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A receita do jovem para a vida financeira saudável

Uma vida sem dívidas. O dinheiro como meio para alcançar objetivos. Como multiplicá-lo com investimentos legais?

Por Natália Zucchi, Tainá Menegat, Bárbara Guidolin, Franciele Pedroso e Gisiele Pimel

Essa reportagem foi originalmente publicada no Jornal Textando, desenvolvido na disciplina de Atelier de Jornalismo Impresso do curso de Comunicação Social – Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul. 

O sonho de muitas pessoas é ter uma vida financeira segura, com os boletos em dia e ainda sobrando algum dinheiro para investir. E a verdade é que, por mais que se foque em ganhar dinheiro, se não houver esforço para trocar hábitos e a mentalidade frente a ele, dificilmente conseguirá guardá-lo ou multiplicá-lo. A falta de harmonia entre a vida da pessoa e a organização financeira pode desencadear em aspectos negativos, principalmente para lidar em situações emergenciais e de risco.

Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou que em países onde a educação financeira é propagada desde a infância, a sociedade tem mais capacidade de identificar momentos de risco e consegue, de forma fácil, formar uma reserva de dinheiro emergencial. Conforme o estudo, nos Estados Unidos, por exemplo, 30% da população está informada nesse sentido.

A realidade no Brasil é outra: os brasileiros não têm o hábito de poupar. Segundo a última edição da pesquisa feita pela The Global Findex, organizada pelo Banco Mundial, em 2017, apenas 14% dos brasileiros pouparam no período de um ano. Entre os 140 países avaliados, o Brasil ficou com a 74ª posição.

Um das razões que justificam tal comportamento do brasileiro é o fato de ganhar pouco. O levantamento do Banco Mundial também mostrou que existe, sim, uma forte relação entre renda e percentual de pessoas que fazem reservas.

No ano de 2017, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) também realizou uma pesquisa,  apontando que 46% dos jovens brasileiros, entre 25 e 29 anos, encontravam-se inadimplentes. Entre os que têm idade entre 18 e 24 anos, a proporção é de 20% , os dois grupos juntos representam cerca de 12,5 milhões de pessoas.

Além disso, outra pesquisa nacional encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontou que o consumidor brasileiro não tem o hábito de poupar dinheiro e, quando poupa, é para consumir ainda mais e não para formar um fundo de reserva. O estudo revela ainda que, entre aqueles que têm o hábito de

guardar dinheiro, a maioria tem perfil conservador e prefere investimentos mais

seguros, que não oferecem muitos riscos, como por exemplo, prendendo-se à caderneta de poupança.

 

A psicologia do dinheiro

 

Para a psicóloga clínica Bruna Souza, natural de Caxias do Sul, existem diversos fatores socioculturais e também familiares presentes no inconsciente coletivo que influenciam no “modelo financeiro” e na interpretação acerca do dinheiro em si. Isso significa que uma grande parcela de pessoas não desenvolve facilmente a capacidade interna para conquistar ou conservar o seu dinheiro. “O ‘modelo financeiro’ de uma pessoa consiste em uma combinação de seus pensamentos, sentimentos e comportamentos em relação ao dinheiro. Muitos foram ensinados a pensar e agir de determinadas maneiras frente ao dinheiro e isso influencia diretamente na maneira como nos comportamos com ele. Frente a isso, é de suma importância investir no autoconhecimento e autoanálise para refletir a respeito do que foi aprendido a partir dos pais ou responsáveis quando criança. Conscientizar- se de suas crenças a respeito do dinheiro pode alterar a importância e o significado que você confere a ele”, explica.

Conforme a profissional, a intolerância e a frustração também contribuem para que muitas pessoas, independentemente de faixa etária, acabem canalizando as suas emoções em certas manias, como por exemplo, o comprar excessivamente, o que pode levar ao endividamento. “Fazer uma análise sobre a qualidade dos pensamentos e emoções pode ampliar a saúde emocional que, por sua vez, influencia diretamente nas atitudes e comportamentos, inclusive os que têm relação direta com o dinheiro”, afirma.

