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Retrospectiva 2018: Notícias de capa deste ano no Jornal Integração da Serra

As doze edições do Jornal Integração da Serra que circularam entre janeiro e dezembro de 2018 reportaram, em suas capas, matérias sobre saúde, terceira idade, feiras, política nacional e internacional, religiosidade e projetos públicos. Acompanhe a retrospectiva destas reportagens.

JANEIRO

Comercialização de espumantes
Sinopse: O brasileiro vai comemorar a virada de ano – e estourar garrafas de espumante. A bebida está pop. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o crescimento na comercialização de espumantes moscatel e brut, de janeiro a outubro de 2007, em comparação ao mesmo período de 2017, foi de 125,9%. O destaque deste ano é o crescimento, até o último mês de outubro, de 13,8 % na comercialização de espumantes moscatéis, em relação ao mesmo período de 2016.

Atualização: Em 2018, o espumante brasileiro continuou em alta, tanto no mercado interno como no externo. De janeiro a junho, a venda de espumantes no mercado interno atingiu 4,3 milhões de litros, com um crescimento de quase 10% frente a igual período de 2017. Além disso, até setembro deste ano as exportações de espumante cresceram 61,21% em volume e 29,23% em valores, em relação ao mesmo período de 2017.

O espumante nacional se diferencia dos vinhos por ser elaborado a partir de duas fermentações alcoólicas que conferem a ele borbulhas naturais, as famosas “bolinhas”.

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FEVEREIRO

Eleições italianas
Sinopse: Pleito, com vagas para italianos residentes em outros países e também para ítalo-descendentes com cidadania, mobiliza 89 candidatos pela América do Sul para quatro vagas ao Parlamento e duas ao Senado. Votos da América do Sul serão apurados nos primeiros dias do próximo mês de março.

A Itália, de sistema parlamentarista, é o único país que reserva vagas na Câmara e no Senado para representantes fora do seu território. A Lei 459/2001, conhecida como Lei Tremaglia, em vigor desde 2006, destina 18 vagas parlamentares, entre 12 Deputados e seis Senadores, para sufrágios de italianos residentes no exterior, nascidos ou não no país, inscritos no Cadastro de Italianos Residentes no Exterior (AIRE). A última eleição foi em 2013, quando foram renovadas todas as vagas da América do Sul. Para a América do Sul há vagas para quatro Deputados e dois Senadores. Elas estão sendo disputadas por 89 candidatos, entre 63 ao Parlamento e 26 ao Senado. O mandato é de cinco anos.

Atualização: A América do Sul elegeu quatro candidatos da Argentina e dois do Brasil. Os ítalo-argentinos Ricardo Merlo (MAIE), com 52.739 votos e Adriano Cario, da Unione Sudamericana Emigrati Italiani (USEI), com 21.868 votos, foram eleitos para o Senado. Os dois deputados eleitos pela Argentina são Mário Borguese (MAIE), com 26.184 votos e Eugênio Sangregorio, da Unione Sudamericana Emigranti Italiani (USEI), com 32.923 votos. Pelo Brasil, foram eleitos deputados os paulistas Fausto Longo, do Partido Democrático (PD), com 8.906 votos e Luis Alberto Lorenzato, da Liga Norte (Lega), com 11.106 votos. Longo foi Senador na gestão anterior. Lorenzato é o coordenador da Lega na América do Sul.

This picture shows an empty senate prior a session for a confidence vote for the new governement on April 30, 2013 in Rome. Italy's new prime minister will face an early test of his mission to reverse Europe's austerity course Tuesday as he meets German Chancellor Angela Merkel after vowing to stop a policy he says is killing his country. AFP PHOTO / ANDREAS SOLARO (Photo credit should read ANDREAS SOLARO/AFP/Getty Images)

ANDREAS SOLARO

MARÇO

21ª Movelsul
Sinopse: 
A 26ª edição da Movelsul Brasil, que ocorre de 12 a 15 deste mês, na Fundaparque, sob a presidência do empresário Edson Pellicioli, será focada na diversidade e inovação do mobiliário. Serão 246 expositores, entre os segmentos de escritório, cozinha, dormitórios, área de serviço, banho, móveis para jardim, eletros, copas, salas de jantar e estar, tapetes, estofados e colchões, apresentando suas novidades para um público estimado em cerca de 30 mil visitantes profissionais de 50 países. O evento é voltado para lojistas, representantes, arquitetos, designers, decoradores, importadores e jornalistas. Na edição de 2016, a Movelsul Brasil recebeu 29 mil visitantes profissionais de 48 países.

