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A arte que vem do vinho

Cave do Sol, nova vinícola do Vale dos Vinhedos, transformou pipas de até 110 mil litros de vinho em móveis, portas imponentes e equipamentos do século passado em grandes obras feitas pelas mãos de artistas locais

Quem visita a Cave do Sol encontra muito mais do que excelentes vinhos. Moderna, em estilo contemporâneo, carrega toda história que acompanha a Família Passarin, desde que Giuseppe Passarin saiu da Itália, vindo do Vêneto para o Brasil, em 1888. Grandes instalações com obras de arte externas e internas, uma linha do tempo, paredes revestidas com tijolos da vinícola desativada e madeira das pipas no mobiliário são testemunhos de que não há vinho sem história.

As memórias estão em cada detalhe, preservando não apenas a história da família como também da vinicultura brasileira. A arquiteta Vanja Hertcert, especialista na Arquitetura do Vinho no Brasil, com mais de 30 projetos de Norte a Sul do país, projetou muito mais do que uma vinícola, um empreendimento que por si só é a cronologia do vinho, com identidade e personalidade próprias. Apaixonada por vinho, um produto que vai além do imaginário, Vanja focou sua atividade no setor ainda na década de 1990. “Projetar a Cave do Sol foi um grande desafio e ao mesmo tempo um grande presente. Afinal, não é sempre que encontramos uma história tão rica em detalhes, com um patrimônio imensurável que viajou no tempo para se tornar o que é hoje uma vinícola única, eternizada nos seus detalhes”, destaca a arquiteta.

Quem visita a Cave do Sol, no Vale dos Vinhedos, degusta arte o tempo todo, da taça a cada detalhe da visita. “O acervo tão abundante foi inspiração para envolver artistas locais num processo de criação de grandes obras, a partir de objetos antigos preservados pela família, que ganharam valor artístico nas mãos destes artesãos. A Cave do Sol é a única vinícola do Brasil a seguir esta proposta”, ressalta Vanja.

As obras feitas a partir de peças utilizadas no processo de elaboração dos vinhos desde 1927 foram concebidas e têm a assinatura dos artistas locais Aido Dal Mass e Rubens Sant’Anna Filho. De grandes proporções, elas estão distribuídas no jardim e interior da vinícola. O espaço mais particular e restrito é a própria Cave do Sol, destino das degustações especiais e onde está a Enoteca da vinícola. Nela, o sol, imortalizado na arte, ganha a luz natural do astro, faça chuva ou faça sol. A designer Sirlei Chiminazzo deu vida ao sonho da família criando o logotipo, representado pelo talento da artista do Vale dos Vinhedos, Karen Poletto Jacobs, num mosaico multicolorido, iluminado naturalmente por uma cavidade idealizada pela família.

As obras de arte

A primeira obra de arte que chama a atenção na Cave do Sol é o ‘Sol Negro’. É ele quem dá as boas-vindas a todos que chegam na vinícola. Instalado a 3 metros do solo e atingindo 8 metros de altura, é formado por um conjunto de oito moto bombas antigas, pesando mais de 2 toneladas. Através delas, passaram milhões de litros de vinho. A instalação pode ser vista, inclusive, por todos que passam pela RS 444 (Estrada do Vinho). Ao seu lado, uma fonte que partilha o seguinte texto: “A Cave do Sol foi construída numa TERRA abençoada, onde o AR puro chega abundante em cada estação. O FOGO representado pelo Sol, com nome e arte fundidos, aquece a paisagem. Para completar a homenagem aos quatro elementos, a ÁGUA que limpa, refresca e purifica, está nesta fonte que, com sua atividade constante, traz a certeza da vida em movimento”.

Ainda na parte externa, cercando a vinícola, a uva é representada em peças metálicas feitas com centenas de aros das antigas pipas da família. As ‘Uvas ao Sol’ têm dimensões que variam de 2 a 3 metros de diâmetro, atingindo até 800 quilos, ganhando vida à noite com iluminação cênica. São sete grãos de uva gigantes espalhados pelo jardim, simbolizando a fertilidade do solo do Vale dos Vinhedos. A presença e força do Sol sobre a videira também estão impregnados nos ‘Destiladores’, utilizados por mais de 70 anos pela vinícola e que hoje são peças emblemáticas que compõem o jardim, explorando a cor e luz naturais do cobre e do latão.

Depois de apreciar a arte do entorno, rampas de acesso conduzem o visitante à Loja e à Vinheria, espaços amplos e aconchegantes, ideais para quem quer curtir uma experiência sensorial inesquecível e descomprometida. Pequenos capiteis, livros e até um chuveiro de cobre aquecido a brasa, da década de 1950, que faz parte do acervo da família de Arnaldo Passarin, decoram o ambiente. A madeira das antigas pipas está em todo lugar, especialmente no mobiliário, destacando mesas, portas, prateleiras e detalhes das paredes da loja. Amplos sofás acolhem os visitantes, criando um ambiente descontraído e acolhedor.

No andar abaixo está a cave, revestida com tijolos que, segundo Arnaldo e Arlete Passarin, guardam as histórias da família, trazendo as marcas do tempo e dando vida à Cave do Sol. “Eles foram retirados da antiga vinícola, transportados até o Vale dos Vinhedos e agora fazem parte deste amplo complexo enoturístico que une tradição, história e modernidade”, comenta Passarin, proprietário da vinícola. No terceiro andar fica o restaurante e o Solarium, equipados para sediar eventos. É lá que está a obra ‘As Uvas do Sol’, um painel medindo 4 metros x 2 metros, que simboliza um cacho de uva, onde os frutos são representados pelos discos do destilador.

As visitas

Na Cave do Sol é possível fazer três tipos de visitas, que vão de 40min a 1h10min, sempre guiadas por enólogos e sommeliers. Em todas elas são degustados cinco produtos e está incluída uma taça de cristal exclusiva. Mas se a intenção é apenas viver uma experiência sem protocolos, é só chegar e aproveitar o que a Vinheria tem a oferecer ou ainda adquirir rótulos na Loja, canal que logo será incrementado com o e-commerce da marca.

Inicialmente, quatro linhas estão no mercado, partindo da Cave do Sol, passando pela Solar do Vale e Vulcano, até chegar a Monarca. Mas os ícones – homenagem feita pela família – são batizados com os nomes de Capitão Chico, como Arnaldo Passarin é chamado, e Vitória Lúcia. O primeiro se trata de um vinho tinto 100% Cabernet Sauvignon. O segundo, que carrega o nome das mães de Arlete e Arnaldo, respectivamente, é um espumante Nature Método Tradicional. Ao todo, são 34 rótulos entre espumantes, vinhos e suco de uva.

Os vinhos, espumantes e sucos da Cave do Sol são elaborados com uvas cultivadas na Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste, compondo um portfólio rico em diversos terroirs, atendendo aos mais variados estilos.

SERVIÇO

(Em razão da pandemia, inicialmente, abre em soft opening)

Sextas e sábados, das 10h às 17h

Domingos, das 10h às 16h

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