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Em meio à pandemia, cresce consumo de vinho e disparam vendas online

Por: Rodrigo De Marco

rodrigo@integracaodaserra.com.br

Edição: Kátia Bortolini

katia@integracaodaserra.com.br

 

A pandemia de coronavírus definitivamente mudou os hábitos de consumo do brasileiro. A necessidade da reclusão impulsionou um novo modelo de negócio e de compra, positivo para alguns setores da economia, como o vitivinícola. Os apreciadores de bons vinhos estão consumindo a bebida em casa, em substituição às degustações antes feitas em restaurantes e vinícolas, entre outros espaços.

 

De acordo com a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), as vendas de vinhos brasileiros aumentaram 39% nos quatro primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período em 2019. A comercialização somou 4,4 milhões de litros entre janeiro e abril de 2020, ante 3,2 milhões de litros do primeiro quadrimestre do ano passado. Segundo a ABS, foram vendidos 35 milhões de litros de vinhos finos nacionais e importados nos quatro primeiros meses de 2020, um incremento de 10% em relação a janeiro e abril de 2019, quando foram comercializados 31,9 milhões de litros. O cenário positivo é também compartilhado com pequenas e grandes vinícolas da Serra Gaúcha, que se adaptaram ao novo momento, expandindo o leque de opções e apostando na venda online de seus produtos.

 

A Uvibra, em função da pandemia, elaborou uma cartilha com protocolos de segurança sugeridos pela OMS, encaminhada aos associados. Segundo o presidente Deunir Luis Argenta, continua com apresentando as demandas setoriais aos órgãos públicos, contribuindo para melhorar o posicionamento do vinho brasileiro no mercado nacional e para reativar ações de promoção no mercado externo.

 

A tradicional Vinícola Aurora teve um aumento de mais de 60% nas vendas online, quando comparado ao mesmo período de 2019. A Cooperativa Garibaldi, que também ocupa um lugar de destaque entre as principais vinícolas da Serra Gaúcha, registrou um aumento de mais de 15% nas vendas online, entre março e maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O empresário Felipe Toledo, apreciador do bom vinho e proprietário da Outlet Vinhos e Espumantes, também destaca a importância das vendas online nos últimos meses.

 

Através da reportagem, conheça um pouco mais sobre esse vasto mercado, que envolve uvas, vinhos, requinte, bem-estar e estilo de vida.

 

Exportação Aurora - André Majola

Cooperativa Aurora tem aumento de mais de 60% nas vendas online

Mercado chinês tem feito a diferença na comercialização de produtos da Vinícola Aurora, afirma o diretor superintendente Hermínio Ficagna

 

A Vinícola Aurora, provida de enorme prestígio internacional, ao longo dos anos coleciona distinções no Brasil e em outros países.  Quais são os principais países compradores?

Hermínio Ficagna: Com relação ao mercado internacional, o destaque neste ano tem sido as exportações para os países asiáticos. Tivemos um aumento de mais de 70% nas vendas de janeiro a maio, em comparação ao mesmo período do ano passado, com a comercialização de quase 115 mil garrafas. O principal mercado foi a China, que por ter sido o primeiro país a ser atingido pela pandemia, também foi um dos primeiros a começar a retomada. Aos poucos, estamos recebendo pedidos de compradores da Holanda, Reino Unido e de países da América do Sul.

 

Como foi a comercialização de produtos da vinícola nos primeiros meses deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2019?

Ficagna: Muito embora o período da pandemia tenha iniciado na segunda quinzena de março, o reflexo mais significativo na queda das vendas ocorreu no mês de abril, o que pode ser entendido como fator natural. O consumidor foi tomado de surpresa pelo cenário negativo, em face do coronavírus. Se olharmos especificamente a questão vinho e espumantes em todas as famílias da Aurora, nos primeiros cinco meses, as vendas cresceram 59% nos vinhos finos, 23% nos vinhos de mesa, 53% no espumante moscatel, porém com queda de 11% nos espumantes brut.  As vendas no mês de junho, embora ainda não finalizado, se mantém muito forte, o que é muito positivo. Isso nos credencia a fecharmos o semestre com alta de 25% nas vendas, comparado com os primeiros seis meses do ano anterior.

 

Houve um aumento nas vendas online?