Atualização: Mesmo com redução de um dia frente às edições anteriores, a edição de 2018 encerrou com 30.284 visitantes profissionais de 33 países. O Sindmóveis, entidade promotora da feira, estima que os 246 expositores obtiveram uma geração de negócios de mais de R$ 300 milhões. A próxima edição ocorre de 16 a 19 de março de 2020, na Fundaparque.

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ABRIL

Rio das Antas, fonte de captação
Sinopse: O Rio das Antas será a próxima fonte de captação de água da Corsan para o abastecimento dos municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha Garibaldi e Carlos Barbosa. No último trimestre de 2017, a Corsan apresentou, em audiências públicas nos municípios abrangidos, o projeto Sistema de Abastecimento de Água Integrado da Serra, de captação de recursos hídricos para fins de consumo humano na 3ª Secção do Rio das Antas, na comunidade Nossa Senhora do Rosário, pertencente ao município de Bento Gonçalves. O projeto encontra-se em fase de aprovação no Banco Internacional de Desenvolvimento (BID), órgão que destina recursos para obras públicas com juros mais baixos. Orçado em R$ 165 milhões, inclui sistema de captação e adutoras, bombeamento, estação de tratamento de água, reservatório e rede distribuidora. A conclusão está prevista, inicialmente, para 2022. Início da obra depende de liberação de recursos pelo BID. A obra, que já tem o estudo geológico e aguarda licenciamento na Fepam, não demandará barragem.

Atualização: O cenário continua o mesmo.

MAIO

3ª idade
Sinopse: Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo rapidamente em relação a outras faixas etárias. O Brasil, segundo a World Health Organization (WHO), até 2025 será o sexto país em número de idosos. Esse cenário é decorrente da redução nas taxas de fertilidade e do acréscimo da longevidade nas últimas décadas. Em todo os países do mundo estão sendo registradas quedas nas taxas de fertilidade. Conforme a WHO, até 2025, 120 países terão alcançado taxas de fertilidade total abaixo do nível de reposição (média de fertilidade de 2,1 crianças por mulher). Atualmente, os especialistas no estudo do envelhecimento referem-se a três grupos de pessoas mais velhas: os idosos jovens, os idosos velhos e os idosos mais velhos.

Atualização: A população brasileira chegou a 208,4 milhões de pessoas em 2018, segundo estimativa do IBGE, com base no Censo de 2010, divulgada em julho deste ano. Também conforme projeção do IBGE, o país terá mais idosos que jovens em 2060.

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JUNHO

Contrastes
Sinopse: Recentemente, o município de Bento Gonçalves foi manchete nos principais veículos de comunicação do estado do Rio Grande do Sul. Dessa vez, não por se destacar como destino turístico brasileiro ou pela alta taxa de qualidade de vida apontada em relatórios anteriores, mas sim pelo crescente número de homicídios na cidade. Os representantes da segurança pública do município atribuem esse acréscimo de assassinatos na cidade a ações de duas facções criminosas de Porto Alegre, em busca do domínio do tráfico de drogas em Bento Gonçalves. Em 2016, foram 28 mortes violentas registradas e, em 2017, o município fechou o ano com o número recorde de 34 homicídios. Nos três primeiros meses deste ano, mais da metade dessa taxa já foi atingida: foram 23 mortes violentas registradas. Em 2016, a Brigada Militar realizou 56 prisões em flagrante referentes ao tráfico de drogas, em 2017 este número subiu para 107. Neste ano, 52 prisões foram realizadas no período de quatro meses.

De acordo com o Atlas da Violência publicado em 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Bento Gonçalves figura entre as 20 cidades mais violentas do Rio Grande do Sul. No ranking nacional, ocupa a 221ª posição de municípios brasileiros mais violentos com população superior a 100 mil habitantes.

Atualização: Até o final de dezembro de 2018 foram registrados 50 homicídios em Bento Gonçalves, com um acréscimo de 47% em relação ao ano anterior.

