ante o ano anterior, com 109 milhões de litros vendidos.

“O início do ano foi bem difícil, pois vínhamos de uma quebra de safra recorde (ocorrida em 2016), que aumentou os custos de produção, diminuiu a oferta de produtos, junto com uma crise econômica e política que deixou o mercado bastante retraído. Essa conjuntura começou a se dissipar apenas a partir do terceiro trimestre”, observa o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Oscar Ló. “A partir daí, os espumantes e os sucos, produtos em que temos maior competitividade, já estavam com vendas melhores que em 2016, mas foram os últimos três meses do ano que recuperamos os resultados de fato”, complementa o dirigente.

Venda vinhos BRA 2017 - Dandy Marchetti

No ano passado, 32% do total das comercializações foram efetivadas entre outubro e dezembro. Marcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin, observa que, a partir da metade do ano, com o ingresso dos produtos elaborados a partir da nova safra – recorde histórico no Rio Grande do Sul, com 753 milhões de quilos – houve um arrefecimento nos custos e, por consequência, nos preços ofertados ao consumidor, assim como uma melhoria na perspectiva econômica no país. Com o resultado, no mercado doméstico, os rótulos nacionais mantiveram a participação de 61,5% nas vendas de vinhos e de 71% nos espumantes.

Somando as vendas dos produtos brasileiros com os volumes de importação, o mercado de vinhos ampliou em 13%. No ano passado, ingressaram no país aproximadamente 125,8 milhões de litros de vinhos e espumantes, representando alta de 36,6% ante 2016. O suco de uva, por sua vez, recuou 18,7%, com o ingresso de 226,5 mil litros.

Para esse ano, a perspectiva é de ampliação dos resultados positivos iniciados no último trimestre de 2017 devido à normalização dos estoques e aos produtos elaborados a partir da safra 2018, considerada de excelência em qualidade. Entretanto, para ampliar a competitividade mercadológica, o setor trabalha pela retirada do vinho do regime de Substituição Tributária (ST).

No início do mês, durante o lançamento da Wines South America, feira internacional que será realizada em setembro, em Bento Gonçalves, Ló fez um pedido para que o governo do Rio Grande Sul lidere um movimento pelo fim da ST. “O Rio Grande do Sul, como maior produtor de uvas e vinhos do país, tem que dar o exemplo junto ao Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Não estamos pedindo redução de alíquotas, embora este também seja um grande pleito do setor. O que buscamos é alteração na forma de cobrança do ICMS, que pelo regime estabelecido onera principalmente as empresas vinícolas. Diversas unidades da Federação já estão alterando sua legislação e eliminando a ST, já que com os atuais instrumentos existentes para o controle fiscal, a cobrança antecipada do tributo não se justifica. Temos certeza que com esta medida, não haverá perda de arrecadação e poderá estabelecer um estímulo para ampliar ainda mais as vendas no mercado interno”, defendeu.

Os estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Maranhão e Pará já retiraram o mecanismo da ST para os vinhos.

 Dados de destaque:

– No mercado interno o setor vitivinícola ampliou as vendas em 5,67%.

– Na categoria de vinhos tranquilos, que ficou com alta de 2,19% no ano, a retomada da comercialização ocorreu no último trimestre. Entre outubro e dezembro as vendas cresceram 32% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

– A participação de mercado dos rótulos nacionais de vinhos tranquilos ficou em 61,5%.

Desempenho comercial 2017

  2016 2017 2016/17
Vinhos 185.240.774 189.296.869 2,19%
Espumantes 16.861.200 17.403.873 3,22%
Total vinhos* 205.226.076 210.504.985 2,57%
       
Sucos de uva 100% 94.062.052 109.031.664 15,91%
       
Total geral** 343.701.968 363.184.941 5,67%

 

* Vinhos finos, de mesa, espumantes e outras categorias

** Incluindo vinhos, sucos e outras bebidas derivadas da uva

Fonte: Cadastro Vinícola, mantido em parceria entre Ibravin, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi/RS). Números referentes as vinícolas gaúchas, em litros.

 

Importações

  2016 2017 2016/17
Vinhos 88.389.050 118.808.313 34,42%
Espumantes 3.748.557 7.074.330 88,72%
Sucos de uva 278.626 226.594 -18,67%
Total 92.416.233 126.109.237 36,46%

Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – AliceWeb

 

 

FOTO
Legenda:
 Setor pleiteia retirada da Substituição Tributária para ampliar participação do vinho brasileiro no mercado interno

Crédito: Dandy Marchetti/Banco de Imagens Ibravin

Vinícola Aurora comemora 87 anos com investimento em tecnologia

Maior e mais premiada vinícola do Brasil registra crescimento e mantém liderança no mercado brasileiro em suco de uva, vinhos finos e coolers

A Vinícola Aurora comemora 87 anos de história no dia 14 de fevereiro.  A data é celebrada com a implantação de dois robôs no recebimento das uvas, um na matriz e outro na unidade Vinhedos, ao lado da qual será inaugurada a pedra fundamental da construção da nova fábrica, com início de atividades previsto para 2019. “Somos a primeira vinícola do mundo a implantar robôs nesse setor”, comemora Itacir Pedro Pozza, presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Vinícola Aurora.

