Borra de
café, chinelos de borracha, papelão e tampas plásticas normalmente são
associados a rejeitos – mas produtos finalistas do Prêmio
Salão Design mostram que esses materiais podem ser
reaproveitados no mobiliário. Com pesquisa e criatividade, designers
profissionais e em formação comprovam que matérias-primas não convencionais
podem gerar móveis que equilibram função, estética e sustentabilidade.
A mostra
do 27º Prêmio Salão Design apresentada na feira Movelsul Brasil, que ocorre de
17 a 20 de agosto, em Bento Gonçalves (RS), reúne 116 produtos finalistas na
27ª edição de um dos concursos de design moveleiro mais tradicionais da América
Latina. Entre os destaques estão 16 peças da categoria “Reutilizar”, que propôs
o uso de materiais com responsabilidade sustentável. A visitação ao evento é
das 12h às 19h (segunda a quarta-feira) e das 12h às 17h (quinta-feira),
bastando realizar credenciamento pelo site movelsul.com.br.
Papelão
reciclado e terra
Assinada
por Gabriel De La Cruz Mota e Domingos Tótora, a Mesa Sobrepor possibilita uma
peça com cerca de 95% do volume composto por materiais reutilizados (papelão
reciclado, terra e água). A transformação do papelão por técnica autoral gera
uma matéria com propriedades, texturas e tons próprios, não encontrados em
materiais convencionais. No tampo, madeira reaproveitada proveniente de
demolição. Peça premiada na modalidade profissional da categoria “Reutilizar”.
Chinelos
de borracha
Produzida
com 100% de borracha reciclada de chinelos pós-consumo, a Banqueta e Mesa
Lateral Resola adota o conceito Zero Waste, promovendo economia circular.
Resistente, maciça e sem estrutura interna, a peça é assinada por Luiz Claudio
Livoti (Desmobilia).
Resíduos
de tecido da indústria
?O
principal diferencial do Banco Converso é o uso inovador de resina e resíduos
têxteis da indústria, garantindo alta resistência estrutural e estética
exclusiva a cada compósito desenvolvido. A estrutura é de madeira de demolição
na espécie pinho de riga. Assinado por Brenda Kariny Almeida Caldas Silva
(Universidade Federal do Rio de Janeiro), o móvel foi premiado na modalidade
estudante – além de render a Brenda o título de estudante destaque na 27ª
edição do Prêmio Salão Design.
Borra de
café
Segundo a
Associação Brasileira da Indústria de Café, nosso país gera mais de 1 milhão de
toneladas de borra de café ao ano – um resíduo orgânico com alto potencial de
reuso, mas ainda pouco explorado. Com o objetivo de reaproveitar esse material,
Maria Heloísa de Queiroz Rodrigues, estudante da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná, apresenta a Messa Torrô, cujo tampo de biocompósito utiliza
9kg de borra de café reciclado.
Cacos de
vidro
Com a Mesa
Lateral Araucária, a designer Carol Gay propõe uma reflexão sobre o
reaproveitamento de materiais. A base da mesa, feita de metal, é inspirada nas
formas das árvores araucárias. O grande destaque está no tampo, que utiliza um
material pouco explorado pelo setor moveleiro: resíduos de produção da
indústria de vidros soprados. Ela aplicou a técnica de fusing para
moldar e fundir os cacos de vidro, recriando formas e acabamento.
Tampinhas
de plástico
A Cadeira
Sorriso, assinada pelo designer Luciano Rocha, nasceu com o objetivo de criar
impacto social positivo em uma comunidade de recicladores em Porto Alegre (RS).
O assento e o encosto são produzidos com aproximadamente 3.600 tampinhas de
plástico recicladas, coletadas por uma escola comunitária.
SOBRE O
PRÊMIO SALÃO DESIGN
O Prêmio
Salão Design é realizado desde 1988 pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário
de Bento Gonçalves (Sindmóveis) com o objetivo de aproximar designers e
indústrias. Além de tornar o setor mais competitivo, inovador e sustentável,
cria uma vitrine internacional para o talento de profissionais e estudantes,
possibilitando parcerias e reconhecimento no mercado. Nesses quase 40 anos, a
premiação soma mais de 17 mil projetos inscritos por participantes de 39
países. A 27ª edição conta com patrocínios master de Interprint e Duratex,
standard de Akeo e especial de Renna, SCA e Todeschini. A mostra na Movelsul
Brasil é realizada por meio da Lei Rouanet.
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