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Páscoa: diferenças no significado entre religiões Católica e Judaica

Por Natália Zucchi

No cristianismo, a Páscoa representa a morte, paixão e ressurreição de Cristo. Para a religião judaica, a Páscoa representa a liberdade. Os judeus comemoram durante sete dias, período chamado de Pessach, que significa “saltar”, “pular” e “passagem”, em hebraico. As histórias se entrelaçam porque Jesus era judeu e estava comemorando o Pessach quando foi preso pelos romanos. O Seder de Pessach (jantar pascal judaico), no qual participava Jesus Cristo, aconteceu numa quinta-feira. O evento é conhecido no cristianismo como A Última Ceia.

David's Star on Torah ca. 2001

David’s Star on Torah ca. 2001

O nome Pessach surgiu por volta de 1300 e 1250 a.C. quando Moisés, enviado por Deus para libertar o povo judeu do domínio do Egito, confronta o Faraó Amenófis, filho de Ramsés II. Com a libertação negada pelo Faraó, o território egípcio é punido com dez pragas enviadas por Deus. A décima consistia na passagem do anjo da morte, que tiraria a vida de todo primogênito egípcio, seja ele humano ou animal. Para sinalizar a origem judaica e se proteger desse anjo da morte, toda família judia deveria sacrificar um cordeiro e banhar sua porta, laterais e vigas com o sangue do animal. O cordeiro deveria ser assado e alimentaria a todos da família naquela noite. Ao passar pelo Egito, o anjo saltou pelas casas que estavam sinalizadas com sangue, levando apenas as almas dos egípcios. O acontecimento bíblico está escrito na Torá, livro sagrado dos judeus. Logo após, ocorreu o episódio histórico conhecido como Êxodo, no qual o povo hebreu, de israelitas e judeus, depois de 400 anos libertou- -se da escravidão no Egito e voltou a Canaã, também conhecida como A Terra Prometida.

“Nós comemoramos a liberdade como um todo. Os sete dias de comemoração são momentos em que o ser humano pode compreender que é dono do próprio nariz, que deve ter o domínio de si para lidar com as limitações impostas. Na visão contemporânea, o Pessach também é um período para refletir e buscar a libertação do estilo de vida consumista e superficial imposto pela mídia e pelo sistema capitalista. Esse estilo de vida foge da natureza humana e da sua essência, como ser intelectual. Muito do que é imposto na nossa vida é fruto da influência maléfica no modo de falar e de transmitir informações, distorcendo o real significado dos processos que envolvem a sociedade. Já no sétimo e último dia do Pessach a capacidade criativa de domínio do homem sobre o mundo deixa de existir. Nesse dia, o ser humano deve apenas refletir e desfrutar de sua vida naquele momento”, revela o programador judeu Reuven David ben Eliezer, morador de Bento Gonçalves.

Reuven conta que costuma comemorar o Pessach em casa, com a família, ou na sinagoga em Porto Alegre. Quando a data é comemorada no lar, são selecionados os alimentos adequados para serem consumidos no período. Esses alimentos são chamados de Kasher, apropriado em hebraico, e fazem parte do Kashrut, conjunto de deveres alimentares determinados pela lei judaica. Nos dois primeiros e no sétimo dia do Pessach, acontece o Seder, jantar tradicional para comemorar o período.

páscoa judaicaDurante o Seder, os judeus acompanham as histórias da Hagadá, livro que conta o Exôdo. A partir do livro é feito um ritual com alimentos, como ovo e osso de cordeiro, entre outros. Nesse jantar são servidos legumes e alface mergulhada em charosset (uma pasta de nozes, maçãs, peras, canela e vinho). Também pode ser servido sopa, carne de frango e alguns tipos de peixe. Os alimentos são dispostos em um prato chamado Keará, com espaços destinados a pequenas porções.

Na primeira noite do Seter é feita a partilha do Matsá, pão judaico feito de farinha e água, sem fermento. De formato retangular e com aspecto parecido ao de um biscoito salgado, o Matsá é quebrado em dois pedaços. Um deles é consumido e outro é escondido na casa para ser procurado pelas crianças no Seder. A Matsa simboliza o cordeiro pascal que os antepassados judeus comeram ao final de seu Seder de Pessach.

Nos outros dias, a alimentação Kasher deve ser seguida. No período é permitido somente o consumo de carne de animais Kasher, que ruminam e tem a pata fendida, como vaca e cordeiro. O abate desses animais deve ser especial, feito através do corte da jugular, onde todo sangue é drenado.

