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Nova Igreja Nossa Senhora de Caravaggio no Vila Nova II

Um sonho de 30 anos

A união de uma comunidade em torno da fé

Obra no bairro Vila Nova II, com mil metros quadrados de área construída, será inaugurada no próximo dia 26 de novembro

Por Kátia Bortolini e Giovani Nunes

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Mais de cinco mil famílias católicas residentes em Bento Gonçalves nos bairros Vila Nova II, III e IV, no próximo dia 26 de novembro, concretizam um antigo anseio religioso com a inauguração, às 19h30min, da nova sede da Igreja
Nossa Senhora do Caravaggio, em missa presidida por Dom Alessandro Ruffinoni. O santuário, situado na rua Arlindo Menegotto, nº 480, bairro Vila Nova II, terá mil metros quadrados de área construída entre dois pavimentos, em estilo contemporâneo, contemplando tendências e técnicas arquitetônicas utilizadas nos tempos atuais.

O pavimento superior comportará o santuário, com capacidade para 200 pessoas sentadas, sacristia e três salas de catequese. O pavimento inferior sediará o salão de festas, com copa, cozinha, área de serviço e dois banheiros com fraldário, além de duas capelas mortuárias. A arquitetura do interior do templo, a ser reaberto no dia dedicado à Nossa Senhora do Caravaggio, também tem seus diferenciais. O teto do santuário é trabalhado com linhas ripadas, similar ao teto da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, da cidade do México. A concepção do interior da igreja segue o estilo patrístico, segundo o qual o espaço litúrgico deve estar na mesma altura do presbitério e da nave, para facilitar a participação plena, ativa e consciente de todos que participam da Celebração Eucarística.

A execução da obra, iniciada em maio de 2017, está sendo coordenada pela Paróquia Santo Antônio, a qual a comunidade pertence. A nova igreja foi edificada no mesmo local da antiga, com investimento de cerca de um milhão e 600 mil reais. O montante foi proveniente de destinações de resultados financeiros das Festas de Santo Antônio, edições 2016 e 2017, de ações promovidas pelos moradores dos bairros envolvidos, como jantares e rifas, de doações de empresários e de recursos próprios da Paróquia Santo Antônio.

Construção reivindicada por lideranças comunitárias

A construção foi reivindicada em 2016 por lideranças comunitárias do bairro Vila Nova II ao pároco da Igreja Santo Antônio, padre Ricardo Fontana. Na ocasião, ressaltaram a falta de infraestrutura do antigo salão de madeira e alvenaria para continuar sediando as celebrações religiosas, aulas de catequese, festas comunitárias e velórios, às vezes concomitantemente. O Pároco ressalta que prontamente aceitou o desafio de atender à solicitação do Vila Nova II, devido a participação de várias lideranças do bairro no Conselho Paroquial e da urgência de melhores instalações para as crianças da catequese.

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“Não foi uma incumbência fácil. A demolição da estrutura antiga impactou alguns moradores pela falta inicial do espaço para o uso comunitário. O impasse terminou quando o CTG Presilha da Serra, situado no bairro, disponibilizou suas instalações para este fim. Os medos continuaram após a apresentação do projeto, devido a magnitude da proposta. Alguns classificaram o custo da obra como muito alto. Outros estranharam a proposta arquitetônica, que não remete nem ao estilo gótico nem ao romano, comuns em igrejas da região, mas nos mantivemos firmes”, relata padre Ricardo. Ele acrescenta que esses questionamentos e o pouco tempo estabelecido para o término da construção tornaram mais desgastante o processo de gestão das obras de edificação.

