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Kaedalus produz trilhas sonoras para jogos digitais

Por: Natália Zucchi

Nossa reportagem de capa mostra a cobertura do Nerd Land em Bento Gonçalves, evento da cultura nerd e pop, ocorrido no último dia 03 de junho na UCS-CARVI. Entre os convidados do Nerd Land, alguns perfis do município e região. Abaixo, veja a entrevista com Kaedalus. 

unnamedO convidado Nickolas Ramires Jaques, 19 anos, natural de Porto Alegre, que reside em Bento Gonçalves desde o ano 2000, cursa o 3º semestre de Produção Multimídia na FTEC. Antes mesmo da graduação a produção musical já fazia parte da sua vida. Denominado Kaedalus, nome artístico de Jaques, ele é músico compositor e hoje trabalha com a produção de trilha sonoras para jogos digitais. Ele participou dos bate-papos do Nerd Land e também apresentou temáticas de jogos digitais no piano. Leia abaixo a entrevista com Kaedalus.

Jornal Integração da Serra: Desde quando você toca teclado/piano?
Nickolas Ramires Jaques: Antes de começar a aprender piano, já havia feito algumas poucas aulas de bateria, violão e guitarra, instrumentos que, após o aprendizado inicial, passei a aprender de forma autodidata. Comecei a brincar com um teclado que tínhamos em casa aos 13 anos. Durante dois anos fiz aulas de piano clássico. Após esse tempo, passei a praticar o instrumento também de maneira autodidata. Amo experimentar novos instrumentos e também improvisar, experimentar e criar novos sons e percussões a partir de tudo que conseguir encontrar. Além dos já mencionados, tenho experiência com violino e alguns instrumentos de sopro.

JIS: Quais são suas influências?
NRJ: Gosto de ouvir e busco aprender com quase todos os tipos de música, desde compositores clássicos, como Dvořák e Debussy, até bandas contemporâneas como Blind Guardian e Megadeth. Ainda assim, os compositores que mais me influenciam são os que produzem trilhas sonoras. Entre eles, alguns dos meus favoritos são John Powell (Como Treinar o Seu Dragão), Harry Gregson- -Williams (As Crônicas de Nárnia), Nobuo Uematsu (Final Fantasy) e Shoji Meguro (Persona).

JIS: Quando começou a produzir trilhas sonoras?
NRJ:
Sempre amei trilhas sonoras, desde que era criança, e tinha muita vontade de ser capaz de transformar minhas próprias ideias em música. Comecei a aprender a compor em 2010, através de tentativa e erro. Provavelmente, não é a maneira mais eficiente! De qualquer forma, continuei praticando e buscando aprender cada vez mais. Passei a trabalhar profissionalmente com composição em 2015.

JIS: Você apresentou temáticas de jogos no NerdLand. Quais jogos foram apresentados?
NRJ:
Apresentei músicas de jogos que foram escolhidos em uma enquete pelos participantes do evento (além de algumas escolhas próprias). Os jogos foram: Chrono Trigger, The Elder Scrolls V: Skyrim, Final Fantasy VII, The Last of Us, The Legend of Zelda, e Super Mario World.

JIS: Você também produziu os vídeos com as imagens dos jogos para a apresentação? Você costuma fazer isso com todo o seu repertório?
NRJ:  Foi uma produção bastante básica, apenas para ilustrar as trilhas que apresentei. Mas sim, busco sempre uma boa apresentação de minhas músicas e covers, principalmente em meu canal no YouTube.

JIS: Como você enxerga o mercado de trilhas sonoras no Brasil?
NRJ:
No Brasil este mercado é muito mais prevalecente no eixo Rio-São Paulo. No restante do país, se encontra em estágio inicial. Há pouca demanda, especialmente se comparada à oferta. Este cenário é agravado pelo fato de que muitas empresas subestimam o efeito que pode ser alcançado com a trilha sonora ideal, não dando a devida importância a esse aspecto em suas produções. Mas, a situação atual tende a mudar para quem produz trabalhos de qualidade.

 

Arte do Desenho: Douglas Dias

Nossa reportagem de capa mostra a cobertura do Nerd Land em Bento Gonçalves, evento da cultura nerd e pop, ocorrido no último dia 03 de junho na UCS-CARVI. Entre os convidados do Nerd Land, alguns perfis do município e região. Abaixo, veja a reportagem com Douglas Dias.

19060196_1203426736452644_5133811311828001219_nDesenhista publicitário e gráfico, cartunista, quadrinista, caricaturista e ilustrador, Douglas Garcia Dias, 34 anos, é natural de Pelotas e há 11 anos vive em Bento Gonçalves. Seu nome artístico é apenas Douglas Dias. Assim assina seus trabalhos produzidos ao longo dos 14 anos como profissional do desenho. Focado na arte, realizou cursos livres voltados às áreas de animação, quadrinhos, aquarela e softwares para pintura, entre tantos. Hoje, está à frente do curso de desenho da Fundação Casa das Artes, além de atuar como ilustrador e auxiliar administrativo.

