X

Liga de Combate ao Câncer fortalece movimento da medicina do estilo de vida

Encontro com a médica Elise Bauer, diretora regional do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, destacou a importância de hábitos saudáveis e das conexões humanas como caminhos para melhorar a saúde

A promoção de hábitos saudáveis como estratégia para prevenir doenças e buscar melhor qualidade de vida tem um potencial transformador para melhorar a saúde e o próprio sistema de atendimento público. Diretora regional do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida no Rio Grande do Sul, a médica Elise Bauer palestrou na terça-feira (10), em Bento Gonçalves, enaltecendo essa abordagem a convite da Liga de Combate ao Câncer – uma das precursoras na região no incentivo dessa prática. Durante a apresentação, no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), a especialista explicou os fundamentos da chamada medicina do estilo de vida (MEV), abordagem baseada em evidências científicas que atua na prevenção, no tratamento e até na reversão de doenças crônicas por meio de mudanças nos hábitos cotidianos. “Quem tem hábitos saudáveis têm 50% menos chances de morte”, ressaltou a médica.

A MEV se estrutura em seis pilares fundamentais: alimentação saudável, atividade física, sono e descanso adequados, bem-estar emocional, evitar substâncias e comportamentos de risco e cultivar conexões sociais positivas. “A medicina do estilo de vida utiliza o estilo de vida baseado em evidências para promover mudanças que impactam diretamente na prevenção e no tratamento de doenças crônicas. Ao atuar na raiz dos problemas, é possível reduzir o uso de medicamentos e melhorar significativamente a saúde das pessoas”, explicou. Entre os pontos destacados pela médica está a importância das conexões humanas para a saúde integral. De acordo com ela, relacionamentos positivos, vínculos familiares, amizades, participação comunitária e até a conexão com a natureza e com propósitos de vida têm impacto direto no bem-estar físico e emocional. Esses fatores ajudam a fortalecer a resiliência – capacidade de lidar com desafios e manter hábitos saudáveis mesmo diante das dificuldades do cotidiano.

A especialista também ressaltou que grande parte das doenças crônicas que mais impactam os sistemas de saúde poderia ser evitada com mudanças de comportamento. “Até 80% dessas doenças são potencialmente preveníveis. Por isso, precisamos mudar o paradigma e investir mais em promoção da saúde, ajudando as pessoas a desenvolverem autonomia para cuidar do próprio bem-estar”, disse. Além dos benefícios para a qualidade de vida da população, a medicina do estilo de vida também apresenta impacto econômico positivo. Um estudo da Universidade de Harvard, publicado em 2018, mostrou que cada R$ 1 investido em MEV gera uma economia de R$ 3 a R$ 7, ao reduzir custos relacionados ao tratamento de doenças crônicas.

A realização da palestra integra um conjunto de iniciativas que a Liga de Combate ao Câncer vem promovendo para ampliar a conscientização sobre prevenção e qualidade de vida em Bento Gonçalves e região. Para a presidente da entidade, Maria Lucia Gava Severa, ações como essa fortalecem o compromisso da instituição em levar informação e estimular mudanças positivas na comunidade. “A Liga, há alguns anos, vem mostrando os fatores de risco para diversas doenças e, paralelamente, incentivando estilos de vida saudáveis. Acreditamos muito na informação e no conhecimento como ferramentas de transformação. Nosso objetivo é que cada pessoa aqui se torne multiplicadora dessas ideias em seus ambientes de trabalho, nas famílias e na comunidade”, afirmou. Ela também ressaltou que a entidade tem ampliado suas iniciativas voltadas à promoção da saúde, incluindo a realização da Semana dos Estilos de Vida Saudáveis, que contará com ações programadas para o mês de maio. “Estamos intensificando esse movimento porque sabemos que a prevenção começa nas escolhas do dia a dia. Queremos ampliar cada vez mais esse alcance”, destacou.

Consultor da Liga e apoiador das ações voltadas à promoção de hábitos saudáveis, o médico André Moschetta ressaltou que o cenário atual exige uma mudança cultural na forma como a sociedade encara a saúde. Conforme ele, o índice de obesidade da população brasileira ultrapassou os 30%, ao passo que o sedentarismo entre adolescentes está chegando a 60%. “Hoje temos índices de obesidade e sobrepeso que atingem grande parte da população e trazem consequências importantes, como diabetes e doenças cardiovasculares. O sistema ainda está muito focado no tratamento das doenças, mas precisamos estimular um grande movimento em favor de um estilo de vida mais saudável”, pontuou.

Legenda: Voluntárias da Liga com a médica Elise Bauer

Crédito: Exata Comunicação, Tiago Garziera

Kátia Bortolini: