Phoro: produtora musical uruguaia que aposta na música eletrônica lança segundo disco

Por Rodrigo De Marco

Patricia Horovitz (Phoro), lançou o álbum “Aljibe” em novembro do último ano e participará de um curta-metragem dirigido por bento-gonçalvenses

A música pode ser descrita como sendo a mais maleável de todas as expressões culturais, com gêneros que se moldam a diferentes estilos. Alguns artistas se destacam pela versatilidade e ganham o tão disputado espaço da indústria fonográfica. A produtora musical uruguaia, Patricia Horovitz está entre os nomes de destaque da nova geração da música eletrônica. Adotando o nome artístico Phoro, tem ganhado um espaço importante na cena latino-americana. Em novembro do último ano a artista lançou o segundo álbum intitulado “Aljibe”. Um dos sucessos da cantora, “Drive into the Night” (fruto do primeiro disco de nome homônimo lançado em 2014) foi escolhida para estar presente na trilha sonora do curta-metragem gaúcho “Lola 27”, dirigido pelos bento-gonçalvenses Rodrigo De Marco e Giana Milani, que será lançado no primeiro semestre deste ano. O Jornal Integração da Serra conversou com Patricia, que contou sobre sua história na música e as perspectivas para novos trabalhos.

Artista uruguaia

Integração da Serra: No segundo álbum, intitulado “Aljibe”, tu manténs o estilo dançante do teu som. Comparando com o primeiro trabalho, de que forma tu poderias descrever o lançamento desse segundo álbum?

Patricia: Neste segundo álbum, a informação música e tecnologia é outra. Eu passei anos tocando ao vivo em festas eletrônicas em Berlim, na Alemanha, e em vários outros países, tendo tempo para me dedicar exclusivamente a isso. Era quase o inverso do primeiro álbum em que eu tinha de fazer amigos com a cena eletrônica. Nesta nova oportunidade com “Aljibe” eu tinha que voltar a reconhecer o formato “canção”. Eu usei meus conhecimentos em produção de música eletrônica e os apliquei em outro formato. Posso dizer que meu estilo é uma mistura entre trip hop, dream pop, rock, downtempo, experimental, ambiente com histórias fantásticas e de sonhos. O fator hipnótico e profundo nos sons é algo que está sempre presente.

Integração da Serra: Tu já te apresentastes em diversas localidades, países da América do Sul. Como está sendo o processo de divulgação desse novo trabalho?

Patricia: A verdade é que estou muito feliz com tudo o que está sendo gerado com esse novo trabalho. Deixei o show e comecei a tocar músicas antigas e novas com uma banda. Desde que o álbum foi lançado, tivemos um grande interesse do público. Mas a coisa mais linda e importante que surgiu é que fomos chamados para tocar no PrimaveraSound Festival, em Barcelona, no mês de maio.

Integração da Serra: Você já esteve no Brasil, inclusive se apresentando em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Como foi a experiência de tocar no país naquela oportunidade?

Patricia: Foi uma experiência surreal, não há nada mais interessante do que conhecer as pequenas cidades e, claro, seus habitantes. Na época (em 2016) eu me apresentei no Festival de Música de Rua e eu fiz o único show de solista com uma proposta eletrônica. Muitos vieram me perguntar sobre o que era meu projeto e como eu tocava a música que saía dos alto-falantes. A maioria não tinha ideia do que era o show, ou das drummachines e outros equipamentos envolvidos no show, e eu adorava mostrar e explicar. Eu também achei super bonito poder levar minha música para outros locais. Eu costumo tocar em boates nas primeiras horas da manhã e nunca vejo crianças ou adultos em shows. Foi extenuante, mas muito divertido e me fez sentir como se estivesse no caminho certo, sem contar que os brasileiros são um público muito amigável, feliz e aberto. Também gerou relacionamentos que me levaram a tocar em outros festivais no Brasil, como o 061 Satellite Festival, em Brasília.

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Integração da Serra: Quais são suas influências musicais?