Ficagna: Podemos observar um crescimento importante no e-commerce. Um dos nossos diferenciais é a parceria mantida com inúmeras lojas virtuais. Nesse sentido, nosso trabalho é estar ao lado do cliente para desenvolver estratégias em conjunto e fortalecer ainda mais esses canais. Entre os meses de março e maio, estimamos um crescimento de mais de 60% nas vendas de produtos da Aurora nessas plataformas, em relação ao mesmo período do ano passado.

 

De que forma avalias esse novo cenário de consumo?

Ficagna: Acreditamos os consumidores estão mais conscientes de suas aquisições, comprando apenas o necessário e que, provavelmente, estarão mais desapegados aos bens materiais num futuro breve. Talvez, quando tudo voltar à normalidade, estarão valorizando mais os produtos locais/nacionais. As empresas precisam estar atentas às mudanças na forma de consumo, dar atenção para questões de higienização de forma ainda mais incisiva e também valorizar o consumidor, ter empatia com as pessoas, com os funcionários. É um momento difícil para todos e somente juntos vamos superar este período.

 

Quais foram os impactos da pandemia na vinícola?

Ficagna: A empresa, diante deste cenário, afastou os colaboradores dos grupos de risco, com licença remunerada, optou por liberar seus funcionários da administração e de vendas para exercerem, na medida do possível, suas atividades em trabalho remoto, em home office, já que grande parte dos clientes só atende por meio digital. Também, por conta dessas restrições, a empresa paralisou a produção industrial por quase 20 dias e fechou o roteiro turístico nas duas vezes em que os decretos estadual e municipal determinaram restrição de atividades desta natureza. Apesar de continuarmos com o trabalho de logística, mesmo que de forma parcial, nos deparamos com algumas dificuldades de transporte, na medida em que não havia alternativas aos motoristas para as refeições, o que tem sido retomado aos poucos. Outra dificuldade foi o fato de que muitos clientes passaram a trabalhar com estoque zero, o que trouxe uma redução significativa na comercialização no segundo mês da pandemia, mas que também começa a retornar a níveis satisfatórios.

 

Quais são as projeções da Vinícola ainda para 2020 e o que vocês esperam para 2021?

Ficagna: Por nunca termos vivenciado algo similar, com certeza, pensar num planejamento de faturamento para 2021 é algo que merece muita reflexão e estudo, pois o cenário vai depender basicamente do grau de risco e tempo de duração da pandemia. Hoje, temos dificuldade de projetar o consumo do mês subsequente. Diversos fatores devem ser analisados, como clientes trabalhando com estoque zero, fechamento de muitas empresas, mesmo as enquadradas no Simples, a paralisação do trabalho na categoria dos autônomos e o contingente de pessoas que foram e ainda serão demitidas. Enfim, tudo isso terá impacto direto no consumo, principalmente de bebidas, razão da dificuldade de se fazer projeções.

 

garibaldi vin

 

Vendas online crescem mais de 15% na Vinícola Garibaldi

 

Os grandes diferenciais da Cooperativa Vinícola Garibaldi são a relação próxima com o associado e a confiança mútua entre a vinícola e seu público consumidor. O presidente Oscar Ló destaca o trabalho realizado nos últimos meses

 

A Cooperativa Vinícola Garibaldi se destaca pelo trabalho conjunto com seus associados. De que forma vocês têm avaliado a produção nos últimos meses?

Oscar Ló: Temos uma relação muito próxima com nosso associado e, acima de tudo, muito transparente. Há alguns anos já trabalhamos de maneira estratégica, de modo a contemplar um aumento nas uvas que dão origem aos nossos espumantes, pensando nos investimentos necessários para abastecer o mercado com nossa habitual qualidade. Nesta última safra, que por sinal foi de qualidade histórica, tivemos um acréscimo nas variedades brancas finas, destinadas aos espumantes, em mais de 25%. A maior parte das uvas recebidas, no entanto, segue sendo para a produção de suco e de vinho de mesa, com cerca de 70% do total. Uma parte é destinada para os vinhos finos, caso das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat e Cabernet Franc.

 

Em tempos de pandemia, tem crescido o consumo de vinho. Quais são os números de vendas realizadas pela Vinícola Garibaldi nos primeiros meses deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2019?

