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Educação voltada ao senso crítico, à responsabilidade e ao empoderamento da mulher

editorial_aparecida_cred_marilia_dalenogare_DSC_0401.jpgA pedagoga Silvia Pagot Marodin é a primeira mulher a assumir a Direção do Colégio Marista Aparecida de Bento Gonçalves. Ela é natural de Bento Gonçalves, formada em Pedagogia licenciatura pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e em Orientação Educacional pela Educinter. Possui, entre as suas especializações, MBA em gestão escolar pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Silvia já está há 15 anos fazendo parte da família Aparecida. Em 2001 entrou na escola como Orientadora Educacional. Em 2007 assumiu a vice-direção e em 2009 passou ao atual cargo.

Segundo Silvia, o foco do seu trabalho é a gestão do currículo, a forma que o colégio Marista Aparecida deve estar organizado e quais concepções teóricas e sociais precisam ser levadas para dentro de sala de aula. “Como cidadã e como educadora tenho que estar de olho no mundo e busco estar conectada com a linguagem que a garotada fala e com o ambiente que eles se relacionam. Tenho uma filha de 17 anos que está no terceiro ano do ensino médio e ela me ajuda muito nessas atualizações.”

Ela também observou o crescimento anual de estudantes matriculados da instituição. Hoje o Aparecida possui 720 alunos nos turnos de manhã e tarde, contemplando Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. “Buscamos incentivar o protagonismo juvenil e damos uma forte base teórica. Além disso, propomos atividades que busquem a valoriza- ção do humano em cada ação realizada aqui dentro. Nossa preocupação é que esses jovens saiam da escola com senso crítico e responsabilidade. É muito importante ter o Grêmio Estudantil e a Pastoral Juvenil Marista (PJM) ativos dentro do Marista”.

De acordo com a Diretora, a escola Marista Aparecida acredita que seja importante haver equilíbrio entre os gêneros dentro do ambiente escolar. Silvia observa que é recente a ocupa- ção de mulheres em cargos de gestão e liderança. “Não acho que as mulheres tenham conquistado seu lugar no mercado de trabalho plenamente. É preciso se empoderar de verdade, ter coragem e saber da capacidade imensa que cada uma tem. Se nós somos a maioria da população, por que na política temos poucas representantes? Por que não estamos na maioria dos cargos de liderança se investimos mais na nossa educação e temos melhor formação que os homens? Nosso estilo pode ser diferente do homem. Servimos para qualquer tipo de trabalho, mesmo superando nossos limites.

Ela afirma que através da educa- ção, é possível dialogar e expor essas questões de gêneros para os estudantes, de maneira tranquila e gradativa. “ Mesmo assim, não podemos achar que a missão está cumprida. A nova geração de mulheres precisa estar consciente do cenário para iniciar sua carreira, porque elas têm uma grande luta pela frente. Só haverá igualdade de gênero quando todas mulheres puderem ser felizes com suas escolhas fazendo o entorno melhor”.

Silvia relata que nos últimos seis anos constatou crescente participa- ção do pai com as ações que envolvem a escola. “Em muitas famílias houve a inversão dos papéis, a mulher trabalhar fora o dia inteiro e o pai é que vem levar e buscar os filhos, participa de reuniões e de atividades escolares. Nas reuniões da educação infantil vemos também que quase metade dos pais acompanhando as mães mesmo estando divorciados. Percebe-se que os pais da geração mais nova são os que mais se interessam e preocupam. Essa nova geração de pais está mais atenta a dividir as responsabilidades da família com a companheira. Acho que por outro lado nós precisamos trabalhar mais a questão das mulheres para elas não se sentirem tão culpadas por estar deixando o lar para o mercado de trabalho. Vemos que muitas carregam esse sentimento. As mulheres trabalham por necessidade e porque também querem”.

Em caso de separação do casal muitos filhos permanecem com as mães. “Vemos aqui que numa boa parcela desses casos a mulher se responsabiliza por trabalhar, levar e buscar o filho na escola e cuidar do lar. Muitas vezes esses filhos nem recebem pensão alimentícia. O máximo exigido do homem é que ele cumpra sua obrigação financeira. Mas se judicialmente não está definido, parece que o homem tem uma responsabilidade a menos. Nesse caso eu vejo como o peso é muito maior para as mulheres. É uma questão cultural, as mulheres são as últimas que abandonam, elas cuidam dos filhos, dos pais e dos familiares que adoecem”.