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O novo perfil da terceira idade

Com o aumento da expectativa de vida, novas frentes de atendimento, aliadas a processos tecnológicos, dão suporte a essa nova realidade

Por Kátia Bortolini

Na maioria dos países, cresce percentual de idosos

Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo rapidamente em relação a outras faixas etárias. O Brasil, segundo a World Health Organization (WHO), até 2025 será o sexto país em número de idosos. Esse cenário é decorrente da redução nas taxas de fertilidade e do acréscimo da longevidade nas últimas décadas. Em todo os países do mundo estão sendo registradas quedas nas taxas de fertilidade. Conforme a WHO, até 2025, 120 países terão alcançado taxas de fertilidade total abaixo do nível de reposição (média de fertilidade de 2,1 crian- ças por mulher).

Atualmente, os especialistas no estudo do envelhecimento referem-se a três grupos de pessoas mais velhas: os idosos jovens, os idosos velhos e os idosos mais velhos. O termo idosos jovens geralmente se refere a pessoas de 65 a 74 anos, que costumam estar ativas, cheias de vida e vigorosas. Os idosos velhos, de 75 a 84 anos, e os idosos mais velhos, de 85 anos ou mais, são aqueles que têm maior tendência para a fraqueza e para a enfermidade e podem ter dificuldade para desempenhar algumas atividades da vida diária. Embora esta categorização seja bastante usual, o processo de envelhecimento é uma experiência heterogênea, vivida como uma experiência individual. Algumas pessoas, aos 60 anos, já apresentam alguma incapacidade, outras estão cheias de vida e energia aos 85 anos.

Idade funcional

Outra classificação muito usada é por idade funcional, referente ao quanto uma pessoa funciona em um ambiente físico e social, em comparação a outras de mesma idade cronológica. Uma pessoa de 90 anos, com boa saúde física, pode ser funcionalmente mais jovem do que uma de 65 anos. A distin- ção entre idosos jovens, idosos velhos e idosos mais velhos pode auxiliar no entendimento de que o envelhecimento não é algo determinado pela idade cronológica, mas é consequência das experiências passadas, da forma como se vive e se administra a própria vida no presente e de expectativas futuras. Uma pesquisa feita por acadêmicos de Psicologia da Universidade de Campinas mostra que a velhice é uma experiência individual que pode ser vivenciada de forma positiva ou negativa, em consonância com a história de vida da pessoa e da representação enraizada dessa fase da vida na sociedade em que vive. Ainda, segundo a pesquisa da Universidade de Campinas, muitos idosos que não se reconhecem como tal, têm estereótipos negativos em relação a velhice. São estereótipos que refletem ideias errô- neas comuns, como: as pessoas idosas são doentes, rabugentas e excêntricas, gerando uma imagem distorcida da velhice. A maioria dos idosos, além de não ser doente, apresenta dimensões de personalidade que teceram ao longo de toda a vida. Também, conforme a pesquisa, para muitas pessoas interagir com velhos é lembrar-se da proximidade da morte.

Velhice entrou “em baixa” no mundo ocidental no século 19

A velhice começou a ser tratada como uma etapa da vida caracterizada pela decadência física e ausência de papéis sociais a partir da segunda metade do século 19. As associações negativas relacionadas à velhice atravessaram os séculos e, ainda hoje, mesmo com tantos recursos para prevenir doenças e retardá-las, é temida por muitas pessoas e vista como uma etapa detestável. Já as sociedades não ocidentais apresentam imagens positivas da velhice e do envelhecimento, ensinando que a representação de velhice enraizada nas ideias de deterioração e perda não é universal. À medida que o envelhecimento é documentado em outros povos, constata-se que ele é um fenômeno profundamente influenciado pela cultura.

Razão de dependência e taxa de envelhecimento

Segundo o Atlas do Desenvolvimento Urbano no Brasil, entre 2000 e 2010, a razão de dependência em Bento Gonçalves passou de 42,16% para 35,42% e a taxa de envelhecimento, de 6,38% para 8,42%. Em 1991, esses dois indicadores eram, respectivamente, 48,90% e 5,53%.

Na Unidade Federativa, a razão de dependência passou de 65,43% em 1991, para 54,88% em 2000 e 45,87% em 2010; enquanto a taxa de envelhecimento passou de 4,83%, para 5,83% e para 7,36%, respectivamente.

A razão de dependência é o percentual da população de menos de 15 anos e da população de 65 anos e mais (população dependente) em relação à população de 15 a 64 anos, potencialmente ativa.

A taxa de envelhecimento é a razão entre a população de 65 anos ou mais de idade em relação à população total.