Ló: Realmente, com a pandemia observamos uma inversão na preferência do consumidor, que passou a consumir mais vinho do que espumante. Uma parte é decorrente do fato de as pessoas não se sentirem aptas a comemorar. Sobretudo, a proibição da realização de eventos acabou freando a comercialização de espumantes. Outra questão é que, com as pessoas em casa, cozinhando mais, o vinho harmoniza facilmente com almoços e jantares. Se incluirmos os meses de janeiro e fevereiro, ou seja, antes da pandemia, até maio, as vendas de vinho superam os 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Houve um aumento nas vendas online? De que forma avalias esse novo cenário de consumo?

Ló: Nós percebemos uma procura grande nesses canais, mas é difícil precisar exatamente quanto, já que as vendas são concentradas nos nossos parceiros, principalmente nas grandes redes varejistas, e não temos acesso a esses números. Estimamos cerca de 15%, mas é um índice que possivelmente seja maior. Nós entendemos a relevância desse canal, tanto que o disponibilizamos aos nossos consumidores há mais de 10 anos. Sem dúvida, é uma tendência e, certamente, será impulsionada ainda mais nos próximos anos. Deve ser um dos legados da pandemia, já que muitos negócios se concretizaram nessa área, com uma aceleração nessa forma de comercialização.

 

Quais foram os impactos da pandemia na vinícola?

Ló: Tivemos muitos reflexos, desde questões administrativas, de gestão, de fluxo de visitantes, até de comercialização. Mas precisamos ter em mente que é um momento de exceção e que precisamos tirar lições positivas disso, para nosso aprendizado como gestores. Num primeiro momento, cuidamos de todos na Cooperativa, para dar resguardo às pessoas, afinal saúde é o que nos move e precisamos estar saudáveis para esse desafio. Atendemos a todos os protocolos de segurança, afastamos o grupo de risco, dividimos a Cooperativa em dois turnos para evitar aglomeração, promovemos distanciamento em todos os ambientes, assim como disponibilizamos álcool gel, máscaras e EPIs, além da sanitização de calçados na entrada da vinícola. No nosso Complexo Turístico, reduzimos o número de atendimentos. Os grupos não passam de 15 pessoas e todos têm a temperatura corporal medida. Criamos formas de oferecer nossas experiências como o Taça & Trufa em casa. Também isentamos nosso cliente em compras acima de determinado valor, para que ele recebesse em casa a encomenda, sem precisar se arriscar. Em meio a tudo isso, assistimos nosso consumidor comprar mais vinho do que espumante, nosso carro-chefe. Mas também, seguindo uma política de planejamento, abrimos novos mercados externos, caso do Japão e de Taiwan, em plena pandemia.

 

Quais são as projeções da vinícola ainda para 2020 e o que vocês esperam para 2021?

Ló: A pandemia nos trouxe muitos desafios e precisamos adequar alguns alinhamentos. Havíamos projetado investimentos que precisaram ser temporariamente suspensos, para serem retomados no próximo ano. De qualquer maneira, 2020 não é um ano perdido, muito pelo contrário. Estamos confiantes numa recuperação e já podemos observar que, desde o último mês de maio, o mercado está mais otimista. Abril foi muito melhor que março, e isso nos dá confiança para seguir até o restante do ano. Mantemos nossa meta de crescimento. Queremos aumentar nosso faturamento na casa de 8,5%, chegando nos R$ 190 milhões.

 

Como é hoje o cenário vitivinícola brasileiro, fora da Serra Gaúcha?

Ló: Tradicionalmente, a produção da Serra Gaúcha sempre foi vista como referência na produção de vinhos e espumantes para o Brasil. Hoje, temos várias outras regiões se destacando no cenário nacional. Cada uma com seus apelos específicos. Essa diversificação fortalece e aumenta a cultura do consumo de vinho e de outras bebidas derivadas da uva, consequentemente, aumentando o consumo, que é o grande desafio para todos que trabalham nesse setor.

 

Curso Intensivo de Vinhos promovido pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) ocorrido na Vinhos do Mundo. Foto: Marcos Nagelstein/ Agência Preview

Curso Intensivo de Vinhos promovido pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) ocorrido na Vinhos do Mundo. Foto: Marcos Nagelstein/ Agência Preview

ABS-RS expandiu fronteiras com cursos e aulas online

 

O presidente da ABS-RS, Orestes de Andrade Jr., ressalta que a entidade tem investido no online, além de confirmar um aumento de quase 40% na comercialização de vinhos no primeiro quadrimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2019

 

A pandemia do coronavírus impulsionou a comunicação virtual. Como a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) se adaptou à nova forma de repasse de conteúdo?

