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Novembro Azul para homens e também para pets

Por: Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br 

Edição: Kátia Bortolini

katia@integracaodaserra.com.br 

A campanha Novembro Azul, além de homens, agora também e direcionada para cachorros e gatos. Com o crescente cuidados aos pets, está se popularizando o conhecimento de que o câncer de próstata também acomete o “melhor amigo do homem” e o felino que reside em sua casa.  Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 65.840 novos casos de câncer de próstata no Brasil são estimados para cada ano do triênio 2020-2022, com 15.576 mortes relacionadas. Esse valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens.  É o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele, ocorrendo geralmente em homens mais velhos – cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em pacientes com mais de 65 anos.

 

Para essa reportagem, o Integração da Serra ouviu a médica urologista Miriam de Toni Abboud e a médica veterinária Gisele Scotton.

 

Miriam

Grande parcela da população esclarecida e consciente

 

O Novembro Azul é tema de brincadeira para muitos homens, tanto na presença de mulheres como entre eles, mas, em termos de consultório, qual e o cenário atual?

Dra. Miriam: Ainda encontramos certa desinformação e resistência de alguns pacientes sobre a importância de acompanhamento periódico e investigação prostática. Porém, tenho notado que um número cada vez maior procura atendimento e deseja realizar screening prostático principalmente nesta época do ano, motivados pelas campanhas do novembro azul.

 

De que forma a senhora lida com o preconceito e medo do toque retal?

Dra. Miriam: Muitos pacientes, na primeira avaliação, costumam perguntar se realmente é necessário a realização do toque retal. Sim, ele é um exame importante e fundamental para nos auxiliar na investigação da próstata. O medo geralmente vem do desconhecimento, da preocupação de sentir dor ou mesmo do desconforto de expor uma área intima de seu corpo.  Pacientes que fazem o acompanhamento e já realizaram o exame previamente já desmistificaram essas dúvidas e referem tranquilidade para realização do exame. Nossa cidade e região tem grande parcela da população esclarecida e consciente. Muitos pacientes são motivados pela família, pelos amigos ou vizinhos a fazer rastreio de doenças. A maior parte declara que conheceu ou conviveu com um paciente com câncer de próstata e que não deseja ter a mesma evolução.

 

O exame preventivo é necessário porque a doença é assintomática?

Dra. Miriam:  A neoplasia de próstata pode ter algumas apresentações clínicas sendo a forma assintomática a mais frequente. Sintomas como alteração do jato, sangramento urinário, dor óssea podem ser sintomas presentes. É importante o rastreio frequente para o diagnóstico precoce, com chances elevadas de cura. Nosso grande desafio no diagnóstico de patologia prostática maligna é não termos um exame único e específico que detecte o problema. Geralmente associamos o exame de sangue (PSA total) ao exame físico (toque retal) com vistas a triar alterações e, ao detectarmos, indicamos a biópsia de próstata guiada por ecografia na tentativa de extrair possíveis células malignas confirmando o diagnóstico.  As vezes nos deparamos com doenças mais agressivas, que já metastatizaram impossibilitando um tratamento curativo.

 

O câncer de próstata é mais comum em qual faixa etária?

Dra. Miriam: A maior incidência do câncer de próstata é em torno da sexta década de vida. Recomenda-se iniciar com a investigação a partir dos 50 anos para população em geral e aos 45 anos para homens com histórico familiar de câncer de próstata ou pacientes afrodescendentes.

 

Que mensagem a senhora poderia deixar para os leitores do Jornal Integração da Serra sobre a importância da prevenção do câncer de próstata?

Dra. Miriam: O diagnóstico precoce é a medida chave para diagnosticar o tumor em sua fase inicial e assim propiciar um tratamento definitivo e curativo para o paciente. Manter hábitos saudáveis com realização de exercício físico, alimentação equilibrada com consumo reduzido de produtos industrializados são medidas sugeridas para auxiliar na prevenção de diversas doenças.

 

Sintomas e fatores de risco

 

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas e se assemelha a uma castanha. Localiza-se abaixo da bexiga e sua função é produzir e armazenar o líquido prostático que, junto com o líquido seminal produzido pelas vesículas seminais e os espermatozoides produzidos nos testículos, forma o sêmen.

 

Na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas e quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura. Na fase avançada, os sintomas são: dor óssea, dores ao urinar, vontade de urinar com frequência e presença de sangue na urina e/ou no sêmen.

 

Entre os fatores de risco estão histórico familiar de câncer de próstata (pai, irmão e tio); obesidade e raça: homens negros sofrem maior incidência deste tipo de câncer.

 

O tumor da próstata não costuma apresentar sintomas em fases iniciais, quando em 90% dos casos pode ser curado se diagnosticado precocemente. Ao apresentar sintomas, significa já estar numa fase mais avançada e pode causar vontade de urinar com frequência e presença de sangue na urina ou no sêmen.

 

Prevenção e tratamento

 

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA.

 

Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal. Outros exames poderão ser solicitados se houver suspeita de câncer, como as biópsias, que retiram fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom transretal.

