Suicídio: quem “morre” junto?

Por Letícia Simioni Schossler

Psicóloga – CRP 07/23986

Especialista em Psicologia Clínica

Ênfase em Psicanálise

Especialização em Constelações Familiares – Hellinger Schule (em andamento)

Contato: (54) 99121.3633

@psicologaleticiass

Suicídio e perguntas andam de mãos dadas… aquele que decidiu ir em definitivo leva consigo, e para sempre, muitas respostas. Aos que ficam, restam muitas dúvidas e uma única certeza, de que nada nunca mais será como antes.

 

Quando se fala em suicídio, muito se aborda sobre a prevenção, dando por vezes pouca ênfase à posvenção, que se trata de um cuidado com aqueles que perderam seu amor, filho, familiar. Quando alguém se suicida, “ a estimativa mais comum revela que existem seis sobreviventes para cada morte por suicídio” (Flexhaug e Yazganoglu, 2008, p.17). A vida daqueles que perderam um ente querido através dessa situação fica profundamente marcada, não apenas pelos incessantes questionamentos internos com o intuito de tentar compreender o ato, mas também por medos (ex.: repetição), tristeza, raiva, vergonha, revolta, culpa, arrependimentos, dentre tantos outros.

 

O suposto fim do sofrimento daquele que se suicidou é o início de uma longa trajetória para aqueles que ficaram, a fim de que não apenas tornem sua existência marcada pela sobrevivência à tragédia, que é perder alguém que se ama a partir de uma autoaniquilação. Mas, que seja possível, com o devido suporte humano e profissional, falar e ser escutado quantas e quantas vezes forem necessárias rumo ao ressignificar, buscando encontrar um sentido para seguir diferente. Manter-se calado e ignorar as próprias dores pode agravar e muito a situação, desde o nível psíquico, chegando até o nível psicossomático, em que o corpo físico começa a produzir sintomas em resposta àquilo que se passa dentro do sujeito.

 

Quem nega as próprias dores caminha rumo à solidão, amplia e mantém os conflitos internos, ao invés de ressignificar o que se passa dentro, com tanta intensidade. Segundo Bert Hellinger, “tudo que rejeitamos, apodera-se de nós. Tudo o que respeitamos, deixa-nos livres”. Portanto, é importante olhar juntos, com o devido suporte, para a construção de vínculo terapêutico. Respeitar o tempo individual de cada um, em seu próprio tempo de luto, pode auxiliar e muito a mudar o rumo da caminhada. Talvez até possa evitar que outras mortes simbólicas e internas aconteçam junto com a morte concreta daquele que se foi.

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