Eleições municipais 2020: Quem irá governar Bento Gonçalves?

Casa Amarela

Há um ano das eleições, mais de dez nomes cotados à Casa Amarela

Por Rodrigo De Marco

Edição Kátia Bortolini 

Em 11 de outubro de 2020, o município de Bento Gonçalves vai completar 130 anos de emancipação política com o término da segunda gestão do prefeito Guilherme Pasin (PP), já sabendo quem será o próximo a assumir o executivo municipal em 1º de janeiro de 2021. Há um ano das eleições municipais, com primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2020, diretórios de partidos políticos sediados em Bento Gonçalves começam a se movimentar e possíveis candidatos aparecem na vitrine como concorrentes ao cargo de Prefeito. As especulações ganham forma e, das dezenas de nomes que têm sido ventilados no município, poucos realmente estariam dispostos a participar de mais uma corrida rumo a desejada “Casa Amarela”. Mesmo assim, discursos já começam a ser ensaiados por alguns nomes que, de forma discreta, já indicam quem deve estar na disputa.

O Jornal Integração da Serra contatou os citados nessa especulação política: Aido Bertuol, Alcindo Gabrielli, Amarildo Lucatelli, Cesar Gabardo, Diogo Siqueira, Eduardo Virissimo, Evandro Speranza, Fortunato Janir Rizzardo, Juarez Piva, Moacir Camerini, Paulo Caleffi e Rafael Fantin. Também foram contatados Adroaldo Dal Mass e Rafael Pasqualotto, que não deram retorno à reportagem.

O que dizem os possíveis candidatos

Aido Bertuol

Aido Bertuol/PSDB

Foi prefeito de Bento Gonçalves de março de 1986 a dezembro de 1988, pelo então PMDB. Foi eleito como Vice de Ormuz Rivaldo, que renunciou ao cargo. Assumiu novamente como Prefeito, de 1993 a 1996, também pelo PMDB, hoje MDB. Atualmente, é Vice-Prefeito do município pelo PSDB. Sobre a hipótese de ser candidato, disse categoricamente que são apenas especulações. “Não tenho essa pretensão. Eleição se decide nas convenções. Nesse momento não sou pré-candidato”, afirmou.

Gabrielli

Alcindo Gabrielli/MDB

Foi prefeito de Bento Gonçalves de 2005 a 2008, após ter atuado como Vereador em duas legislaturas consecutivas, de 1993 até 2000. “Realmente existe essa possibilidade. Estamos à disposição do partido, mas o que for definido será cumprido com carinho. É uma decisão partidária. Como já fui Prefeito, não tenho receio em enfrentar de novo essa missão… mas é uma missão que primeiro depende de uma decisão coletiva”, reiterou. “Penso que Bento Gonçalves pode se desenvolver mais, principalmente no aspecto coletivo”, acrescentou.

Lucatelli

Amarildo Lucatelli/PP

Vereador licenciado e Secretário Municipal de Viação e Obras Públicas, Amarildo Lucatelli afirmou categoricamente que é “soldado do partido” e está de prontidão para concorrer novamente à Câmara de Vereadores ou ao Executivo Municipal. “Estamos trabalhando. Já tivemos várias reuniões. Se acharem que devo ser candidato a Vereador novamente, serei. Se acharem que posso ir como candidato a Prefeito ou Vice, também topo. Estou sim entre os pré-candidatos. Me vejo em plenas condições de ser o próximo Prefeito de Bento Gonçalves”.

Siqueira

Diogo Siqueira/PSDB

Secretário Municipal de Saúde e ex-prefeito do município de Santa Tereza, em dois mandatos consecutivos, Siqueira assumiu a pasta em 2016 e tem se destacado na função, contornando crises. A mais pontual foi a da greve dos médicos, ocorrida em dezembro daquele ano. Siqueira afirmou que, no momento, “o foco é continuar coordenando a Secretaria da melhor forma possível”.

Eduardo Veríssimo 2

Eduardo Virissimo/PP

Vereador licenciado e Secretário Municipal de Juventude, Esporte, Lazer e Habitação e Assistência Social. Virissimo é um dos nomes cotados como cabeça de chapa do PP.

“Existem outros bons nomes, mas o partido pensa no meu como um dos principais, pelo trabalho que vem sendo feito à frente da Secretaria, com bons resultados, e por eu ter concorrido a uma cadeira na Assembleia Legislativa, no ano passado. Tenho pensado só em trabalhar, em servir, que é o meu papel, praticamente 24 horas por dia. A minha missão hoje é atuar como Secretário e ser reconhecido pelo trabalho prestado. Se dentro desse tempo o projeto do diretório incluir o meu nome, talvez me coloque à disposição. É uma decisão que será tomada com o aval da família e das pessoas em que confio. Entendo que Deus coloca

em nossas vidas missões que não imaginávamos. Se Deus capacitar, com certeza não vou fugir da missão”.