“Muito longe de oferecer ao indivíduo um recurso contra seu destino biológico, assegurando-lhe um futuro póstumo, a sociedade de hoje o rechaça, ainda vivo, para um passado ultrapassado. Outrora, imaginava-se que cada um, ao longo dos anos, acumulava um tesouro: a experiência.”

Estatuto do Idoso prevê direitos a brasileiros com mais de 60 anos

O Estatuto do Idoso, proposto pelo projeto parlamentar da lei federal nº 3.561 de 1997, de autoria do então deputado federal Paulo Paim, resultante da organização e mobilização de aposentados, pensionistas e idosos vinculados à Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (COBAP), foi uma grande conquista para brasileiros com mais de 60 anos. O estatuto, sancionado pelo ex-presidente Lula em outubro de 2003, depois de seis anos de discussão no Senado Federal, entrou em vigor no dia 1 janeiro de 2004. Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso, lei de 1994 que dava garantias à terceira idade, o estatuto institui penas severas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos da terceira idade.

Conforme o Estatuto, o idoso tem preferência e priorização no atendimento dos serviços prestados pela sociedade, na formulação, na execução e na destinação de recursos provenientes das políticas sociais e de saúde, bem como na viabilização de sua participação nos segmentos sociais e de convívio com sua família, e na garantia do acesso à rede dos serviços de saúde e sociais. A lei também preconiza que nenhum idoso pode sofrer negligência, discriminação, violência, insultos ou opressão, por ação ou omissão.

Os casos de suspeita ou confirmação de maus- -tratos devem ser comunicados pelos profissionais de saúde à autoridade policial. Cabe ao Estado a garantia da proteção à vida e à saúde diante das políticas sociais e de saúde, as quais propiciem um envelhecimento digno.

Já o Sistema Único de Saúde (SUS) deve assegurar a atenção integral, o acesso universal e igualitário aos diversos níveis de complexidade de atenção, tendo o direito de permanecer acompanhado por algum membro familiar que garanta conforto e segurança.

As ações voltadas ao bem-estar e qualidade de vida estabelecidas pelo estatuto estão relacionadas à promoção, manutenção e reabilitação da saúde e a prevenção de doenças incluindo especial atenção aos casos de agravos de doenças de longa duração inerentes a idade avançada.

O idoso tem direito a educação, lazer, cultura e esporte, entre outras atividades que propiciem bem-estar e qualidade de vida. Várias universidades brasileiras oferecem vagas nos cursos de graduação e pós-graduação para pessoas da Terceira Idade, possibilitando a reinserção da pessoa na comunidade acadêmica e na sociedade.

Prioridade especial para maiores de 80 anos

A Lei federal nº 13.466/2017, de julho de 2017, alterou o Estatuto do Idoso, estabelecendo prioridade especial para as pessoas maiores de oitenta anos. A prioridade especial dos octogenários em relação aos demais idosos inclui, dentre outras, a preferência no acesso à rede de serviços de saúde, exceto em caso de emergência, e de assistência social e no recebimento da restituição do Imposto de Renda. Na tramitação de processos judiciais também deverá ser observada a preferência dos maiores de oitenta anos em relação aos demais. Para isso, é necessária a comprovação da idade.

Em Bento Gonçalves, Conselho Municipal do Idoso (COMUI) foi criado em 2014

Em Bento Gonçalves, a criação do Conselho Municipal do Idoso (COMUI) e do Fundo Municipal do Idoso, impostos pelo Estatuto do Idoso para todos munícipios do país, ocorreu em 8 de julho de 2014 com a sanção do projeto de lei nº 5.825, de autoria do poder executivo, aprovado pelo legislativo. O COMUI discute a política de atendimento ao idoso de Bento Gonçalves. Também acolhe denúncias de violação de direitos da pessoa idosa. Além disso, dá parecer sobre o destino do recurso financeiro presente no Fundo Municipal do Idoso, inclusive para repasse à Organizações da Sociedade Civil ligadas a política do Idoso.

O Conselho Municipal é formado por representantes das Secretarias Municipais de Assistência Social, Saúde e Educação, por entidades não governamentais que desenvolvam trabalhos e/ou atividades com idosos, legalmente constituídas, e por Associações de Bairros, também legalmente constituídas. O COMUI e demais conselhos municipais ficam sediados na Secretaria Municipal de Habitação e Assistência Social – SEMHAS, na General Cândido Costa, nº 65, sala 401, Centro, Edifício Palazzo del Lavoro.

