Esportivo 100 anos: livro “Um século alviazul” resgata a trajetória do Clube

Obra será lançada nesta sexta-feira (28) no estádio Montanha dos Vinhedos, com transmissão online

Por: Rodrigo De Marco

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Edição: Kátia Bortolini

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Vitórias marcantes, fatos relevantes, inovadores e também as derrotas e os percalços do dia a dia que marcaram a história de 100 anos do Clube Esportivo Bento Gonçalves, são relatadas no livro “Um século alviazul’, de autoria dos jornalistas Alceu Salvi Souto e Fabiano Mazzotti. O livro será lançado às 20 horas da sexta-feira, 28 de agosto, data em que a agremiação completa o primeiro ano do novo centenário, no centro do gramado do estádio Montanha dos Vinhedos, com transmissão online. De capa dura, no formato 24cm x 28cm, o livro tem 328 páginas em papel couchê fosco 150 gramas e 606 fotografias. Nele, o leitor também encontrará as ilustrações da evolução do distintivo do Clube e dezenas de reproduções de documentos que conferem legitimidade aos diferentes episódios da história alviazul. Todo o conteúdo é exposto com uma cronologia histórica crescente, para um fácil entendimento dos fatos. O leitor que quiser registrar a sua memória afetiva com o time terá espaço disponível nas páginas finais. Essa primeira edição, com tiragem de 2.000 exemplares, foi financiada com recursos captados junto a empresas do município e região, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do governo federal. Durante o lançamento, a obra será comercializada em canais digitais. Os primeiros 400 exemplares poderão ser adquiridos pelo valor de R$ 70,00; após, R$ 90,00. A partir do dia seguinte (29 de agosto), o livro poderá ser adquirido em livrarias de Bento Gonçalves (Aquarela, APP, Dom Quixote e Paparazzi), na secretaria do Clube Esportivo ou com os autores. “Foi uma caminhada de descobertas, acompanhada por um sentimento de responsabilidade extrema. A bagagem de informações adquirida nessa peregrinação de pesquisa e conversas faz eu perceber o Esportivo com um olhar diferenciado. Não é só um time de futebol. É um agente de evolução social inserido em um território em constante transformação”, ressalta Mazzotti.

Fabiano Mazzotti e Alceu Salvi Souto_Vertical

Fabiano Mazzotti e Alceu Salvi Souto, autores do livro- Foto: Idovino Merlo

“Deu zebra”

Em várias ocasiões, o Clube Esportivo projetou o nome do município de Bento Gonçalves no cenário nacional. Na década de 70, o Esportivo obteve grandes conquistas contra a dupla Gre-Nal. O alviazul foi protagonista no concurso número 1, da Loteria Esportiva, quando venceu o Grêmio por 1×0, em 1970. Como não houveram apostas no Esportivo, ninguém acertou os 13 pontos do concurso, oficializando então a expressão “zebra” no futebol.

O clube também virou notícia nacional em 16 de abril de 1983, dia em que a equipe feminina do Esportivo pisou no gramado do Estádio Olímpico para enfrentar o Rio Grande, na preliminar de Grêmio x São Paulo, válida pela Taça de Ouro. Com uma vitória de 8×0, a representação alviazul protagonizou a primeira partida no Brasil, desde a regulamentação do futebol feminino no país. Imagens do jogo foram usadas na vinheta da novela “Guerra dos Sexos”, da Rede Globo, exibida na emissora a partir de junho daquele ano.

São diversas as curiosidades ao longo das páginas do “Um século alviazul”, que homenageia todos os presidentes do Esportivo nesses 100 anos e reporta perfis de atletas protagonistas no clube, como Toninho Fronza (atleta que mais vezes vestiu a camisa do alviazul), Décio Frozi (maior goleador do Clube) e Antônio Rodrigues Finho, o Neca (nome do Esportivo na calçada da fama da Federação Gaúcha de Futebol).

As dificuldades do Clube para se manter aberto no final da década de 1950 e início da década de 1960 e as grandes conquistas contra a dupla Gre-Nal na década de 1970 também são reportados no livro, que demandou dois anos de trabalho dos jornalistas, entre entrevistas, pesquisas, coleta de fotos e documentos históricos, entre outras atividades.

