Posts

Safra 2021: “A surpresa é o aumento de produção e qualidade”

“Até o momento praticamente a chuva está normalizada, então não teremos problemas com falta de chuva. O que pode ocorrer agora é o excesso de chuvas. Neste ano, as uvas precoces tiveram uma qualidade excelente e, até o momento, não vimos problema de sanidade. Estamos estimando um aumento de 15 a 20% na safra, no mínimo. Isso comparado a uma safra normal. Vamos ter um aumento da produção com qualidade. 40 a 50% da produção do município é de uva Isabel. A surpresa é o volume de produção e a qualidade, essa é a radiografia do momento. A perspectiva é que tenhamos uma das melhores safras novamente. É importante lembrar os agricultores que, após o término da safra, não devem esquecer o manejo do vinhedo. Deve haver um manejo adequado no pós-safra, fazendo uma análise de solo, plantio de cobertura do solo para a proteção, adubação e vistoria dos pomares por ataque de pragas. Caso essa vistoria não ocorra, a planta pode ficar debilitada para a próxima safra”, explica Thompsson Didoné, chefe do escritório da Emater/RS-Ascar em Bento Gonçalves.

Foto: Rodrigo De Marco

Safra 2021: Vinícola Garibaldi projeta safra 25% maior que 2020

Na Cooperativa Vinícola Garibaldi, as primeiras uvas da colheita, estimada em 25 milhões de quilos, começaram a serem processadas em janeiro. O volume representa cerca de 25% a mais do colhido na safra passada, considerada uma das melhores da história da vitivinicultura brasileira, e deve render o envase de cerca de 20 milhões de litros incluindo sucos, espumantes e vinhos.

O presidente da cooperativa, Oscar Ló, afirma que “estamos passando da metade da safra e o que se vê é uma qualidade muito semelhante a de 2020. A sanidade das uvas e a graduação são muito parecidas”.

Ele também comentou sobre as chuvas da última semana que, na sua visão, não devem comprometer a qualidade da uva. “Na última semana tivemos chuvas acima da média, mas como a previsão para o restante do mês de fevereiro é de chuvas abaixo da média, acredito que as uvas mais tardias não serão comprometidas e que manterão a qualidade que se verificou nas variedades mais precoces”, acredita.

Oscar-Ló.vinhedos-Crédito-Dandy-Marchetti-2-e1608730616251

Crédito: Dandy Marchetti

Ainda de acordo com Ló, a expectativa é que o ano seja positivo para todo o setor. “Acredito que 2021 vai ser um ano muito positivo para todo o setor. Para o produtor, entregando uvas de qualidade e em quantidade maior que 2020. Para a indústria e as Cooperativas, por terem estoques baixos, terão volumes e produtos de boa qualidade para ofertar ao mercado. E para o consumidor, que cada vez mais opta por vinhos e espumantes nacionais, terá novamente um produto de alta qualidade”, salienta.

A qualidade da safra deste ano passa pelas questões climáticas. É uma conjuntura de fatores que combina o cenário até aqui, no qual o pequeno período de estiagem para os vinhedos foi amenizado pelas chuvas no início de dezembro, com a previsão climática para os meses de janeiro e fevereiro. “É um período que indica a ocorrência do fenômeno La Niña, que reduz os níveis de chuvas, favorecendo a maturação das uvas e permitindo que a colheita seja realizada no ponto de maturação ideal, a exemplo do que ocorreu na safra 2020”, observa o enólogo chefe da cooperativa, Ricardo Morari.

A colheita mais farta em 2021 encontra explicação nos investimentos da cooperativa. Nos últimos anos, novas áreas de vinhedos ganharam cultivo pelos associados e, agora, estão iniciando seus ciclos produtivos. Mais de 40 variedades serão entregues na vinícola. Para a elaboração dos premiados espumantes da marca, as principais cepas são os Moscatos, o Prosecco, o Trebbiano, o Chardonnay, o Riesling e o Pinot Noir, que juntas chegam a 30% do total das uvas recebidas. Já para a elaboração de vinhos finos, as uvas mais representativas são Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat e para os sucos e vinhos de mesa, o destaque é para as variedades Isabel e Bordô.