 

Segundo o Inca, uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis. Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer no mínimo 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, identificar e tratar adequadamente a hipertensão, diabetes e problemas de colesterol, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

 

E lembre-se: uma vez diagnosticado o câncer de próstata, a indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, como estado de saúde atual, estadiamento da doença e expectativa de vida. Converse sempre com seu urologista sobre o tema, tirando dúvidas e quebrando preconceitos. A detecção e o tratamento precoces podem salvar vidas.

 

 

Pandemia afastou homens dos consultórios médicos, diz pesquisa

 

Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico em função da pandemia da covid-19.

 

Com a pandemia em curso, 57% desse grupo acima dos 40 anos afirmaram ter percebido um impacto negativo na saúde, incluindo 9% que consideravam que a sua saúde estaria pior do que antes. Sobre o impacto do novo coronavírus na vida de uma forma geral, 88% desses homens relataram terem sido afetados, sendo que 37% disseram ter afetado muito.

 

A pesquisa online abrangeu 22 estados da federação e teve 499 participantes. Segundo a SBU, acadêmicos de medicina de diversas cidades do país auxiliaram a coleta de dados. Dos entrevistados, 75% tinham mais de 40 anos, 77% eram do sexo masculino, 2,18% já tiveram um diagnóstico de câncer de próstata e apenas 6% admitiram que, habitualmente, não cuidavam ou não se importavam com a sua saúde.

 

Sobre a impressão individual de que as pessoas estariam indo menos ao médico ou fazendo menos os tratamentos, 81% dos entrevistados consideraram que sim. De acordo com a SBU, 23% dos participantes da pesquisa relataram ter encontrado dificuldade de acesso ao procurar por consultas ou tratamentos médicos durante a pandemia e 40% disseram que não procuraram.

 

Dos pacientes masculinos de todas as idades, 33% relataram ir regularmente ao urologista e 3% afirmaram que nunca consultariam esse especialista, demonstrando que ainda existe resistência em relação aos cuidados com a saúde urogenital. Para 92% de todos os entrevistados, no entanto, a campanha Novembro Azul de conscientização sobre o câncer de próstata é útil ou importante.

 

Novembro Azul pet

 

Gisele

A campanha Novembro Azul Pet, em paralelo às ações realizadas para os homens, tem como proposta chamar a atenção dos tutores para a importância dos exames em cães machos com o objetivo de diagnosticar as doenças que acometem a próstata, principalmente dos animais de meia-idade a idosos. Confira a entrevista com a médica veterinária, Gisele Scotton.

 

Sabemos que o câncer de próstata se desenvolve também em animais domésticos. Quais são os pets que têm mais chances de desenvolver essa doença?

Gisele: O câncer de próstata pode se manifestar em todos os machos da classe dos mamíferos. Apesar da ocorrência de tumores de próstata em cães e gatos ser inferior quando comparado aos humanos, a doença também se desenvolve nessas espécies.

 

A partir de que idade esses animais começam a ser mais propensos a desenvolver o câncer e quais os principais cuidados que os donos precisam ter com seus pets?

Gisele: O câncer de próstata pode afetar cerca de 4% dos cães com mais de 7 anos de idade. Em gatos, a doença é ainda mais rara, porém, também ocorre em animais acima dos 6 anos de idade. Com relação aos cuidados, é importante o tutor observar se o cão apresenta alguma dificuldade para defecar e urinar, se notou a presença de gotas de sangue na urina, se o animal se locomove com dificuldade, observar mudanças de comportamento, se está se alimentando menos e consequentemente perdendo peso ou até mesmo se o animal está apático.

 

Já atendestes casos de cão ou gato acometidos pelo câncer de próstata?

Gisele: Já pude acompanhar o caso de um cão com alterações na próstata. A terapia indicada foi a castração, remoção do tumor e posterior a quimioterapia, porém, como o animal encontrava-se extremamente debilitado e a doença já bastante avançada, ele acabou falecendo.

 

Algumas pessoas pensam que a castração elimina as chances do animal desenvolver o câncer. Essa informação é verídica?

Gisele: A castração é capaz de reduzir a ocorrência da doença, mas não anula a possibilidade do animal desenvolver por fatores genéticos, por exemplo. A castração também pode evitar o desenvolvimento de prostatites, que são inflamações causadas por diversos agentes que pode, com o passar do tempo, evoluir para o câncer de próstata e também previne a formação de tumores testiculares.

 

Quais são as dicas que poderias deixar para quem tem um pet em casa e possa estar se preocupando quanto a saúde de seu animal?

Gisele: É importante que o tutor visite o veterinário com frequência, com o objetivo de realizar exames periódicos para avaliação da saúde geral, ainda mais quando o animal tem mais do que 6 anos de vida. Assim, numa consulta de rotina é possível identificar diversas alterações, muitas vezes precocemente, melhorando as chances de sobrevida do animal, como é o caso do câncer de próstata. Se considerarmos ser uma doença silenciosa e muito grave, quanto antes diagnosticada, maior a chance para o animal.

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