Orestes de Andrade Jr.: Nós fomos a primeira ABS do Brasil a reagir à pandemia do coronavírus, oferecendo conteúdo online. Logo na metade de março, quando tivemos que cancelar nossos cursos presenciais, lançamos o #MovimentoBellaCiao, uma série de palestras e aulas gratuitas feita no modo online. Tivemos a adesão imediata dos nossos alunos e, mais do que isso, ampliamos o nosso público para além do Rio Grande do Sul. Alcançamos, inclusive, muitas pessoas de fora do país. Logo em seguida, colocamos no mercado um inédito curso sobre Comunicação e Mercado do Vinho. Fechamos rapidamente a turma.

 

Conte sobre os Workshops online que a ABS está realizando?

Orestes de Andrade Jr.: Lançamos nosso primeiro workshop sobre terroir porque sentimos a necessidade de aprofundar este assunto e preparar nossa audiência para o segundo curso online da ABS-RS, “Uvas viníferas sem segredo: tudo que você precisa saber sobre as variedades internacionais e autóctones”. Este é o mais completo curso sobre uvas existente no mercado nacional. Como temos vários alunos iniciantes, que nunca fizeram um curso de vinhos, decidimos realizar três aulas gratuitas. Na primeira aula do workshop, tivemos mais de 500 alunos assistindo ao conteúdo dos professores Júlio César Kunz e Marcelos Vargas, ambos com mestrado internacional de vinhos.

 

A entidade acompanha a comercialização de vinhos nacionais e estrangeiros no Brasil. Quais foram os números do primeiro quadrimestre?

Orestes de Andrade Jr.: As vendas de vinhos brasileiros aumentaram 39% nos quatro primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período em 2019. A comercialização somou 4,4 milhões de litros entre janeiro e abril de 2020, ante 3,2 milhões de litros do primeiro quadrimestre do ano passado. Foram vendidos 35 milhões de litros de vinhos finos nacionais e importados nos quatro primeiros meses de 2020, um incremento de 10% em relação a janeiro e abril de 2019, quando foram comercializados 31,9 milhões de litros. Os números comprovam o que a nossa percepção apontava: o vinho é a bebida da pandemia do coronavírus. Mais do que isso: o vinho brasileiro é a bebida da pandemia, já que os rótulos importados cresceram só 7%. As pessoas ficaram mais em casa e escolheram, como companhia, uma bebida essencialmente sociável e que faz bem para a saúde, se consumida com moderação. Ainda não saíram os números oficiais de maio, mas estimo que o aumento nas vendas dos vinhos nacionais foi ainda maior: próxima de 50%.

 

De que forma observa esse novo modelo de negócios?

Orestes de Andrade Jr.: Tenho dito que estamos atravessando um deserto com essa pandemia. O que importa é sobrevivermos. Mas o mundo será diferente depois disso. Nada será totalmente igual ao que é agora. O que tivemos foi uma aceleração gigante dos negócios digitais. Era algo que já vinha ocorrendo. Agora não tivemos mais saída, todos tiveram de migrar para o online. O principal benefício é o alcance, que deixa de ser local ou regional e passa a ser nacional e até internacional. Não existem fronteiras no mundo online. As empresas têm de ter isso em mente e ajustar sua atuação a partir desta perspectiva maior, o alcance ilimitado. Mas a concorrência, nesse mundo, é ainda maior.

 

Quais são as próximas ações que a ABS deve realizar neste ano?

Orestes de Andrade Jr.: Estamos transformando nossa operação para o mundo digital. Acreditamos que temos de ser responsáveis com os alunos, as vinícolas e nossa equipe. Por isso, provavelmente vamos retomar os cursos presenciais somente em 2021. No segundo semestre, vamos lançar um curso sobre enogastronomia, além de um curso intensivo de vinhos com envio de amostras em um kit exclusivo.

 

Vaccaro

 

Vinícola Vaccaro: encontrando soluções em tempos de pandemia

 

Localizada em Santo Alexandre, interior de Garibaldi, a Vaccaro é uma pequena e singular vinícola artesanal. De acordo com o enólogo da vinícola, William Vaccaro, as vendas online aumentaram em torno de 80%. Além de William, o sommelier Diego Vaccaro também conduz os trabalhos na administração e nos negócios da família

 

Quando vocês começaram a produzir vinho de forma artesanal?