Durante o período é proibido comer pão fermentado e outros alimentos que possuam fermento. “O fermento está associado ao ego e, nesse período, é preciso resgatar a humildade. A tradição indica que durante o período esses alimentos deveriam ser queimados. Mas, como vivemos numa era em que o desperdício vai contra os valores, doamos esses alimentos para casas vizinhas que não fazem esse ritual”, destaca o judeu.

Calendário

O calendário judeu é diferente do calendário gregoriano, adotado na maioria dos países do Ocidente, como o Brasil. No gregoriano, o iní- cio da contagem dos anos é marcado pelo nascimento de Cristo. Para a religião judaica, este é o ano 5777 e é baseado em ciclos lunares. Cada ano, mês e dia também são contados de forma diferentes em relação ao calendário gregoriano. Os anos podem ter entre 13 e 14 meses, sempre com quatro semanas. Os meses iniciam no primeiro dia de lua nova e o Pessach, a Páscoa, sempre acontece no período de lua cheia porque, devido a tradição, os judeus precisaram se guiar pela luz da lua para se libertar do Egito. Já o dia, mesmo tendo 24 horas, é iniciado de forma diferente. Para eles, um novo dia se inicia após o pôr do sol, por volta das 18 horas. Para os judeus, então, a Páscoa é comemorada no dia 15 do mês nissan do calendário judeu. No calendário gregoriano de 2017 o primeiro dia do Pessach corresponde a 10 de abril.


A Páscoa Cristã

cruzNo cristianismo, a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, filho de Deus, que ocorre no terceiro dia após sua morte, segundo o Novo Testamento. Ela é comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio de outono, no hemisfério sul, que é o caso do Brasil, geralmente entre os dias 22 de março e 25 de abril. Os católicos praticam a Quaresma, em 40 dias antes da Semana Santa. A Quaresma corresponde ao período de penitência em lembrança aos 40 dias que Jesus ficou no deserto e ao sofrimento passado na Cruz, onde foi crucificado para libertar seu povo do pecado.

A Semana Santa

Com início no Domingo de Ramos, a Semana Santa antecede a Páscoa, onde ocorre a celebração da Paixão de Cristo, sua morte na cruz e a Ressurreição. Na sexta-feira santa é proibido o consumo de carne vermelha em respeito ao corpo de Cristo crucificado. “A Páscoa é a festa da esperança na vida eterna”, afirma o pároco Ricardo Fontana, do Santuário Santo Antônio.

padre“O rito pascal acontece na quinta, sexta e sábado da Semana Santa. É uma celebração única que agrega a instituição da eucaristia, a paixão de Jesus e a sua ressurreição. O Sinal da Cruz é iniciado na missa vespertina da quinta-feira e a bênção de Páscoa só é dada no sábado de aleluia. O centro da vida cristã está na Páscoa, no Mistério, na Paixão e na Ressurreição de Cristo”.


Programação Católica em Bento Gonçalves

Em Bento Gonçalves, o período de Quaresma é vivenciado nas igrejas com uma programação voltada às confissões. Na igreja Santo Antônio e outras igrejas da cidade, as celebrações penitenciais ocorrem na parte da noite para se adequar ao horário de trabalho dos fiéis. “A Quaresma é um período de conversão”, ressalta o padre Ricardo Fontana.

Programação Semana Santa – 2017 Paróquia Santo Antônio

Quinta-Feira Santa, dia 13 de abril

A partir das 15h haverá atendimento de confissões no Santuário Santo Antônio
19h30min: Celebração da Ceia do Senhor com Lava-pés nas Comunidades l 20h: Missa da Ceia do Senhor com Lava-pés no Santuário Santo Antônio
21h às 24h: Início da Adoração ao Santíssimo

Sexta-Feira Santa, dia 14 de abril

07h: Reinício da Adoração ao Santíssimo e Confissões
09h: Via Sacra no Santuário Santo Antônio
15h: Celebração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo
16h: Procissão do Encontro pelas ruas do Centro
18h: 40ª Romaria à Cruz do Salgado, com encenações da Vida, Paixão e Morte de Jesus.
A concentração será em frente à Igreja São Pedro/Salgado, seguindo em procissão ao Morro da Cruz

Sábado Santo, dia 15 de abril

19h: Missa da Vigília Pascal nas Comunidades Santa Lúcia/Progresso, Santa Maria Goretti/ Santa Catarina/Licorsul e Aparecida/Concei- ção
20h: Missa da Vigília Pascal no Santuário Santo Antônio

Domingo de Páscoa, dia 16 de abril

Missas no Santuário: 07h, 08h30min, 10h e 18h
09h: Missa na Comunidade São Pedro/Salgado
10h: Missa na Comunidade São José Operário/Fenavinho
19h: Missa na Comunidade Santa Catarina/Licorsul