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ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2020: O poder de transformação do voto

Por: Rodrigo De Marco 

rodrigo@integracaodaserra.com.br

Edição: Kátia Bortolini

katia@integracaodaserra.com.br 

Toda ação gera uma reação. Por isto, nas eleições municipais do próximo dia 15 de novembro, procure votar em pessoas tidas como íntegras, por serem menos suscetíveis à corrupção. Em pessoas que escutem a população, fonte da receita que paga os salários de ocupantes de cargos públicos. Em pessoas com capacidade para gerir o patrimônio público, de maneira pública. Votar em troca de favores, ou simplesmente por votar, impacta na vida da comunidade de forma negativa.

Com o objetivo de ampliar conhecimentos e opiniões acerca da #arte@dapolítica, o Integração da Serra entrevistou a juíza Romani Dalcin, o sociólogo João Paulo Pooli e o antropólogo Rafael José dos Santos.

 

Compromisso com a coletividade ao escolher seus governantes

Juíza Romani Dalcin, da 8ª Zona Eleitoral de Bento Gonçalves, fala sobre a importância do voto e regras para as eleições

juíza

 

Qual a importância do exercício do voto para a coletividade?

Romani: O exercício do voto, de extrema importância, é um poder-dever que define a responsabilidade que cada cidadão/eleitor tem com a coletividade ao escolher seus governantes. Espero que tenhamos pleitos tranquilos na 8ª Zona, que abrange os municípios de Bento Goncalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Tereza, com o eleitorado exercendo seu voto de forma consciente, garantindo a democracia plena.

 

Quais foram as principais mudanças impostas pela pandemia do coronavírus nas eleições municipais deste ano em relação às anteriores?

Romani: O pleito de 2020 está sendo absolutamente atípico. A pandemia alterou a forma de realizar a propaganda eleitoral, em face do distanciamento social, determinado pelas autoridades governamentais e sanitárias.

 

Por conta da pandemia, tende a aumentar as abstenções no próximo pleito?

Romani: Sim, o risco de aumento das abstenções em face da pandemia é real, entretanto, se tomarmos todos os cuidados e seguirmos os protocolos de higiene determinado pelas autoridades sanitárias, o voto será seguro. A Justiça Eleitoral está tomando todas as medidas sanitárias adequadas para garantir o exercício da democracia pelo voto, seja com a proteção dos mesários e demais envolvidos no pleito, seja em relação aos eleitores.

 

Como está a utilização do aplicativo Pardal – denúncias eleitorais, lançado pelo TSE em setembro deste ano, para denúncias da sociedade civil sobre irregularidades em campanhas eleitorais?

Romani: Está em pleno uso. Inúmeras notícias já se transformaram em representações com determinação de retirada de propaganda irregular. O aplicativo é extremamente útil para agilizar a notícia de irregularidades na campanha eleitoral. Facilitou o acesso a todo cidadão que tenha ciência de irregularidade que precisa ser sanada e coibida. Entretanto, deve ser usado de forma correta, com dados mínimos, para identificar a irregularidade e candidato/partido que serão responsabilizados.

 

Geralmente quais são as principais irregularidades praticadas por candidatos?

Romani: As principais irregularidades dizem respeito à colocação de placas em locais proibidos e propaganda irregular nas redes sociais.

 

A população se mostra mais preparada para identificar fake news na internet?

Romani: A justiça brasileira está trabalhando para isso. Fake news tem sido debatida em nível de tribunais, seja Tribunal Regional Eleitoral ou o próprio TSE, que criou um canal para orientar a população e restabelecer a verdade das notícias inverídicas. Havendo irregularidade ou dúvidas acerca da elegibilidade, devem, o Ministério Público ou os legitimados, ingressarem com a devida impugnação ao registro das candidaturas. É do sistema eleitoral, previsto na legislação vigente.

 

Polarização política inibe o voto em propostas

João

Confira a opinião do sociólogo e professor João Paulo Pooli, natural de Bento Goncalves, atualmente professor adjunto do Departamento de Planejamento e Administração Escolar e professor permanente do Programa de Mestrado Profissional em Educação: Teoria e Prática, da Universidade Federal do Paraná

 

Como interpretas o processo eleitoral brasileiro?

Pooli: Em geral, as eleições são um importante instrumento das sociedades democráticas para poder eleger quem irá governar e o que a população espera dele. No Brasil, nos últimos anos, voltou a política acirrada entre direita e esquerda. Isso faz com que os eleitores deixem de votar em propostas e passem a votar quase que exclusivamente em pessoas. Além disso, essa polarização alimenta polêmicas que interessam a alguns grupos. O jogo eleitoral, que poderia ser virtuoso, passa a ser danoso. O processo eleitoral como um todo fica comprometido.

 

Como lidas com essa polarização em sala de aula?