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JULHO

Maria Goretti
Sinopse: O bairro Maria Goretti, um dos mais antigos de Bento Gonçalves, no próximo dia 8 de julho promove a 65ª edição consecutiva da Festa em Honra a Santa Maria Goretti, padroeira da comunidade. Inspirados no lema “Uma História Construída pela Fé”, a equipe de liturgia, casais festeiros e demais lideranças resgataram documentos, cartazes das primeiras festas e da inauguração da igreja, construída em ação comunitária, há 55 anos. A primeira edição da festa ocorreu em 2 de agosto de 1953, com procissão solene saindo da Igreja Matriz Santo Antônio até o local onde seria, mais tarde, concretizado o sonho da construção da capela, numa área de 1.800 metros quadrados, doada pela Congregação das Irmãs Carlistas. A missa campal e a bênção da pedra fundamental da igreja Santa Maria Goretti marcaram o início da história que envolveu as famílias do bairro. Também em julho, do dia 21, foi dada a bênção ao novo espaço litúrgico – presbitério e batistério, da Igreja Santa Maria Goretti, em missa presidida pelo pároco da Igreja Matriz Santo Antônio, Ricardo Fontana. O espaço foi revitalizado segundo normas litúrgicas, com projeto e orientação dos arquitetos Denise Travi e Dangle Marini.

Atualização: Próxima edição da festa, já em preparativos, ocorre em julho de 2019.

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AGOSTO

Usina de queima de lixo doméstico
Sinopse: Três empresas já demonstraram interesse em participar da licitação para a construção da Usina de Tratamento e Eliminação dos Resíduos Sólidos Urbanos de Bento Gonçalves, por pirólise, com edital lançado pela prefeitura no último dia 24 de julho, para a apresentação de propostas até o próximo dia 17 de setembro. A informação é do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Sílvio Bertolini Pasin. A obra será feita em Parceria Público Privada (PPP), na modalidade de concessão administrativa de 35 anos, numa área do município, de 3,79 hectares localizada na rua Davile Sandrin, no bairro Pomarosa, onde funciona atualmente a Estação de Transbordo. O modelo vencedor do projeto da usina foi o elaborado pela Planex S/A – Consultoria e Planejamento, de Minas Gerais. A empresa vencedora para a implementação do projeto terá o prazo de doze meses para a execução da obra. Bento Gonçalves produz, em média, 110 toneladas de lixo por dia. Desse montante, 24% é reciclado. Os materiais orgânicos são transportados por caminhões até o aterro sanitário de Minas de Leão, por cerca de 180 quilômetros, com um custo mensal de R$ 250 mil aos cofres do município.

Atualização: A apresentação das propostas, no dia 17 de setembro, foi impugnada por uma empresa que não estava participando da licitação. O edital foi relançado pela prefeitura, com previsão de abertura das propostas para o último dia 22 de outubro, não concretizada, por intervenção do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O órgão solicitou à prefeitura esclarecimentos sobre seis pontos do processo, de origem administrativa. As informações são do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Sílvio Bertolini Pasin. Ele acrescenta que as dúvidas do TCE são resultantes da Parceria Público Privada (PPP) propostas pelo projeto, por ser a primeira do gênero do Rio Grande do Sul.

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SETEMBRO

Setembro Dourado: combate ao câncer infantil
Sinopse: O câncer não poupa ninguém. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Mediante essa realidade, está ocorrendo a campanha Setembro Dourado, de amplitude nacional, com o objetivo de divulgar o diagnóstico precoce como forma de vencer o câncer infantil. Em Bento Gonçalves, a campanha, lançada no último dia 13 de setembro, está sendo promovida pelo Centro Espírita Nossa Casa. Entre as ações da campanha no município ocorre, no dia 30 de setembro, a primeira edição da ‘Caminhada pela Vida’, com orientações sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer infantil. Cerca de 80% das crianças diagnosticadas precocemente obtém a cura do câncer.

Atualização: De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, divulgados no dia 28 de novembro de 2018, o total de crianças, de 0 a 14 anos que morreram por causa do câncer, apresentou queda de 13,4%, entre os anos de 2006 e 2016.