Outro ponto importante analisado pela psicóloga está na associação que muitas pessoas fazem do dinheiro com o sucesso. “As pessoas que acreditam que sucesso traz satisfação pessoal acabam confundindo e invertendo a ordem do ‘ser, fazer e ter’. Uma pessoa bem sucedida interna e externamente provavelmente não apenas fará sucesso como o manterá, o ampliará e o mais importante de tudo: o usará para se sentir mais satisfeito. O segredo consiste em alterar o pensamento: ‘se eu tiver muito dinheiro, poderei fazer o que eu quiser e serei um sucesso’, para ‘se eu sentir satisfação pessoal com aquilo que sou, poderei fazer o que for necessário para ter o que eu almejo, inclusive o dinheiro”, explica.

 

 

A liberdade de uma vida sem dívidas

 

Enquanto muitos jovens adultos ainda moram com os pais e têm poucas despesas com a casa, outros encaram a independência com força e determinação, sustentando sua vida, sem abrir mão dos sonhos. É a história de Diully Karoline Mello, que aos 22 anos mora com seu gato Rodolfo em um apartamento alugado em Bento Gonçalves e vive com cerca de dois salários mínimos mensais, fruto do seu emprego fixo e de atividades administrativas freelancer. Diully saiu da casa da sua mãe no início de 2018 e passou alguns meses morando com a família do namorado. No mesmo período, a jovem abandonou um emprego no qual não se sentia feliz e começou a trabalhar como secretária em um consultório médico, quando também optou por trancar a faculdade de Biomedicina.

Com tantas mudanças ocorrendo de forma simultânea em sua vida, Diully começou a buscar orientações, através da internet, sobre como economizar, gerar renda e multiplicar seu dinheiro, incentivada por amigos e também por seu novo chefe. Ela recebeu indicações de conteúdos em livros, vídeos no Youtube, como o canal Me Poupe, da jornalista Nathalia Arcuri, e aplicativos de finanças.

“Não tive educação financeira em casa. Minha mãe sempre estava endividada, sem dinheiro para pagar as contas. Com isso, ao invés de eu seguir o mesmo caminho, sempre tive a clareza que eu não queria passar pelas mesmas situações. Nunca fiquei no negativo. Em mais de 15 meses morando sozinha, nunca pedi dinheiro emprestado. Não dever é meu primeiro objetivo. Prezo por sempre pagar as coisas em dia”, afirma.

Com a mudança para o seu novo lar, Diully pode aplicar, através da mudança de hábitos, o que vinha aprendendo sobre educação financeira. Estruturou um controle financeiro rigoroso através de planilhas e aplicativos, onde separa os gastos básicos e os circunstanciais, categorizando por educação, saúde e cartão de crédito.

Diully também criou o hábito de colocar no papel seus objetivos de curto, médio e longo prazo, sinalizando tudo o que gostaria de realizar ou adquirir, independentemente do grau de importância. Foi então que pequenas mudanças de comportamento, como deixar a TV ou luzes desligadas, também passaram a ter impacto nas finanças. Essa quantia de dinheiro poupada na conta de luz poderia vir a ser revertida na realização das suas metas.

“Uma das coisas que eu quero fazer desde os meus 14 anos é estudar inglês. Eu não tinha acesso, minha mãe não tinha dinheiro. Por isso, será uma grande conquista quando concluir o curso de inglês ainda neste ano. Isso é um reflexo das mudanças que adotei na minha vida em relação ao dinheiro”, destaca, emocionada.

Assim como poupar tornou-se fundamental, Diully sabia que o segundo passo seria aplicar o dinheiro em investimentos que multiplicariam sua renda, sem correr o risco de perder parte do valor. Foi então que ela passou a estudar as opções de investimento em renda fixa, com previsibilidade sobre o valor de retorno do valor investido. Primeiro, ela definiu que precisaria de uma determinada quantia para formar sua reserva de emergência, um montante de dinheiro destinado para cobrir seus gastos mensais por pelo menos seis meses, caso passasse por alguma situação na qual não tivesse mais renda, como perder o emprego ou ficar doente.

