Sustentabilidade

Plantas bioativas na sustentabilidade de Bento Gonçalves é conteúdo de curso de extensão no Instituto Federal 

A agricultura sustentável e a agroecologia são temas em voga, que têm atraído o interesse de estudantes de diversas áreas do conhecimento. Prova é a procura pelo curso de extensão Plantas Bioativas na Sustentabilidade de Bento Gonçalves que, desde o último dia 7 de maio, está sendo ministrado no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), com aulas todas as terças-feiras, das 18 às 22 horas e carga horária de 160 horas. Houveram 50 inscritos para 30 vagas. O conteúdo do curso engloba desde plantas medicinais e plantas alimentícias não convencionais até a manipulação em agroindústria.
De acordo com Luis Rupp, um dos professores, o curso é decorrente de edital aberto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), para tratar deste tema da agroecologia, segurança alimentar e nutricional e plantas alimentícias não convencionais (PANC). Ele ressalta que o tema é de extrema importância em função da contaminação de bacias hídricas com agrotóxicos. “Isto reforça que precisamos capacitar mais e mais pessoas a produzirem sem uso de agrotóxicos”, afirma.

Feira Ecológica
Há 20 anos, a população de Bento Gonçalves conta com a Feira Ecológica, que oferta produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e pesticidas, em cinco edições de rua por semana, entre duas no centro e a dos bairros Cidade Alta, Juventude e São Roque. Além de produtos orgânicos, também são comercializados produtos típicos da gastronomia
local, como tortas tirolesas, biscoitos, pães, cucas, entre outros, todos certificados pelo Selo Sabor de Bento. A coordenação fica a cargo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Agricultura, em parceria com a Associação dos Produtores Ecológicos de Bento Gonçalves (APEB).

Segundo o presidente da APEB, João Sonza, a população, de uma forma geral, ainda precisa se conscientizar mais sobre a importância do consumo de orgânicos.

“Ainda falta muita informação. Muitas vezes as pessoas observam detalhes depreciativos na aparência dos orgânicos, até pela própria criação. A maioria das nossas instituições de ensino estão preparadas apenas para orientação de produtos convencionais. Isso dificulta a população a diferenciar os produtos convencionais dos ecológicos. Se formos comparar os produtos oferecidos na feira com os encontrados nos supermercados há muitas diferenças. A feira ecológica poderia ser mais procurada pelos consumidores, mas a população está tão habituada a ir ao supermercado, que não encontra tempo para ir ao local”, observa ele.

Sonza acrescenta que a APEB está reivindicando à prefeitura a instalação de uma estrutura coberta para a feira ecológica. “Entendo que o poder público tem o conhecimento dos avanços nos últimos anos na estruturação da feira ecológica. Houveram melhorias, mas ainda tem muito a crescer, não só na parte da agroecologia, mas também no
segmento da produção convencional. Precisamos de um espaço físico próprio para favorecer o acesso da população e acomodar melhor os feirantes, hoje a mercê do tempo”, explica.

Vestuário e produtos de higiene
A Feira Ecológica de Bento Gonçalves inclui a comercialização de produtos orgânicos para higiene pessoal e vestuário da empresa Akara, da educadora agroecologista Natália Giacomello, graduada em Filosofia e Projetos sociais. Natália está coordenando vários projetos em Bento Gonçalves, entre eles, o EKOciência, com encontros periódicos voltados à disseminação da cultura sustentável, com exibições de filmes e discussões sobre a temática ambiental. Ela ressalta que optou por trabalhar no ramo comercial de produtos orgânicos e ecológicos por motivos socioambientais.

“Quando decidi que empreenderia no ramo comercial de produtos orgânicos e ecológicos tinha três objetivos: o primeiro era colocar à disposição do consumidor alguns produtos já consolidados no ramo, mas que o público de Bento Gonçalves ainda estava sem acesso; o segundo era causar e permitir que o escopo do “ecológico” fosse ampliado, isto é, não ficasse restrito ao acesso a alimentos orgânicos e fosse expandido para o âmbito da
cadeia de produtos de uso pessoal, presentes em nosso cotidiano e que têm um impacto ambiental grande, principalmente no que diz respeito à produção de resíduos e poluição, quanto à preservação e promoção de nossa saúde. O terceiro objetivo era potencializar os meios para que o acesso a esses produtos não fique restrito a uma elite favorecida econômica e financeiramente. Afinal de contas, numa nação onde impera a desigualdade e a exploração, quem mais precisa estar amparado pela prevenção às intempéries e economia de recursos? Os produtos ecológicos cumprem essas duas funções, com certeza”, explica.

Conforme Natália, a tendência ao consumo de orgânicos no Brasil tem manifestações evidentes em dois grupos. “O primeiro formado por uma classe socialmente favorecida. No segundo encontram-se os grupos e comunidades que dependem da natureza para sua sobrevivência. Ainda neste segundo grupo, estão as comunidades urbanizadas, que
buscam soluções para suas demandas de emprego e acesso a tecnologia e serviços”, complementa.

Lixo eletrônico

A Associação Ativista Ecológica de Bento Gonçalves (Aaeco), localizada na rua Livramento, bairro Juventude, arrecada em média seis toneladas de lixo eletrônico por mês. Atualmente, a Aaeco é a única ONG ambientalista em atividade no município.

“A Associação tem 12 anos de existência. Com o passar dos anos adquirimos mais experiência e adotamos uma postura menos radical na busca de soluções para os problemas ambientais da cidade. Hoje, o nosso maior desafio é aumentar o quadro social da entidade, tanto pela questão do voluntariado, como pelo auxílio financeiro das mensalidades. Poderíamos atuar mais pela causa ambiental, mas tem vezes que não temos nem combustível suficiente para atender a demanda. Quem ajudar a Aaeco também ajudará a cidade”, salienta o secretário da ONG, Gilnei Rigotto. O atendimento ao público é de segunda a sexta, das 8 às 12 horas e das 13h30 às 17h30. O telefone para contato é (54) 3452-9710.

Sustentabilidade (matéria IFRS)

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