A principal receita do Fundo Municipal é a destinação de percentual do imposto de renda de pessoa física (6% do imposto devido) e de pessoa jurídica (1% do imposto devido). O orçamento do Fundo para este ano é R$ 229.000,00. Desse montante, R$ 219.000,00 é destinado a subvenções sociais. O restante é para as demais despesas do Conselho com capacitações, campanhas, materiais e conferências, entre outras demandas e atividades que envolvam a política do idoso. As organizações da sociedade civil podem ser contempladas através de editais de chamamento público ou processos de inexigibilidade de chamamento (quando a destinação do percentual de imposto é indicada a uma determinada entidade). Se você tem Imposto de Renda a pagar, destine ao Fundo Municipal do Idoso: Caixa Econômica Federal, Agência 2792, C/C 400146-1, CNPJ 21.706.792/0001-94.

Lar do Ancião: primeira casa de repouso de Bento

Atualmente, onze estabelecimentos atendem idosos, entre clínicas e casas de repouso

O Lar do Ancião de Bento Gonçalves, inaugurado em 1990, foi a primeira casa de repouso do município, construída em área de terra doada pela prefeitura na Linha Pradel, bairro São Roque. O projeto arquitetônico foi doado pelo Rotary Club Bento Gonçalves Planalto. Já os materiais de construção, móveis e utensílios foram adquiridos com doações financeiras da comunidade. Atualmente, em Bento Gonçalves há onze estabelecimentos voltados ao atendimento de idosos, entre clínicas e casas de repouso. Conforme o Censo de 1991, o município tinha 78.643 habitantes, entre eles 6.842 idosos (8,7% da população), entre 3.899 mulheres e 2.950 homens. No Censo de 2010, o IBGE contabilizou 107.278 residentes em Bento Gonçalves, entre eles 13.463 com mais de 60 anos idade, 5.784 homens e 7.589 mulheres, correspondentes então a 12,54% da população total. Em Garibaldi, o Censo de 2010 apontou uma população total de 30.689. Destes 4.130 idosos, entre 1.799 homens e 2.331 mulheres. Em Monte Belo do Sul, a população total era de 2.670, sendo 624 idosos, entre 282 homens e 466 mulheres. Em Santa Tereza, a população total apontada foi de 1.720, destes 466 idosos, entre 225 homens e 241 mulheres.

Casa de Repouso Elisa Tramontina

37 anos cuidando do idoso com segurança e aconchego

A Casa de Repouso Elisa Tramontina é referência para o cuidado de idosos em vários municípios da Serra Gaúcha. Construída há 37 anos no município de Carlos Barbosa, com o apoio da matriarca da família Tramontina, Elisa Tramontina, tem como principal diferencial, o fato de estar anexa ao Hospital São Roque, disponibilizando uma estrutura ímpar de atendimento. Projetada para a terceira idade, possui amplas instalações, entre ás áreas interna e externa, que proporcionam aconchego e segurança. “Durante as 24 horas do dia, oferecemos total infraestrutura física e profissional através do Hospital São Roque, garantindo assim, segurança e assistência para situações de urgência, bem como em todas as necessidades como realização de exames e internações, entre outros procedimentos”, explica a Coordenadora Administrativa, Cátia Argenta.

Novas amizades

Mais que uma Casa, o local é um lar aos vovôs e vovós, onde todos têm a possibilidade de interagir entre si, criando novas amizades, e com as equipes que os assistem. Há ainda a possibilidade de as famílias personalizarem o quarto do residente, aproximando-o das características do seu lar. “Nossos residentes são atendidos por uma equipe multidisciplinar, constituída por Médico, Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Fisioterapeutas, Psicóloga, Terapeuta Ocupacional, Nutricionistas, Farmacêuticas, Assistente Social. Também contam com serviços administrativos, de higienização, rouparia, copa, e serviços de apoio operacional. Além disso, há a atuação de profissionais parceiros que realizam atividades de yoga, musicoterapia, cuidados pessoais e também coordenam atividades de cuidado e entretenimento”, destaca a gestora.

A Casa de Repouso Elisa Tramontina atende desde idosos independentes, até aqueles que necessitam de cuidados mais intensivos. “Não bastasse isso, também oferecemos apoio aos idosos que precisam de reabilitação pós- -operatória ou aplicação de medicamentos em diferentes momentos do dia. É um suporte que damos às famílias que, por motivos variados, não tem como fazer este acompanhamento”, explica Cátia.

