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BentoCIDADE INDUSTRIAL

O município de Bento Gonçalves, como qualquer outro do país e do mundo, tem seus pontos positivos e negativos. A ação do voluntariado e os projetos sociais existentes na cidade em prol dos menos favorecidos é um traço positivo e marcante da comunidade. A matéria de capa desta edição confirma a observação. Mais de 2.500 pessoas, entre jovens e adolescentes, tem acesso gratuito à prática de várias atividades esportivas e culturais.  Providenciais essas oficinas porque esta é uma cidade industrial, de muito trabalho, com jovens impedidos por força de lei federal a trabalhar antes dos 16 anos, salvo raras exceções, como o Programa Jovem Aprendiz, do Senai.

Na minha época de adolescência não havia nada disso.  A prática de esportes era restrita a aulas de educação física e a participação em competições entre escolas locais, como a dos Jogos da Primavera. Muitas vezes ficávamos sem ter o que fazer no contraturno escolar. No verão, o cenário mudava com a abertura da temporada de piscinas. Morava no centro da cidade e frequentava a piscina do Clube Aliança, onde cedo aprendi a nadar com a ajuda dos mais velhos. Também aprendi a jogar pingue-pongue nos finais de tarde, após muito sol e água. Tentei aprender a jogar tênis, sem sucesso, penso que por falta de instrutores. Se fosse hoje, ficaria encantada com as várias oportunidades oferecidas, tanto em esportes como em artes e, com certeza, participaria de várias.  Como a maioria das crianças e adolescentes, sobrava fôlego e disposição.

VEREADORES MIRINS E RAIO X DIGITAL

O poder legislativo de Bento Gonçalves entregou diplomas aos Vereadores Mirins no último dia 10, em sessão ordinária simulada. Parabéns pela iniciativa, que incentiva jovens com potencial a se envolverem com a política, que, se bem praticada, é uma arte.

Já a Secretária Municipal de Saúde inaugurou na UPA, também nessa semana, o laboratório de Raio X digital. O equipamento, com certeza, vai ajudar a qualificar o atendimento.

Foto: Divulgação

KÁTIA – ENTRE TÓPICOS DA EDIÇÃO DE JULHO

PRONÚNCIA DO PORTUGUÊS

A reportagem de capa dessa edição do Integração é dedicada ao colono, por ocasião de seu dia, com matérias que ressaltam o empreendedorismo e a força de trabalho das famílias do meio rural da região. Antigamente, os colonos tinham vergonha de serem colonos por sofrerem bullying de moradores da cidade ao falarem misturando dialetos italianos com o português, o que resultava na pronúncia de palavras com dois erres com um erre só.

A letra da música “O Colono”, de Teixerinha, ressalta essas injustiças. Na semana passada vi um vídeo no WhatsApp com um rapaz de Bento Gonçalves se defendendo de bullying por ter passado para o grupo errado uma declaração apaixonada para a namorada, na qual falava como se fosse criança (coisas de apaixonados) com forte sotaque. Que ridículo o rapaz ter que se defender por causa de sua forma de comunicação numa terra onde a maioria das pessoas, de uma forma ou de outra, peca na pronúncia do português. As crianças aprendem a falar como seus pais e avós, entre outros cuidadores. Se eles falam errado, por também terem aprendido errado, o ciclo é vicioso. Se falar errado, com sotaque, fosse o maior de nossos males, estaríamos no paraíso terrestre.

Botas penduradas em parreirais

Em entrevista na propriedade da família Strapazzon, a repórter Natália Zucchi registrou os parreirais da família de uma forma curiosa. Neles, botas de borracha, tradicionais da lida na colônia, encontram-se em grande quantidade, penduradas nos postes que sustentam as videiras. Segundo Celso Strappazzon, seu pai, Flávio, tinha o costume de aproveitar os calçados que não serviam mais para o trabalho, como enfeite aos parreirais. Mas após ver a funcionalidade da brincadeira, passou a incluir em cada poste, uma bota. Segundo ela, as ajudam a preservar a madeira da umidade das chuvas, ampliando sua durabilidade.

BELO EXEMPLO

Adoro ser jornalista. A profissão permite entrar em contato com diversas realidades e também dá acesso a muitos resgates históricos, como a reportagem de capa desta publicação sobre a primeira Fenavinho, ocorrida há 50 anos. Ao todo, foram promovidas quinze edições do evento. Cada uma no seu perfil, com seus ganhos e perdas. Sobre as primeiras edições, eu tinha memórias de infância, agora ampliadas em função da reportagem. A primeira Fenavinho, organizada em seis meses, superou todas as expectativas, projetando Bento Gonçalves no cenário nacional. A população bento-gonçalvense, na época com cerca de 40 mil moradores, foi bastante envolvida pelo evento, tanto nos preparativos como na hospedagem e alimentação de milhares de turistas. Os visitantes tomaram o município atraídos pela divulgação da grande mídia sobre a distribuição gratuita de suco de uva e vinhos. O sucesso foi estrondoso.

Como diz uma das letras das tantas músicas de Raul Seixas: “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonho só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Fica o belo exemplo de garra e organização do povo da época para as atuais lideranças e moradores locais.