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OUTUBRO

Eleições 2018
Sinopse: Município tem doze candidatos aos cargos de deputado estadual e federal. ito candidatos a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e quatro à Câmara Federal, todos residentes em Bento Gonçalves, disponibilizaram seus nomes à eleição do próximo dia 7 de outubro. A disputa promete ser acirrada e, como as chances de pulverização dos votos são grandes, Para Bento Gonçalves, órfã de representatividade nos parlamentos gaúcho e federal nas últimas três décadas, a escolha de pelo menos um nome para essas esferas pode marcar um período de mudanças.

Atualização: Mais um pleito sem eleger representantes de Bento Gonçalves na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e na Câmara Federal.

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NOVEMBRO

Santuário no Vila Nova 2
Sinopse: Mais de cinco mil famílias católicas residentes em Bento Gonçalves nos bairros Vila Nova II, III e IV, no próximo dia 26 de novembro, concretizam um antigo anseio religioso com a inauguração, da nova sede da Igreja Nossa Senhora do Caravaggio. Situado na rua Arlindo Menegotto, nº 480, bairro Vila Nova II, terá mil metros quadrados de área construída entre dois pavimentos, em estilo contemporâneo, contemplando tendências e técnicas arquitetônicas utilizadas nos tempos atuais. O pavimento superior comportará o santuário, com capacidade para 200 pessoas sentadas, sacristia e três salas de catequese. O pavimento inferior sediará o salão de festas, com copa, cozinha, área de serviço e dois banheiros com fraldário, além de duas capelas mortuárias.

Atualização: A comunidade do bairro Vila Nova II, em Bento Gonçalves, prestigiou a inauguração da Igreja Nossa Senhora de Caravaggio, no último dia 26 de novembro. Os fiéis lotaram o espaço e acompanharam a missa celebrada pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni, e também pelos padres das paróquias Santo Antônio e Cristo Rei.

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DEZEMBRO

Natal na Serra Gaúcha

As festividades de Natal mexem com as emoções das pessoas, de uma forma ou de outra. Milhares de brasileiros demonstram estar ainda mais emotivos para o próximo Natal em relação aos anteriores, em função da prolongada crise financeira e política que atormenta o país. O Brasil está ansioso pelo término desse ciclo e a maioria acredita que o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, dará um fim a essas crises. Com o cenário nacional em “lua de mel” com Bolsonaro e com o pagamento do 13º salário, o dinheiro tem circulado um pouco mais no Brasil nos últimos meses, animando o comércio e o turismo, entre outros setores da economia. Em Bento Gonçalves, os lojistas projetam acréscimo de vendas para esse Natal, alguns em até 20% em relação ao anterior.

Nos últimos anos, Bento Gonçalves cresceu como destino turístico no Natal, por conta do acréscimo de atrações, como o passeio noturno com o trem Maria Fumaça, entre a estação férrea de Bento Gonçalves e a de Carlos Barbosa, com parada na estação de Garibaldi, iniciado no último mês de novembro.

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Violência contra a mulher: 1.380 ocorrências registradas em 2016

Reportagem: Natália Zucchi
Edição: Kátia Bortolini

As mais variadas formas de violência contra as mulheres residentes em Bento Gonçalves são atendidas pela Rede de Enfrentamento, formada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Centro de Referência da Mulher que Vivencia Violência (Revivi), Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), Polícia Civil, Brigada Militar, Poder Judiciário, Defensoria Pública, OAB, Instituto Geral de Perícias (IGP) e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Comdim. Nesta reportagem foram ouvidas a delegada titular da DEAM, Deise Salton Brancher e a Coordenadora do Centro Revivi, Regina Zanetti.

Ameaça, perturbação e lesão corporal

Segundo a titular da DEAM do município, Deise Salton Brancher, a Delegacia da Mulher tem a função de apurar crimes de violência familiar e doméstica realizada por homem contra mulher ou de mulher contra mulher, em relações homoafetivas. Ela explica que a violência doméstica se difere da familiar porque a primeira pode ser realizada por qualquer pessoa residente no mesmo lar. “Já a familiar é praticada somente entre os membros da família”, acrescenta. Em relação a situação inversa, de homens agredidos por mulheres, a vítima pode registrar um Boletim de Ocorrência (BO) no DEAM, mas o inquérito será enviado à Delegacia de Polícia Civil.

