Entrevista com Mariana Largura: “O que importa é o amor que sentimos, não importa como nosso filho chega até nós”

A advogada Mariana Largura realizou o sonho de ser mãe através da técnica da Inseminação Intrauterina (IIU), para Procriação Medicamente Assistida (PMA), voltada ao acréscimo da probabilidade de gravidez a mulheres sem parceiro masculino e a casais subférteis. Veio a Helena, que neste sábado, 8 de maio, comemora seu primeiro ano de vida, em companhia da mamãe, da avó Cleci, do avô Alcides, da “mana de quatro patas” Pituca e das dindas e dindos, entre outras pessoas que formam o séquito de admiradores da linda menina.

A gravidez por meio da inseminação intrauterina, com escolha de padrão genético, tem sido cada vez mais procurada por mulheres com independência financeira. De que forma você avalia essa tendência?

Mariana – Penso que essa é uma decisão muito pessoal, mas é uma forma que a ciência proporciona a mulheres que querem muito ser mães e não têm um companheiro para formar uma família tradicional. Forma-se uma família diferente, onde o amor transborda todos os dias.

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Como foi sua gravidez?

Mariana – Minha gravidez foi muito tranquila, não tive nenhuma intercorrência. Só não trabalhei até o final porque veio a pandemia, obrigando-me a ficar em casa nos dois meses anteriores ao nascimento da Helena.

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Quais foram os principais medos em relação a opção pela produção independente e de que forma foram vencidos?

Mariana – O maior medo foi o de não dar conta sozinha, talvez por querer um companheiro para dividir esses momentos comigo. Superei com terapia e, em nenhum momento, desde que engravidei, repensei a decisão. Foi a melhor decisão da minha vida.

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Você recomenda a técnica para outras mulheres?

Mariana – Recomendo para todas as mulheres que querem muito ser mãe. É bom demais. Tem que pensar em uma rede de apoio, mas o amor compensa qualquer desafio. Não desistam do sonho da maternidade, é incrível. Sempre falo sobre isso, mas esse é um desejo pessoal, claro que tem mulheres que optam por não ter filhos e está tudo ótimo também… tem que estar bem com suas escolhas, é isso que importa e faz a diferença na hora de aproveitar esses momentos.

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De que forma a chegada da Helena inovou a sua vida, a de seus familiares e amigos?

Mariana – A chegada da Helena mudou muito a minha vida em vários aspectos. Encheu minha casa de vida, de alegria, mudou minha rotina, meus hábitos. Já não penso só em ter uma vida mais saudável só por mim, por exemplo, penso em estar bem por muitos anos para acompanhar o crescimento e a vida dela. Acrescentou mais correria e desafios e trouxe medos diferentes.

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Como a figura do pai será explicada para a Helena?

Mariana – Será explicada de uma forma muito natural, que é como lido com isso desde que ela nasceu. Explico que queria muito, muito ter ela e que como não tinha um papai a tia Ângela colocou ela pronta dentro da mamãe. Mas ela tem a referência masculina nos dindos e no avô.

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A maternidade está correspondendo às expectativas?

Mariana – Está superando as expectativas, adoro cada momento que estou com ela. Quando ela chama manheeee, me derreto e as gracinhas que ela faz, então? Não tem preço… o primeiro trabalhinho da escola, é muita coisa legal e emocionante.

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Como você define ser mãe?

Mariana – É uma aventura incrível, com um caminho cheio de alegrias e desafios.

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Que valores você fará questão de repassar para a Helena?

Mariana – Quero passar para ela os valores de honestidade, respeito, amor, responsabilidade e liberdade. Quero que ela tenha uma base sólida para poder fazer suas próprias escolhas e mudar de opinião quando entender que existem escolhas melhores a fazer, sabendo que sempre estarei presente para quando precisar de um porto seguro.

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Considerações gerais

Mariana – Gostaria muito que as pessoas não tratassem a produção independente ou a própria necessidade de intervenção para o casal ter um filho como um tabu e sim que pensassem em agradecer a ciência por nos dar essa oportunidade de passar pela experiência da gravidez e da maternidade. Precisamos pedir e aceitar ajuda quando necessário. O que importa é o amor que sentimos, não importa como nosso filho chega até nós, pode ser por inseminação, por vias naturais ou por adoção.

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Fotos: Arquivo Pessoal

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