Para Morari, não há nenhuma variedade em destaque, pois uma das características da cooperativa é monitorar a maturação de todas as cepas, a fim de que sejam colhidas no ponto ideal para o estilo de produto almejado. Por isso, todas recebem o mesmo tratamento, incluindo os cultivos de teste para estudar variedades que melhor se adaptem às condições de solo e clima.

“Avaliamos não somente a questão de açúcares, mas também a acidez, pH e polifenóis totais (esse no caso das tintas), a fim de determinarmos o ponto de colheita. Com isso temos conseguido bons resultados nas diferentes variedades, destacando principalmente as utilizadas na elaboração dos espumantes e nos vinhos finos”, destaca o enólogo.

Foto de capa: Augusto Tomasi

Safra 2021: Vinícola Aurora confirma projeção de safra positiva

Em 2021 a Vinícola Aurora, considerada uma das maiores e mais prestigiadas vinícolas do Brasil, celebra nove décadas de fundação e a expectativa de ter uma safra de grande qualidade. A expectativa é que sejam colhidos, aproximadamente, 70 milhões de quilos da fruta, volume cerca de 15% maior em relação ao ano anterior. A maior quantidade de uvas está sendo recebida entre os dias 8 e 16 de fevereiro. Com a safra 2021, a estimativa é que mais de 50 milhões de litros de bebidas, entre vinhos, espumantes, sucos e coolers, sejam elaborados pela Vinícola.

Entre as primeiras variedades de uvas colhidas estão as Chardonnay e Pinot Noir, destinadas à elaboração de vinhos e espumantes, e as BRS Magna, Isabel Precoce, Concord Precoce, Bordô e BRS Violeta, que serão utilizadas para suco de uva e vinho de mesa. A safra deste ano deverá ser concluída na metade de março, com as variedades tardias, como Moscato Branco, Cabernets e BRS Carmem.

No total, mais de 60 cultivares da fruta são produzidas pelas 1,1 mil famílias associadas à Vinícola Aurora. Entre as principais variedades, destaque para as uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Pinot Noir (Vitis Viniferas) e Isabel, Concord, Seibel e Bordô (Americanas e Híbridas).

Ao todo, a produção dos cooperados soma 2,8 mil hectares em 11 municípios da Serra Gaúcha: Bento Gonçalves, Cotiporã, Farroupilha, Garibaldi, Guaporé, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira, Santa Tereza, São Valentim do Sul, Veranópolis e Vila Flores. Todas as propriedades estão no raio de 50 quilômetros da unidade industrial da vinícola, o que garante melhor frescor da fruta e evita a fermentação indesejada. Os cultivos são acompanhados durante o ano pelas equipes técnicas agrícola e enológica da Aurora.

Renê Tonello - Crédito Wagner Meneguzzi (1)

Renê Tonello – Presidente do Conselho de Administração

Foto: Wagner Meneguzzi

 

 

“Foi um ano atípico na Serra Gaúcha, com forte estiagem entre a primavera e o verão, o que gerou algumas perdas, mas nada que comprometesse o volume. Por outro lado, isso proporcionou uma ótima sanidade nas frutas e, consequentemente, uma excelente qualidade, que vem se mantendo”, explica o coordenador agrícola da Vinícola Aurora, Maurício Bonafé. Entre as três unidades de vinificação de Bento Gonçalves, a empresa recebe, em média, 2,5 milhões de quilos de uva por dia. O Presidente do Conselho de Administração, Renê Tonello, também confirma a
projeção de uma safra positiva para 2021. “Estamos com uma expectativa positiva quanto à safra. Recebemos algumas variedades, como Chardonnay e Pinot Noir, que estavam com excelente maturação. Ainda temos mais um mês de colheita. Esperamos que tudo aconteça dentro do previsto”.

Historicamente, a produção da Vinícola Aurora representa entre 10% e 15% da safra gaúcha, a maior do país. Em 2020, a Aurora colheu 61,9 milhões de quilos de uva para processamento, representando 12,25% da vindima no Rio Grande do Sul (504,9 milhões de quilos).

Safra de uvas na Aurora
2014 57 milhões de quilos de uva
2015 65,5 milhões de quilos de uva
2016 33,6 milhões de quilos de uva
2017 71,5 milhões de quilos de uva
2018 61,8 milhões de quilos de uva
2019 68,2 milhões de quilos de uva
2020 61,9 milhões de quilos de uva