Com dificuldades financeiras, Bento Vôlei cobrará mensalidade para atletas das categorias de base

Famílias de crianças e adolescentes contribuirão com mensalidade a partir de maio. Presidente e coordenador das categorias de base justificam a cobrança em função da falta de patrocinadores

A realidade financeira do Brasil não é das mais pujantes e o reflexo é sentido também no esporte. O Bento Vôlei, instituição criada em 1999, também tem absorvido os efeitos do momento negativo. Após abandonar a Superliga (principal competição de voleibol do país) em 2017 por falta de recursos e patrocínios, o clube voltou a atenção para as categorias de base. As aulas, que eram gratuitas para crianças e adolescentes, agora terão uma mensalidade a partir de maio. Atualmente 140 crianças participam do projeto de categorias de base e estão divididas nas categorias Mini (sub 11), Mirim (sub 13), Infantil (sub 15) e Infanto Juvenil (sub 18), nas modalidades masculino e feminino. De acordo com o presidente do clube, Romildo Rizzi, o valor será de R$ 50 reais para a categoria Mini (sub 11) e de R$ 100 reais para as demais categorias.

 

“Estamos instituindo uma mensalidade para complementar o projeto de Categoria de Base, que tem um enfoque mais competitivo. Isso foi necessário pois todo o esforço de buscar recursos através do imposto de renda não foi suficiente para cobrirmos os custos do Projeto. Entendemos que estamos vivendo um momento econômico onde os recursos estão escassos. Fizemos uma reunião com os pais e explicamos isso detalhadamente. Também explicamos que o nosso objetivo não é excluir ninguém, que se tiver alguma família que tem dificuldade em pagar este valor deve nos procurar (ou a Comissão de Pais) para buscarmos alternativas”, explica.

 

A Comissão de Pais, formada por representantes de cada categoria, serve de interlocução entre os pais e a diretoria. “Cada categoria tem um grupo de WhatsApp, onde recebem as informações e os líderes conduzem os assuntos. O que se percebe é que tem pais que não querem se envolver e depois entendem as coisas de forma equivocada”, lamenta.

 

O ano de 2019 deve ser um dos mais difíceis para o Bento Vôlei. A esperança de dias melhores está na aposta em um projeto que pode dar fôlego ao clube. “O desafio é transpor este ano, que entendemos ser o mais crítico. Estamos contando com a aprovação de um Projeto de Base no Pró-Esporte para conseguir isso (só com o valor das mensalidades não dá para cumprir o compromisso assumido em participar do Campeonato Gaúcho, os custos são muito altos).  Depois, buscaremos recursos para 2020”, diz.

 

Ainda de acordo com Rizzi, as categorias de base são de extrema importância, porque têm por objetivo principal formar cidadãos e não apenas atletas. “O nosso objetivo principal não é formar atletas profissionais, mas sim, cidadãos com valores e que possam contribuir para uma sociedade melhor. Evidente que vibramos quando temos atletas que seguem a carreira profissional. Mas o grande trabalho está nas centenas de adolescentes que passam pelo Bento Vôlei e carregam consigo os bons valores que o esporte proporciona”, destaca.

 

Com a palavra, o coordenador da base

 

O coordenador das categorias de base, Mauricy Jacobs, compartilha do mesmo pensamento do presidente do clube. Para ele, a situação do Bento Vôlei não é diferente das demais associações esportivas, culturais e assistenciais do município, estado e país, já que todas dependem de recursos financeiros para exercer suas funções e estes recursos provém de diversos modos. O pagamento de mensalidade também é justificado com a ideia de que o clube oportuniza as melhores condições de treino e professores para os atletas, independente da idade.

 

“São três treinadores de nível nacional, que já atuaram em competições da Superliga A, ou seja, da mais alta qualidade. O clube oferece treinamento técnico na quadra (duas horas por dia), totalizando 10 horas de treino semanal para cada categoria. Para isto, paga um alto aluguel pela utilização dos três ginásios usados para treinamento das equipes, com exceção do ginásio municipal,  que é gratuito. São mais três horas semanais de treino físico em academia, orientados por professor de Educação Física habilitado a trabalhar nesta área, pagos pelo clube, ou seja, são 13 horas semanais de treinos, isto sem contar quando viajam para competições, que normalmente são 12 horas ou mais de atividades”, explica.

 

Mauricy explica ainda que cada atleta recebe três camisas de treinos, três calções ou bermudas para treinos e jogos, camisas de passeio, uniformes para competição. Em cada ginásio são disponibilizadas de 15 a 20 bolas oficiais, utilizadas nas competições da Federação Gaúcha de Voleibol, que possuem alto custo para sua aquisição”, destaca.

 

Na opinião do coordenador, mesmo com todas as dificuldades financeiras, o clube está entre os melhores do país no quesito formação de atletas. “São grandes os desafios. O maior é buscar recursos para viabilizar as atividades. É sabido que as empresas não patrocinam as categorias de base como forma de negócio ou desenvolvimento de mídia. Isto é feito somente na Superliga Nacional. Outra dificuldade é o tempo que o trabalho demora para apresentar resultados. Para formar um atleta, é necessário no mínimo seis anos de treinamento, aprendizado, competições, e muita capacidade para ensinar a jogar voleibol competitivo. Fica mais fácil para os grandes clubes, que possuem recursos para contratar atletas já formados do que investir muito tempo e dinheiro neste processo. Por este motivo, são raros os clubes formadores de atletas no Brasil. O trabalho que o Bento Vôlei desenvolve, garanto, é um dos melhores dentro dos clubes formadores no Brasil”, salienta.

 

Bento Vôlei (categoria de base)

 

 

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