Patricia: Que pergunta difícil de responder. Eu acho que minhas influências na música vão um pouco além do que eu ouvi ou toquei ao longo da minha vida, acho que tem mais a ver com a minha história e com o meu mundo interior, muito visuais. Fui criada por uma mãe e um arquiteto artista. Como uma pessoa sensata, minha mãe ouvia música boa e interessante do Pink Floyd, Black Sabbath, Isao Tomita (música clássica japonesa feita com módulos), ópera e música clássica, como Mozart, Bach, Ottorino Respighi, Camille Saint-Saëns, entre outros. Na minha adolescência eu amei Soda Stereo, Cerati, Depeche Mode, Nirvana, The Cranberries, PJ Harvey e depois me apaixonei por blues. Eu comecei a tocar em pequenos bares com uma banda de blues onde alguns membros até triplicaram ou quadruplicaram minha idade. Eu tinha apenas 18 anos de idade. Eu amo os blues mais crus e antigos da escola, como Howlin Wolf, Big Mama Thornton, R.L. Burnside. Embora a música que faço seja essencialmente eletrônica, acho que o jeito de cantar, algumas notas e sentimentos, estão muito ligados ao blues.

Integração da Serra: Conte sobre essa sua inspiração também da arte visual e outras influências provenientes do universo onírico.

Patricia: O visual também influencia muito a minha música, muitas vezes me inspiro no que vejo dentro de mim, sendo uma ilustradora (desenhei a capa de vários álbuns, até o meu) e designer industrial, que é uma parte importante de mim. Eu vejo histórias, texturas e cores que eu traduzo em sons. O oposto também acontece. Os sonhos também são uma inspiração muito viva para a minha música, eles são uma parte importante da minha vida, são a porta para esse mundo fantástico, misterioso e incompreensível que me obceca tanto. A porta para “Aljibe”. Outra grande influência é minha formação em música de trilha, eu tenho uma carreira paralela (eu até faço a curadoria artística de uma gravadora) nisso. Este ano haverá vários lançamentos meus neste gênero. Passei muitos anos tocando em festas eletrônicas em formato ao vivo, mas também outro tipo de música. Eu morava em Berlim e lá aprendi muito, consegui muito nesse estilo e sempre me apaixonei. Passei muitos anos dedicados a isso e agora que voltei com o novo álbum, eu transformei todo o meu conhecimento de produção de música de trilha neste novo projeto, então esse estilo é uma grande influência, sem dúvida.

Artista Uruguaia3 by Bruno Nogueira

Integração da Serra: A sua música “Drive Into The Night” estará no filme curta- -metragem “Lola 27”. Como é participar de um projeto brasileiro voltado para o audiovisual?

Patricia: Estou mais do que animada para participar com essa música em Lola 27. Para começar, estou muito interessada em todo o tema LGBT. Sinto muita empatia com o trans e com os arrastos, eles me parecem pessoas muito corajosas e fortes, com uma capacidade gigantesca de autoconhecimento. Eles são aqueles que sabem muito claramente quem são, apesar do corpo que os tocou. Isso é algo extremamente poderoso e elevado ao meu entendimento. É preciso ter muita convicção e coragem para viajar pela vida como trans. “Drive Into The Night” é uma das primeiras músicas que compus e continua a ser a minha favorita e a que melhor me descreve.

Integração da Serra: E como foi que começou a adotar o nome artístico de Phoro?

Patricia: Comecei a produzir música sozinha, em minha casa, sentada em frente ao computador, pois, francamente, a necessidade mais forte era criar. Comecei a carregar minha música nas minhas redes sociais com meu novo pseudônimo “PHORO” e rapidamente houve pessoas que começaram a mostrar interesse. As reproduções subiram. Eles me escreveram mensagens pensando que eu era um homem porque eu não coloquei fotos de mim mesmo, (foi um pouco a ideia de enganar o público). Logo houve propostas para tocar em um festival, me encontrei com o organizador, falei que ia fazer. Mas eu não tinha ideia de como, já que as músicas que eu fiz eram para serem tocadas com uma banda e eu não tinha nenhuma, o show durou um mês. A maneira como pensei em levar as músicas para o show é através do live. E foi assim que comecei. Eu joguei este formato por vários anos até que eu senti que para fazê-lo crescer eu realmente precisava de uma banda. Então, como eu disse antes, eu me apaixonei pelo submundo da música track, minimal, techno, house, house, electro, acid, e passei vários anos tocando apenas isso. Agora voltei com um novo álbum e uma incrível banda de músicos muito poderosos que me apoiam e tudo está tomando um novo rumo. O curso que comecei no começo era o que eu havia planejado.

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