A metodologia adotada por Diully é confirmada por especialistas de mercado. Pedro Pauletti, assessor da Messem Investimentos de Caxias do Sul, vinculada à corretora  XP Investimentos, indica primeiro mapear todos os custos durante o mês e guardar o equivalente para construir esse fundo de emergência. Feito isso durante um período de tempo (que pode variar dependendo do quanto quer juntar para a emergência), pode começar a investir.

Assim como Diully tem feito, Pedro aconselha começar aos poucos, em uma aplicação de curto prazo, como um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de renda fixa. “Conforme você vai ganhando experiência, pode começar a se arriscar mais, se encaminhando para um fundo de renda variável, ou fundo imobiliário e entre outros, os quais apresentam mais riscos”, explica.

 

Para isso, Diully está colocando parte deste valor na NuConta do banco NuBank e outra no Tesouro Selic, um título público do governo, onde o dinheiro aplicado é emprestado ao estado, que devolve com juros baseados na Taxa Selic. Diully também investe no Tesouro IPCA, outro título público baseado no índice de inflação, com o objetivo de multiplicar seu dinheiro para uma futura viagem. Para fazer as aplicações nos Tesouros, ela utiliza a corretora de investimentos Modal Mais. “Retirei todo meu dinheiro da poupança para aplicar na NuConta, que garante o dobro de rendimento em relação à poupança. Também escolhi uma corretora de investimentos confiável ao invés dos bancos tradicionais porque o dinheiro rende mais”, explica.

A diferença entre um banco e uma corretora de investimentos, conforme Pauletti explica, é que o banco usa o seu dinheiro para fazer empréstimos com uma taxa de juros altíssima “e quando for devolver para você, a taxa de utilização não chega a ser de 1% ao mês, fazendo com que o banco fature muito mais com o seu dinheiro do que você, enquanto que a assessoria ajuda os clientes a aplicar em fundos que tenham um retorno muito maior, de 7% a 15%, por exemplo”, afirma.

 

Um pouco por vez

 

Mesmo vivendo com cerca de dois salários mínimos, Diully procura separar todo mês o valor de R$ 150 para investir nos seus objetivos. “Nem sempre consigo seguir a meta, dependo dos gastos inesperados do mês, mas o importante é ser persistente. Hoje ainda não invisto em produtos mais rentáveis, como ações de empresas, por me sentir insegura em não ter conhecimento de mercado. Mas acredito que estou no caminho certo. Meu próximo sonho é viajar e, quem sabe, em 2020, retornar para a universidade.”

Existem diversos tipos de investimentos e corretoras de investimento, algumas plataformas são exclusivamente criadas para investir, como a que Diully utiliza para fazer suas aplicações. Mas para quem ainda não está familiarizado com as opções, é importante iniciar com a poupança, mesmo que seu rendimento seja muito baixo. “Há quem prefira e se sinta mais seguro com investimentos bancários, por considerar de grande importância seu renome. E a poupança pode ser a porta de entrada para a reserva financeira. O rendimento da poupança é conforme a Taxa Selic e atualmente com a Selic em 5,5% e a Taxa Referencial zerada, o rendimento mensal da poupança é de, aproximadamente, 0,35% ao mês”, afirma a gerente de operações do Banco Itaú, Raquel Saldanha. Ela pontua que não precisa investir metade do seu salário para ver seu dinheiro crescer, basta separar para esse fim uma parte consideravelmente pequena. ‘’É uma quantidade que você poderia estar gastando em qualquer outra coisa que muitas vezes é até fútil. Eu falo por mim, comecei a investir quando era estagiária, em um aplicativo independente que não me deu grandes lucros, mas eu separava 40 reais do meu salário de apenas 300 reais e no fim das contas consegui um rendimento de 26% desse valor, o que na época, para mim, foi muito útil”, conta Raquel.

