Juliana Ferrari Boiski (2)

Com programação virtual, ações do ‘Outubro Rosa’ conscientizam sobre diagnóstico precoce e estilos de vida saudáveis

Não importa se haverá restrições por conta da pandemia – a programação do ‘Outubro Rosa’ segue reforçando o compromisso mundial de difundir informações acerca da importância dos cuidados com o câncer de mama, o mais mortífero entre as mulheres e responsável por quase um quatro dos óbitos pela doença do mundo. Engajada nesse propósito, a Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves vem com uma série de ações – em formato repaginado, neste ano – cuja temática está apoiada na missão de difundir informações sobre a importância do diagnóstico precoce, da adoção de um estilo de vida saudável como medida preventiva e, também, acerca dos atuais tratamentos para combate à doença e suas sequelas.

Uma das novidades é que as tradicionais palestras informativas, realizadas em empresas, entidades, instituições de ensino, entre outras, darão lugar a conferências em formato de vídeo. De forma inovadora, a Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves convidou uma série de especialistas na área médica a gravarem vídeos informativos relacionados ao tema. “Não podemos, sob hipótese alguma, deixar de trabalhar a conscientização das pessoas sobre o câncer de mama, e o ‘Outubro Rosa’ é um momento muito especial, em que esse tema tão importante ganha visibilidade mundial. Estamos buscando uma forma diferente, adaptada ao ‘novo normal’, para levar informação e orientação às pessoas, conteúdos relevantes que podem salvar vidas”, explica a presidente Maria Lúcia Gava Severa.

A série traz os depoimentos dos Dr. José Luiz Pedrini, Ricardo Boff e Maximiliano Kneubil, especialistas em mastologia, e da Dra. Luciana Miele, especialista em ginecologia, obstetrícia e mastologia. Os vídeos estão sendo gratuitamente enviados às empresas da região, para que possam ser replicados a seus colaboradores, criando uma rede positiva de disseminação da informação. Também é possível acessa-los pelos canais da Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves nas redes sociais (para saber mais, visite www.ligaccbg.com.br).

Mastologista explica importância da conscientização

A convite da Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves, o mastologista José Luiz Pedrini, compartilha importantes avanços no tratamento do câncer de mama. Isso é importante porque, somente em 2020, a estimativa é que sejam diagnosticados mais de 66 mil novos caso da doença no Brasil – sendo 5,5 no Rio Grande do Sul, Estado que tem a maior incidência nacional pelo número de habitantes. “A boa notícia é que temos avançado no diagnóstico precoce e no melhor tratamento, seja ele cirúrgico, químico ou hormonal, possibilitando às mulheres um tratamento mais adequado e humanizado, ou seja, a cura é possível sem a necessidade de grandes mutilações”, conta.

Existem as terapias-alvo, ou seja, medicamentos que atuam diretamente na célula tumoral por meio do tropismo, resultando em menos efeitos sobre o organismo, como a diminuição da perda de cabelo e demais efeitos colaterais, explica o especialista. “Somados a cuidados preventivos, como o diagnóstico precoce, que pode ser feito com visitas regulares ao médico e manutenção dos exames por ele solicitados, e à adoção permanente de hábitos saudáveis (evitando o fumo, o álcool excessivo, mantendo uma dieta equilibrada e praticando atividades físicas), esses tratamentos são muito eficientes”, diz.

Nesse contexto, programas de conscientização, como o Outubro Rosa, têm grande relevância. “É muito importante termos o apoio do voluntariado nessa campanha, especialmente por meio de sensibilizações como essas que a Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves faz ano após ano. São ferramentas que ajudam as pessoas a conhecerem seus direitos como paciente e os deveres do Estado, de modo que possamos ter diagnóstico e tratamento mais precoces e assertivos”, destaca.

Pedrini destaca que desde 1999 existe a garantia, por lei, da reconstituição da mama no mesmo ato da cirurgia de retirada – evoluindo para a simetrizarão dos seios – exemplo de avanço possível graças aos movimentos populares. “Outro benefício importante da mobilização do Outubro Rosa é a Lei dos 60 dias, que entrou em vigor em maio de 2013, assegurando a todos os acometidos por câncer um início de tratamento, seja ele cirúrgico ou químico, em no máximo 60 dias. Isso é um trabalho de conscientização, já que é um direito da população. Todo o câncer de mama tem cura. Não fuja dele, busque atendimento”, enfatiza.

Inspiração para superar a doença

Do impacto do diagnóstico à recuperação bem-sucedida, a vida de Juliana Boiaski, de 39 anos, sofreu uma reviravolta em novembro de 2015. Acometida por um carcinoma em uma das mamas, ela passou por um intensivo tratamento. Foram 16 sessões de quimioterapia, que iniciaram em fevereiro de 2016 e seguiram até julho. Em agosto daquele ano, Juliana realizou a cirurgia para a retirada do nódulo no seio e, em novembro, iniciaram as 30 sessões de radioterapia.

O desejo de ver o crescimento de sua filha, hoje com sete anos, sempre foi sua maior motivação em seguir em frente. “Minha família foi essencial no meu tratamento, pois, nesses momentos, você precisa de muito apoio”, relata. Sem ter o costume de realizar o autoexame, Juliana só foi perceber que algo estava estranho em sua mama após sentir uma dor em um dos seios e perceber a presença de um nódulo. Com a realização de uma biópsia, o diagnóstico do câncer de mama foi um choque. “A pior parte é quando você recebe o resultado, porque nunca estamos preparados para ouvir isso”, conta.

Contudo, durante o tratamento, a Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves esteve ao lado de Juliana, que é natural de Crissiumal e moradora da cidade há 15 anos – incentivando e auxiliando financeiramente para a colocação de um “clipe” que identificava o local exato do tumor, necessário para a realização da cirurgia, além dos medicamentos. “Agradeço a Liga por ser fundamental na minha cura. Sempre que posso, sigo participando das atividades e a indico para quem necessita”, comenta. Atualmente, ela mantém uma rotina de limpeza de um cateter a cada dois meses.

Perda de cabelo, depressão e 12 quilos a menos foram alguns dos rastros deixados pela doença, mas o que Juliana realmente leva de lição é a nova visão que tem da vida. “Superar a doença foi o prêmio pela incansável vontade de viver. Após o tratamento, acabei enxergando o mundo com outros olhos, valorizando as pequenas coisas e gestos. O câncer me tornou uma Juliana melhor pelo simples fato de acordar todos os dias e ver a minha família, ir para o trabalho. Eu procuro viver o presente, pensando muito em tudo o que eu passei”, revela.

Foto: Divulgação

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