Programa de domingo

Nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970, o programa do domingo à tarde, para muitos moradores de Bento Goncalves, era ir ao campo do Esportivo para ver futebol e conversar, ato que possibilitava saber das novidades das famílias e o que estava acontecendo nos outros lugares da cidade. Em 1973, o Esportivo conquistou uma vitória inédita, descrita no livro da seguinte forma: em ritmo acelerado, os jogadores do Esportivo dominavam o meio-campo e impunham o controle do jogo. Faltando dez minutos para o término do primeiro tempo, Xameguinha driblou o marcador e passou para Décio Frozi. O centroavante enganou o zagueiro, esperou a saída do goleiro e silenciou a torcida colorada. No retorno do segundo tempo, o técnico Luís Valdir Louruz promoveu a estreia de Falcão no Internacional, jovem que viraria ídolo do popular clube gaúcho. Ênio Andrade determinou que Xameguinha colasse em Falcão, que nada pode fazer para impedir a façanha do Esportivo, primeiro clube do interior a derrotar o Internacional dentro do Beira-Rio.

“Esportivo dá exemplo com esse importante resgate”

“A fim de marcar a passagem dos seus primeiros 100 anos de fundação, o Clube Esportivo Bento Gonçalves entrega ao torcedor uma grande e marcante obra: um livro, que traduz o que ocorre dentro e fora de campo. Essa sensibilidade de preservar os importantes acontecimentos da entidade, fundada em 1919, é digna dos melhores aplausos que uma vitória pode provocar. Filiado à entidade máxima do futebol gaúcho desde 1935, quando seu nome era Federação Rio-Grandense de Desportos (FRGD), o Esportivo revela-se aos olhos de todo admirador de futebol como importante protagonista do esporte no extremo sul do Brasil […]. Se nos 90 minutos de uma partida existem três probabilidades de resultado, nessas 328 páginas há uma vitória indiscutível com um gol de placa, cujo vencedor maior é o esporte. Nobre integrante da galeria dos clubes que alcançam os incríveis 100 anos de vida, o Clube Esportivo dá exemplo com esse importante resgate, engrandecendo o futebol do Rio Grande do Sul”. Presidente da FGF, Luciano Hocsman na apresentação do livro.

 

lançamento Esportivo 

 

Esportivo de 1925- 2

Hino oficial do Esportivo

Da capital brasileira do vinho,

Honrando o esporte do Sul.

Tem sua sede em nosso carinho,

Valoroso Esportivo, Alvi Azul.

O Esportivo, Tu és Cinquentenário,

Sabes lutar, sabes vencer.

Glórias alcançar, teu povo te aclama,

Viva Esportivo Alvi Azul, Alvi Azul.

Verde como os parreirais,

Assim é nossa esperança.

Nos seus grandes valores reais,

Esportivo avante confiança.

O Esportivo, Tu és Cinquentenário,

Sabes lutar, sabes vencer.

Glórias alcançar, teu povo te aclama,

Viva Esportivo Alvi Azul, Alvi Azul.

Estaremos contigo Esportivo,

Na Montanha ou fora daqui,

Com entusiasmo sempre vivo,

Aplaudindo ou sofrendo por Ti.

O Esportivo, Tu és Cinquentenário,

Sabes lutar, sabes vencer.

Glórias a alcançar, teu povo te aclama,

Viva Esportivo Alvi Azul, Alvi Azul.

Viva Esportivo Alvi Azul, Alvi Azul.

Composição de Maria Borges Frota, por ocasião do cinquentenário do clube.

Bastidores da obra

Os jornalistas Fabiano Mazzotti, torcedor do Esportivo desde a década de 1980, e Alceu Salvi Souto, narrador e repórter de rádio desde a década de 1960, fizeram uma releitura da história do clube, digna de apreciação. Mazzotti concedeu entrevista ao Jornal Integração da Serra, contando um pouco sobre os bastidores da obra. Confira!

De que forma surgiu a ideia da edição de um livro sobre o centenário do Clube Esportivo?