De 1 de janeiro a 19 de dezembro de 2016, foram registradas 1.380 ocorrências de agressão em Bento Gonçalves, entre a DEAM e o Pronto Atendimento da Polícia Civil. Desse montante, foram instaurados 940 inquéritos. A maioria das ocorrências, conforme Deise, são por ameaça, perturbação e lesão corporal. No caso de lesão corporal, sempre é aberto inquérito, que segue em andamento mesmo se a vítima retroceder na acusação. Também nesse período foram expedidos pela DEAM 54 mandados de busca e apreensão.

“Os casos ocorrem em todas as classes sociais e em todos os bairros. As mulheres das classes mais altas relutam em denunciar e procurar ajuda devido a pressão e exposição social, medo do que a sociedade vai falar, medo do que a família vai pensar”, observa ela.

 A Delegada ressalta que a mulher precisa se reconhecer como sujeito de direitos. Ela complementa que as leis vêm para proteger e dar segurança à mulher, prezando sempre pela igualdade de gênero.

capa mulher delegada“Ninguém casa pensando em separação”

Para os ditos casos de mulheres que utilizam a Lei Maria da Penha em benefício próprio ou para incriminar o parceiro, Deise salienta que se no inquérito for provado que ela mentiu, deixará de ser vítima para ser ré, respondendo por denunciação caluniosa. Quanto a resistência de muitas mulheres em se separar do agressor, ela lembra que há vários fatores envolvidos, começando pelo sentimental. “Ninguém casa pensando em separação. Além disso, muitas alentam a esperança de mudança de comportamento do parceiro. Todas as realidades são respeitadas, não é a polícia que vai determinar a sequência da história. A lei oferece segurança, e as instituições amparo e atendimento especializado com médicos e psiquiatras para toda a família. Mas a decisão de dar ou não andamento ao processo é delas. A exceção é quando há lesão corporal”, acentua a Delegada.

Revivi prestou 792 atendimentos em 2016

O Centro Revivi atende mulheres que passam por qualquer tipo de violência, sem haver necessidade de registro do Boletim de Ocorrência. O acompanhamento à vítima é prestado por uma equipe multidisciplinar junto à rede pública de saúde. De acordo com a coordenadora Regina Zanetti, mensalmente são atendidas em torno de 70 mulheres. Ela acrescenta que já houve períodos com mais de 90 atendimentos mensais.

De janeiro a dezembro de 2016, o Revivi prestou 792 atendimentos, entre eles 141 novos casos de violência contra a mulher. Desses, foram 128 casos encaminhados pela Delegacia da Mulher, Delegacia de Polícia, Fó- rum e Ministério Público. Também houve 13 casos de procura espontâ- nea. Entre os novos casos, 56 mulheres têm filhos com o autor da agressão e não possuem renda própria. Ocorreram ainda 42 reincidências de casos em andamento. Os bairros com mais casos de violência doméstica encontram-se na zona norte da cidade. A maioria das vítimas possui ensino fundamental incompleto. Mas em 2016 também foram registrados dez casos de vítimas com ensino superior completo, com acréscimo de 100% em relação a 2015, ano em que ocorreu cinco casos. A informação é da coordenadora Regina: “Nosso atendimento é para todas. Cada uma tem história e sentimentos diferentes. Umas frequentam o Revivi durante um mês, outras permanecem seis, oito meses. O importante é que cada uma quebre o ciclo de violência e passe a tomar atitudes. Toda mulher merece se olhar no espelho e se sentir livre, dona de si”, afirma Regina.

dia da mulherChefes de família

Regina Zanetti conta que até 1962 poucas eram as mulheres em Bento Gonçalves que trabalhavam nas indústrias. Entre elas, raras eram casadas, porque os maridos e os próprios familiares do casal as induziam a abandonar seus empregos para servir somente ao lar. De acordo com Regina, as casadas que continuavam trabalhando eram vítimas de insultos de vizinhos e não eram consideradas “mulheres de família”. O ato de manter o emprego também era visto como desrespeito ao homem, provedor da família. “A situação também sugeria falta de masculinidade. O caso se agravava se o casal já tivesse filhos. Era um absurdo para a sociedade da época. Os empresários não contratavam mulheres casadas porque poderia ser uma má ação da empresa e as demissões eram frequentes quando os noivados eram anunciados”, reporta. Ela observa que atualmente, em Bento Gonçalves, muitas mulheres são chefes de família. “Uma parcela delas é quem sustenta o marido. Mesmo em famílias que ambos colaboram para o sustento, a carga de trabalho da mulher é maior”, complementa.