Speranzza

Evandro Speranza/PL

Evandro Speranza, que concorreu à prefeitura de Bento Gonçalves no pleito de 2016, adianta que também participará da próxima eleição, novamente como cabeça de chapa. “Sou candidato à prefeitura de Bento Gonçalves pelo PL. Já estou em campanha, conversando com várias pessoas de comunidade. Meu objetivo é ser Prefeito porque podemos fazer diferente, elegendo prioridades, o que é mais importante. Bento pode muito mais. Não podemos ser uma cidade de fachada, temos que fazer reformas estruturais, atender nosso povo”, afirma.

Rizzardo

Fortunato Janir Rizzardo/PDT

Ex-prefeito por dois mandatos, de 1977 a 1983, pela extinta Arena, hoje PP e, de 1989 a 1992, pelo PDT. Rizzardo diz que, no momento, não há nada definido, mas que está se reunindo com lideranças do PDT para avaliar a possibilidade de sua candidatura. Mesmo cuidadoso com as palavras, deu a entender que está pensando em concorrer.

Cesar Gabbardo

Cesar Gabardo/MDB

Candidato à prefeito em 2016, Cesar Gabardo disse que não pensa em concorrer, mas admitiu uma certa pressão por parte do partido para se postular ao próximo pleito. Ele acrescenta que, no momento, uma possível candidatura acarretaria dificuldades na condução de seus negócios e com parte de sua família.

Piva

Juarez Piva/PDT

Juarez Piva, também candidato a prefeito nas eleições de 2016, afirma que seu nome está novamente à disposição do partido para a chapa majoritária. “Os integrantes do diretório estão se reunindo para analisar a situação. Tem muitas questões a serem discutidas e aprimoradas, visando o lançamento de boas candidaturas pela sigla ao próximo pleito, tanto para o Executivo como para o Legislativo de Bento Gonçalves”, salienta.

Dentinho

Rafael Fantin/Novo

Rafael Fantin, o “Dentinho” adiantou que está disposto a concorrer pelo partido, ao cargo que for indicado.

O Partido Novo vivia a expectativa até o início desta semana se poderia ou não ter algum candidato ao governo municipal. Segundo o presidente do diretório municipal, Marcelo Carraro, em entrevista concedida na última semana, o Partido Novo, por ter uma metodologia diferente das demais siglas, ainda não havia definido nada. “O diretório nacional está avaliando o cenário político de Bento Gonçalves para liberar ou não a participação de filiados na próxima eleição municipal. Essa definição está sendo aguardada para até o final desse mês de outubro. Se houver essa aprovação, qualquer filiado pode se inscrever para o processo seletivo. Temos filiados interessados em participar”.

A definição foi positiva e o Partido Novo vai ter candidato concorrendo nas eleições do próximo ano. Com o número de 150 filiados, está apto a abrir processo seletivo para lançar candidaturas ao Executivo e ao Legislativo da cidade. As inscrições para a seleção estão abertas em querosercandidato.novo.org.br

Além de Bento Gonçalves, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Erechim e Santa Cruz do Sul devem contar com candidaturas do NOVO nas eleições de 2020. “Qualquer cidadão pode participar do processo seletivo e a primeira fase não inclui nenhum custo aos candidatos. O perfil desejado contempla desde comprovada capacidade de gestão, trajetória de sucesso, reputação ilibada, capacidade de mobilizar apoiadores para ajudar a sustentar a campanha, além de um profundo alinhamento com a filosofia liberal e capacidade de diagnóstico dos problemas da cidade bem como também das soluções a serem implementadas”, adianta o presidente do NOVO RS, Alexandre Araldi.

Caleffi

Paulo Caleffi/PSD

Estreou como concorrente a cargo político nas eleições de 2018, como candidato a Deputado Federal. Recebeu mais de 31 mil votos, ficando na suplência do deputado Danrlei de Deus. Caleffi admite a hipótese de concorrer à prefeitura de Bento Gonçalves. “Como falta um ano para o pleito, temos tempo para pensar. Essa é a minha leitura atual”, afirma.

Camerini 5

Moacir Camerini/PDT

Vereador em segundo mandato, Moacir Camerini tem sido o centro das atenções da política em Bento Gonçalves. O Vereador é acusado de ter dado ordens para ex-assessores criarem perfis falsos e fake news, utilizando computadores do Legislativo. Mesmo com a polêmica envolvendo seu nome, Camerini se mostra confiante para as próximas eleições e diz estar preparado para concorrer à prefeitura de Bento Gonçalves.

