Professor Luzzatto

Morre o professor e escritor Darcy Loss Luzzatto, aos 84 anos

Morreu na manhã desta segunda-feira (18) o professor e escritor Darcy Loss Luzzatto, 84 anos. Autor de 11 livros bilíngues, entre eles o dicionário Português/Talian, Luzzatto era reconhecido e admirado na Serra Gaúcha, sendo capa do Jornal Integração da Serra em setembro de 2014. Ainda naquele ano o professor era citado numa matéria do Jornal Nacional.

O professor era um defensor ferrenho do Talian, dialeto derivado do italiano reconhecido no final de 2014 como sendo patrimônio cultural no Brasil. Luzzatto é autor do dicionário de talian, que tem mais de 40 mil verbetes, além de ter lançado a primeira gramática da língua, que é comum principalmente no Sul do país. Em Serafina Corrêa, na Serra Gaúcha, o dialeto é a segunda língua oficial da cidade.

Em fevereiro deste ano a editora Araucária lançou a segunda edição do Dissionàrio Talian Portughese: Dicionário Talian Português, obra escrita e organizada por Luzzatto.

O professor era casado com Elisa Wenzel Luzzatto, pai de Antônio e Caroline e avô de Mariana, Maximilian, Carlota, Otto e Sebastião, atualmente residia, com a esposa em Pinto Bandeira, sua terra natal. O velório de Luzzatto está ocorrendo na Capela da Paz, em Pinto Bandeira. O corpo do professor será cremado na capela São José, em Caxias do Sul.

Sobre o Talian

Mistura de dialeto vêneto, lombardo, trentino, com um pouco de português “venetizado” que é falado na Serra Gaúcha, e em algumas regiões de Santa Catarina. A imigração italiana chegou àquelas colinas do sul brasileiro, naquele tempo cobertas somente pela Mata Atlântica, no final do XIX século, de 1875 em diante. A Itália fora unificada havia apenas quatro ou cinco anos e era um amontoado de falares distintos: a cada 50 quilômetros, as pessoas da península confabulavam em um dialeto diferente. Os colonos italianos, enviados ao interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, provinham especialmente das regiões no entorno de Veneza, dos campos de Treviso, Pádua, Belluno, das vilas do norte da alta Lombardia (Bérgamo, Bréscia) e dos Alpes do Trentino. Não falavam o italiano. No Brasil, tendo-se misturado entre si sem nenhuma divisão territorial, criaram com o tempo uma verdadeira língua comum, uma koinè diálektos, um nheengatu do sul em lugar do norte amazônico, que incluía termos dos vários dialetos transplantados para aquela região brasileira, com mais uma pitada de português filtrado por aquelas linguagens itálicas.Assim nasceu o Talian, que no final de 2014, com o Guarani e o Asurini do Tocantins, esteve entre as primeiras línguas reconhecidas como referência cultural brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Arte: Ernani Cousandier/Especial Integração da Serra 

1 responder
  1. Adriano Nervis
    Adriano Nervis says:

    Quanti pilastri ha una casa?
    Una a ga casca ancoi. Siamo senza un sataron.
    Che Dio aiuti a noi per mantenere il Talian vivo senza il Maestro.
    Siamo tristi di essere partito per un altro mondo, ma contenti del lavoro e degli insegnamenti che ci ha lasciato.
    Starà insieme con Dio.

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