memórias

CONTANDO MEMÓRIAS

Por Pedro Maria Gonçalves

 

A história do trote das campainhas

Nos anos de 1960, a energia elétrica era racionada diariamente, tanto em Bento Goncalves como em outros municípios do Brasil onde já tinha chegado a luz. As fontes geradoras de energia elétrica não conseguiam atender toda a demanda. O problema foi resolvido com a construção da Usina Hidrelétrica Itaipu, nos anos de 1970. Bento Goncalves ficava sem energia elétrica do entardecer até umas 20 horas. Na época, era comum crianças e jovens divertirem aplicando trotes. Conosco não era diferente. Formamos um grupo que variava entre seis a oito guris, com idades entre 7 e 14 anos que aplicava o trote da campanhia montado durante a penunbr.  Se saia com rolo de fita isolante boa em mãos, e tubos para isqueiro e fósforo. Poucas eram as casas que tinham campainhas. É importante lembrar que as campainhas daquela época eram diferentes das de hoje. Aquelas campainhas eram até conhecidas como cigarras porque ficavam por bastante tempo tocando. Nós colocávamos bastante fita isolante na campainha e no momento que voltava a energia elétrica todas as campainhas da rua começavam a tocar. As pessoas saiam e ficavam se olhando sem saber o que estava acontecendo. Alguns, ao descobrirem a autoria da traquinagem, saiam correndo atrás de nós, mas não nos pegavam. Era muito divertido. Passávamos em todas as ruas do centro aproveitando a escuridão para aprontar.

 

A história dos bairros

Naqueles anos 1970 o perímetro urbano de Bento Goncalves era representado pelo centro e pelos bairros São Roque, Maria Goretti, Bom Sucesso, Juventude, Humaitá, Borgo, São Bento, Vila Operário, Vila Nova e Licorsul.  Bento tinha cerca de 30 mil habitantes. Como se vivia o regime militar era a orientação que quem governava não citasse sindicatos, não se falasse de trabalhador, nada, então alguns bairros tiveram os nomes modificados. Vila Operária, por exemplo, recebeu esse nome porque era a única vila de trabalhadores de Bento. Bonsucesso porque era composto por trabalhadores do interior da cidade e outros municípios migraram para Bento e obtiveram sucesso. Foi então que a Vila Operária virou o bairro Conceição e Bom Sucesso se transformou em Bairro Progresso. Vila Operária recebia esse nome porque nesse lugar moravam muitos funcionários das linhas de produção de indústrias da cidade.

 

A história dos cinemas

Bento Gonçalves tinha quatro cinemas na década de 70. Tinha quatro cinemas na época. E tínhamos cinema de quase 1 mil lugares com mezanino e nos domingos tinha o matinê infantil, onde todos iam com gibis para trocar.

 

Todos os cinemas tinham sessão de noite e nos domingos os matinês. Na época tinha as kombis, as Kombi do Faccio, que transportavam o pessoal. Nos domingos de noite no Cine Serrano ao terminar a sessão tinha uma boate. Era o local que nos encontrávamos para namorar. Fechavam o cinema e no hall de entrada tinha caixa de som, um bar e todos ficavam aí. Quem não tinha automóvel voltava a pé do cinema. Quando a sessão terminava a maia noite, geralmente, ou nós ficávamos no baile para ficar com alguma garota ou voltávamos pra casa de kombi. Se ficássemos no baile perdíamos a carona, mas aí tinha meninas que tinham carro, então até conseguíamos carona na volta, isso é claro quando se encontrava alguém para ficar, se não todos mundo voltava a pé e conversando, contando sobre as aventuras daquela noite. É claro, às vezes tinha gente que corria atrás de nós (risos).

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