Uma dica valiosa para quem quer investir é definir um valor mínimo, como uma conta fixa. “Quando sobrar além deste valor, você investe um pouquinho mais e  pode ir aumentando o valor mínimo. Com certeza, o resultado será satisfatório”, diz a gerente.

 

A terapia como aliada na saúde financeira

 

Diully não enfrentou sozinha todas essas mudanças. Desde 2017 ela conta com apoio psicológico, essencial para adaptar sua rotina e principalmente sua relação com o dinheiro. “A terapia me trouxe clareza sobre meu futuro profissional e minhas necessidades pessoais. Me fez buscar viver melhor. Ir para a psicóloga também se tornou um investimento”, destaca.

O ano de 2017 também foi decisivo para Maísa Cristina Moro, quando iniciou o acompanhamento psicológico. A estudante do curso Publicidade e Propaganda, natural de Bento Gonçalves, na época com 22 anos, estava inquieta por ainda não ter alcançado sua independência, imaginada anos antes, onde esperava ter sua própria casa e uma vida confortável logo no início da vida adulta. Mas na realidade, Maísa encontrava-se com muitas contas para pagar e sem condições financeiras para realizar seus sonhos. Somando a isso, a jovem convivia com a bulimia. “Cresci presa em padrões de beleza e passei por transtornos alimentares durante 12 anos. Isso me fez gastar muito dinheiro com procedimentos estéticos e comidas, ambos consumidos de forma intensa. Precisei buscar ajuda com psicóloga e também com nutricionista. Foi então que eu percebi que o dinheiro era assim como a comida, servia para suprir as emoções que faltavam. Por isso, a terapia me fez ver o que de fato faz diferença na minha vida. O que é gasto e o que é investimento. Também passei a ver o dinheiro como calorias. Posso equilibrar calorias em refeições para poder jantar algo que não esteja na minha rotina alimentar com meus amigos, assim como eu também deixo de comprar alguma roupa que não preciso, que seria apenas um prazer imediato, e pago uma viagem no ano. São escolhas que depois de um tempo viram hábitos e que me transformaram”, declara.

 

“Me arrependo de não ter começado antes”

 

Procurando novas formas de ganhar dinheiro enquanto precisava bancar os procedimentos estéticos, Maísa passou a pesquisar na internet sobre gerar renda extra, quando acabou esbarrando no canal no Youtube Me Poupe. Por meio do Canal, ela conheceu o administrador e consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor dos livros Investimentos Inteligentes, Adeus Aposentadoria e Cartas a um Jovem Investidor. Inicialmente, não entendia como as economias fariam com que ela mudasse de vida. Mas com a leitura e também assistindo ao canal do autor no Youtube, passou a entender os termos utilizados e aprendeu o efeito dos juros compostos. “Eu entendi que não adianta apenas focar em ganhar mais. É preciso investir. Na verdade, se não fizer investimento, você apenas trabalha e guarda para perder continuamente pela inflação. Isso porque o dinheiro bem investido trabalhará por você ao longo do tempo que ele estiver aplicado. Quando olho para trás e lembro que comecei as primeiras experiências de trabalho com 12 anos, me arrependo de não ter começado a poupar e investir antes”, esclarece.

De acordo com a psicóloga Bruna Souza, da mesma forma como há diferentes didáticas para aprender outras línguas com êxito, também existem rotas e estratégias comprovadas para criar rendimentos elevados, ter maior liberdade financeira e se relacionar assertivamente com o dinheiro. “É necessário apenas estar disposto a aprendê-las e aplicá-las. Na maioria dos processos de educação financeira são consideradas as crenças atuais do sujeito com relação ao dinheiro e ofertadas novas formas de perceber e se relacionar com ele, o que torna a relação sujeito–dinheiro, muito mais saudável e assertiva. Os benefícios da educação financeira considerando a saúde psíquica são diversos: controle de impulsos, estabelecer prioridades, não canalizar emoções em compras compulsivas, evitar o estresse e ansiedade por endividamento, entre outras”, destaca.

