Dezembro: uma reflexão

Por Ancila Dall”Onder Zat 

Professora 

ancila@italnet.com.br 

Os meses do ano se diferenciam uns dos outros por alguma característica específica: mês das mães, mês dos pais, mês rosa e muitas outras. Dezembro sempre se salientou pela comemoração do Natal, que celebra o nascimento de Jesus, trazendo a boa nova a todos os homens: amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Nasce o princípio de igualdade entre os homens.

As atuais circunstâncias sinalizam um momento propício para uma reflexão. Jesus nasceu numa manjedoura: não é preciso muita coisa para viver bem. A pandemia mostrou que o essencial é a “vida” e não o “ter”. Jesus de Nazaré nasceu em Belém por um evento estatístico – o Censo – porque todas as famílias deveriam declarar seus dados no lugar de origem de descendência. O fato revela os entrelaces sociais, convidando a todos para acolher bem o estrangeiro.

Jesus nasceu numa manjedoura: não é preciso muita coisa para viver bem. A pandemia mostrou que o essencial é a “vida” e não o “ter”.

Dezembro, como um ciclo que finda, seria ocasião para confraternizar em família, nas empresas, com os colaboradores, e entre amigos. As crianças, no seu imaginário, aguardam que o Papai Noel traga os brinquedos desejados. As crianças, com certeza, não serão esquecidas. Mas a viagem dos sonhos, lazer e outras perspectivas adiadas sem data prevista, a roupa nova sem poder usá-la fora de casa e o ano escolar complexo… Sonhos inacabados dos que partiram, parentes, amigos e colegas cumpriram sua peregrinação na terra. Certamente, foram acolhidos no céu.

Dezembro é um mês atípico, porque quase todo ano de 2020, que ficará na memória, foi assim. Edegar Marin, baseado em Eurípedes, explica que o esperado não se cumpre, mas ao inesperado um Deus abre caminho. Diariamente, observa-se o devido cuidado para enfrentar um inimigo invisível, pois desconhece-se o “onde”, o “quando” e o “por quem” ele aparece. Use máscara, lave as mãos, distancie-se: nunca a capacidade de decisão de cada um foi tão exigida. Aliás, bem o dizia Cecília Meireles, desde cedo ensinar a opção entre “isto” ou “aquilo”.

Assim como as expectativas das crianças se renovam e se realizam, convém lançar o olhar para muitas coisas boas que aconteceram e acontecem, ou seja, a dedicação dos profissionais da saúde, dos cientistas, o auxílio aos mais necessitados e a solidariedade entre as pessoas são visíveis e palpáveis. Que neste Natal as bênçãos do Menino Jesus nos ajude a celebrar a vida – nosso bem maior – e a manter a esperança de dias melhores.

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