Battle in the Cypher

Festival, que comemora 10 anos em 2019, acontece entre os dias 15 e 21 de abril, em Bento Gonçalves

Por Rodrigo De Marco

Entre os dias 15 e 21 de abril acontece a 10ª edição do Battle in The Cypher em Bento Gonçalves, um dos maiores e mais valorizados eventos da cultura Hip Hop da América do Sul. Com uma estimativa de público de aproximadamente 10 mil pessoas, a edição 2019, que terá sete dias de programação, promete ser uma das maiores da história. Em 2018 o festival se destacou com o prêmio conquistado na categoria culturas populares do Ministério da Cultura.

O dançarino Pedrinho Festa é um dos organizadores do festival e destaca a importância do evento para a cidade. “São dez anos acreditando na batalha e fazendo o festival de forma praticamente independente, movimentando a cena num cenário de pessoas que muitas vezes tem fonte de renda mais baixa. Estamos trazendo galera de toda América do Sul”, diz.

Um dos desafios, de acordo com Festa, é buscar novidades em cada edição. Uma das atrações de destaque deste ano é o rapper paulista Marcelo Gugu.

“Marcelo Gugu é um artista renomado, cantor de rap. A exposição de jaquetas vai continuar em homenagem ao banks (morto em 2017), que foi uma das pessoas mais importantes e influentes da cultura hip hop. A grande novidade é conseguir se manter, levando em conta que o espaço pró-cultura está reduzido em vários lugares”, destaca Pedrinho.

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União e perseverança

Ao citarmos o nome Battle in the Cypher, de imediato relacionamos o evento a Pedrinho Festa e William Sarate Ballestrin, que há 10 anos fazem a cena hip hop acontecer em Bento Gonçalves. Ballestrin destaca a união e perseverança para que o festival crescesse cada vez mais.

“Dançamos há alguns anos juntos e a ideia do Battle sempre foi de fomentar algo que gostamos muito. Queríamos agregar algo pra cena na cidade, já que muitas vezes tínhamos que sair de Bento para irmos para outros estados e prestigiar um evento de nível”, destaca. “Conseguimos nos 10 anos produzir algo de consistência e qualidade, e hoje as pessoas vêm até nós para participar do Battle”, destaca.

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“A edição de 10 anos representa a resistência e persistência, de muitas vezes não conseguir apoio e fonte de financiamento. Tivemos muitas pessoas que contribuíram com coração. É uma ideia de preservar as raízes, a essência, de divulgar e fomentar a cultura em si. Conseguimos sempre fazer com a ajuda de muitas pessoas que acreditaram na ideologia do evento”, reforça Ballestrin.

O battle da galera

Bernardo Duarte, de 16 anos, é um dos destaques da nova geração que compõe o Battle in the Cypher. O garoto começou a dançar e ter incentivo na cultura hip hop através de um projeto social, quando tinha 12 anos. Neste ano, além de participar dançando, Duarte está também na organização do evento.

“Em 2016 eu já estava dançando há mais tempo e fui em todos os dias do festival. Na época venci a batalha de iniciante. O Battle é um evento que motiva e, quando eu estava iniciando na dança, foi um belo incentivo, porque eu nunca imaginei conversar com dançarinos de outros países e estados para trocar experiências”, recorda.

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Duarte destaca ainda a importância de dançarinos de outros países participarem de um evento latino-americano na cidade da uva e do vinho. “O Battle in The Cypher me mostrou muito da cultura hip hop, porque eu praticava apenas graffiti e break, mas a cultura abrange também MC e DJ, e me mostrou todo o universo. A ideia não é levar pra fora, mas trazer pessoas de fora pra cidade e ver o hip hop que acontece aqui”, salienta.

A dança de Ramony

A união e o coletivo faz a diferença entre os participantes do Battle in The Cypher. A história de vida da jovem Ramoniele Janaira, conhecida como Ramony, mudou em 2017, ano em que veio participar do evento em Bento Gonçalves.

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“Sou de Teresina-Pi e moro em Bento Gonçalves à aproximadamente 2 anos. Eu comecei a acompanhar o Battle In The Cypher em 2015, mas só em 2017 conseguir vir para o evento, na ocasião eu decidi que queria morar no Sul e não só fazer parte, e sim ser parte do BITC”, recorda.

Ramony destaca ainda a importância do festival para sua vida. “Hoje o BITC tem uma grande importância na minha vida e na minha caminhada dentro do hip hop, foi onde eu tive contato mais afundo com Graffiti, Turntablism e o Rap. Eu tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis que hoje fazem parte da minha vida. Nessa edição espero que todas as pessoas venham de corpo e alma, para que possamos compartilhar muitas coisas boas e celebrar esses 10 anos da grande festa que é o Battle In The Cypher”, salienta.

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