Música, dança, teatro

Além do atendimento assistencial, os idosos que possuem condições de deslocamento participam de atividades internas e externas que ocorrem em Carlos Barbosa, como passeios ao centro da cidade, participa- ção de atividades natalinas, feiras, jogos, bailes de terceira idade, entre outros. “Seguidamente os vovôs e vovós recebem a visita de alunos da rede estudantil, de grupos de música, dan- ça e teatros, entre outros. O dia-a-dia dos nossos residentes é cercado de atividades de interação com a equipe e entre os próprios idosos”, conclui Cátia Argenta.

Tecnologia proporciona autonomia e segurança

Teleassistência surgiu nos Estados Unidos há mais de 40 anos

Atualmente, há várias tecnologias voltadas ao apoio de idosos, entre elas a tele assistência, um atendimento remoto destinado a situações emergenciais que envolvam riscos à saúde.

A teleassistência, surgiu nos Estados Unidos há mais de 40 anos como um Personal Emergency Response Systems (PERS). Esse termo pode ser traduzido em português como Sistema de resposta de emergência pessoal, ou seja, um sistema que quando acionado emite uma resposta emergencial à um receptor.

Na época, através de um estudo estatísticos, foi constatado que, na época, 42% dos americanos internados em hospitais eram idosos. Também foi constatado que os idosos, quase sem exceção, preferiam permanecer em suas casas, pelo máximo de tempo que fosse possível.

Em 1972, o americano Adrew Dibner desenvolveu um sistema de emergência que solucionasse o problema dos idosos que moram sozinhos, criando a teleassistência.

Pesquisas comprovam a eficácia da teleassistência

Em 1980, foi feita a primeira pesquisa nos Estados Unidos sobre a tecnologia com uma amostra de 551 usuários dos aparelhos de teleassistência. Uma aná- lise feita antes de depois da pesquisa apontou que os usuários do aparelho gastaram menos com a saú- de em relação aos não adeptos a tecnologia. Noutra pesquisa ocorrida em 1984, em território americano, o governo concedeu a pessoas idosas, durante três anos, o aparelho e o serviço de teleassistência, com o intuito de verificar a eficácia do serviço. Durante a utilização do PERS foi calculado uma redução de 26% do tempo de permanência em hospitais. Além disso, houve redução de 26.4% de visitas curtas.

Sentimento de segurança

Em 1987 foi feito outro estudo sobre a eficácia do PERS com 70 pacientes do hospital Jerry L. Pettis Memorial Veterans Administration, em Loma Linda na Califórnia. Durante um período de dois anos foram comparadas as idas aos hospitais, antes e depois do experimento. Foi calculado uma redução de 48,4% de idas e uma redução de 69,3% no tempo de hospitalização. Os resultados dos experimentos mostraram o grande potencial do serviço para o governo e também para a saúde do próprio usuário. Em entrevistas durante o estudo usuários ressaltaram o sentimento de segurança que os aparelhos traziam. Esse sentimento era relacionado ao fato de eles saberem que há alguém pronto para atendê-los em emergências, mesmo que eles estivessem sozinhos.

Na Serra Gaúcha, serviço de teleassistência é oferecido pela Bendito, da Monitora Bento

No Brasil, o uso da teleassistência ainda é pouco conhecido. O serviço começou a ser oferecido para Bento Gonçalves e outros municípios da região há cerca de dois anos pelo Bendito Assistência Emergencial, do Grupo Monitora Bento. A Bendito dispõe de uma central de atendimento vocacionada para responder a qualquer situação de emergência. Além de atendimento emergencial ligado à saúde, a estrutura do Bendito, conectada ao corpo da pessoa por uma pulseira ou colar, também pode ajudar a evitar assaltos e sequestros.

Homenagem ao Dia do Colono: Com vitivinicultura e enoturismo, Família Vaccaro recebe turistas

Reportagem: Natália Zucchi | Edição: Kátia Bortolini

Propriedade situada no Roteiro Estrada do Sabor cresceu com seus familiares fazendo o que dominam bem: receber pessoas

materia capa (1)A Família Vaccaro, da comunidade de Santo Alexandre, agregou enoturismo a vitivinicultura e hoje é um dos destinos mais procurados do roteiro Estrada do Sabor, de Garibaldi. Grupos de turistas, sob reserva antecipada, são recebidos na residência de Augusto Vaccaro pelo filho Francisco e pela nora Natalina para almoços e piqueniques, com pratos da gastronomia típica da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Os visitantes costumam passear pelo local em trilhas da propriedade ou em visita a cantina, situada nas proximidades.

A produção de uvas e vinhos iniciou com Francisco Vaccaro, conhecido como Guerino, com a elaboração de vinho comum para consumo familiar. Vendo que sua produção aumentava, o nono Francisco, em 1953, decidiu construir sua própria cantina e, com o passar do tempo, registrou-a como Vinícola Vaccaro e Cia Ltda. Atualmente, a empresa também elabora vinhos finos e espumantes. A produção é comercializada para turistas, em feiras e eventos e em pontos de vendas da região e da grande Porto Alegre.

