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Dezembro

ancila

Ancilla Dall´Onder
Professora
[email protected] Zat

O mês de dezembro é pródigo em comemorações e datas significativas em muitos e variados aspectos. É o de fato chamado mês dos presentes. Inicia com o dia primeiro, lembrando o bem-aventurado Charles de Foucauld, pela sua luta contra a Aids e, poucos dias depois, comemora-se o lendário São Nicolau de Mira, origem figurativa do Papai Noel.

A Imaculada Conceição de Nossa Senhora é comemorada em 8 de dezembro, juntamente com o Dia Nacional da Família e também o da Justiça. Comemora-se, dias depois, o da Bíblia dos Direitos Humanos e de Nossa Senhora de Guadalupe. Não podemos esquecer Santa Luzia, protetora dos olhos, e São João da Cruz, com sua afirmação: “Quem ama não se cansa e não cansa os outros”.

Em dezembro também comemoramos o Dia Internacional do Migrante, do passado e da atualidade, na sensibilidade humana em relação ao processo migratório. Por outro lado, a Primavera, que nos brindou com o espetáculo da exuberância da natureza, cede espaço ao verão, com o seu calor natural e, por derivação, espera-se também o calor humano entre as pessoas.

Mas a data máxima de dezembro e do ano é o Natal, quando celebramos o nascimento de Jesus, em família, entre abraços e presentes, precedidos pela oração. Não podemos esquecer que Jesus de Nazaré nasceu em Belém, por um chamamento dos pais Maria e José, para responder ao censo ordenado pelo imperador romano César Augusto. Na manjedoura, que lhe serviu de berço, revelou a sua humildade para crescer em virtudes e sabedoria: “amar ao próximo como a ti mesmo”, em princípio de igualdade e respeito entre as pessoas. O Natal imprime em todos nós sentimentos nobres de amor ao próximo, de solidariedade, de partilha e, sobretudo, de esperança.

Após o Natal lembramos Santo Estevão, o primeiro mártir da Igreja, e a Sagrada Família, comemorada em trinta de dezembro, enquanto aguardamos o findar de mais um ano em 31 de dezembro, o dia da Esperança.

A esperança sempre esteve presente entre os seres humanos pois encerra, em seu significado e sentido, o desejo de realização de que algo de bom aconteça, isto é, motiva e estimula o alcance de objetivos em qualquer idade.

Todo final de ano é propício para uma reflexão sobre a trajetória realizada. É nesse clima de reflexão e de esperança que desejamos um Ano Novo de muita alegria, saúde e paz.

Setembro!

Ancilla Dall´Onder Zat

Professora [email protected]

O incêndio que recentemente atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, fato lamentável, mas previsto, chamou a atenção dos brasileiros para um bem maior, o “nosso patrimônio histórico”, que guarda a memória da nossa identidade cultural. Assim como os pais procuram ensinar aos seus filhos os costumes e as tradições da família, que guardam suas origens, um povo também procura a transmissão intergeracional para que não se percam as raízes.

Cada país adota uma língua pátria falada pelos seus habitantes, os filhos da pátria, que pelo idioma escrito e falado mantém o elo de ligação nacional. Algumas variações podem ocorrer, como no sotaque, da língua culta para a coloquial ou popular. No italiano temos os dialetos derivados dos diferentes contextos de origem e locais. Entretanto, os descendentes dos italianos guardam em sua cultura o “Talian”. Mas falar e escrever corretamente a língua pátria, no nosso caso, a Língua Portuguesa, é, antes de mais nada, um gesto de amor à Pátria.

Aliás, o amor à pátria é também amor à cultura e à tradição de um povo, que não se expressa apenas na Semana da Pátria, mas cotidianamente, cada um fazendo a sua parte pelo bem comum. Nosso país é rico em diversidade cultural, colonizado pelos portugueses, habitado por índios de diversas tribos, recebeu os africanos, os alemães, os italianos, os poloneses e de muitos outros países, inclusive no pós-guerra da Segunda Guerra mundial. Recentemente, vieram os haitianos, senegaleses e estão chegando os venezuelanos. O Brasil e um país acolhedor e rico culturalmente. Apesar da variedade de costumes e de idiomas, a convivência sadia respeita as manifestações culturais de cada povo, inclusive que a tradição gaúcha se expresse de forma significativa. Não me refiro apenas às manifestações que ocorrem na Semana Farroupilha, mas a todo um cenário conservado, como é o caso de Piratini, que respira história, uma história bem conservada. E o que dizer do Castelo de Pedras Altas?

O Estado respira cultura tradicionalista nos CTGs, nas cavalgadas, na referência aos seus ícones, como o que perdemos recentemente, Paixão Cortes, compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha.

Como se percebe, setembro é um mês especial, evidencia a Pátria e a cultura gaúcha em especial. Lamento não ter podido visitar o Museu Nacional quando realizei curso de pesquisa para orientadores de estudos monográficos na UFRJ, mas, em compensação, guardo com carinho o nascimento do Museu do Imigrante, em 1965, no Mestre Santa Bárbara. É a nossa história!

Enfim, setembro nos brinda com uma nova estação: a Primavera.

Alteridade: a visão do outro

ancilaAncila Dall´Onder Zat

Estava participando de um seminário de pesquisa qualitativa, quando tive contato pela primeira vez com o termo. Um tanto distraída anotei literalidade, mas a colega ao lado advertiu-me que era “alteridade”.

Fui ao dicionário Aurélio: “caráter ou qualidade do que é outro”. A explicação não era suficiente, porque pensava que outras palavras também tinham algo a ver “com o outro”, como solidariedade, bondade, piedade, amizade… pois não existiriam sem o outro. Mas, não poderia generalizar com a simples dedução. Por isso, prossegui na busca de significado no Aurélio (1ª ed., p.75). Para surpresa, não encontrei o vocábulo, entretanto explicava o significado de “alter ego”, no latim “outro eu”, ou seja, “amigo íntimo no qual se pode confiar, tanto como em si mesmo”.

A busca de outras fontes remeteu à Antropologia, que estuda “o homem inteiro” em todas as sociedades de forma contextualizada e salienta a importância da palavra “alteridade”. Todavia, a Antropologia, por estudar o Homem em sua plenitude e os fenômenos que o envolvem, é considerada a ciência da alteridade. Laplantine (2007), em sua obra, destaca a descoberta da alteridade, ou seja, a relação que nos permite identificar nossa pequena província de humanidade com a humanidade e, ao mesmo tempo, reconhecer o “outro” como semelhante, embora distinto com suas características peculiares. Ainda, a alteridade é distinta da empatia que “é identificar-se totalmente com o outro”.

Cortella (2015) refere-se à “capacidade de ver o outro como outro, e não como estranho”. Como somos para nós e para os outros? O autor exemplifica a arrogância como a incapacidade de alguém ter a visão de alteridade. Relaciona a arrogância e a ganância nessa perspectiva, explicando que a pessoa ambiciosa é a que quer mais, enquanto a gananciosa quer mais só para si.

Voltando ao termo, li que alter significa “o outro” e alius indica “o estranho”, termos que possibilitam entender o significado de: alienado, alheio, alien, alienígena, forasteiro e/ou estrangeiro para aquele que não é como nós ou assim considerado, evidenciando a não alteridade. A palavra também nos remete à filosofia de Platão, à lógica de Hegel e ao existencialismo do século XX.

Enfim, retornando ao caderno de anotações do Seminário de Pesquisa, observei ter escrito ao lado da palavra “alteridade”: a chegada do outro, fator humano e social, reconhecer-me também! Esta é a minha visão de alteridade!