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Brasil contabiliza 1 milhão de partos sem pré-natal adequado 

Os dados mais recentes, de 2016, mostram que 1 milhão de gestantes brasileiras que tiveram bebê não receberam atendimento adequado no pré-natal nas redes pública e privada, o que corresponde a cerca de um terço dos partos realizados naquele ano em todo o País. Os dados fazem parte do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal, estudo de 2018 que acompanha anualmente o desenvolvimento socioeconômico de todos os mais de 5 mil municípios brasileiros em três áreas de atuação: Emprego & renda, Educação e Saúde. Conforme o presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul, (SOGIRGS), Breno Acauan Filho, o Brasil fez muitos progressos nos últimos anos na redução da mortalidade materna, mas ainda está longe do ideal. O especialista destaca que não adianta só primar pela quantidade dos atendimentos. “A qualidade da assistência precisa ser revista, principalmente quando um alto número de mulheres ainda morre de pré-eclâmpsia e outros problemas que poderiam ser evitados”, destaca. Para o especialista, hipertensão e hemorragia estão entre as principais causas da mortalidade materna no Brasil e no mundo, e ocorrem principalmente pela má qualidade da assistência no pré-natal e no parto. Ele destaca que o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, do Ministério da Saúde, prevê que o mínimo esperado é a realização de sete consultas durante a gestação.
       O Ministério da Saúde sustenta que parte do problema se deve à baixa adesão de gestantes, às falhas na identificação do risco obstétrico nas consultas ou a alguma desarticulação da rede de cuidados local (laboratorial, atenção básica e rede hospitalar).  As Unidades Básicas de Saúde (UBS) devem ser a porta de entrada preferencial da gestante no SUS. A desigualdade entre as regiões é outro ponto negativo: Enquanto no Sul e Sudeste 76% das gestantes têm acesso ao pré-natal adequado, no Norte menos da metade das grávidas consegue realizar as consultas. Assim, a meta do país de atingir 95% de atendimento adequado no pré-natal ainda está longe de ser uma realidade.
Queda da mortalidade
      Segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade materna no Brasil caiu 58% entre 1990 e 2015, de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Levando em consideração os dados de 2010 e 2015, sendo o último ano ainda com dados preliminares, a proporção da mortalidade materna diminuiu 12%, caindo de 68 para 60 óbitos por 100 mil nascidos.
       Acauan entende que a situação deve ser vista de forma mais ampla incluindo a qualificação do pré-natal com o acompanhamento de médicos obstetras. “Um pré-natal bem feito, bem realizado, faz toda a diferença para a gravidez, para o parto e para o pós-parto também. Essa é a hora para investigar possíveis doenças como a hipertensão e o diabetes gestacional, esclarecer mitos e explicar sobre os tipos de partos. Além de conferir todas orientações para familiarizar a gestante sobre o que vai acontecer”, destaca o ginecologista.
      As idas periódicas ao médico permitem monitorar o crescimento da barriga e as alterações da pressão sanguínea da gestante.  Nestas consultas, exames básicos como grupo sanguíneo, hemograma, glicemia, toxoplasmose, rubéola, sífilis, fezes, urina, sorologias, dosagens hormonais, avaliação da tireoide, função renal, hepática, pesquisa de trombofilia e ultrassons são realizados para garantir que não ocorra nenhum risco à saúde. 

Bento é destaque no Estado em ações de qualificação do Pré-Natal Masculino

Com este Programa, o Município reduziu em 30% os casos de Sífilis Congênita

A Secretaria Municipal da Saúde, através do Programa Saúde do Homem se destacou entre os cinco municípios do Estado a realizar consultas de Pré-Natal do Parceiro. Com este trabalho desenvolvido desde 2014, o Departamento de Ações em Saúde do Governo do Estado, incluiu o Município no Projeto de Qualificação do Pré-Natal do Pai/Parceiro.

 O objetivo do Programa é qualificar e identificar as ações de pré-natal masculino, ampliar a adesão de equipes dos municípios e adquirir expertise na estratégia, possibilitando desenvolver protocolos de práticas do pré-natal do pai/parceiro para municípios do Estado.

 Bento Gonçalves iniciou em 2016 os atendimentos relacionados ao Parceiro da gestante nas Unidades Básicas de Saúde, através de consultas médicas e de enfermagem para realização de exames, testes rápidos para HIV, Hepatites B e C e Sífilis. As vacinas são atualizadas e agendadas consultas com dentista, nutricionista e psicóloga se necessário.

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 O parceiro é convidado a visitar ao Centro obstétrico do Hospital Tacchini e a participar de grupos educativos. Na oportunidade também é abordado sobre a Lei do Acompanhante (Lei 11.108/05), que garante que todas as gestantes têm o direito de escolher uma pessoa para ficar com ela no hospital durante o seu trabalho de parto e pós-parto (cesariana e normal).

 De acordo com os dados da Secretaria de Saúde, o resultado deste trabalho mostrou que no ano de 2017, Bento Gonçalves cadastrou 989 gestantes pelo Sistema Único de Saúde e deste total, foram atendidos 271 parceiros (27,4%). Das 46 gestantes que tiveram diagnóstico de sífilis, 19 parceiros foram tratados (41%).

 Já em 2018, de janeiro a maio, do total das 394 gestantes cadastradas pelo SUS, 158 parceiros foram atendidos (40,1%). Das 28 gestantes que tiveram diagnóstico de sífilis neste período, 14 parceiros foram tratados (50%).

 Fazendo uma análise entre os anos de 2016 e 2017, Bento Gonçalves, reduziu em 30% os casos de Sífilis congênita (conforme quadro abaixo):

2016 2017 2018 (Jan a Mai)
Sífilis Total 262 285 184
Sífilis Gestantes 35 47 28
Sífilis Congênita 25 (71%) 19 (40%) 5
Parceiros Tratados 18 19 14

 “O homem pode e deve participar de todos os momentos que envolvem uma gestação, inclusive da decisão e preparação para ter uma criança”, salienta a coordenadora do Programa Saúde do Homem, enfermeira Cristiane Wottrich. Através da Portaria GM Nº 1944, de 27 de agosto de 2009, do Ministério da Saúde, foi implantada a Política Nacional de Atenção Integral á Saúde do Homem, com o objetivo de promover a saúde integral dos homens, priorizando o acesso/acolhimento, com vistas a reduzir os índices de internações por causas sensíveis á atenção básica.

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 “O parceiro da gestante precisa ter cuidado não só com a sua saúde para estar mais preparado para receber um bebê, mas também desenvolver o exercício da paternidade, apoiando a sua parceira em todos os momentos, incluindo o puerpério. Ele deve se sentir parte integrante do trinômio materno/paterno e infantil para que todos tenham saúde durante o processo do gestar e do nascimento do bebê”, ressalta a Coordenadora.