A produção vitivinícola aliada a rota turística Estrada do Sabor, inaugurada em 2001, garante trabalho para a família de Francisco Vaccaro, conhecido como Chico, e para a de José Vaccaro. Chico e a esposa Natalina trabalham diretamente com o turismo e a gastronomia. A atividade conta com a participação da nova geração representada pelos irmãos Vinicius e Willian e o primo Diego, filho de José. Vinicius é formado em Administração, Willian em Enologia e Diego, em Turismo. Já José lida tanto nas parreiras como na vinícola, em várias frentes. Nos últimos cinco anos, os sócios investiram na reforma da sede da empresa e em novos varietais.

>>> VEJA TAMBÉM: Homenagem ao Dia do Colono: Empreendedor inicia cultivo de abacaxis em Santa Tereza

materia capa (13)O nono Augusto Francisco, pai de Chico, recebe os turistas na propriedade com passeio regado a histórias e lembranças da família. Além da boa conversa, ele leva os turistas para visitar o “museu do nono”, espaço no porão da casa com pertences históricos. Natalina comanda a cozinha com o apoio da sogra Maria, responsável pelo toque caseiro muito procurado pelos turistas. Os eventos são regados a vinho e suco de uva à vontade para acompanhar as mais tradicionais receitas da família, entre elas o frango recheado assado no forno a lenha, localizado no terreno da propriedade. Eles recebem grupos entre 10 e 45 pessoas, durante a semana e também no final de semana, somente mediante reserva. “A família não pode ficar sobrecarregada. Precisamos ter nosso próprio tempo para garantir boa recepção aos grupos, porque o atendimento é primordial. Além disso, gostamos dos pequenos grupos. Nos tornamos mais íntimos”, afirma Natalina.

Para eles, o turismo já fazia parte da vida antes mesmo do empreendimento. Chico conta que recebiam muitos parentes com frequência, há- bito comum das comunidades do interior. Segundo ele, isso também fez com que o recebimento dos turistas seja feito de forma natural, espontânea, como se cada um realmente fosse parte da família. “Turismo é coisa boa, só gente amiga. Eles gostam de conversar, gostam de ouvir nossas histórias, não tem vergonha de perguntar. Eu gosto muito”, comemora. Mas não só de trabalho que os Vaccaro interagem com o turismo. Chico conta que as viagens para outras cidades e outros estados sempre foram comuns. A maioria delas para visitar os parentes espalhados por Santa Catarina e Paraná, entre outros Estados. “A gente também tem que conhecer outros lugares, outras rotas. Isso é bom para a nossa qualidade de vida e também para ampliarmos nossa visão dentro do nosso atendimento”, acrescenta Natalina.

Antes era o braço e o boi

materia capa (12)O nono Augusto, que acompanhou as mudanças na comunidade e nos negócios com o passar dos anos, lembra com carinho da sua infância. Ele conta que as famílias vizinhas seguiam o mesmo padrão do interior, de colher uva e fazer vinho, e que a maioria delas foi evoluindo junto. “Antigamente a despesa era pouca. Hoje a renda aumentou, mas o custo de vida é alto. No tempo que eu era guri, o dia a dia era muito mais simples. Lembro que a gente não se importava muito com o que vestia. Íamos para a escola de pés descalços. No início da vinícola, a uva era moída com a mão. Na época, a luz vinha da parte central de Garibaldi e qualquer problema na rede deixava a gente sem luz, mas para nós era natural ficar no escuro. Hoje, se a gente fica sem luz, não faz mais nada”, analisa. Para ele, além do orgulho do passado, fica a satisfação com o presente, onde os filhos dão continuidade ao trabalho do seu pai. “Antes era o braço e o boi. Mas o que nunca faltou foi uma xícara de café cedo pela manhã. Nossa família sempre foi amiga do trabalho”.

Especial de capa

Empreendedorismo no meio rural –  Em homenagem a todos agricultores é comemorado, em 25 de julho, o Dia do Colono. A data foi instituída em setembro de 1968 pela da Lei Federal 5.496. Popularmente, a data se tornou conhecida em 1924, em função das comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul. A reportagem de capa desta edição do Jornal Integração da Serra homenageia a todos os que tiram seu sustento da terra gerando alimentos e riquezas para suas cidades. São quatro histórias de empreendedorismo rural, como acréscimo de rentabilidade.

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