PAIS_omorador

Paternidade em pandemia

Por Karin Milani Zottis 

Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta de Orientação Psicanalítica e Pedagoga

 

Pandemia.

 

Não imaginávamos que pudesse trazer tanta repercussão sobre as nossas vidas!

 

Sim, também a respeito do Dia dos Pais podemos refletir à luz desta triste realidade.

 

Nosso pesar por aqueles pais, pacientes ou cuidadores, profissionais da saúde, trabalhadores, que não resistiram à Covid-19 e que deixaram seus filhos órfãos e famílias enlutadas. Não só filhos e famílias, mas a sociedade se ressente dessas perdas.

 

Toda a consideração por aqueles filhos e filhas que se afastam por amor, para preservar a saúde e evitar qualquer possibilidade de transmissão do vírus e da culpa que isso traria se assim acontecesse. Assim estão, com certeza, nossos profissionais da saúde. Todos encontram outras formas de aproximação e cuidado, fotos, celulares, videochamadas, acenos a uma distância segura.

 

Já se comenta também que, de alguma forma, a pandemia foi generosa com muitos pais esquecidos, que agora ganharam a atenção de seus filhos, muito preocupados com a possibilidade da perda. Triste situação! Só a iminência gritante da morte e da culpa para uma reaproximação. Pois que seja! De qualquer forma, um presente, um alento.

 

As escolas, onde tantas crianças confeccionavam com todo cuidado os seus presentes para os papais, agora silenciosas, sentem falta do alvoroço. A ideia de presentear muda nesse contexto, onde os melhores presentes são, sem dúvida, saúde e convívio. Disso, porém, o comércio se ressente e à sua maneira, também sente a falta dos pais. Não consegue contribuir como antes com as comemorações e homenagens.

 

São muitos os olhares possíveis para esta data e desta vez, em 2020, descobrimos muitos outros. E em oração, nunca chamamos tanto pelo “Pai”, nas mais variadas crenças, pela sua misericórdia.

 

Uma data tão significativa, daquelas que, muitas vezes, reaproximam pais e filhos, famílias. Desta vez, vai passar para muitos sem um abraço sequer.

 

Para outros, pode ser que a pandemia tenha sido um presente para os filhos, que conseguem ter seus pais junto a eles por bem mais tempo que de costume. E, para outros ainda, talvez o excesso de convívio esteja judiando da relação.

 

Mas vamos focar em imagens mais inspiradoras, em filhos que podem fruir do convívio de seus pais, percebendo como isso é bom e quanto esta figura familiar é importante em sua vida. Da mesma forma, os pais, com filhos pequenos ou adolescentes, que talvez estejam vivendo uma fase de singular e constante convivência, full time, como nunca antes. Brincadeiras, tarefas, refeições e muitas, muitas emoções, as mais variadas.

 

Os pais em grupo de risco, percebendo o desejo de seus filhos de estarem em sua companhia e as tantas formas de cuidados e afeição que encontram, sentem-se mais queridos e atendidos. Até mesmo eles percebem agora, o quanto a tecnologia, por vezes antes incompreendida, tem uma função agregadora.

 

Há sempre novas formas de ser pai e de ser filho. A vida nos ensina possibilidades, mesmo em situações extremas, como esta de pandemia!

 

Que possamos viver da melhor forma possível este Dia dos Pais… que, na verdade, acontece todos os dias.

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