Psicóloga Letícia

Para o quê o COVID-19 te faz olhar?

Por Letícia Simioni Schossler

Psicóloga- CRP 07/23986

Especialista em Psicologia Clínica- Ênfase em Psicanálise

Especialização em Constelações Familiares- Hellinger Schule (em andam.)

Contato: (54) 99121-3633

@psicologaleticiass

Escrever sobre saúde mental não é algo inédito, mas abordar o tema em um contexto de pandemia, sem dúvida o é. Fomos todos assaltados abruptamente, pegos desprevenidos por um vírus altamente contagioso e com potencial letal…noticiários, álcool gel, máscaras, limpeza redobrada, isolamento social, mudança de rotina…tudo na tentativa de nos mantermos saudáveis e cuidarmos uns dos outros, afinal, em nenhum outro momento o conceito sistêmico, de estarmos interligados uns aos outros ficou tão em evidência, já que nos preservando preservamos os outros.

Os cuidados em relação à saúde e ao corpo físico receberam um grande destaque, devido, naturalmente à demanda que se coloca frente ao cenário, porém, precisamos nos lembrar que somos um todo, mente e corpo unidos, e que por tanto, o adoecimento de uma das partes pode comprometer a outra parte também, sendo prudente nos mantermos atentos para não deixarmos de lado (em alguns casos mais e novamente) as expressões psicológicas e a saúde mental, tanto à nível individual como coletivo.

O que, então, cada um de nós pode fazer nesse momento de modo relativamente simples em relação à saúde mental? Em primeiro lugar, preste atenção às suas emoções, tome consciência, exercite olhar ora para dentro de si, ora para fora, considerando também o contexto. Quando sofremos perdas em geral (ex.: convivência familiar e social, trabalho, renda, etc.), não apenas em situações extremas (ex.: morte), é esperado que experimentemos algumas fases comuns aos seres humanos durante um processo de luto, como a negação, raiva, barganha/negociação, tristeza até a aceitação, que ocorrem de maneira concomitante. Além disso, estados de ansiedade, solidão, insônia, medo, tensão também podem se fazer presentes, tornando-se motivo de preocupação na medida em que passam a ser desproporcionais e/ou crônicos, sendo necessário a busca por escuta atenta e auxílio psicológico e psiquiátrico qualificado. É importante salientar que, justo nos momentos de crise, os aspectos que foram mais negligenciados ao longo da história de cada um (sejam eles físicos, mentais, sociais, espirituais, etc.), e que por tanto ficaram mais frágeis e vulneráveis é que passam a chamar mais e mais a nossa atenção, e por consequência, a nos demandar um olhar atento e ações eficazes.

É chegada a hora de nos questionarmos: o que para mim é salutar/o que me faz bem, o que desejo manter e investir em minha vida (relacionamentos, trabalhos, vínculos, estilo de vida, etc.) e o que talvez posso agradecer e compreender que já não seja mais compatível com quem sou, e claro, qual é realmente a minha essência e o meu propósito em meio à tudo isso? Essas são algumas questões que podem auxiliar a dar um sentido frente ao fim das certezas que até pouco tempo atrás acreditávamos existir.

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