Pooli: A principal abordagem é que cada um tem uma perspectiva e essa deve ser respeitada. A pessoa pode ter a opinião formada mas, num debate democrático, o importante é o argumento. Em sala de aula não se entra na polarização, se entra na discussão de argumentos e os argumentos são todos válidos e têm que ser respeitados. A polêmica extrema em sala tem que ser evitada. Quando sai do prumo da discussão política e entra na questão partidária tem que intervir. A tarefa de um professor é conduzir os estudantes para a educação política. No ofício de professor, ele não pode querer que sua posição prevaleça em sala de aula. Quando o professor impõe a visão do mundo, ele não é professor, é um doutrinador, e esse é um problema.

 

Como vês o cenário político de Bento? 

Pooli: Como uma cidade relativamente pequena, controlada por determinados grupos de poder, com eleições marcadas por fofocas e ofensas. Bento tem que escolher um sujeito que tenha proposta. Quando a pessoa escolhe o candidato, ela deve saber se o sujeito é decente e se está preparado para o cargo, que não se corrompa e que escute a população.

 

João Paulo Pooli, atualmente, é professor adjunto do Departamento de Planejamento e Administração Escolar e professor permanente do Programa de Mestrado Profissional em Educação: Teoria e Prática da Universidade Federal do Paraná. Atua principalmente na área de ensino e pesquisa nos campos da Sociologia da Educação, Cultura e Políticas Públicas para a Educação.

 

Efetivo empoderamento feminino

O antropólogo Rafael José dos Santos aborda a participação da mulher brasileira na política e o empoderamento feminino

antropólogo

As mulheres ainda têm dificuldades em ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Sabemos que tudo isso é fruto de uma carga histórica pesada. Na sua visão, o que ainda falta para as mulheres ocuparem de vez o espaço merecido também na política?

Santos: O caminho, sem dúvida, é longo e árduo, pois estamos falando de uma sociedade que se estruturou historicamente, não só a partir do poder masculino, mas, insisto, masculino, hetero e branco. Os movimentos feministas estão logrando avanços significativos e irreversíveis, mas é preciso lembrar que isso constitui um processo histórico, portanto, algo que não se modifica de um momento para o outro.

 

Por que acreditas que, em pleno 2020, o debate acerca de gênero continua tão presente? Não tens a impressão de que os avanços têm sido lentos e, muitas vezes, enganosos?

Santos: Caso você olhe retrospectivamente, verá que não é um debate tão antigo, embora movimentos de mulheres remontem, pelo menos, à Revolução Industrial. Os debates sobre gênero, como estão colocados atualmente, ganham força em fins da década de 1960, o que é pouco tempo em termos históricos. Sobre os “avanços enganosos”, creio que seja importante distinguir entre as reivindicações dos diferentes movimentos feministas e a crescente ascensão de mulheres conservadoras a postos-chave de Governos ou grandes corporações. Cito como exemplos Condoleezza Rice nos EUA, Margaret Thatcher no Reino Unido e, mais próximas de nós, Damares Alves, cuja pauta conservadora conhecemos, e da defensora dos ruralistas, Tereza Cristina. São mulheres que contribuem para o efetivo empoderamento feminino. Estas senhoras são mulheres, por óbvio, mas seu léxico político vai ao encontro do grande capital.

 

O feminismo tem sido de extrema importância e, com as redes sociais, tem mostrado ainda mais força. O caso recente envolvendo o jogador de futebol Robinho e sua condenação por estupro é um exemplo. Rapidamente a opinião pública fez a diferença. Na tua visão de antropólogo, é o sinal de que, quem sabe, em poucos anos as mulheres serão, de fato, valorizadas em todos os aspectos?

Santos: Muitas ocorrências e acusações, comprovadas ou não, ganham as redes sociais e as reações explodem exponencialmente. É preciso aqui cuidar da separação metodológica entre um crime cometido e este fato como fenômeno de rede social e midiática. O que está em jogo neste caso é o espaço das redes como espaço de lutas, portanto, algo que está mudando radicalmente o fazer político dos movimentos, incluindo aqui o feminismo. De forma geral, eu diria que sim, há algo de positivo, mas é preciso lembrar que pouco mais de 40% da população brasileira não tem acesso à internet e que, diuturnamente, homens não famosos agridem e estupram mulheres não famosas nos lugares mais remotos do país. Há um espaço de invisibilidade aí que precisa ser pensado.

 

Porto Alegre tem hoje pelo menos três mulheres de destaque que concorrem à Prefeitura. Na tua opinião, esse pode ser considerado um bom sinal quanto ao futuro da mulher na política?

Santos: Sem dúvida alguma. Em Porto Alegre temos o contraexemplo do que falei acima sobre mulheres conservadoras. Temos três candidatas que são comprometidas, de maneiras distintas, com pautas relacionadas a efetivas transformações sociais, com concepções feministas e que potencialmente podem sinalizar avanços.

 

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