Erotismo na tela

Temática é explorada pela jovem artista bento-gonçalvense Lua Verruck, em suas telas com tinta à óleo

Por Rodrigo De Marco

“O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia”. A frase é da escritora francesa, Anais Nin (1903-1977), que marcou época com livros de contos e romances eróticos. A arte do erotismo, no entanto, é ainda um tabu em rodas de debate e continua “provocando” os bons costumes e os mais conservadores. Mesmo assim, a artista plástica Luani Verruck (conhecida por Lua Verruck), bento-gonçalvense, 24 anos, aposta em pinturas voltadas ao erotismo, com traços que marcam seu estilo sem pudor.

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Temas impactantes

Lua começou a fazer os primeiros rabiscos na infância e, ao longo dos anos, aprimorou seu estilo. Em 2012, começou a desenhar a lápis. Em 2016, passou a pintar com tinta a óleo personagens marcantes do cinema de terror. Em 2018 começou a se aventurar em pinturas eróticas.“O erotismo e o terror são dois temas muito impactantes, podendo causar os mais variados sentimentos. Aquela coisa de ame ou odeie. Gosto de pintar o que pode, de alguma forma, trazer sentimento. Não consigo descrever o que eu faço. Acredito que sejam pequenos estudos sobre amor, sentidos, liberdade”, reflete.

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As redes sociais, atualmente, são ferramentas cada vez mais utilizadas por artistas. O Instagram está entre as mídias de destaque e que tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Lua sabe disso, e é justamente no Instagram que compartilha a maioria de suas pinturas. Com mais de 6,4 mil seguidores, a artista afirma que a internet possibilitou que suas obras fossem reconhecidas até mesmo fora do Brasil. “A internet abre caminhos, o alcance é infinito. Graças a ela consegui fazer uma pintura para a Alemanha. Eu nunca imaginei que uma pintura minha poderia ir tão longe. Foi inexplicável. É aquele empurrãozinho dizendo para continuar”, comemora.

A arte de Lua provoca e, por isso, também causa reações nem sempre positivas. A artista diz que já foi bloqueada no Instagram em virtude de denúncias e faz uma reflexão sobre o preconceito que ainda existe sobre trabalhos artísticos de cunho erótico.

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“É estranho as pessoas se ofenderem com anatomia humana, não? (risos). Acredito que a próxima geração compreenda melhor esses assuntos, que tenhamos uma sociedade com mais empatia não só em relação à arte, mas nas questões humanas também. Espero poder, de alguma forma, contribuir para que isso aconteça. Van Gogh dizia que gostaria que suas obras tocassem as pessoas. Acredito que essa seja a intenção da maior parte dos pintores. Criar algo que marque as pessoas, algo que traga reflexão sobre suas relações, sobre seus preconceitos, algo que desperte desejos, sentimentos”, salienta.

Erótico pop

O “proibido” conquistou um espaço que até então circulava apenas pelo cenário underground. Alguns artistas apostam em pinturas que retratam o corpo humano longe da perfeição, muitas vezes exploradas pelo cinema comercial. O artista plástico italiano Riccardo Manelli pode ser assinalado como sendo um desses artistas. Manelli transita por uma linha pouco convencional, mas que tem caído no gosto popular. Homens, mulheres, gordos, magros, tatuados, pouco importa, já que para o artista, a temática do erotismo não segue um padrão. O erótico é também psicodélico e é compartilhado no Instagram e também no Pinterest, redes muito utilizadas por ilustradores da nova geração. Um exemplo é o canadense Jean-Francois Painchaud, conhecido por Phazed, que explora a temática em pinturas repletas de cor e brilho. E quem nunca deu uma bisbilhotada na página Petites Luxures, no Instagram? O diferencial está no minimalismo, grande aposta do ilustrador francês. Sua identidade não é revelada, mas nem é necessário, já que seus desenhos carregam toda leveza do erótico e têm conquistado milhões de seguidores.

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O erotismo sem tabus é abordado também pela ilustradora italiana, Frida Castelli, com a poesia dos corpos intrínseca. Com mais de 300 mil seguidores no Instagram, a ilustradora provoca com pinturas de forma livre e sem meandros. No cinema, mesmo que de forma mais discreta, o erotismo tem conquistado espaços importantes. O polêmico diretor dinamarquês, Lars Von Trier, lançou em 2013 o longa “Ninfomaníaca”. No mesmo ano, foi lançado o cultuado “Azul é a Cor Mais Quente”, dirigido pelo franco-tunisino Abdellatif Kechiche. O filme é baseado no romance gráfico Le bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh.

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