A diretoria da gestão 2018/2019, cujo presidente era Anderson Zanella, projetou diferentes ações para marcar a ocasião dos 100 anos do Clube. Uma comissão integrada por Gilberto Durante (presidente do Conselho Deliberativo), Jauri da Silveira Peixoto (ex-presidente do Conselho Deliberativo e atual membro) e Luis Delano Lucchese Oselame (ex-presidente da diretoria executiva e atual membro do Conselho) foi formada para comandar o assunto “livro dos 100 anos”. Apresentei uma proposta de trabalho e fui contemplado para ser autor da obra junto com o Alceu Salvi Souto, que escreveu o primeiro livro sobre a história do Esportivo, em 1996.

Ao longo desse trabalho, quais foram os principais desafios encontrados e qual o significado dessa obra na tua carreira de jornalista e escritor?

O trabalho foi árduo. Conheci a história do Clube, de 1919 a 2019, com muita leitura e conversa com pessoas, passo inicial para entender essa caminhada de 100 anos. Com o Alceu, pude compreender a sequência de acontecimentos. Com acesso a atas e outros documentos, alcancei uma visão mais global da história. Assim, buscamos uma linha editorial que não pessoalizasse a obra, construindo um texto que se aproximasse de conjunto de informações com significado coletivo. Não me considero um escritor. Vejo-me como um jornalista que encontrou na produção de livros, que são auto-publicações, a maneira de “ganhar a vida”, fazendo o que gosta e sentindo- -se feliz.

Qual é a representação do Alviazul na tua vida?

Acompanho o Esportivo desde o final da década de 1980. Participei das escolinhas do clube e, na adolescência, já frequentava o estádio para ver jogos na arquibancada. Então, posso dizer que sim, sou um torcedor do Esportivo de longa data. É o clube de futebol da minha cidade. Além de atleta nas escolinhas e torcedor nas arquibancadas, também fui assessor de imprensa do Esportivo. E, agora, com a organização desse livro, obviamente, o carinho pelo clube aumenta.

De que forma o também jornalista Alceu Salvi Souto contribuiu com o trabalho?

A contribuição do Alceu fez toda a diferença. Ele é o autor do livro “Clube Esportivo – O glorioso alviazul da Capital Brasileira do Vinho”. Foi o primeiro livro sobre a história do Esportivo, lançado em 1996. Tenho esse livro autografado pelo Alceu, com data de outubro de 2010. Além disso, como radialista, narrou centenas de partidas disputadas pelo Esportivo, todas presentes em sua memória. Ele é um homem inteligente, com ótima memória. Nesse momento singular dos 100 anos do clube, seria egoísmo da minha parte querer fazer o trabalho sozinho. Sugeri à comissão de produção do livro que minha condição para fazer a obra era ter o Alceu junto. Conversei com ele, que aceitou de imediato. Digamos que é a união da experiência e da juventude em prol de um trabalho. Precisa essa mistura de gerações para se chegar a um bom resultado quando se trata de um desafio como esse.

Quais foram os fatos históricos que mais chamaram a tua atenção?

Sempre falam dos mesmos fatos sobre o Esportivo. O jogo da neve. O Portaluppi. O Arilson. A vitória inédita no Beira-Rio contra o Inter. A goleada em cima do Grêmio, por exemplo. Mas a história do Esportivo é composta de outros importantes acontecimentos dentro e fora de campo que o engrandece. Achei bacana a história do futebol feminino. O retorno do Esportivo na década de 1960, com o auxílio dos times amadores. A queda da arquibancada de madeira em 1973. A estreia em competições nacionais, na década de 1980. A transformação no ambiente do futebol, dentro e fora de campo, foi a parte que mais me impressionou. Antes, era um jogo de bola.

Quais são os teus planos de trabalho e projetos para 2021?

Minha filha nasce em breve. 6 de setembro é o prazo. Assim, esse é o projeto maior para 2021. E sobre trabalho, tenho duas novas ideias em andamento, mas é segredo.

De que forma tu defines Fabiano Mazzotti?

Sonhador que não fica parado.

Fabiano Mazzotti - Crédito Idovino Merlo

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