Uma jornada de autoconhecimento

Os jornalistas Carina Furlanetto e João Paulo Mileski rodarão a América do Sul de carro com o projeto “Crônicas na Bagagem”, em uma expedição que deve durar até dois anos. Eles pretendem escrever sobre suas experiências na redes sociais (instagram: @cronicasnabagagem e facebook.com/cronicasnabagagem), no site www.cronicasnabagagem.com e nas páginas do Integração da Serra.

Crônicas na Bagagem (2)

O título da nossa primeira coluna no Integração resume o propósito do que estamos buscando em uma viagem que pretende passar por pelo menos 10 países da América do Sul e por todos os estados do Brasil. Mais do que uma simples expedição, estamos nos preparando para, a partir do próximo dia 18, iniciar uma jornada de desprendimentos, descobertas e autoconhecimento.

Desapegamos de muitas coisas, juntamos nossas economias e abrimos mão do conforto não apenas pela experiência e sonho de escrever sobre o cotidiano em uma cidade diferente a cada nascer do sol, mas para, aos 31 anos, abrirmos as janelas da alma e conhecermos a nós mesmos.

Queremos nos permitir viver tudo o que há para viver, e o primeiro passo, para tornar isso possível, foi deixar de esperar o momento certo ou o carro ideal. Trancamos as faculdades – a Carina cursa Psicologia e o João, Filosofia -, alugamos o apartamento e abrimos mão de empregos. Sobrou, além da renda do aluguel, as nossas economias de uma vida e um Renault Sandero 2014, o que acreditamos ser o suficiente para uma jornada que se propõe, sobretudo, a espiar o que há ao nosso redor e olharmos para nós mesmos, despidos de um endereço, condição social ou registro profissional, mesmo que o preço, para isso, seja abrir mão de qualquer tipo de conforto – uma simples casa, que seja – ou possibilidade de investimento no futuro.

Crônicas na Bagagem (1)

Foram meses de conversas, reflexões e aprendizados que nos levaram à conclusão de que passamos as nossas vidas acumulando, quase como uma obsessão, em um círculo sem fim, o que não apenas nos torna reféns de um sistema, como nos consome a ponto de sequer sabermos quem, de fato, somos, e o que, de fato, estamos fazendo para tornar o mundo melhor. Não temos respostas a essas perguntas, mas estamos fazendo o que acreditamos ser o necessário para alcançá-las, mesmo que isso exija questionamentos e renúncias a convenções sociais, o que, acredite, não é fácil.

A estimativa é que o projeto dure em torno de dois anos. Nas redes sociais, compartilharemos fotos, crônicas e vídeos não apenas do nosso cotidiano, mas de tudo o que tocar o nosso coração. Em uma mistura inusitada entre jornalismo e literatura, estamos determinados e entusiasmados para descrever o que nossos olhos puderem ver e nossos sentidos experienciar. O que levamos da vida são as experiências que vivemos, as pessoas que encontramos, os lugares que visitamos. O que carregamos diz muito de quem somos e ao traduzir nossas vivências em palavras, elas se transformam e ganham asas para também inspirar quem nos lê.

Talvez essa seja a nossa forma de tornar o mundo melhor, ou apenas parte do processo para chegarmos a essa resposta. Esse é apenas o começo de uma longa jornada.

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