Através da educação financeira, o primeiro passo tomado pela jovem foi diminuir seus gastos. Logo após, passou a priorizar o pagamento de contas antigas e abrir espaço para os investimentos, como uma “nova conta”. “Aquilo que reconhecemos como um boleto fica muito mais fácil de honrar. O melhor é que essa conta, na verdade, é um investimento no futuro. Lá na frente, você vai usufruir o que está poupando agora sem perder patrimônio”. Foi assim que parte do seu salário passou a sobrar todo o mês. Após seis meses, Maísa já havia criado planilhas com objetivos traçados, meta de reserva de emergência, meta da independência financeira, passou a utilizar aplicativos de controle financeiro e realizou seu primeiro investimento.  “Durante minha criação tive dois exemplos distintos. Minha mãe gastando toda sua renda e meu pai economizando de forma rígida. Então, quando comecei a estudar sobre educação financeira e investimentos, pensava só lá na frente, queria com 35 anos me aposentar. Isso foi um reflexo da minha criação, inicialmente mais consumista como minha mãe, e no começo do processo de aprender a poupar e investir como meu pai. Hoje priorizo um equilíbrio, o qual aprendi na terapia. Agora penso em me aposentar com 55 anos, 20 anos a mais, mas porque faço escolhas que vão me permitir chegar lá com uma mente saudável”, destaca.

Funcionária pública concursada e publicitária freelancer, Maísa hoje tem 24 anos, ainda mora com os pais e está focada em administrar sua renda. Conforme conta, sua estratégia é fazer um planejamento mensal e carimbar seu dinheiro com objetivos, como o carimbo da viagem, o carimbo da academia ou das compras do mês, para que o dinheiro já fique separado e represente uma pequena meta concluída. Ela já teve seu dinheiro aplicado na NuConta, e hoje aposta no robô de investimentos Warren, onde investe em ações na bolsa de valores, multimercado e renda fixa e no robô de investimentos em criptomoedas Eliot, vinculado a Warren.

 

“Minhas dicas para quem está começando é: se você está endividado no momento, comece a pagar as dívidas com os maiores juros, e procure sempre negociar. Não espere tanto tempo para começar a investir, você pode começar com muito pouco, em algumas corretoras R$ 30 já são suficientes. E sempre alimente os sonhos e seus investimentos. Sem um objetivo, sua meta financeira se distrai muito fácil. Por isso, continue sonhando para se manter engajado”.

“Minha maior conquista foi ver a liberdade que tive após administrar bem meu dinheiro. Na verdade, o dinheiro me permitiu colocar minhas virtudes em primeiro lugar. Não preciso pegar um freela para algo em que ultrapasse meus princípios porque tenho uma boa reserva financeira que me permite escolher. Hoje poder viajar é outra conquista, algo que antes para mim era inviável devido ao meu padrão de vida insustentável. Isso tudo me fortaleceu muito. Quando você tem metas e objetivos claros na sua mente, ninguém te derruba”, orgulha-se.

 

Promessa de lucros elevados com baixo investimento atrai pessoas para esquema ilegal no país

Uma Pirâmide Financeira é um esquema empresarial onde a renda para os participantes vem da remuneração por indicação de novos membros, e por meio de uma aplicação financeira inicial, com a promessa de altos ganhos. No Brasil, essa prática é considerada ilegal, enquadrada na Lei 1.521/51: “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos”. Mas porque essa atividade atrai tantas pessoas?

Para o economista Junior Calza, a promessa de lucros elevados, rápidos e com baixo investimento faz com que muitas pessoas se sintam atraídas pelo modelo de negócio. “Os investidores de pirâmide preferem retornos rápidos e grandes, ao invés de retornos recorrentes e sólidos. Além da questão comportamental, a condição mental parte do princípio de quanto mais, melhor”, afirma. De acordo com Calza, a prática enquadra o consumidor a um estágio de irracionalidade para obtenção de um investimento e também considerada injusta por não haver condições de regulamentação para todas as empresas da área.

