Posts

Acadêmico de Jornalismo portador da doença de Crohn em busca de auxílio para transplante de células tronco

O caxiense Bruno Caldart, 26 anos, precisa arrecadar R$ 300 mil para custear tratamento que só é feito em São Paulo

Por Natália Zucchi

“Há outras doenças que não tem cura. A diabete é uma delas. Hoje, me preocupo em encontrar um tratamento que me faça bem”. A declaração é do o caxiense Bruno Roberto Caldart, 26 anos, que há 12 anos convive com a doença de Chron, enfermidade que causa inflamações no intestino, até agora com origem e cura desconhecidas pela medicina. Desde os seus 14 anos, o jovem enfrenta dores e perda de peso e já passou por quatro cirurgias. No momento, uma nova cirurgia seria necessária, mas por estar com anemia e com o intestino muito debilidade, o procedimento é considerado de alto risco. Além disso, as medicações não fazem mais efeito em seu organismo.

Bruno CaldartAgora, a esperança de Caldart é a de realizar um transplante de células tronco. No Brasil, o procedimento só é feito em São Paulo, sem cobertura pelo SUS nem por planos de saúde uma vez que é considerado tratamento experimental sem registro pela ANVISA. Como a família não tem condições financeiras, ações estão sendo desenvolvidas pela comunidade, entidades e colegas do estudante para arrecadar o valor de R$ 300 mil, quantia estimada para realizar os exames, procedimentos, custear as medicações e estadia do jovem na cidade durante dois meses.

Por que o transplante é necessário?

Em 2005, quando descobriu a doença, ainda não havia medicações específicas para o tratamento, já que os estudos sobre a doença de Chron estavam em fase inicial no Brasil. Caldart então tomava remédios para dores e corticoide. Em 2008 fez sua primeira cirurgia para retirar parte do intestino e novas medicações começaram a fazer parte da rotina do jovem a cada ano, migrando entre os remédios conforme seu corpo ganhava resistência. Essas mediações agem na dor e fazem com que os sintomas da doença sejam amenizados.

Como a doença de Chron age no sentido de desequilibrar o sistema imunológico, a pessoa com a enfermidade fica mais propensa a outros problemas de saúde. O transplante de células tronco age no sentido de reiniciar o sistema imunológico do paciente. Essas células são retiradas do corpo, tratadas e recolocadas de volta para que iniciam a produção de anticorpos. “Até agora, foram realizados somente 32 transplantes de células tronco no Brasil, o primeiro em 2014. Conheço pessoas que passaram pelo procedimento e hoje vivem bem sem uso de medicações”, declara. Com o transplante, como o sistema imunoló- gico é “zerado”, o uso futuro de medicações também é ampliado, uma vez que o organismo deixa de ter resistência a medicamentos já utilizados.

Outro desafio foi adequar a alimentação desde que descobriu a doença. Produtos sem lactose foram liberados na dieta do estudante, enquanto molhos industrializados, como ketchup e mostarda  e outras comidas enlatadas foram suspensas. Frituras, temperos fortes e sementes também estão restritos. Mas segundo ele, outra situação ainda é mais complicada. “Hoje com tantas opções de alimentos saudáveis e adequados, comer não é mais o problema. O que mais tem pesado na rotina, por questões financeiras, é o suplemento alimentar que devo tomar diariamente, específico para quem tem a doença de Chron”. Modulen é um composto vitamínico que custa R$ 400 reais a lata. Caldart precisa de quatro delas por mês, resultado em um gasto mensal de aproximadamente R$ 1600. Como o SUS, nem seu plano de saúde, dão descontos ou fornecem esse suplemento, a família está tentando auxílio judicialmente. No momento, o estudante está utilizando o suplemento doado por uma senhora de Santa Catarina, que soube da história do jovem e quis ajudar com a doação de algumas latas, que também era utilizado por sua filha.

Rifas

Para acelerar a arrecadação de recursos, duas rifas estão sendo vendidas. A primeira delas foi organizada pela turma de Midiologia Comparada dos cursos de Comunicação da Universidade de Caxias do Sul. A rifa custa R$ 5 a cada dois números, e têm como prêmios uma caixa com seis espumantes, camisa oficial do time Juventude, camisa oficial do time Caxias, kit cozinha Tramontina com conjunto de facas mais conjunto de sobremesas e kit UCS, com dois estojos, canetas, lapiseira, lápis e borracha. O sorteio será realizado no dia 23 de dezembro deste ano. Os números podem ser comprados no campus sede em Caxias do Sul até do dia 22 de dezembro, com a professora Leyla Maria Coimbra Thomé ou com o estudante Bruno Caldart, que também está vendendo. Outra rifa estará sendo vendida até o fim de dezembro, organizada pela mãe do rapaz, Maria Joana Caldart, também sendo vendida por R$ 5.

“A rifa pode não ser conteúdo de sala de aula, teoria, mas são valores que estão sendo passados, da solidariedade, do cuidado com o outro. A gente percebe como o mundo ainda tem tantas pessoas do bem, porque esses alunos abraçaram a ideia. Toda essa dinâmica de organizar e distribuir a rifa em prol de algo maior tem tudo a ver comunicação”, observa a professora Leyla Maria Coimbra Thomé.

“Nunca pensei em parar de estudar”

Aos 20 anos, Caldart ingressou no curso de Comunicação Social – Jornalismo em 2010. Mesmo passando por cirurgias e por fases com a saúde mais debilitada, o estudante nunca trancou semestres, apenas adaptou a quantidade de disciplinas conforme sua condição de saúde e financeira. “Nunca pensei em parar de estudar. Já ouvi de muitas pessoas que eu deveria me encostar e trancar a faculdade, mas eu levo muito em consideração os conselhos dos meus pais. Eles me dão muita força e incentivo. Dentro do Jornalismo, encontrei professores que, mesmo sem saber dos meus problemas de saúde, estiveram muito presentes”, declara o estudante.

Como ajudar?

Até agora, a vaquinha de Caldart juntou aproximadamente R$40 mil. É possível colaborar através de boleto bancário ou cartão de crédito por meio do site vakinha.com.br

Também está ocorrendo um leilão online de camisetas autografadas da seleção brasileira e do Flamengo (edição especial). Para participar, clique aqui

É possível fazer depósitos também pela conta na Caixa Econômica Federal, em nome de Roberto Caldart
Agência: 3112
Conta: 08066 – 6
Operação: 013