“Já faz um ano que estou como pré-candidato. Não pretendo mais concorrer a Vereador. O atendimento a maioria das demandas da comunidade depende do Executivo. Quero atuar diretamente na resolução dos problemas da cidade. Se o PDT entender que eu não serei o nome, vou concorrer por outro partido. Tenho recebido convites de diversos partidos. É muito cedo ainda para avaliar a questão de partido. Entendo que hoje a maioria das pessoas vota na pessoa, no candidato. Elas estão cada vez mais desconsiderando o partido”, afirma.

Tesser

Volnei Tesser/ Cidadania (Ex-PPS)

Ex-vereador por dois mandatos, Ex-secretário de Administração e do Meio Ambiente, Volnei Tesser afirma que é pré-candidato a prefeito para o pleito eleitoral de 2020. Segundo ele “o partido está se mobilizando e fazendo reuniões praticamente toda semana, ouvindo os partidos e também a comunidade”.

Tesser salienta ainda que está preparado para a corrida à Casa Amarela.

“Eu já fui várias vezes vereador, secretário municipal, tenho uma longa experiência em cargos que fui eleito pelo povo, além de que acho importante ouvir bastante a população porque a política é bem dinâmica. O partido se dispõe a atender as reivindicações da população. Hoje sou concursado do município e tenho formação, além de economia, também em administrador de gestão pública. É importante salientar também que o partido a nível municipal tem quase 600 filiações”, pontua.

Diretório Municipal do PT

Segundo o presidente do diretório do partido no município, Juvelino Milese, o PT vai apresentar candidato à majoritária. “O partido está cogitando dois nomes para concorrer à majoritária, que serão apresentados a outros diretórios de esquerda”, complementa. Milese não quis adiantar os nomes desses candidatos.

Pasin 2

Metas do prefeito Pasin para o seu último ano de mandato

“Hoje, o município de Bento Gonçalves alcança altos índices na saúde e educação. Somos o primeiro Município acima de 100 mil habitantes no Idese, e isso nos diferencia. Somos uma cidade favorável para o empreendedorismo, crescemos muito na questão turística. Estes índices precisam continuar crescendo. A cada momento surgem novas necessidades, novas prioridades. Um compromisso que vamos concluir e que já está em tramitação é a construção do túnel de acesso norte da nossa cidade, importante avanço na questão de infraestrutura e uma demanda da população. Bento tem que voltar a sonhar com obras grandes. Um projeto que iniciamos há alguns anos e também queremos concluir são as parcerias público-privadas. Veja bem, hoje o Estado do Rio Grande do Sul não possuí nenhuma PPP em andamento, por diversas questões, principalmente a burocracia que barra que isso desenvolva. Então o desejo é que aqui em Bento tenhamos o andamento da PPP da energia através dos Resíduos Sólidos Urbanos, o que acredito que vai ser uma das grandes fontes de arrecadação e manutenção financeira da nossa cidade. E também a da iluminação pública, que irá proporcionar economia para população, segurança, e mais um passo como cidade inteligente, que nós estamos muito bem ranqueados. As duas estão em andamento e nos remetem a um patamar de qualidade mundial. Isso vai fazer com que nossa cidade que já tem uma saúde muito bem avaliada, uma educação de qualidade, viva um novo momento. E, também, recentemente fomos o primeiro Município que assinou o contrato para integrar o programa cidade empreendedora com o Sebrae. Isso vai garantir sequência aos projetos que estão sendo trabalhados, qualificação do empreendedor”. 

Mudanças na Lei Eleitoral

Vetadas coligações na eleição para Vereadores

As eleições de 2020, para escolha de Prefeitos e Vereadores em todo o país, apresentarão uma inovação que está no texto da nova lei eleitoral. Trata-se da proibição de coligações na eleição para Vereadores. A coligação de partidos apenas será permitida para a chapa majoritária, de Prefeito e Vice. Para Vereador, é cada um por si. A medida evita que partidos sem ideologias semelhantes se coliguem somente para o fim de atingir o quociente eleitoral, o que ficou conhecido como ‘efeito Tiririca’.

Coligação proporcional já tem limites

Já foi aplicada na eleição de 2018 uma disposição que exige para eleição dos candidatos desempenho mínimo nas urnas. Para se eleger, o candidato deverá atingir 10% dos votos do quociente eleitoral exigido para a referida eleição. “Um exemplo: se temos dez cadeiras e 100 mil votos válidos, logo o quociente partidário será de 10 mil. Isso quer dizer que a cada 10 mil votos o partido tem direito a uma cadeira. Entretanto, só poderão ser eleitos os candidatos que atingirem 10% do quociente eleitoral, que neste exemplo é de, no mínimo, 1 mil votos para ser eleito”.