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Apesar de ter havido controvérsias, foi executado o projeto original imaginado pelo Pároco e interpretado pela arquiteta Daiana Cetolin Rosin, com a participação, no ambiente interno, dos arquitetos Bernardete Corso Gazzi e Dangle Marine e da equipe da Casa e Cozinha Arquitetura, de Caxias do Sul. Padre Ricardo ressalta que o projeto arquitetônico alia conceitos de ética, estética e sustentabilidade. “Observa-se desde a ampla utilização de madeiras renováveis, como pinus e eucalipto, de ferros reciclados e da máxima iluminação natural, até o acabamento do teto com linhas ripadas e a decoração do presbitério com rosas em ferro retorcido, que remetem ao aparecimento de Nossa Senhora do Caravaggio. O resultado é um espaço inovador, com acabamento classe A, compatível com pessoas honestas e trabalhadoras, como a maioria dos moradores dos bairros abrangidos pelo santuário”, comemora. Padre Ricardo destaca o apoio do prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin, na negociação da área de terra do município com a Mitra Diocesana. Também agradece a atuação direta de centenas de pessoas em prol da construção do templo, entre moradores e lideranças do bairro Vila Nova II, participantes dos conselhos paroquiais.

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Foco nas crianças originou o projeto

O líder comunitário Osmar da Costa Borges é uma dessas pessoas obstinadas, que persegue um sonho até que ele se realize. Morador do bairro Vila Nova II há mais de 25 anos, acompanhou as transformações do local desde os
tempos em que surgiu como loteamento, com a maioria das ruas de chão batido. Segundo ele, com o passar dos anos, o bairro foi sendo melhorado, enquanto que a antiga igreja existente continuava sediando atividades comunitárias
de forma improvisada. “Em um puxado ficava o pequeno salão de festas onde acontecia também velórios e aulas de catequese que, muitas vezes, tinham que ser remanejadas para a cozinha”, explica Borges.

A urgência de um novo espaço ficou evidenciada em 2016 com uma tragédia que resultou na morte de um jovem morador da comunidade. “No dia do velório tínhamos preparado uma festa para 300 pessoas. Não havia como voltar atrás e não havia local para realizar o velório. Constatei então que não era mais possível a cováveis munidade arcar com esse ônus. A transformação do local era uma necessidade”, lembra.

Conforme Borges, a dignidade das crianças e jovens da comunidade, que buscavam educação e conhecimento no espaço comunitário, só seria plena se o local fosse mais condizente.

Em meados de 2016, Borges mobilizou cerca de 50 pessoas em torno da solicitação. O comitê procurou a Paróquia Santo Antônio e o projeto passou a tomar corpo. “No início foi muito difícil. Os próprios moradores tinham dificuldades em acreditar que a execução da obra era possível. Foi preciso trabalhar bastante para fazê-los crer”, comenta.

Praticamente dois anos e meio depois, a Igreja de Nossa Senhora do Caravaggio do bairro Vila Nova II está pronta para ser reinaugurada. “Agora teremos uma igreja linda, com três salas de catequese para atender 90 crianças com todo o conforto. Também teremos espaços dignos como salão de festas e capelas mortuárias”, comemora Borges.

Arquitetura prioriza sensações e bem-estar

Daiana Cetolin Rosin, arquiteta responsável pelo projeto, afirma que a igreja foi projetada num estilo moderno, conceitual, visando atrair mais crianças e jovens. Ela considera que a arquitetura tem esse poder transformador.“As portas generosas, o paisagismo, a iluminação natural e outros ingredientes despertam sensações e surpresas agradáveis em quem visita o espaço. Trabalhamos com linhas retas, quebradas por uma única curva logo na entrada do santuário, propondo uma ascensão aos céus”, descreve Daiana.

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A capela tem, em suas laterais, janelas que formam quase uma peça única junto com as da Via Sacra, vistas inclusive pela parte externa. Todas as aberturas para ventilação foram desenhadas de forma a se adequarem ao Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). “Em cada uma dessas janelas, as imagens da Via Sacra foram produzidas em metal estilizado, dando à obra um ar contemporâneo”, observa a arquiteta. Até mesmo a Pia Batismal foi concebida de maneira a acompanhar a modernidade da obra. “Ela está colocada praticamente na entrada da capela, de maneira a relembrar que a entrada no Reino dos Céus se dá pelo Batismo”, explicou.