William Vaccaro: A Vinícola Vaccaro é uma empresa familiar. Foi fundada em 1954 pelo meu bisavô, Francisco Vaccaro. Foram imigrantes italianos que começaram com o cultivo de videiras. Ao longo dos anos surgiu a necessidade de abrir uma pequena vinícola para processar a uva que era produzida nos vinhedos próprios, e quando o vinho já estava pronto e produzido era feito o comercio a granel para outras vinícolas. Até 1992 essa era forma de venda, sendo que naquela época produzíamos em torno de 150 mil litros por ano e comercializávamos a granel. Desde então começamos a comercializar engarrafado com a própria marca, sendo que no início foram vinhos de mesa e a partir dos anos 2000 começamos a implementar uvas finas. Trocamos os vinhedos de uvas americanas, uvas comuns, para uvas finas. Começamos com o Cabernet Franc, posteriormente também o Sauvignon e Merlot. Por volta de 2004 começamos a elaborar também espumantes, mas estamos falamos de uma quantidade pequena de produtos, com uma produção de em torno de 20 mil litros por ano desses vinhos. Hoje ainda mantemos a produção de vinhos de mesa, numa quantidade um pouco maior, de 100 mil litros para alguns supermercados. A de vinhos finos e espumantes é uma produção diferenciada, bem limitada, em torno de 20 mil litros. É uma venda mais direcionada, um produto mais artesanal, enviado diretamente ao consumidor final e para algumas lojas especializadas.

 

Quais foram os investimentos aplicados na vinícola a partir dos anos 2000?

William: A vinícola passou por uma série de adaptações. Investimos em tecnologia para vinhos finos, como tanques de aço inox, barricas de carvalho, caves com uma temperatura mais amena e um ambiente favorável para poder maturar e envelhecer os produtos. Estamos bem estruturados quanto a isso. E também já fazem uns nove anos que começamos a receber turistas na empresa. Nos últimos dois anos, ampliamos a estrutura. Agora contamos com um varejo, onde recebemos turistas de todo o país. Praticamente todos os dias recebíamos visitantes. Em virtude da pandemia, o turismo reduziu a praticamente zero. As vendas no varejo diminuíram em torno de 90%. Então, começamos a trabalhar na venda online, que está dando um bom resultado.

 

De que forma vocês trabalham o online e como estão as vendas nesse segmento?

William: Já trabalhávamos com uma plataforma de e-commerce. Mas as vendas aumentaram em torno de 70 a 80% no período da pandemia. Outras formas que deram resultado foi o envio de e-mail marketing para endereços cadastrados na empresa e a lista de transmissão por WhatsApp, o que também deu um resultado bem bacana. No início achávamos que, em virtude da pandemia, as vendas cairiam bastante, mas posso dizer que estão muito interessantes. Eu diria até que um pouco acima do que é normalmente comercializado nessa época do ano. O pessoal está mais em casa e consome mais. O mais interessante é que estão comprando de vinícolas brasileiras.

 

Vocês acreditam que esse modelo de venda online fará a diferença a partir de agora?

William: Eu penso que essa nova forma de compra online vai predominar. Já está dando muito certo e, com certeza, vai aumentar ainda mais as vendas. É uma facilidade para o cliente que, ao adquirir o produto, já sabe sua origem, porque comprava direto da vinícola. Nós embalamos o produto e enviamos para a casa do cliente. Trabalhamos com diversas formas de pagamento. Posso garantir que, depois da primeira compra, o cliente sempre volta para adquirir mais produtos, porque gosta dessa forma de comercialização.

 

Quais os diferenciais da vinícola?

William: A vinícola tem como diferenciais nos seus produtos algumas castas que não são comuns no Brasil. Temos uma linha de vinhos Collina D’oro, que possui casta Malbec e Sandiovese. Tudo é cultivado aqui mesmo, em Garibaldi. O grande diferencial é a produção de uva em nossos próprios vinhedos, no entorno da vinícola. Temos uma produção limitada, que é de 1 mil a no máximo 4 mil litros de cada variedade. O cliente sabe que está adquirindo algo especial e ele se sente fazendo parte disso. Temos um portfólio com mais de 20 produtos, entre vinhos clássicos, Cabernet Franc, Sauvignon, Merlot, espumantes mais leves, mais encorpados. Recebemos vários prêmios, em concursos regionais e também nacionais. Só no ano passado foram 11 medalhas de ouro.