Prazos e regras para os registros dos candidatos

As convenções partidárias para as escolhas das nominatas de candidatos devem ocorrer entre os dias 10 e 30 de junho de 2020. No dia 5 de julho de 2020, a Justiça Eleitoral encerra o recebimento dos pedidos de registro de candidatura apresentados por partidos políticos.

Consequentemente, o candidato – escolhido em convenção partidária – tem o direito de ter seu nome indicado no momento do pedido de registro de candidatura, que deve ser feito pelos partidos políticos e pelas coligações partidárias dentro do prazo estipulado em lei. Entretanto, caso o partido, injustificadamente, deixe de fazer esse pedido dentro do prazo, o candidato poderá fazê-lo. Essa é uma medida que visa resguardar o futuro candidato de eventuais falhas ou arbitrariedades cometidas por partidos que não queiram indicar as pessoas legitimamente escolhidas em convenção partidária.

No momento do pedido de registro de candidatura, os partidos devem respeitar a cláusula de reserva de gênero, que os obriga a reservar vagas para cada sexo. De acordo com essa cláusula, não é possível registrar apenas homens ou apenas mulheres. Será necessário garantir vagas para cada sexo dentro dos percentuais de, no mínimo, 30% e de, no máximo, de 70%. 

Propaganda eleitoral: o que pode e o que não pode?

Início da propaganda

A propaganda eleitoral será permitida somente após o dia 15 de agosto do ano que vem, desde que não envolva o pedido explícito de voto.

A lei não considera propaganda eleitoral antecipada o anúncio de pré-candidatura ou a exaltação pelo pré-candidato de suas qualidades pessoais.

Propaganda no rádio e na TV

É proibido qualquer tipo de propaganda eleitoral paga no rádio e na televisão. A propaganda gratuita é permitida nos 35 dias anteriores à antevéspera das eleições.

Propaganda ‘cinematográfica’

Nas propagandas eleitorais, não poderão ser usados efeitos especiais, montagens, trucagens, computação gráfica e desenhos animados.

Propaganda eleitoral na imprensa

São permitidas, de 15 de agosto até a antevéspera das eleições, a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na internet do jornal impresso.

Propaganda na internet

É permitido fazer campanha na internet por meio de blogs, redes sociais e sites. Partidos e candidatos poderão contratar o impulsionamento de conteúdo (uso de ferramentas, gratuitas ou não, para ter maior alcance nas redes sociais). Está proibido o impulsionamento feito por pessoa física.

Sem ofensas

É crime a contratação direta ou indireta de grupo de pessoas para enviar mensagens ou fazer comentários na internet para ofender a honra ou denegrir a imagem de candidato, partido ou coligação.

Propaganda na rua

É proibido fazer propaganda de qualquer natureza (incluindo pinturas, placas, faixas, cavaletes e bonecos) em locais como cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, templos, ginásios e estádios, ainda que de propriedade privada.

A proibição se estende a postes de iluminação pública, sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes e paradas de ônibus, árvores, muros e cercas.

Material de propaganda

É permitido colocar bandeiras na rua, desde que não atrapalhem o trânsito de pessoas e veículos. Também pode colar adesivo (de 50 cm x 50 cm) em carros, motos, caminhões, bicicletas e janelas residenciais.

“Envelopar” o carro (cobri-lo totalmente com adesivo) está proibido. No máximo, poderá ser adesivado o para-brisa traseiro, desde que o adesivo que seja microperfurado.

Camiseta e chaveiro

Na campanha eleitoral, é proibido distribuir aos eleitores camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou outros bens.

Outdoor proibido

É vedada a propaganda eleitoral em outdoors, inclusive eletrônicos.

Alto-falantes

O funcionamento de alto-falantes ou amplificadores de som é permitido entre as 8h e as 22h. Porém, os equipamentos não podem ser usados a menos de 200 metros de locais como as sedes dos Poderes Executivo e Legislativo, quartéis, hospitais, escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros (quando em funcionamento).

Cabos eleitorais

A contratação de cabo eleitoral é permitida, mas respeitando alguns critérios conforme a quantidade de eleitores no município.

Comícios

A realização de comícios e o uso de aparelhos de som são permitidos entre as 8h e a meia-noite, exceto o comício de encerramento da campanha, que poderá ir até as 2h da manhã.

 

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