Os dois novos robôs, produzidos na Alemanha, chegam para eliminar o trabalho braçal do descarregamento dos caminhões com uvas, e poderão descarregar até 3 BINs por minuto, ou seja, 1,2 tonelada de uvas em 60 segundos. Os robôs de safra somam-se aos 4 robôs japoneses que a vinícola já tem em operação na expedição dos produtos acabados.

20 milhões a Aurora irá investir em uma nova fábrica, que começa a ser construída neste mês, com 14 mil metros quadrados de área construída no Vale dos Vinhedos, para concentrar a produção e a expedição dos sucos de uva e vinhos de mesa. Dessa forma, a matriz ganhará mais fôlego e capacidade para expandir a produção dos vinhos e espumantes finos. “É um marco na história da Aurora”, afirma o presidente. “Esse conjunto de medidas constituem as mais significativas inovações na empresa nos últimos 50 anos”, avalia. Além disso, a Aurora irá investir em novas linhas de envase, com alta capacidade produtiva.

LEIA TAMBÉM: Vinícola Aurora exporta, em janeiro, volume igual ao de todo o primeiro semestre de 2017

Com um faturamento de R$ 515 milhões em 2017, a vinícola registrou crescimento de 5% em um ano de crise na economia do país, mantendo sua liderança no mercado interno em suco de uva integral, vinhos finos e coolers (marca Keep Cooler). A vinícola recebeu 72 mil toneladas de uvas na safra 2017, colhidas nas propriedades dos 1.100 produtores associados que formam a cooperativa, e espera receber volume semelhante e de alta qualidade na colheita de 2018, que se encerra no início de março.

“ A Aurora é a maior vinícola do Brasil e tem o compromisso de continuar crescendo e se modernizando”, afirma Hermínio Ficagna, diretor-geral da Vinícola Aurora.

A vinícola possui um portfólio de 13 marcas próprias e mais de 200 itens, além de marcas de terceiros que elabora para clientes. Exporta para mais de 20 países e concentra seu foco de expansão das vendas externas em 2018 na Ásia, com potencial de ampliação de negócios com a China (país comprador há 2 anos) e Japão, seu cliente há 20 anos que dobrou suas importações de produtos da Aurora nos últimos dois anos.

O mercado chinês tem se mostrado receptivo aos espumantes Moscatel. “ A Ásia segue sendo o foco da Vinícola Aurora nas exportações de 2018”, informa Rosana Pasini, gerente de exportações da empresa.

VEJA MAIS: Meber completa 57 anos valorizando talentos internos

Safra da uva 2017 na Serra Gaúcha

Mauro César Zanuz 
Chefe da Embrapa Uva e Vinho 

Descrever a safra da uva é falar de duas coisas: quantidade e qualidade. A safra 2017 será de muito boa produção, de quantidade normal, de aproximadamente 650 milhões de quilos, com viés para acima do normal. Nos vinhedos da Embrapa e de diversas áreas na região se observa grande brotação das gemas pelas condições climáticas favoráveis ao cultivo, ocorridas em agosto e setembro do ano passado. Além disso, na fase da floração, na última primavera, as condições também foram favoráveis. As videiras estão com quase nada de doenças, como o míldio, entre outras. A produção dessa vindima irá atenuar os problemas de quebra da safra 2016, de cerca de 50%, permitindo que as empresas regularizem seus estoques de vinhos.

16602631_1082383871890265_2058797977145930605_nNo que se refere à qualidade dessa safra a definição está ainda em andamento e dependerá muito de haver maior insolação e chuvas menos frequentes e de menor intensidade que aquelas que presenciamos na segunda metade de dezembro e início do último mês de janeiro. A verdade é que todos os prognósticos climáticos reportavam que teríamos um verão sob a influência de ‘La niña’, determinando uma incidência de chuvas abaixo do normal. Recentemente, uma atualização dos modelos de previsão climática remete que o fenômeno ‘La niña’ será mais fraco do que se previa. Ainda assim, neste mês de fevereiro e no próximo de março, quando ficam prontas as uvas de maturação intermediária (Isabel, Merlot) e tardia (Cabernet Sauvignon, Moscato Branco), há previsão de um clima favorável, com mais sol e menos chuvas. Então, espera-se uvas mais sadias e com maior teor de açúcares e coloração na casca, habilitando a elaboração de vinhos e sucos de excelente qualidade.