Diferença salarial pode chegar a 30%

Conforme pesquisas divulgadas em 2015 e 2016, a diferença salarial entre homens e mulheres pode chegar a 30%, dependendo dos cargos e setores de atuação. “Isso depende das políticas de cada empresa, algumas já estão aplicando igualdade nos salários, mas entre homens e mulheres formados em Engenharia Civil, entre outras profissões com predominância masculina, a diferença pode ser gritante”, comenta Regina. Ela diz ainda que, na maioria dos casos, as demissões começam pelas profissionais do sexo feminino, devido ao gênero e a capacidade de engravidar. “O empregador enxerga como desvantagem a possibilidade de ter a profissional afastada pela licença maternidade. Isso é muito comum na nossa cidade. A cultura, infelizmente, é esta”, lamenta ela.

Denúncias

As agressões podem ser físicas, verbais ou psicológicas, e geralmente ocorrem dentro de casa. Na maioria dos casos elas são praticadas por maridos, companheiros e namorados. Também são feitas pelos ex-companheiros. Muitas mulheres passam entre cinco e dez anos sofrendo violência doméstica, esperando que seus companheiros mudem de atitude, sem que haja melhoras. “Muitas gerações realmente aguentaram caladas. Enfrentaram por causa dos filhos e da dependência financeira, onde os maridos impediram a profissionaliza- ção para manter a dominância. Hoje ainda temos vovós sendo agredidas pelos maridos há mais de 40 anos. Infelizmente, a imagem da mulher como “tanque, fogão e cama” ainda existe. Conforme os números, o correto a afirmar é que visibilidade da violência contra a mulher está aumentando, porque houve aumento nas denúncias. Mas ainda há muitos casos que não são conhecidos por diversos fatores sociais e psicológicos de cada ví- tima. O importante é que, com a maior procura, conseguimos ajudar mais mulheres a reconstruir suas vidas. As mulheres devem saber que agora elas têm voz”.

Abuso de álcool e outras drogas são agravantes

As estatísticas apontam que o uso de álcool e outras drogas são dois fatores que aumentam as agressões. “Além dos companheiros estarem alcoolizados e sob efeito de entorpecentes, as mulheres são agredidas também pelos filhos, motivados pelo uso dessas substâncias. Muitos destroem o patrimônio da mãe, roubam sua própria casa para sustentar o vício”, lamenta Regina.

Encarceramento doméstico

Em 2016 ocorreram quatro casos sérios de encarceramento doméstico em Bento Gonçalves, onde esposa e filhas foram impedidas de sair de casa em qualquer situação. “Nós pertencemos a uma região culturalmente machista. Tanto na cidade quanto no interior do nosso município, existem muitas famílias onde os homens se veem donos de suas filhas e de suas esposas. Infelizmente é comum os casos de encarceramento, onde o marido só autoriza a saída da mulher mediante sua presença e somente em determinados ambientes. Quando a filha mulher casa, eles entendem que a partir daí ela pertence a seu marido e ele será o responsável por controlar sua vida. Além disso, em muitas famílias a maior parte da herança ou o bem mais valorizado fica para o filho homem. Quando fica para a mulher, continua sendo a responsabilidade do marido administrar”, comenta.

Desenhos retratam a violência doméstica

A Coordenadoria da Mulher e o Centro Revivi promovem palestras e encontros em salões de comunidades e escolas. Os órgãos também orientam os funcionários das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para identificar sinais de agressão. “Elas nem sempre apresentam dores ou marcas, mas muitas possuem sequelas tão sérias de abuso que doenças se manifestam e nada é localizado em exames. Elas não se curaram emocionalmente desses abusos e o corpo traduz”, salienta Regina.

Nas escolas, os professores e orientadores podem identificar sinais de agressões domésticas através das crianças, por meio de comentários, desenhos que retraram a violência, ou manifestando os primeiros sinais de opressor x oprimida, praticando atitudes violentas com as colegas. Professores das redes de ensino podem realizar a capacitação para identificar as famílias que se encontram nessa condição de violência. “É importante trabalhar a formação da personalidade das crianças que enxergam as agressões em casa, para que elas compreendam a gravidade do problema e não incorporem isso para suas vidas. Muitos agressores de hoje são os filhos de mulheres oprimidas e agredidas, então para eles é normal”, observa.