 

Qual a projeção para 2021?

William: Esperamos que haja uma retomada do turismo já no final deste ano. Provavelmente volte forte porque as pessoas vão visitar regiões do território nacional. Acredito que não vai ter tanta viagem para o exterior, tem muita coisa bacana para conhecer no Brasil. As vendas no sistema online e e-commerce também vão continuar bem forte e 2021 pode ser um ano bem promissor para o setor vinícola.

 

outlet

 

Outlet: no inverno, os tintos são o carro-chefe da loja e do consumo

 

Empreender não é tarefa fácil e exige estratégia, paixão e dedicação integral ao negócio. O empresário Felipe Toledo, um apaixonado pelo mundo dos vinhos, relata o desafio de impulsionar as vendas em tempos de pandemia

 

Quais foram os impactos da pandemia na loja?

Felipe Toledo: A pandemia do Covid-19 pegou a todos de surpresa. Fechamos a loja por uma semana para entender o momento e nos adaptarmos à nova realidade. A loja passou por sanitização e higienização em todos os seus ambientes e produtos. Os clientes precisam estar de máscara e não podem tocar nas garrafas, somente os colaboradores. Os produtos que são para tele entrega são higienizados e colocados em sacolas de papel. A cada três horas, ou dependendo do fluxo presencial, é feita a limpeza com álcool no chão e na entrada, há um tapete sanitizante. O início de vendas online estava previsto para o próximo mês de julho, auge do inverno, com delivery especial, antecipamos para não pararmos totalmente.

 

Como ocorreu essa antecipação?

Toledo: Com a aceitação da mudança do processo por parte da clientela e com novos clientes de grupos de WhatsApp, houve aumento nas vendas, mas abaixo da expectativa para os meses de março e abril, comparados aos do ano anterior. Em maio, houve um acréscimo e neste mês de junho, com o Dia dos Namorados e o retorno do turismo presencial na cidade, será o melhor do ano, mesmo não tendo terminado ainda. As vendas online tendem a aumentar de quinta a sábado, principalmente em dias de chuva ou frio excessivo.

 

Como avalias a atual qualidade do vinho brasileiro?

Toledo: O vinho brasileiro vem numa crescente há muito tempo. A safra 2020 está aí para confirmar, com uvas em graduação máxima, importantes na elaboração de excelentes vinhos. Também destaco o aumento gradual de venda e consumo de espumantes, que seguem ganhando mercado e premiações mundo afora. No mercado interno, ocupam um espaço cada vez maior.

 

Há quanto tempo existe o Outlet Vinhos e Espumantes e como surgiu a ideia de iniciar o empreendimento?

Toledo: O Outlet de Vinhos e Espumantes, localizada na Av. Dr. Casagrande, em Bento Gonçalves, está no mercado local há pouco mais de 20 meses. A ideia surgiu num jantar entre amigos que possuíam um espaço ocioso. Após algumas sugestões, surgiu a possibilidade de uma loja de vinhos e derivados nos 45 dias antes do Ano Novo para ocupar e dar visibilidade ao espaço e, quem sabe, conseguir um locatário após esse tempo. O resultado final foi além da expectativa e o Outlet, que duraria 45 dias apenas, viraria uma loja de vinhos, espumantes, suco de uva, cachaça e azeite de oliva.

 

Quais as projeções que vocês fazem ainda para 2020?

Toledo: Estamos com uma boa expectativa para o inverno. Mesmo sem a retomada do turismo, vamos focar nas plataformas digitais para oferecer nossos produtos. Também vamos tentar retomar o projeto de degustações harmonizadas em residências ou em condomínios, para pequenos públicos, como forma de atendimento personalizado. Para o Dia dos Pais também se espera um aumento nas vendas. Na sequência, com a retomada das feiras, a expectativa é de um segundo semestre melhor. Para 2021 teremos as novas opções da safra 2020, que virá com tudo, bem como a retomada do turismo, é a nossa expectativa.

 

Quais os três principais produtos de sua loja e que indicaria?

Toledo: Como estamos entrando no inverno, os tintos acabam virando o carro-chefe da loja e do consumo. As variedades que serão destaque em 2020 são Touriga Nacional, Malbec e Cabernet Franc. Há inúmeras vinícolas com excelentes produtos nessas variedades.

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