A claraboia que se estende pelo teto capta luz natural e a dissipa de forma harmoniosa por toda a extensão da capela, atingindo ainda as salas de catequese. O acesso ao santuário também foi planejado para facilitar a passagem. Seguindo a hierarquia, a entrada começa pela capela, leva às salas de catequese e em seguida conduz para o salão de festas, situado no pavimento inferior. As capelas mortuárias também ficam na parte inferior localizadas nos fundos do terreno. O pé direito da Igreja alcança, ainda segundo a arquiteta, a altura ideal para determinar sua relevância em relação ao restante da obra. Além disso, o altar foi concebido todo em peças fixas de concreto, alinhados de forma a ficar muito próximo dos fiéis. “Eliminamos a distância entre o celebrante da missa e o público, para que todos se sintam mais à vontade”, concluiu.

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Um sonho de 30 anos

A irmã pastorinha Lídia Villani, da coordenação da Paróquia Santo Antônio, atuou com entusiasmo pela concretização do projeto da igreja Nossa Senhora de Caravaggio. Ela destaca que a força da comunidade local, representada por mais de cinco mil famílias, ajudou a concretizar um sonho de mais de 30 anos. “É uma comunidade muito ativa, formada por pessoas lutadoras, participativas, que buscam progredir a cada dia”, acrescenta. O resultado disso, conforme ela, se reflete nessa obra.

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Irmã Lídia também aborda a questão da forma como o Papa Francisco vê o papel da Igreja. “Em suas palavras, ele diz que a Igreja deve sair da sacristia e ir ao encontro do povo. É o que chama da Igreja em saída. E é justamente o que nossa paróquia está buscando, ir ao encontro de todas essas pessoas”, concluiu a religiosa.

Ações da Paróquia Santo Antônio viabilizaram recursos para o projeto

A participação ativa da Paróquia de Santo Antônio foi um dos pilares para a concretização do projeto que viabilizou o Santuário Urbano de Nossa Senhora do Caravaggio. Além dos esforços da comunidade local no bairro Vila Nova, que se organizou e conseguiu doações, principalmente de materiais de construção, o Conselho Eucarístico da Paróquia, liderado pelo empresário Daniel Ferrari, foi o órgão que arrecadou grande parte dos recursos financeiros. A obra consumiu, aproximadamente, R$ 1,6 milhões e boa parte desse montante foi obtido através de ações entre amigos, viabilizadas, principalmente, durante duas edições da tradicional Festa de Santo Antônio.

Daniel Ferrari

“Como a Paróquia tem entre suas prioridades o atendimento às comunidades, salas de aulas para catequese são consideradas de extrema importância. Isso, por si só já justifica todo o esforço para obter os recursos”, observa Ferrari. Ele destaca que a Paróquia, ao longo de sua existência, vem formando uma grande estrutura para
atender as demandas de 25 comunidades e dois núcleos de Bento Gonçalves. “A ideia é que as igrejas
dessas comunidades sejam agradáveis, com boa infraestrutura, para serem referências às famílias. Projetos como esse da reedificação da igreja do bairro Vila Nova, só valorizam o social”, acentua o empresário.

Obra especial

A obra foi executada pela DS Construções, de Bento Gonçalves, atuante há dez anos no mercado. “São exatamente 1.004,01 metros quadrados de área construída entre maio de 2017 e outubro de 2018”, ressalta Marlon Propodolski, que administra a empresa com o pai Sérgio e com o irmão Marcelo. A construtora, situada na rua Amos Perissutti,
nº 489, bairro Santa Helena, também reformou a Casa Paroquial e construiu o Recanto Santo Antônio, no centro de Bento Gonçalves, entre 2015 e 2016. Além da Construtora DS, os Propodolski são proprietários da Propolan Materiais de Construção, situada no mesmo endereço, há dois anos no mercado.

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Para o pai e os irmãos Propodolski todas as obras são especiais, mas a do santuário foi ainda mais, salienta Marlon. Ele afirma que a igreja, além de valorizar o bairro, será uma referência para muitos moradores das comunidades abrangidas. “O espaço ficou muito bacana. A luz do dia é aproveitada por claraboia e janelões. A construção agregou
valor ecológico, reduzindo custos, com o uso de ferros de reciclados, madeiras de pinus e eucalipto em acabamentos e pedras basalto, comuns em nossa região”, observa Marlon.