Para entender como funciona uma pirâmide financeira, basta saber que a pessoa no topo é a primeira a vender o bem ou serviço para outras pessoas, que também têm a obrigação de continuar com as vendas, formando vários níveis, ou cadeias, sempre com um novo “degrau”. Entretanto, em algum momento essa cadeia é rompida e os valores dos novos investidores deixam de ser suficientes para pagar os membros mais antigos, causando prejuízo a todos os participantes.

Muitas vezes o esquema de pirâmide pode ser mascarado com nomes de modelos comerciais diferentes, como por exemplo o marketing multinível (MLM), baseado na comercialização de produtos e serviços que é totalmente legal no país. Daí a necessidade de analisar corretamente um modelo comercial antes de começar a investir. Primeiro, segundo o economista, é necessário averiguar o conhecimento e o preparo dos vendedores e se a empresa possui registro em algum órgão regulador, como por exemplo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

 

Dicas para identificar um esquema de pirâmide financeira:

 

  • A duração do investimento é limitada e o produto oferecido tem pouca relevância ou é oferecido fora de valor de mercado
  • A propaganda é feita por meio de grandes reuniões e treinamentos que buscam impressionar potenciais interessados.
  • Não há registro em órgãos reguladores;
  • Antes de entrar para o investimento, investigue a empresa pelo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), órgãos de defesa do consumidor, Procon, sites de reclamações de consumidores

 

Glossário de termos econômicos

 

Compreenda alguns dos termos mais utilizados nas finanças:

 

Taxa Selic – A Taxa Selic é conhecida como a taxa básica da economia brasileira e funciona como referência em nosso país. Além disso, é um instrumento do Banco Central para controlar e manter as metas de inflação. Assim, a taxa de juros acompanha o movimento da Selic. Ou seja: quando a Selic está alta, os juros aumentam, tornando o crédito e os financiamentos oferecidos pelos bancos mais caros.

 

CDI – Por determinação do Banco Central, as instituições financeiras devem manter suas contas equilibradas diariamente. Assim, emitem títulos que são utilizados como empréstimo de um banco para o outro. Dessa forma, conseguem fechar o dia com saldo positivo. Estes títulos nada mais são que os CDIs (Certificados de Depósitos Interfinanceiros ou Interbancários).

 

IPCA – O IPCA é um índice criado para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final, e representa o índice oficial da inflação no Brasil. IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor e é medido mês a mês pelo IBGE.

 

Juros – Juro é a remuneração que o tomador de um empréstimo tem que pagar ao proprietário do capital emprestado. O juro pode ser simples ou composto. O juro é simples quando calculado sobre o montante do capital. É composto quando o juro vencido e não pago é somado ao capital emprestado, formando um montante sobre o qual é calculado o juro seguinte e assim sucessivamente. O juro composto é sempre maior do que o juro simples na medida em que é calculado sobre um montante cada vez maior.

 

CDB – Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) são títulos emitidos por instituições financeiras que remuneram o investidor por um prazo determinado no momento do investimento. Na prática, o investidor emprestará seu dinheiro para recebê-lo corrigido no futuro.

 

LCI – A LCI é a Letra de Crédito Imobiliário. Ela é um investimento de renda fixa emitido pelos bancos. Os recursos captados pelo emissor são utilizados para o financiamento das atividades do setor imobiliário. Em troca, ele oferece uma taxa de rentabilidade anual que é definida no momento da compra. A LCI também possui uma data de vencimento estabelecida. Assim, ao investir neste ativo, você já tem uma ideia de quanto o seu dinheiro irá render até o final deste prazo.

 

LCA – A LCA é a Letra de Crédito do Agronegócio. Ela também é um título de renda fixa emitido pelos bancos. A diferença para a LCI é o foco de investimento. Neste caso, a captação é direcionada para financiar as atividades do setor do agronegócio. Assim como para a LCI, a taxa de rentabilidade e a data de vencimento são definidas no momento da compra.

 

Fotos: Natália Zucchi 

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