sala de aula vazia

Quase 600 alunos já abandonaram os bancos escolares de Bento Gonçalves em 2019

Números de evasão escolar são considerados elevados e mantêm a média de 2018

A evasão escolar atinge números preocupantes em Bento Gonçalves. De acordo com o conselheiro tutelar, Leonides Lavinicki, a média de alunos fora da escola é praticamente a mesma entre 2018 e 2019. No último ano, segundo ele, de janeiro a agosto, 575 estudantes pararam de frequentar os bancos da escola. Já neste ano 599 alunos já deixaram de ir para escola entre janeiro e agosto. Os números são da Ficha Comunicação de Aluno Infrequente (FICAI). Os motivos são variados, e o problema fica ainda mais preocupante no ensino médio. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Rio Grande do Sul tem a maior taxa de reprovação no ensino Médio, no Brasil. Segundo uma pesquisa divulgada em maio deste ano pelo órgão, o índice é de 20,1%, indicando que, em média, um em cada cinco estudantes não passaram de ano em 2018 no Estado. Para o conselheiro tutelar, os números são mais uma mostra de que o aluno, ao chegar no ensino médio se depara com dificuldades maiores e não atingindo o êxito na escola acaba desistindo dos estudos.

Conselheiro tutelar Leonides Lavinicki

“Os pais costumam dizer que o filho não quer mais ir para a escola. Eu acho que a qualidade do que ele aprende é insuficiente. Quando chega as primeiras provas que ele sente que não foi bem ele percebe que não adianta mais ir e desiste dos estudos. A aprendizagem é um dos fatores principais para a infrequência e evasão escolar”, explica.

O Conselho Tutelar realiza mensalmente aproximadamente 50 visitas em famílias com problemas de evasão escolar. Nas palavras de Lavinicki, o órgão municipal está fazendo a sua parte tentando alertar os pais e também o Ministério Público. Ele reforça, no entanto, que uma ação mais enfática por parte do poder executivo poderia fazer grande diferença no combate aos números referentes a evasão.

“Faz parte das políticas públicas o conselho orientar o poder executivo nas ações que têm que tomar, assim como enviar os dados para o ministério público para tomarem as medidas cabíveis. Como conselheiro tutelar vejo que não houve políticas públicas do executivo para a educação. Deveriam investir mais na qualificação dos professores e também no financeiro deles para que se sintam bem para trabalhar. Se o professor ganhar mal ele não vai para a sala de aula feliz e não vai dar uma boa aula. O conselho tutelar faz a sua parte. Estimamos que 1/3 dos alunos retornam à escola através do trabalho do conselho tutelar, mas infelizmente, 2/3 dos alunos infrequentes não retornam aos estudos”, lamenta.

Ainda segundo Lavinicki é a própria escola que faz os primeiros alertas de que o aluno está faltando em demasia.

“A ficha de infrequência escolar de primeiro momento é a escola que faz. Quando o aluno tem cinco faltas consecutivas no mês, a escola abre e se informa com a família e se a criança não retornar o caso chega ao conselho tutelar. E se configura evasão quando o jovem não voltar mais à escola. A partir deste momento o conselho tutelar faz a notificação aos pais ou responsáveis. Damos a advertência, e se não retornar encaminhamos a ficha para o Ministério Público, que pode ajuizar uma ação contra o pai e a mãe do estudante”, salienta.

Futuro incerto

O conselheiro tutelar acrescenta ainda que a falta de investimento na educação pode ser um agravante na segurança pública da cidade, quando for considerado que os alunos, hoje infrequentes no ambiente escolar, poderão ingressar na criminalidade.

Aluno resistente

Os motivos que fazem com que o aluno desista de frequentar a escola são variados, porém, um dos principais fatores, segundo o FICAI, é a resistência que o jovem apresenta, seguida pela suspeita de negligência (do Estado, em caso da falta de vaga ou do familiar responsável) e distorção de idade/série. Outros fatores que também são elencados por Lavinicki e que são confirmados pelos números apresentados pela FICAI são relacionados a falta de transporte escolar, suspeita de envolvimento com drogas e gravidez na adolescência.

Evasão escolar

É o que ocorre quando um aluno deixa de frequentar a escola e fica caracterizado o abandono escolar, e historicamente é um dos tópicos que faz parte dos debates e análises sobre a educação pública.

Infrequência escolar

Quando o aluno deixa de ir em algumas aulas de forma consecutiva, mas que volta à escola. Ele acaba tendo uma média alta de faltas, caracterizando como um aluno infrequente.

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