Três anos sem feminicídios

Em 2013 ocorreu o último feminicídio – homicídio de mulheres devido ao gênero. São crimes onde o homem se acha proprietário da mulher e não aceita ser contrariado por ela. Também são motivados por ciúmes e obsessão. De 2007 a 2013, ocorreram dez casos em Bento Gonçalves.

Agressor também precisa de ajuda

O auxílio também chega ao praticante da violência. A Coordenadoria da Mulher realiza anualmente encontros de grupos com uma equipe multidisciplinar. São homens que se propõem a aceitar orientações e tratamento. Eles são encaminhados para psicólogos e psiquiatras, participam de conversas com o conselho de mulheres e buscam compreender a dimensão do problema para permanecerem com suas parceiras ou reiniciar uma nova relação afetiva saudável. “A Lei Maria da Penha não foi criada para separar casais, mas sim minimizar a violência. Além da mulher, o homem e a família também sofre. Nada impede que as mulheres agredidas permaneçam com esses parceiros se eles também se esforçarem para a saúde da relação e não repetirem os atos de violência. Os homens são nossos parceiros. Em nenhum momento os direitos das mulheres veio para desvalorizar o homem. Pelo contrário. Homens e mulheres são seres humanos que merecem respeito, liberdade e uma vida digna, construindo seus sentimentos e dia a dia em relações construtivas e colaborativa de igualdade de gênero. Eles também têm que dar o exemplo ao filho, tem que conversar, enxergar seus erros e nos auxiliar a preparar uma geração mais consciente”, esclarece.

Enganadas pelas redes sociais

De acordo com Regina, mulheres de outros Estados menos desenvolvidos são seduzidas por homens de Bento Gonçalves pelas redes sociais. Elas são iludidas e persuadidas a se mudarem para a cidade através de promessas de emprego e qualidade de vida. “Muitas trazem consigo seus filhos. Aqui, o “príncipe” as obriga a trabalhos domésticos exaustivos e a prostituição. Algumas chegam até nós e então conseguimos que elas retornem para seus familiares, nos seus estados de origem em seguran- ça”, declara. Para custear as passagens, é comum o Centro Revivi promover rifas e solicitar doações. Em 2013, a coordenadora recebeu um veículo dos governos federal e estadual para as necessidades atendidas pelo Centro Revivi. Ele é utilizado no município e região.

Associações

Na área rural e nos bairros do município, mulheres estão se organizando em associações, realizando atividades para seu próprio bem-estar. Elas participam de cursos, encontros e organizam viagens, sem a presença dos filhos e do marido, arcadas por meio de uma mensalidade. “As mulheres do interior tem se priorizado mais, gerando uma tímida mudança de comportamento com os maridos, exemplo extremamente necessário para os filhos. Essas mulheres têm aumentado a autoestima. Elas estão se libertando de um padrão inaceitável. Antes dependentes financeiramente e emocionalmente do marido, agora elas procuram formas de ter seu próprio dinheiro em atividades dentro e fora da propriedade. Assim, passaram a ver o marido como companheiro, alguém para compartilhar a vida”, comemora.

A liberdade na terceira idade

“Mulheres idosas saíram de um ciclo de opressão ao ficarem viúvas, ganhando independência e autoestima. Outras mulheres do lar estão se abrindo mais para as possibilidades de entretenimento e educação disponíveis. Elas aproveitam as coisas boas da vida, afirmando sua vontade e enfrentando, muitas vezes, a opinião contrária do marido. É interessante porque os homens, aos poucos, vão se engajando e participam de algumas atividades”, comenta.

“Mulheres idosas saíram de um ciclo de opressão ao ficarem viúvas, ganhando independência e autoestima. Outras mulheres do lar estão se abrindo mais para as possibilidades de entretenimento e educação disponíveis. Elas aproveitam as coisas boas da vida, afirmando sua vontade e enfrentando, muitas vezes, a opinião contrária do marido. É interessante porque os homens, aos poucos, vão se engajando e participam de algumas atividades”, comenta.