Jornal Integração da Serra: Desde quando desenhas?
Douglas Dias:
Já faz tempo, hehehe… na verdade nunca parei de desenhar, desde que minha família me proporcionou contato com papel e caneta. Uma criança que jamais teve uma de suas aptidões castrada, desestimulada, tende a desenvolvê- -la. Profissionalmente, penso que comecei a ganhar a vida com desenhos por volta dos meus vinte anos.

JIS: Como começou seu interesse por desenho?
DD:
Meu irmão, Fábio (in memoriam), cinco anos mais velho, também tinha a mesma aptidão. Ele se incumbia de me ensinar o que já havia aprendido sobre desenho, enquanto minha mãe nos estimulava comprando materiais para ambos. Então, aquela fase em que a criança pega um lápis de cor e um papel, passando pelas animações na TV, os quadrinhos que meu irmão lia para mim, os games que jogávamos, evoluiu até o entendimento por profissão. Meu interesse começou e continuou nessa linha temporal. As leituras de histó- ria em quadrinhos (HQ) sempre me acompanharam, hábito que também me aproximou do desenho ao reproduzir os quadrinhos com base nas minhas aptidões. Deveria ser assim nas escolas. Deveria ser assim com toda a criança.

JIS: Você têm projetos paralelos? Se sim, quais?
DD:
Sim. Atualmente tenho trabalhado bastante com a temática medieval. Também participo de uma exposição coletiva de cartuns itinerante e de uma nova parceria com Henrique Madeira, de Cruz Alta, para uma HQ de suspense, além de outra HQ autobiográfica que será coletiva com outros artistas.

JIS: De onde você tira a sua inspiração?

DD: Então, essa questão da inspiração é abordada nos meus cursos para o pessoal que pretende seguir a profissão de desenhista. Parece que enquanto estudante, experimentador, você tem mais tempo ou necessidade de divagar sobre referências e novas experiências visuais. Já quando você trabalha com clientes, projetos, prazos, é o contrário. Não há mais esse tempo e, devido à demanda de trabalho e acúmulo de experiência, também não tem toda essa necessidade. A inspiração acaba sendo o deadline mesmo. A janela do meu homework, quando aberta, dá de frente para uma parede cinza da casa ao lado da minha. Não é nada inspirador, mas o trabalho tem de ser feito.

Já nas minhas referências, tem muita gente dos quadrinhos, pintores, animadores, gente como Bill Sienkiewicz, Rod Reis, Simon Bisley, Riccardo Federici, Adriana Melo, Carlos Luzzi, Glenn Vilppu… Gente mais nova, mestres mundiais arcaicos… É bem eclética.

JIS: Qual a faixa etária principal dos teus alunos?
DD: Na Casa das Artes, atualmente, são jovens e adultos, a partir de 14 anos. Também já ministrei cursos para crianças e adolescentes.

JIS: De que forma é ministrado o curso?
DD: O nome do curso é Desenho Artístico. Então, trabalho com um pouco de tudo que serve de base para o aluno entender as experiências visuais, intelectuais e motoras a respeito do desenho. Anatomia humana, luz e sombra, perspectiva são apenas alguns dos conceitos básicos abordados. Além disso, falo de muitas outras coisas e, principalmente, das dúvidas sobre carreira e mercado de trabalho. Não posso deixar um aluno sair de um curso meu pensando em ser profissional sem ter uma ideia do que o espera lá fora.

JIS: Como você vê o interesse da população de Bento pelo curso e pela arte do desenho?
DD: Aumentando. A vinda de pessoas de fora da Serra Gaúcha para cá, a miscigenação, tem sido muito favorável para a expansão artística e a visão crítica. Há dez anos, era bem menor. Para mim era estranho ver crianças com pouco interesse em história em quadrinhos, por exemplo. Hoje já temos eventos nerds como o Nerdland, Ilustra’s Stock que celebra o Dia Mundial do Desenhista, a busca por cursos de arte, tanto na fundação como com os professores Micael Biasin e Marjori Vaccari. Temos grupos de desenho no Facebook. Estamos em expansão e isso é ótimo!

JIS: Há anos você participa do Encontro de Cartunistas Gaúchos (Cartucho) em Santa Maria?
DD: Participo desde 2014, ano em que fui convidado pelo organizador do evento, professor da UFSM e cartunista Máucio Rodrigues. É bem legal, reúne desenhistas de vários municípios do Estado. Rimos muito por conta do universo do cartum. Tem que fazer o cartum temático do ano, que só é revelado no último dia em exposição, o que sempre dá um frio na barriga. O evento é fantástico, encontro muitos mestres por lá. Procuro sempre participar de atividades e conversar com o público, fazendo o meu melhor.

JIS: Algo a acrescentar?
DD: Sim. Seguem informações que pode ser úteis para desenhistas que queiram se juntar para trocar ideias e experiências. Os grupos do Facebook abaixo citados foram criados por mim para unir o pessoal e difundir o grafismo.

Seguem os links: Desenhistas Bento Gonçalves https://www.facebook.com/ groups/1414591142185334/ Grupo de Estudos Bento Gonçalves e Região https://www.facebook.com/ groups/1711476929096446/

Nerd Land: Cultura Nerd e pop na capital do Vinho

Reportagem: Natália Zucchi
Edição: Kátia Bortolini

Culturas nerd e pop em Bento

unnamed (3)Cerca de 500 pessoas, a maioria jovens, interagiram com as culturas nerd e pop através de bate-papos com convidados, competições de videogame, jogos de cartas e tabuleiro. Esses, entre outros atrativos, fizeram parte da 2ª edição do NerdLand, ocorrida no dia 3 de junho deste ano no anfiteatro e no ginásio de esportes da UCS- -CARVI. Um protótipo do R2-D2, robô personagem clássico do universo Star Wars, circulou nos espaços do evento, mexendo com emoções. Os bate-papos giraram em torno de literatura, histórias em quadrinhos, ilustrações, mangás, cinema e séries televisivas. Em um estande foi apresentada a escola de Quadribol, atividade criada no mundo fictício dos livros e filmes de Harry Potter. Para entreter as crianças, guerra de cotonetes.

unnamed (1)Entre os convidados, os escritores Affonso Solano, do Rio de Janeiro e o norte-americano Christopher Kastensmidt, hoje radicado em Porto Alegre. Os convidados desenhistas Douglas Dias e Emmy Dala Senta expuseram e comercializaram obras. A convidada Luiza Aiolfi, acadêmica do curso de Jogos Digitais, participou do bate-papo sobre criação e desenvolvimento de games com Kastensmidt e com o músico-compositor Nickolas Ramires Jaques, que também apresentou trilhas sonoras de jogos no piano. Outro convidado, o jovem unnamed (2)escritor Lucas de Lucca, participou do bate-papo com Kastensmidt e Solano. Também participou como convidada a dubladora Fernanda Bullara.

unnamedO NerdLand é organizado pelo professor do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Rafael Ramires Jaques. Ele ressalta que organiza o evento para acessar as culturas nerd e pop aos jovens do interior, bem como para valorizar os produtores culturais da região.

Protótipo do R2-D2 Star Wars ganhou destaque

Não precisa ser fã de Star Wars para se encantar com o Protótipo do R2-D2, robô personagem clássico do universo Star Wars. Medindo cerca de um metro de altura, o protótipo anda, fala e tem suas luzes coloridas e piscantes. A atração ganhou o público do NerdLand e rendeu boas fotos para os participantes, que puderam interagir com o robô durante o evento, no ginásio de esportes.

A criação é do analista de sistemas Airton Nora, de Caxias do Sul, que pela segunda vez constrói o protótipo do R2-D2. Nora conta que o primeiro protótipo foi criado para presentear a filha Gabriela em seu aniversário de 15 anos. Anos depois, ele construiu o novo protótipo em tamanho bem mais próximo ao original. O personagem foi confeccionado com materiais recicláveis, como ferro, papel, plástico e alumínio, além de ter algumas de suas peças aproveitadas do modelo anterior. “O R2-D2 é meu hobby”, afirma Nora.

O profissional demorou cerca de dois meses para concluir o personagem. Para dar vida ao robô, ele desenvolveu um aplicativo para celular como uma plataforma de comunicação com o protótipo. A partir do sistema, os movimentos do R2-D2 podem ser controlados de forma inteligente e ágil.

Airton Nora é membro do Posto Avançado Kashyyyias de Caxias do Sul, integrava o antigo Conselho Jedi do Rio Grande do Sul (CJRS), criado em 2002, reunindo fãs de Star Wars. O Posto Avançado Kashyyyias surgiu em 2005, em Caxias do Sul, com nome em homenagem ao planeta natal do personagem Chewbacca (KASHYYYK). Seus membros estiveram presentes no NerdLand para apresentar o histórico do universo Star Wars, desde a sua criação com os quadrinhos desenvolvidos pela Marvel na década de 70, até as novas produções cinematográficas que estão sendo gravadas. O grupo também participou de um bate-papo sobre o futuro do universo Star Wars e discutiu as diferenças nas histórias criadas dentro desse contexto.